Suspensão das aulas presenciais em Joinville já!

Ao mesmo tempo em que noticiários não escondem o descontrole da pandemia, com grande número de novos casos, colapso na saúde em diferentes regiões do país e número elevado de mortes pela Covid-19 (média móvel de 1.300 mortes diárias), vários municípios insistem na retomada das aulas presenciais.

Em Santa Catarina, que conta até esta semana com 648.017 casos confirmados de Covid-19 e já soma 7.044 vidas perdidas para a doença, conforme boletim do governo, e onde 9 a cada 10 vagas de UTI estão ocupadas, ainda assim o governo impôs a retomada das aulas presenciais.

Os fatos não deixam dúvidas: no afã do governo de retomar a economia e privilegiar o capital e o lucro, são ignoradas orientações de especialistas e da ciência, ao custo, hoje, de 248 mil vidas humanas perdidas para a pandemia. Os governos insistem em forjar uma normalidade que é desmentida aqui e ali pela realidade: caos causado pela falta de leitos, o drama recorrente das transferências de pacientes de uma cidade para outra, o desabafo dos profissionais de saúde e da educação, extenuados pela jornada de trabalho ou abatidos pela perda de algum familiar ou amigo.

A verdade é que protocolos 100% seguros não existem e o vírus continua circulando por aí, não só em festas concorridas e nas praias, resultado de discursos negacionistas e da conivência de uma fiscalização frágil, mas, principalmente e a despeito do que a mídia expõe, nos ônibus com lotação acima da capacidade aceitável para afastar o risco de contaminação (trabalhadores não tiveram a opção do isolamento social) e nas escolas, onde as promessas de protocolos seguros somadas às necessidade das populações mais carentes levam pais e professores a assumirem os riscos de criarem meios para uma maior circulação do vírus. A única ação efetiva para barrar a contaminação do vírus é o fechamento imediato das indústrias e serviços não essenciais e o funcionamento remoto das escolas.

Governo do Novo quer acabar com a aposentadoria dos servidores

Em Joinville, a troca de governo (do MDB para o Novo) não mudou em nada a política de combate à pandemia e sequer houve trégua na política aberta de destruição do serviço público. A pandemia, com todas as suas graves implicações, não foi capaz de tirar do foco da Prefeitura o plano de arrombar o Instituto de Previdência e o bolso dos servidores. O projeto de lei do executivo, que começa a ser discutido está semana na Câmara de Vereadores de Joinville, aumenta a alíquota de contribuição dos servidores de 11 para 14%, amplia a idade para a aposentadoria, reduz os vencimentos do servidor e, ao fim e ao cabo, nada garante em relação ao futuro da categoria.

Sucateamento da Educação em tempos de pandemia

Na Educação, a Secretaria do município chegou a anunciar uma reestruturação do ensino híbrido, prevendo rodízio de turmas, entrega de tablets para alunos sem acesso à internet e criação de turmas de ensino 100% remoto, com professor exclusivo para orientar os alunos pelo aplicativo “Fale com o professor” enquanto seu substituto contratado atenderia no ensino presencial.

A realidade é bem outra (ou a mesma já conhecida): há várias escolas com falta de professores, equipe pedagógica desfalcada (supervisão, orientação e auxiliar de direção), auxiliar de educador sendo desviado de sua função para atender turmas, e não para por aí. O professor que teve que retornar ao ensino presencial vê-se na maratona de planejar aulas para cada 15 dias, atender no presencial, alimentar a plataforma on-line e, ao que parece, ainda terá que prestar atendimento on-line, o que, obviamente, não cabe no horário das suas horas atividades, e para o qual nem sempre conta com suporte de internet adequado.

Já o professor da rede que conseguiu se manter no ensino remoto, porque comprovou comorbidade ou coabitação com idosos ou grupo de risco, e que deveria alimentar a plataforma com os roteiros de estudos e atender no aplicativo, está sendo orientado a fazer também o atendimento do aluno do presencial, o que caberia ao professor substituto que o governo não contratou. Ou seja, entre promessas não cumpridas e o descompasso entre as escolas, o professor sente na prática todas as pressões de uma rotina nova, de escassez de recursos, de exposição a riscos e de ataques a direitos, que vão do seu descanso semanal a sua aposentadoria.

Em vez de aproveitar a experiência do ano passado para corrigir as fragilidades do ensino remoto, o governo Adriano ignora a avaliação que mantém Joinville no “nível gravíssimo” de risco para a pandemia, hesita em tomar medidas mais restritivas e opta pela saída mais barata para o governo: jogar a responsabilidade para os gestores da escola, pais e professores.

Na contramão da necessidade de concurso público e de investimento robusto na educação, com disponibilização de equipamentos e internet grátis para toda a rede, a Secretaria de Educação ainda zera a cota de impressão para as escolas. Assim, professores convivem com o drama de precisar fazer contas para financiar (e financiando de fato), máquinas copiadoras para a escola, ao custo de 6 mil ao ano, porque a prefeitura não renovou contrato com a empresa fornecedora das máquinas e o limite de cópias contratado estourou no ano passado, já que foi o único recurso disponível para a maioria dos alunos estudarem. A escola em tempos de pandemia trabalha com falta de recursos até para imprimir material de ensino e documentos.

Temos que combater tudo isso. Nossas expectativas de educação pública não se assentam sobre essa escassez de recursos, voluntarismo dos professores e otimismo desarrazoado de que tudo vai acabar bem. Nosso ponto de partida deve ser a defesa intransigente da vida, sob as bases da ciência e da informação, e da saúde e ensino públicos, gratuitos e de qualidade para todos.

É preciso exigir que o prefeito Adriano decrete a suspensão imediata das aulas presenciais, até que toda a população seja vacinada.

  • Aula presencial só com vacina para todos!
  • Direito à educação remota com exigência de internet, computadores e todas as condições necessárias, para alunos e professores!
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