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Irã: Ajoelhou tem que rezar

Editorial da edição nº 32 do Jornal Luta de Classes.

A imprensa apresenta o Acordo Irã-Brasil-Turquia como uma nova fase nas relações internacionais, sendo o Brasil um “novo elemento” no cenário mundial, e Lula o grande estadista que “enfrentou os EUA” e “soube colocar o Brasil entre os grandes”.

Até gente de esquerda comprou o gato como se fosse lebre. E, alguns mais afoitos ou mais impressionistas, já chegam a apresentar o Brasil, a China e a Rússia, como “novos imperialismos emergentes”.

Para os marxistas, o papel de Lula é um dos mais lamentáveis ao utilizar o enorme capital político que o PT e ele próprio tem entre os trabalhadores em todo mundo, a serviço de uma operação para submeter o regime iraniano aos desígnios de Washington.

Obama escreveu a Lula apoiando a negociação com o Irã e sugerindo condições. Dizia: “Uma decisão do Irã de enviar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para fora do país geraria confiança e diminuiria as tensões regionais por meio da redução do estoque iraniano”. O acordo celebrado em Teerã prevê exatamente isso.

Entretanto, um dia depois, os Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha, apresentaram na ONU uma proposta de novas sanções contra o Irã.
Absolutamente claro. Lula fez com que o Irã aceitasse o que os EUA exigiam. Ótimo, disse Obama, agora vamos buscar mais. Já que ajoelhou, tem que rezar.

E Lula, feito de bobo por seu parceiro, para se explicar “vazou” a carta de Obama para a imprensa. Pior a emenda que o soneto. Além de confirmar ser um emissário de Obama comprovou que fora descartado. Emissário traído.

Belíssima estréia na arena mundial como “imperialismo emergente” ou líder de “nova potência mundial”!

Um fiasco típico de um governo de nação atrasada dominada pelo imperialismo que está disposto a fazer o que os senhores do mundo pedem.

Quando o Iraque foi atacado, Lula disse que não apoiava porque “não havia sido decidido pela ONU”. Se Bush fosse mais jeitoso ele teria como “explicar” isso no PT, na CUT, etc. Isso não impediu Lula de receber o “companheiro Bush” com churrasco durante os ataques.

Os EUA raptaram Aristide, presidente do Haiti, e Lula se dispôs a liderar a tropa de ocupação. Está aí até hoje.

Quando Ahmadinejad esmagou os protestos contra sua fraude eleitoral com milhares de presos e centenas de mortos Lula comparou os protestos de massa com reclamação de torcida quando perde o jogo.

Um Partido de Trabalhadores não deveria aceitar esta política externa reacionária e antisocialista. Ela é produto da colaboração de classe com a burguesia e do abandono da luta contra o imperialismo. O Brasil continua um peão no grande jogo dos imperialismos dominantes.

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