Foto: Javier Torres/AFP

8 de março: As mulheres seguem em luta

Mais um 8 de março foi marcado pela luta das mulheres em todo o mundo. Apesar da crise econômica e política catalisada pelo coronavírus, que fez com que atos fossem desmarcados em países como Itália, Índia e Coreia, milhares de mulheres e homens se reuniram nas ruas em defesa dos direitos das mulheres.

A crise política que vem se acentuando levou as reivindicações da classe trabalhadora às ruas: Paris e Chile voltaram a pegar fogo, exigindo o fim das políticas de ataque aos trabalhadores. Buenos Aires estava na rua em defesa do direito ao aborto e o povo mexicano deu um sinal claro de que já não suporta mais a brutal violência que atinge as mulheres daquele país. A violência policial – como é de sua natureza – se fez presente em atos na França e Istambul, prendendo e atacando com bombas de gás centenas de mulheres que reivindicavam por melhores condições de vida.

No Brasil, milhares de mulheres foram às ruas nos dias 8 e 9 de março, entoando em alto e bom som o Fora Bolsonaro!

Segundo a CUT, os atos foram um “esquenta” para a greve do dia 18 de março, porém, pouco tem sido feito, de fato, para organizar a necessária greve geral em defesa dos nossos direitos. Aliás, aqui como na Itália, a epidemia de coronavírus pode ser um elemento de desmobilização que, apesar da sua importância no cenário internacional, tem sido usado pelos governos como meio de impedir ações das massas.

Nesse sentido, é necessário organizar comitês de ação pelo Fora Bolsonaro em nossos locais de trabalho, estudo e moradia, articulando as pautas mais sentidas e imediatas das mulheres com a derrubada desse governo reacionário e de ataque à classe trabalhadora.

O movimento Mulheres pelo Socialismo e a Esquerda Marxista estiveram nas ruas em vários locais do país. Nossa intervenção em locais como Bauru, Florianópolis, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro foram fundamentais para o diálogo com as mulheres trabalhadoras, explicando a necessidade do Fora Bolsonaro e a ausência de ação efetiva das centrais e partidos da oposição nesse sentido.

A participação da classe trabalhadora foi fundamental nesses atos. Foi possível perceber que, depois de muito tempo, a presença de homens foi grande e respeitada, demonstrando que o cenário de ataques e o aprofundamento da luta de classes nos une aos trabalhadores e nos afasta da pauta burguesa que influencia parte do movimento feminista.

Há mais de um século marchamos em luta pelo direito ao salário igual ao dos homens que desempenham as mesmas funções, pelo fim da violência contra as mulheres, pelo direito ao estudo, ao trabalho produtivo e à participação social, pelo direito às licenças maternidade e paternidade, pela socialização do trabalho improdutivo e alienante do lar e só vamos parar de marchar quando uma outra sociedade for construída sobre os escombros dessa que nos explora e humilha.

A emancipação da mulher só será possível junto com a emancipação da classe trabalhadora e, para isso, é necessário estarmos ombro a ombro com os homens da nossa classe.

O aprofundamento da crise do capital que levará o sistema para mais uma depressão mundial irá acirrar a luta de classes e as mulheres têm um papel fundamental a desempenhar nessa luta. As lutas que explodiram a revolução russa, as mulheres que lutaram na Espanha, Argélia, Sudão e Síria nos inspiram e devem ser exemplos a serem seguidos.

Não nos basta igualdade com os homens burgueses, não nos interessa subir nas costas das mulheres trabalhadoras, não devemos nos satisfazer com a representação nesse Estado e dentro desse sistema que destrói milhares de vidas em todo o mundo.

Temos um mundo novo a construir! Um mundo socialista, sem opressão e sem exploração!

Viva o 8 de março!

Viva a luta das mulheres trabalhadoras!

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