Foto: Iranworkers / Twitter

Irã: protestos nacionais dos professores

No mês passado, houve mais de 230 greves e protestos em todo o Irã. Desde a greve nacional de três dias, de 10 a 13 de dezembro, os protestos dos professores, liderados por um Conselho de Coordenação de Professores, continuaram em todo o Irã. Greves esporádicas continuam entre os trabalhadores do petróleo no Khuzistão e, quase diariamente, há relatos de trabalhadores em grandes fábricas lançando espontaneamente uma greve por tempo indeterminado.

Esta é apenas uma continuação da onda massiva de protestos e greves que está em andamento desde 2018. A República Islâmica enfrenta uma crise sem precedentes. De acordo com as estatísticas do regime, até agora, no atual ano solar iraniano [que termina em 20 de março], houve 2.410 greves e protestos em todo o país. Não há um setor da classe trabalhadora que não tenha estado em greve ou protestado. O regime está plenamente consciente da ameaça que enfrenta. Ahmad Tavakoli, ex-deputado e atual membro do Conselho de Conveniência, disse: “Não devemos nos enganar. Nos últimos 40 anos, a confiança do povo em nosso governo nunca foi tão baixa quanto agora”.

A luta contínua do Conselho de Coordenação dos Professores

A greve de 11 a 12 de dezembro foi liderada pelo Conselho de Coordenação dos Professores, que é uma organização independente e fora dos sindicatos controlados pelo Estado, também conhecidos como conselhos islâmicos. A greve foi a greve nacional mais bem organizada desde o início da última onda de luta de classes, que atingiu todos os cantos do país! O regime respondeu enviando a tropa de choque e prendendo mais de 250 pessoas. Diante dessa repressão, os trabalhadores estenderam a greve para outro dia, com manifestações ainda maiores de dezenas de milhares de professores em todo o Irã. Até esta greve, o regime tolerava a existência do Conselho Coordenador como uma união independente e não estatal. No entanto, a greve nacional revelou o quão fraco é o controle dos sindicatos controlados pelo Estado sobre a massa de professores. De fato, devido à pressão de baixo, muitas organizações de trabalhadores locais lideradas pelo regime se juntaram ao Conselho de Coordenação para convocar greves e protestos.

Além da repressão aberta, o regime tentou dividir os professores dando a algumas camadas salários mais altos do que a outros trabalhadores do setor público. Mas esses aumentos salariais especiais só seriam concedidos a professores individuais com base em suas “competências gerais, especializadas e profissionais”, que seriam determinadas por seu empregador individual. Isso está longe da exigência do Conselho de Coordenação de um salário digno para todos os professores, e são nada mais do que palavras vazias na melhor das hipóteses, e uma tentativa demagógica de dividir os trabalhadores na pior das hipóteses.

Além disso, está muito abaixo do que os professores precisam para manter uma existência decente. Um professor explicou que, mesmo que esse aumento fosse implementado, não seria suficiente:

“Neste momento tenho um salário mensal de seis milhões de tomans [moeda iraniana] com cerca de cinco anos de experiência. Se o plano de classificação for implementado, meu salário será de quase oito milhões de tomans, que ainda está abaixo da linha da pobreza”.

O Conselho Coordenador rejeitou diretamente o plano de classificação do regime, apelando à continuação dos protestos pelas suas reivindicações, que são as seguintes:

  1. Redimensionamento dos salários dos professores para um mínimo de 80% do corpo docente da universidade.
  2. Implementação integral das pensões de acordo com a Lei de Gestão da Função Pública a partir de 1 de Outubro.
  3. A criação da seguridade trabalhista no emprego e do emprego formal no sistema de ensino.
  4. A libertação de todos os professores e ativistas sindicais presos, o encerramento judicial de todos os casos e a suspensão de todos os interrogatórios.
  5. Devolução de todos os fundos saqueados da pensão estatal para investimentos econômicos transparentes.

Protestos nacionais contínuos foram recebidos com uma campanha de intimidação, prisões e uma forte presença policial nos comícios. Apesar disso, os protestos continuaram em todo o Irã. Em 19 de dezembro, professores protestaram em mais de 60 cidades, em 28 de dezembro em mais de 40 cidades e mais recentemente em 13 de janeiro em mais de 100 cidades. Esses comícios são menores do que os da greve, mas o Conselho Coordenador continuou consolidando seu apoio, pedindo abertamente que os professores formem organizações para se juntar ao Conselho Coordenador e que circulem demandas e denúncias de várias agências por meio do aplicativo de mensagens Telegram.

No protesto mais recente de 13 de janeiro, apesar de menor do que durante a greve, o clima era muito militante. Em Shiraz, um orador no protesto disse:

“Todos nós viemos aqui hoje. Esta é a nossa sala de aula. Nós levantamos nossas vozes em protesto hoje, para que as pessoas amantes da liberdade no mundo possam saber que estamos vivendo sob a escravidão dos bastardos desprezíveis da história iraniana. Minha voz é a voz de uma nação. Minha voz é a voz do povo oprimido do Irã. Minha voz é a voz da justiça e da verdade. Os problemas de um professor são os problemas de toda a sociedade. Todos os nossos problemas vêm da pobreza em toda a sociedade iraniana, pobreza causada pelos governantes e políticos ignorantes e traiçoeiros. Viemos aqui porque aqui é a nossa verdadeira sala de aula. O trabalho do professor é educar. Daremos uma lição poderosa e completa aos fraudadores, e daremos uma grande lição aos ladrões de colarinho branco [referindo-se aos mulás]. Daremos uma grande lição aos ladrões, que se escondem atrás de sua falsa piedade, seus postos e roupas clericais. Seus ladrões de colarinho branco! É o chamado para a oração que você está esperando ou o chamado para saquear? Como você está aproveitando seu saque sob a sombra do púlpito? Seus ladrões piedosos! Seus desprezíveis fraudadores! Seus bastardos sem vergonha da história iraniana! Por Deus, você será derrubado em breve! (…)”

Enfrentados à uma repressão policial implacável, especialmente no Khuzistão, Bushehr, Mashhad e Shiraz, confrontos abertos eclodiram entre os manifestantes e a polícia. O Conselho Coordenador fez uma declaração denunciando a violência do regime, e explicando: “[As] ações recentes [do governo], incluindo prisões, espancamentos, desrespeito e desacatos às demandas legais e legítimas dos professores, revelam a hipocrisia e o totalitarismo no país”. O sindicato dos professores de Shiraz, que é filiado ao Conselho Coordenador, emitiu um comunicado, pedindo novos protestos, mostrando que a repressão do regime está apenas encorajando ainda mais o professor:

“Com certeza voltaremos às ruas. Desta vez, mesmo que você tenha instalado quatro canhões antiaéreos de 21 mm em cada lado da encruzilhada na rua média; mesmo que você tenha enviado tantos policiais de choque que eles parecem um enxame de gafanhotos, nós voltaremos. Desta vez, chegaremos em dezenas de centenas, dezenas de milhares. Juro por Deus Todo-Poderoso que não temos mais medo de suas mensagens ameaçadoras, nem de suas balas de fuzil, que você pode usar”.

Já no dia 13 de janeiro, o Conselho Coordenador emitiu um comunicado final, dizendo: “ignorar as demandas dos professores aposentados e empregados e não atender às suas demandas levará ao aumento dos protestos. [O regime] enfrentará uma nova e muito mais ampla onda de protestos e greves por tempo indeterminado”.

Uma greve nacional e indefinida dos professores seria recebida com o apoio maciço da população. Para garantir o êxito, deve visar capitalizar esse apoio e apelar a outras camadas exploradas da sociedade para se juntarem à luta, que em essência é a mesma luta que todos os trabalhadores no Irã estão enfrentando.

Por um movimento operário nacional!

Esses métodos de luta organizada mostram o caminho a seguir para toda a classe trabalhadora iraniana. Eles mostram os elementos mais avançados de um processo que está ocorrendo em toda a classe trabalhadora iraniana, uma luta que até agora tem sido em grande parte espontânea e sem organização.

O movimento dos professores se desenvolveu a partir de uma série de protestos e greves contínuas e espontâneas desde 2018. Mas, com base nas experiências desse período, o Conselho Coordenador dos professores foi levantado para unir esses protestos sob seu programa comum, marginalizando ou conquistando organizações de professores lideradas pelo regime local. Nos últimos 8 meses, o Conselho de Coordenação tornou-se a força dominante nos protestos dos professores, organizando comícios nacionais quase semanais.

O mesmo processo pode ser visto entre os trabalhadores petroquímicos, com greves espontâneas desde 2018 evoluindo para uma greve nacional espontânea em 2020. A repressão desta greve por meio de fraudes e repressão pelo regime só levou à continuidade de greves e protestos espontâneos, dos quais surgiu o comitê de organização dos trabalhadores do petróleo.

O que vemos aqui é que, sob o impacto dos acontecimentos e de suas experiências na luta de classes, a classe trabalhadora iraniana está despertando e começando a redescobrir suas tradições de luta. Os professores e os trabalhadores do petróleo são os elementos mais avançados desse processo. Eles estão sendo observados e suas experiências anotadas pelas massas em todo o país. A formação de organizações operárias nacionais independentes é um enorme passo em frente, ampliando a luta de um único local de trabalho para todo um setor da economia, aumentando assim a consciência de classe. Nos canais do Telegram vinculados a essas organizações, os trabalhadores circulam reportagens sobre condições de trabalho, reivindicações, greves, protestos de todo o país, unindo trabalhadores em escala nacional.

Essa é precisamente a força do Conselho Coordenador dos Professores. Para que os trabalhadores sejam bem-sucedidos, esses métodos de luta organizada não apenas devem se espalhar para todos os setores da classe trabalhadora, mas cada setor deve, por sua vez, começar a se conectar para uma luta unida de toda a classe trabalhadora.

Os professores, por exemplo, não estão sozinhos exigindo salário digno, financiamento, renacionalização no setor público. Também houve protestos contínuos de equipes médicas, universitárias, trabalhadores de telecomunicações e muitos outros. Já, no curso de sua ação, as várias organizações de trabalhadores estão fazendo declarações de apoio às várias lutas umas das outras. Seus problemas compartilham uma raiz comum: o capitalismo iraniano. O que é necessário, portanto, é mais do que declarações. O que precisamos é de uma luta unida da classe trabalhadora e das massas oprimidas contra o sistema como um todo.

A República Islâmica: despejando gasolina no fogo

Como já observado, o regime está plenamente consciente da profundidade da crise que está enfrentando. Admite que já 72% da população vive na pobreza, e que o custo real de vida, exigindo 12 milhões de tomans, está muito acima dos salários médios, que rondam os 5-8 milhões de tomans. Oficialmente, a inflação de alimentos está em 43,5%; mas, na realidade, é muito mais alta. O Ministro do Trabalho e Previdência Social a colocou em 83%. As massas já cortaram a carne de suas dietas, com o iraniano médio consumindo 6-7 kg de carne em 2021 – um sexto do que consumia de 2017. Nas regiões mais pobres, as pessoas estão até comprando pão a crédito. As massas não estão apenas enfrentando a pobreza, estão à beira da fome.

Isolado devido às sanções lideradas pelos EUA, as características mais parasitárias do capitalismo iraniano vieram à tona. Dado o alto desemprego, o regime força os trabalhadores a condições bárbaras, nas quais dois terços da força de trabalho são empregados com contratos temporários, enquanto os salários e os seguros não são pagos por meses a fio. As pensões não são pagas ou são mal pagas. O fundo de segurança social, que paga pensões, auxílio desemprego, benefícios por invalidez e seguro de saúde, está falido em tudo, menos no nome, com o governo devendo mais de 400.000 bilhões de tomans – o equivalente a mais de um terço do orçamento do Estado. O desemprego só está piorando, já que décadas de má gestão capitalista levaram ao colapso da infraestrutura, com o agravamento dos cortes de energia levando ao agravamento das demissões. A falta de investimento em sustentabilidade também levou a secas severas, agravadas pelas mudanças climáticas, forçando os agricultores ao desemprego.

Enquanto as massas sofrem, a riqueza dos ricos no país aumentou, com o Irã ocupando o 14º lugar no mundo em termos de número de milionários em dólares. Para que os capitalistas continuem a enriquecer através da miséria das massas, e para que o Estado evite o colapso econômico, eles devem forçar as massas a condições ainda piores.

O orçamento de estado recentemente aprovado para o próximo ano solar iraniano foi cortado em um quinto pelo governo Raisi. Os subsídios a bens essenciais importados, incluindo arroz, carne, farinha, chá, pão e leite, serão basicamente removidos. O IVA será introduzido nestas mercadorias em 9%. Isso só vai piorar a inflação crescente. As pensões devem ser cortadas e a idade de aposentadoria aumentada para que o governo reduza as dívidas. A receita tributária deve ser aumentada em 63%, não tributando os capitalistas, mas as massas! Mesmo com esses cortes e impostos, espera-se que o déficit seja enorme, alcançando 500.000 bilhões de tomans, com privatizações contínuas e impressão de dinheiro antecipada.

Já houve três revoltas, desde 2018, e o regime está totalmente ciente da calamidade que o ameaça. Ali Babaei, membro do parlamento por Sari votou contra o orçamento e explicou: “Isso vai incitar protestos”, mas admitiu que “o governo não pode fazer nada”. Outro deputado Ruhollah Izadkhah, referindo-se à eliminação dos subsídios, falou de “eventos como no Cazaquistão”. A realidade é que ninguém na República Islâmica tem nada a oferecer às massas, todos eles estão mais preocupados em encher seus próprios bolsos.

O regime se preparou para isso, fortalecendo as forças de segurança e o aparato de propaganda. Ajustado pela inflação, o financiamento da Guarda Revolucionária Iraniana [leia-se contrarrevolucionária] (IRGC) aumentará em 240%. A polícia civil está sendo reorganizada para incorporar o IRGC e Basij (uma força paramilitar). O regime também está fortalecendo seu aparato de propaganda. O serviço de radiodifusão do regime, IRIB, recebeu 56% mais financiamento e os seminários islâmicos receberão um aumento de 133%.

Isso só foi recebido com desgosto pelas massas, com a raiva na sociedade fervendo em direção ao ponto de ebulição. Já, 30 organizações de trabalhadores ameaçaram “aumentar as greves e protestos” em resposta ao orçamento. Um comentarista no canal Telegram do Conselho de Coordenação dos Professores destacou muito bem o clima da sociedade: “Você não tem dinheiro para equalizar as aposentadorias? Não tem dinheiro para a quarentena? Não tem dinheiro para comprar vacinas, não tem dinheiro para pagar os salários atrasados do pessoal médico e dos trabalhadores? Não tem dinheiro para concluir projetos parados? Não tem dinheiro para infraestrutura urbana e rural? Mas você tem 151 bilhões de tomans, o que significa 450 milhões de tomans por dia, para propaganda islâmica!”

Potencial revolucionário: trabalhadores do Irã, uni-vos!

A luta de classes continuará a unir os locais de trabalho em uma frente única, com greves nacionais esperadas no futuro próximo. Apesar das greves e protestos continuarem, o número de prisões diminuiu em 2021 em comparação com 2020. O regime é incapaz de reprimir todas as greves e protestos, temendo a reação que se seguiria e o risco de ficar sobrecarregado. É possível que, sob a pressão das greves nacionais, o regime possa prometer concessões. Tais concessões representam uma ameaça existencial, tanto econômica quanto politicamente, para o regime, pois só irão encorajar mais greves. Inevitavelmente, a partir da luta, o movimento trabalhista iraniano será forjado em uma poderosa força política.

Ao mesmo tempo, o descontentamento já está fervendo em todo o país, agora apenas acentuado com o ataque contínuo do regime aos meios de subsistência das massas. Além das greves nacionais, o regime está construindo a base para mais revoltas no futuro próximo. As três revoltas nacionais desde 2018 falharam por causa da falta de participação da classe trabalhadora organizada. Os sindicatos independentes limitaram sua participação a declarações, com conteúdo que vai desde apoio geral, até slogans e demandas denunciando a violência do regime. Mas devido ao seu isolamento, todas as revoltas foram completamente dominadas pela repressão.

Apesar do enorme passo dado na construção de organizações nacionais, como a Coordenação dos Professores, a situação atual exige uma luta unida de toda a classe trabalhadora. É somente com a abolição da República Islâmica que as demandas das massas podem ser completamente atendidas. Já diante da repressão, as organizações dos trabalhadores estão se tornando cada vez mais políticas – isso é apenas o começo, e vai continuar. À medida que as crescentes organizações de trabalhadores continuam a se desenvolver, elas devem estar preparadas para intervir em futuras revoltas como uma força organizada. Se essas organizações tivessem convocado uma greve geral durante a Revolta do Khuzistão em 2021, toda a classe trabalhadora teria acompanhado. Está cada vez mais claro que a única razão pela qual o regime permanece no poder é a falta de uma direção revolucionária.

Por uma luta política! Abaixo a República Islâmica!

Essa ausência de um movimento trabalhista nacional era inevitável após 40 anos de uma ditadura brutal, mas a situação nunca esteve mais madura para derrubar a República Islâmica. As três revoltas, greves e protestos constantes desde 2018 e o boicote às eleições parlamentares e presidenciais são uma prova do clima revolucionário da sociedade. A única coisa que falta é uma direção revolucionária capaz de fundir os protestos e greves separados em um movimento de massa unificado. A luta de classes continuada inevitavelmente se desenvolverá no sentido de criar tal liderança; é apenas uma questão de tempo.

As organizações de trabalhadores existentes têm a oportunidade de acelerar a criação de tal direção fazendo campanha por uma luta unida, preparando o terreno para um futuro movimento de massas contra o regime. As várias organizações de trabalhadores já apresentaram essencialmente as mesmas reivindicações econômicas e políticas, que já encontraram eco em toda a sociedade. Agora, eles precisam apenas apelar à classe trabalhadora mais ampla e aos pobres para uma luta unida. Isso inclui demandas econômicas como: a reversão de todas as medidas de austeridade; salários dignos e pensões que aumentem com a inflação; um extenso programa de obras públicas para reparar e desenvolver a infraestrutura em ruínas do país; a renacionalização de todas as empresas privatizadas sob controle operário; e a introdução do controle operário em toda a economia estatal.

Também devem levantar demandas políticas, com um apelo comum ao direito de greve, protesto e reunião; o direito de formar sindicatos independentes; e direitos iguais para minorias étnicas, religiosas e para as mulheres. Mas também é necessário exigir a abolição da República Islâmica e a eleição de uma assembleia constituinte. Mas a derrubada da República Islâmica seria apenas o primeiro passo na luta contra o capitalismo iraniano – o primeiro passo para cumprir as demandas das massas por uma existência decente e digna.

TRADUÇÃO DE FABIANO LEITE.
PUBLICADO EM MARXIST.COM

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