Nota sobre o “apoio crítico” do PSOL à candidatura de Paulo Porto (PT) para a prefeitura de Cascavel

A Esquerda Marxista de Cascavel, que nestas eleições municipais impulsiona a candidatura do camarada e Professor Herman Christhopher, vem por meio desta nota manifestar sua crítica a Resolução de “apoio crítico a candidatura de Paulo Porto (PT) a prefeitura de Cascavel” aprovada pela direção do PSOL neste último sábado, dia 17/10. Neste sentido, procuraremos apontar aqui o que a Direção Municipal do PSOL em Cascavel não fez em sua resolução que é exatamente o de apresentar a crítica ao PT, suas alianças, traições e limitações de seu projeto político. “Apoio crítico sem crítica” não é apoio crítico!

Neste sentido, apresentaremos aqui não apenas nossa crítica ao PT, mas, também, a direção do PSOL, pela forma burocrática e capitulacionista como conduziu o processo de apoio à candidatura do PT em Cascavel, abrindo mão nestas eleições do lançamento de uma candidatura própria ao executivo e de utilizar e aproveitar o processo eleitoral para levar uma campanha realmente séria pelo Fora Bolsonaro e em defesa do Socialismo.

Quanto ao PT, sempre deixamos claro nossa crítica a este Partido, que com sua aliança e política de colaboração de classes com a burguesia não só traiu a confiança da classe trabalhadora, submetendo seu movimento e suas organizações para a manutenção e administração do sistema capitalista através do reformismo, como ainda procura vender a ilusão aos trabalhadores de que somente o “Estado Democrático de Direito”, diga-se de passagem o Estado e a Democracia burguesa, podem dar fim às injustiças sociais e garantir um futuro melhor a todos. Assim o PT, desde que adotou sua política eleitoral e de colaboração de classes, procurou sempre bloquear a radicalização das lutas dos trabalhadores, jogando baldes de água fria em seus movimentos e buscando explorá-los eleitoralmente. O eleitorismo do PT e sua política de colaboração de classes foram fatores determinantes na degeneração e capitulação deste partido ao capitalismo e aos interesses da burguesia, assim como para derrotas decisivas aos trabalhadores e, por isso, para a ruptura de uma parcela significativa da classe trabalhadora e operária com o partido.

O PT, em seu início, teve a oportunidade de organizar a classe trabalhadora dentro de um eixo de independência de classe, porém, abriu mão da independência do movimento dos trabalhadores, adotou a política e mantra da colaboração de classes, impôs um regime burocrático severo ao movimento e sempre que lhe convém, para conquistar ou manter-se no poder a qualquer custo, estabelece alianças com as forças mais reacionárias e inimigas da classe trabalhadora. Fatos como a aliança entre PT e PSL em mais de 140 municípios demonstram que a luta contra o “bolsonarismo” não passa de um discurso enganoso.

Paulo Porto, que durante muito tempo foi filiado ao PCdoB e já fizera parte da gestão de Lísias Tomé (PSDC) 2004-2008, filiou-se recentemente ao PT para concorrer a prefeitura. Como vereador foi um dos, talvez o único, ainda que timidamente, a defender os movimentos sociais na câmara de vereadores de Cascavel neste último período, o que fez com que parte da juventude e da classe trabalhadora se identificasse com sua candidatura, inclusive a direção do próprio PSOL. E aqui passamos então para nossa crítica ao “apoio crítico” do PSOL a candidatura de Paulo Porto e ao PT.

Na maioria das reuniões do PSOL realizadas esse ano, o partido decidiu por levar uma batalha por uma candidatura própria, sem coligações, buscando manter a independência política do PSOL. Em Cascavel, o partido é composto pelas correntes MES (grupo “majoritário”), LRP, Resistência, nós da Esquerda Marxista e independentes. De início por unanimidade foi acordado e aprovado a apresentação de uma candidatura própria do PSOL ao pleito executivo, porém o DM resolveu por abandonar a batalha no meio do processo, abrindo, com isso, um impasse: Qual posição o partido deverá, então, manifestar em relação à candidatura para o executivo da cidade?

Pressionado ainda pela Direção Nacional e Estadual do PSOL, o diretório municipal convocou reunião para tomar uma decisão a respeito do posicionamento do partido em relação ao executivo municipal. Em reunião ampliada pelo Google Meet do DM, onde a base do partido teve direito a voz e voto, um novo impasse se manifestou, pois a direção majoritária do partido, composta por MES, Resistência e LRP propunham o apoio imediato ainda em 1º turno à candidatura do PT para as eleições municipais, enquanto que nós da Esquerda Marxista e independentes defendemos o posicionamento de se discutir um possível apoio crítico somente em caso de 2º turno, uma vez que o PSOL perdera a oportunidade de se apresentar como alternativa à classe trabalhadora. Justamente por isso deveria concentrar seus esforços na campanha de seus candidatos a vereadores neste 1º turno e nada mais, buscando ganhar simpatizantes para nossas causas e mais filiados ao PSOL, não mais eleitores ao PT. Porém, para incômodo da maioria da direção e das correntes, a votação terminou empatada, o que demonstrou que a base organizada do partido não estava de acordo com o encaminhamento proposto pelo DM. Para resolver o impasse, a direção propôs nova “reunião ampliada” do diretório, porém desta vez o voto seria restrito somente aos membros do diretório.

Nós da Esquerda Marxista alegamos que não havia sentido uma nova reunião para decidir isso uma vez que prevaleceria a opinião da maioria das correntes que compõem o diretório e esta já fora manifestada. Também alegamos que tal encaminhamento se deu de forma equivocada e burocrática, pois o diretório municipal deveria debater e tomar uma decisão sobre tal posição, como foi feito. Porém submeter à aprovação da base do partido que, infelizmente, apesar de ter garantido seu direito a voz, teve seu direito a voto excluído e não fora de fato mobilizada para o debate.

Assim sendo, reafirmamos nossa contrariedade à forma burocrática e capitulacionista como a direção do PSOL encaminhou o processo de decisão pelo apoio imediato ao PT já no 1º turno em Cascavel, assim como sua resolução de “apoio crítico sem crítica” e convidamos os militantes e simpatizantes do PSOL a se juntarem a Esquerda Marxista e a nossa campanha “Cascavel contra o sistema e pelo Fora Bolsonaro”, agitada e impulsionada por nossa corrente através da candidatura do camarada Professor Herman Christhopher.

  • Em defesa da indepêndecia política do PSOL e do movimento dos trabalhadores!
  • Nestas eleições vote contra o sistema e pela revolução socialista!
  • Para vereador, Professor Herman Christhopher, 50888!
  • Fora Bolsonaro! Por um governo dos trabalhadores sem patrões nem generais!
  • Junte-se a Esquerda Marxista!
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