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Eleitoralismo e conciliação de classes marcam dois primeiros dias do Congresso da CUT

Confira a análise prévia deste Concut

A abertura do 13º Congresso da CUT ocorreu na noite do dia 7 de outubro, segunda-feira. Na mesa de abertura, entre os convidados, estavam Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad e Dilma Rousseff, além de representantes do MST, da UNE, de outras centrais sindicais, de movimentos sociais e delegações internacionais. As falas, em quase sua totalidade, foram de vanglória ao ex-presidente Lula.

No plenário, seguidos cantos de Lula livre e camisetas, cartazes e faixas no mesmo sentido. Pouco se falou da crise do capitalismo e dos ataques aos direitos trabalhistas, previdenciários e privatizações. Nada se falou da necessidade de os trabalhadores lutarem pela revolução socialista. A derrubada de Bolsonaro não fez parte da pauta, nem de longe.

A ex-presidente teve uma fala destacada de quase uma hora. Em um discurso antiteórico e marcado por inverdades, Dilma “explicou” ao plenário do CONCUT que o “neoliberalismo” teve várias tentativas de se implantar no Brasil, primeiro com Collor e FHC, de forma parcial, mas que só agora com Bolsonaro consegue se estabelecer. Segundo Dilma, os governos petistas impediram o liberalismo no Brasil. Ela versou também sobre o governo Bolsonaro, o qual classificou de “neofascismo”. Disse que o neofascismo se diferencia do fascismo pelo fato de ser entreguista e não nacionalista. E que, se seu governo não sofresse o “golpe”, não haveria reforma da previdência e nem reforma trabalhista. Esqueceu de dizer ao plenário que Lula aprovou uma Reforma da Previdência e que a atual começou a ser gestada justamente em seu governo.

Nunca é demais explicar, não existe hoje fascismo no Brasil. Bolsonaro é um governo ultraliberal de ataque aos trabalhadores e a serviço do mercado financeiro. E, para tal, tenta se colocar como um Bonaparte, pretensamente acima das classes e apoiado na espada do judiciário e no aparelho repressor.

Neoliberalismo é o termo criado por teóricos da universidade para o período com a política de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, para explicar uma suposta nova etapa do capitalismo, particularmente o período pós 2º guerra mundial. Entretanto, os marxistas compreendem que a etapa atual do capitalismo é a imperialista, descrita por Lenin em 1916. Nesta etapa do sistema, o capital busca saídas para sua crise histórica como a destruição força de trabalho na busca por mercado. Em outras palavras, reduzir o custo do trabalho, seja retirando direitos trabalhistas e previdenciários, seja organizando guerras e fechando postos de trabalhos. E esta situação se desenvolve no Brasil em todos os governos, sem mais, nem menos nos governos petistas. Basta lembrar da privatização do Campo de Libra, de áreas petrolíferas, portos e rodovias. Isso sem falar do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que teve consequência a transformação do país em uma plataforma de exportação agromineral e desindustrialização. Portanto, o discurso de Dilma é um desserviço teórico à classe.

O encerramento da cerimônia ocorreu com o presidente da CUT, Vagner Freitas, puxando a palavra de ordem “ei, Bolsonaro, vai tomar no…”. Esse canto viralizou durante o Carnaval e expressava o ódio popular ao governo recém eleito. No entanto, é vazia de conteúdo político quando dita por uma liderança sindical do país. Obviamente, é uma escolha desferir o ódio vazio ao invés de, por exemplo, puxar a palavra de ordem Fora Bolsonaro e colocar na pauta o clamor popular das massas.

Seminário internacional: sindicalismo e novas tecnologias

Ainda na segunda-feira, mas durante o dia, ocorreu um seminário com convidados internacionais, em que o centro do debate foi o que chamaram de o “novo sindicalismo” no “novo mundo do trabalho”. O evento abriu o CONCUT e foi financiado pela Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB).

As discussões foram totalmente impressionistas, portanto, vazias de teoria e de ação.

A luta dos sindicatos deveria ser para reverter esse processo de destruição dos empregos e dos direitos, o que só pode se concretizar de fato com a derrubada da burguesia do poder. Mas, os sindicalistas no CONCUT concluem que o mundo do trabalho mudou e, portanto, os sindicatos também devem mudar. Dizem que as novas formas de trabalho exigem novas forma de organização. Se deparam com a queda no número de filiados, desinteresse da juventude e assembleias vazias. E concluem que o problema é a estrutura dos sindicatos que não é mais atrativa. Quando na verdade são os sindicatos que abandonaram o trabalho de base e a luta anticapitalista. Isso levou ao afastamento dos trabalhadores de suas entidades e certamente não atrai a juventude, afastando o jovem de participar de um ambiente de desanimados burocratas.

2º dia – Conjuntura e Estratégia

Na terça-feira pela manhã iniciou-se o debate de conjuntura, internacional e nacional. A posição da direção executiva da CUT foi apresentada pela mesa. Nada de novidade. Reproduziu-se a linha política de que existe uma onda reacionária na sociedade, um governo fascista e que a única saída para a situação de ataque aos direitos é a libertação de Lula e sua eleição como presidente. Destaque para o tom de culto heroico a Lula, que é apresentado pelos dirigentes cutistas como o único capaz enfrentar a ofensiva da burguesia, menosprezando, desta forma, a força da classe trabalhadora. Nenhuma avaliação crítica foi colocada a cerca dos governos petistas de conciliação de classes. Aliás, essa é atmosfera que domina o congresso, que tem como tema “Congresso Lula Livre”.

Contraditoriamente, em nenhum momento foi apresentada a posição de anulação da operação Lava Jato – uma fraude jurídica – e combate às podres instituições burguesas que condenaram Lula. Pelo contrário, insistem na institucionalidade e dizem que Lula provará na justiça que ele é inocente (mesmo que o tenham condenado sem provas).

Ao texto de conjuntura política, escrito pela direção executiva, não foi permitido nenhum tipo de emenda e não foi aberto para intervenções do plenário. Somente representantes de forças políticas que compõe a direção atual puderam falar. Os delegados não puderam opinar, comentar ou criticar a análise exposta. Métodos antidemocráticos e antioperários.

No período vespertino, iniciou-se o debate sobre estratégia – continuidade do ponto anterior – e mais uma vez os delegados não puderam se inscrever para falar. O microfone foi liberado para apenas cinco intervenções, que teriam que ser de representantes de forças políticas. Havia muito mais inscritos do que vaga, então foi feito um sorteio de quem falava, e nós da Esquerda Marxista não tivemos direito a voz, pois não fomos sorteados.

Na votação das emendas sobre estratégia, destaque para votação que aprovou que “para a estratégia da CUT é essencial a ação permanente em órgãos multilaterais como a OCDE, OEA e BRICs e outros” e a votação que estabelece “colocar na agenda o tema eleição e incentivar a produzir plataformas e composições com forças progressistas”. Participação em conselhos tripartites é a integração dos trabalhadores nos organismos de gestão e negócios dos patrões. Por forças progressistas, entende-se partidos burgueses tidos como parceiros. Todos sabem onde essa receita vai levar. Os dois primeiros dias foram um palco eleitoral e sem nenhuma estratégia de como a classe derruba esse governo e levanta-se diante de seu algoz.

Vamos continuar o relato, da próxima vez abordando o terceiro e o quarto dia de Congresso da CUT.

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