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Aos militantes do PSOL

Companheiros e companheiras,

O Diretório Nacional do PSOL reuniu-se nos dias 26 e 27 de outubro em meio a uma conjuntura internacional revolucionária e em meio a uma profunda crise econômica e política no Brasil que atinge todas as instituições. A polarização política avança ao mesmo tempo em que o governo Bolsonaro aprofunda sua crise e perde bases, sendo hoje uma expressão muito minoritária socialmente.

A política e a tática que a direção está conduzindo, e reafirmou nesta reunião, põe em risco o partido.

A resolução aprovada tem basicamente um caráter eleitoralista. A resolução afirma:

“Quanto aos potenciais aliados eleitorais, o PSOL trabalhará para construir seu arco de alianças com os partidos declaradamente de oposição de esquerda ao governo Bolsonaro, de enfrentamento a agenda liberal e defesa dos direitos democráticos e sociais, ficando desde já vetadas quaisquer alianças com os partidos da base do governo federal, bem como aqueles que compõem o chamado “centrão”. Ficam, assim, autorizados diálogos com os partidos de oposição, cabendo a aprovação definitiva do arco de alianças ao VII Congresso Nacional do PSOL.”

É uma orientação política exatamente igual a que liquidou o PT como um verdadeiro partido dos trabalhadores. É claramente uma orientação de buscar alianças com o PT e o PCdoB, e também com o PDT e o PSB (que são partidos burgueses tratados como se fossem de esquerda). O centro político são “alianças contra Bolsonaro” apagando inteiramente o caráter de classe e socialista que deve ter a oposição do PSOL a Bolsonaro e seus cúmplices, assim como a oposição programática que deve se ter em relação ao PT, PCdoB, PDT, PSB, etc.

Além desta orientação a maioria da direção ainda combateu para derrotar a palavra de ordem “Fora Bolsonaro” recusando um combate aberto para acabar desde já com este governo reacionário e abrir caminho na luta pelo socialismo.

Tal posição de adaptação eleitoralista e de respeito a um mandato presidencial que é fruto de uma fraude política e judicial que diz que o povo brasileiro tem que suportar Bolsonaro até 2022.

Entretanto, esta posição foi abertamente desmoralizada dois dias depois por seu principal dirigente, que discursa na Câmara dos Deputados e termina gritando Fora Bolsonaro. E no ato de 05/11, em SP, se viu seu ex-candidato a presidente cercado de manifestantes gritando “Fora Bolsonaro”, a que ele adere claramente a contragosto.

Que o PT tenha essa mesma linha já era de se esperar, mas o PSOL deveria somar-se ao combate que travam cada vez maiores setores da militância, da juventude e dos trabalhadores para terminar o quanto antes com o governo Bolsonaro.

A fundação do PSOL (Lauro Campos e Marielle Franco) lançou no início do ano, com as fundações de PT, PCdoB, PDT, PSB, PROS e PPL, o grupo “Observatório da Democracia”. Dirigentes do partido chegaram a participar de reunião para formação de um movimento (“Direitos já! Fórum pela Democracia”) com PT, PCdoB e partidos burgueses como PSB, PDT, PV, Rede, Cidadania e até o PSDB! A justificativa apresentada seria a unidade com todos que estão em oposição a Bolsonaro, incluindo setores da burguesia.

O caso é que a classe dominante pode estar dividida sobre as táticas, amplos setores dela estão inclusive contra Bolsonaro, mas a burguesia está unida em atacar a classe trabalhadora. Ela e seus diferentes partidos não são aliados dos socialistas, são nossos inimigos.

É por isso que o PSOL não se conectou com os milhões de estudantes que saíram às ruas em 15 de maio e em outras manifestações e não tem sido visto como uma referência política pelos estudantes que estão em luta contra os cortes na educação pública e na ciência.

No Rio de Janeiro, Marcelo Freixo discute alianças com PT, PCdoB, PSB, PDT e Pros. Em Porto Alegre, há a possibilidade de o PSOL participar de uma chapa encabeçada por Manuela D’Ávila, do PCdoB, o partido que votou em Rodrigo Maia para a presidência da Câmara dos Deputados. Acordos semelhantes se projetam para Belém, Florianópolis e outras cidades. O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, justifica esta política de adaptação: “A gente surgiu como oposição ao governo Lula, mas isso já faz 15 anos. Agora somos todos oposição a Bolsonaro“.

Combatemos pela unidade da classe trabalhadora. O PSOL certamente deve estar ao lado das demais organizações e partidos operários nos combates concretos contra os ataques e pelas reivindicações. Mas, isto nada tem a ver com a participação em frentes políticas com partidos burgueses para defender a democracia burguesa, e nada tem a ver com alianças eleitorais com os que já governaram e traíram os trabalhadores.  A bandeira do socialismo não pode ser abaixada e aparecer apenas nos dias de festa.

O PSOL tem o potencial de crescer, de ser um polo para a reorganização da esquerda, da juventude, da classe trabalhadora. No entanto, está indo na direção onde o PT acabou, na adaptação ao eleitoralismo e ao parlamentarismo, nas alianças com a burguesia.

O PSOL deveria apresentar um programa revolucionário, socialista, de superação do decadente capitalismo desde já e, portanto, um programa diametralmente oposto à linha dos partidos burgueses e do PT e PCdoB que estão a serviço da burguesia e de sua ordem social.

O PSOL deve recusar a aliança eleitoral com todos estes partidos da ordem e deve lançar candidatos próprios nas eleições de 2020 com uma plataforma política que deve incluir: não pagamento da dívida interna e externa, garantia de saúde e educação públicas e gratuitas para todos, elevação geral de salários, revogação das reformas da previdência de FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro, revogação da reforma trabalhista, etc., reestatização de todas as empresas privatizadas, estatização dos bancos e multinacionais, Fora Bolsonaro, por um governo socialista dos trabalhadores.

O capitalismo está em crise, o mundo está em ebulição. Se o PSOL pretende jogar um papel para varrer este sistema, deve mudar urgentemente sua rota.

É hora da militância do PSOL tomar o partido em suas próprias mãos e definir uma política revolucionária de acordo com a situação que vivemos e com as necessidades da classe trabalhadora. Candidaturas próprias com programa socialista e combater nas ruas por “Fora Bolsonaro” é a tarefa principal do próximo Congresso do PSOL, em 2020. É isto que permitirá a construção das próximas vitórias de nossa classe.

Saudações socialistas,

Comissão Executiva da Esquerda Marxista

 06/11/2019

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