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Quem somos

A Esquerda Marxista é uma associação voluntária de militantes que luta pela derrubada do capitalismo e a edificação de uma sociedade socialista em todo o mundo, para a construção do futuro comunista da humanidade[1]. Somos a seção brasileira da Corrente Marxista Internacional (CMI), que está presente em dezenas de países no combate pela construção de uma Internacional revolucionária marxista com influência de massas.

Nosso programa exprime a continuidade da luta dos marxistas pelo partido revolucionário: essa luta se iniciou com o trabalho de Karl Marx e Friedrich Engels na Liga dos Comunistas e, posteriormente em maior escala, na Associação Internacional dos Trabalhadores (1ª Internacional); continuou com a 2ª Internacional até a guerra de 1914, na luta pela 3ª Internacional durante a guerra, sua fundação em 1919 e a realização de seus quatro primeiros congressos; com a Oposição de Esquerda Internacional e sua continuidade na 4ª Internacional[2], fundada em 1938. Este é o legado que a Esquerda Marxista reivindica.

Camaradas da seção britânica da CMI

Recusamos as seitas autoproclamadas como “Internacional”. Nós reivindicamos as ideias de Leon Trotsky, seus métodos, e o programa de fundação da 4ª Internacional, o Programa de Transição. Consideramos que a 4ª Internacional foi destruída organizativamente entre 1946 e 1953 e não existe mais. Sua necessidade, entretanto, está reafirmada a cada momento na atualidade. Por isso continuamos a luta pela construção de uma verdadeira Internacional marxista com influência de massas. Isso para nós significaria a reconstrução da 4ª Internacional a partir do combate internacional do proletariado e do combate dos marxistas, como um partido mundial de massas que, sobre a base do Programa de Transição –elaborado por Trotsky, em 1938– organize e combata pela revolução proletária.

Nossa produção política e teórica internacional pode ser verificada no portal “In Defence of Marxism” (www.marxist.com). E no Brasil nosso site (www.marxismo.org.br) recebe dezenas de milhares de visitas por mês. Além disso, produzimos o jornal “Foice&Martelo”, sustentado com as vendas e assinaturas, e publicamos a edição em português da América Socialista, revista teórica semestral da CMI para o continente americano.

Para a Esquerda Marxista, sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário consequente. Por isso, realizamos regularmente atividades de formação teórica e política, como escolas nacionais de quadros, seminários, escolas de formação regionais e debates públicos sobre temas marxistas, históricos e políticos. Também promovemos a publicação de livros, brochuras, etc.

Mantemos ainda a Livraria Marxista, no centro de São Paulo, com extensa literatura marxista e de esquerda em geral, além de arte, pedagogia, história, economia, entre outros gêneros, com vendas pela internet para todo o Brasil (www.livrariamarxista.com.br). No auditório da Livraria Marxista realizamos atividades de formação, debates, lançamentos de livros, etc.

Os militantes da Esquerda Marxista intervêm cotidianamente nas escolas, universidades, fábricas, serviços públicos, bairros e comunidades, nas ruas e nas lutas práticas e teóricas, ombro a ombro com o movimento real da juventude e da classe trabalhadora brasileira e internacional. Nós combatemos pelas reivindicações dos trabalhadores e da juventude sempre explicando que os problemas que sofremos hoje – desemprego, baixos salários, discriminações e opressões diversas, saúde, educação, transporte, segurança – são resultados da sociedade capitalista, da exploração da força de trabalho para garantir os lucros dos capitalistas. E afirmamos que esses males só podem ser erradicados da face da Terra com o fim da exploração capitalista e com a construção de uma sociedade sem explorados nem exploradores, uma sociedade socialista.

Nossas raízes e nossa história

Nosso método de análise é o materialismo dialético, elaborado e utilizado por Marx e Engels durante suas vidas no combate pela emancipação dos trabalhadores. O “Manifesto do Partido Comunista” explica como funciona a sociedade:

A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes. Senhores e escravos, patrício e plebeu, senhores feudais e servos, mestres e oficiais, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta…
A nossa época, a época da burguesia, distingue-se, contudo, por ter simplificado as oposições de classes. A sociedade toda cinde-se, cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes que diretamente se enfrentam: burguesia e proletariado.

As Internacionais e a luta por uma nova Internacional

A luta dos trabalhadores, do proletariado, nasce com o capitalismo. A burguesia aufere seus lucros da produção capitalista, explorando o proletariado[3]. A luta do proletariado levou à construção de sindicatos e de partidos políticos. A Liga dos Comunistas foi uma primeira tentativa da construção internacional de um partido do proletariado. Ela foi destruída na repressão que se seguiu à derrota da onda revolucionária de 1848. Posteriormente, Marx e Engels foram decisivos na construção da 1ª Internacional (Associação Internacional dos Trabalhadores), fundada em 1864 e destruída após a derrota da Comuna de Paris, primeiro governo operário do mundo, em 1871.

A 2ª Internacional nasceu a partir da construção do Partido Operário Social Democrata Alemão, que foi o primeiro partido legal da classe operária, e formou milhões de operários no combate político. Ao contrário das duas outras experiências, foi a sua direção que se rendeu à burguesia em 1914, aprovando os créditos de guerra em quase todos os países europeus e mergulhando o mundo na carnificina da 1ª Guerra Mundial.

Poucos foram os líderes que resistiram a essa rendição. Na Alemanha, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, na Rússia, Lenin e Trotsky e o Partido Bolchevique. Eles foram decisivos na Revolução Russa de 1917. A partir dali, foi construída a 3ª Internacional (Internacional Comunista – IC), que foi destruída pela contrarrevolução estalinista na URSS. Trotsky, um dos líderes da Revolução de Outubro, foi exilado. Organiza a Oposição de Esquerda Internacional e, depois do papel que o Partido Comunista Alemão teve na subida de Hitler ao poder em 1933, sob a direção de Stalin e da IC, combateu então pela fundação de uma nova Internacional, a 4ª.

O Programa de Transição explica esse combate:

A situação política mundial no seu conjunto caracteriza-se, antes de mais nada, pela crise histórica da direção do proletariado. A premissa econômica da revolução proletária já alcançou há muito o ponto mais elevado que possa ser atingido sob o capitalismo. As forças produtivas da humanidade deixaram de crescer. As novas invenções e os novos progressos técnicos não conduzem mais a um crescimento da riqueza material. As crises conjunturais, nas condições da crise social de todo o sistema capitalista, sobrecarregam as massas de privações e sofrimentos cada vez maiores. O crescimento do desemprego aprofunda, por sua vez, a crise financeira do Estado e mina os sistemas monetários estremecidos…
Os falatórios de toda espécie, segundo os quais as condições históricas não estariam “maduras” para o socialismo, são apenas produto da ignorância ou de um engano consciente. As premissas objetivas da revolução proletária não estão somente maduras: elas começam a apodrecer. Sem vitória da revolução socialista no próximo período histórico, toda a civilização humana está ameaçada de ser conduzida a uma catástrofe. Tudo depende do proletariado, ou seja, antes de mais nada, de sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade reduz-se à crise da direção revolucionária. (Leon Trotsky, Programa de Transição)

Isto foi escrito em 1938. Trotsky foi assassinado em 1940, no início da 2ª Guerra, que destruiu imensas forças produtivas e matou milhões de pessoas. Ao final da guerra as massas estavam em revolta, mas a direção da 4ª Internacional, fundada em 1938, não estava à altura dos acontecimentos que se seguiram.

As massas sem uma direção revolucionária procuravam tomar em suas mãos seus próprios destinos e faziam revoluções que estremeciam o mundo. Exemplos são a Independência da Índia, a independência dos países africanos e asiáticos, a Revolução Boliviana, a Revolução Chinesa, a Revolução Cubana, as revoluções contra a burocracia soviética na Hungria, Berlim Oriental, Polônia. Enquanto isso a 4ª Internacional perdia-se em análises e decisões impressionistas ou adaptadas sob a pressão do imenso aparato stalinista que saíra reforçado da guerra, resolvia suas divergências com exclusões e expulsões burocráticas, sem uma discussão real.

Além disso, sua direção, Michel Pablo, Pierre Frank e Ernest Mandel têm responsabilidade na derrota das revoluções na Bolívia e no Ceilão, por causa da orientação que imprimiram na Bolívia capitulando ao partido burguês, o MNR, e no Ceilão à Frente Popular. A expulsão burocrática do grupo de Ted Grant, na Grã Bretanha, do PCI na França e a ruptura do SWP, nos EUA, liquidam a 4ª Internacional como organização trotskysta mundial e suas frações continuam a subdividir-se. Hoje sobrevivem diferentes grupos sectários ou oportunistas que dela se reivindicam, incapazes de compreender o programa e o método do bolchevismo, como o papel da luta pela Frente Única (já explicado no Manifesto do Partido Comunista) ou o movimento real das massas, seus interesses históricos e a construção de uma direção proletária ligada ao desenvolvimento real da luta de classes.

Reivindicamos o Manifesto Comunista e nada temos a ver com os oportunistas que praticam a colaboração de classes e nem com os esquerdistas sectários. Nossa orientação estratégica é definida pela posição explicada em 1848 no “Manifesto do Partido Comunista” frente ao movimento operário e pela orientação fundamental de luta pela Frente Única:

“Qual a posição dos comunistas diante dos proletários em geral? Os comunistas não formam um partido à parte, oposto aos outros partidos operários. Não têm interesses que os separem do proletariado em geral. Não proclamam princípios particulares, segundo os quais pretenderiam modelar o movimento operário. Os comunistas só se distinguem dos outros partidos operários em dois pontos:
Nas diversas lutas nacionais dos proletários, destacam e fazem prevalecer os interesses comuns do proletariado, independentemente da nacionalidade.
Nas diferentes fases por que passa a luta entre proletários e burgueses, representam, sempre e em toda parte, os interesses do movimento em seu conjunto.
Praticamente, os comunistas constituem, pois, a fração mais resoluta dos partidos operários de cada país, a fração que impulsiona as demais; teoricamente têm sobre o resto do proletariado a vantagem de uma compreensão nítida das condições, da marcha e dos resultados gerais do movimento proletário. O objetivo imediato dos comunistas é o mesmo que o de todos os demais partidos proletários: constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa, conquista do poder político pelo proletariado”.

Imagem da queda do Muro de Berlim

O fim da URSS e a situação mundial atual

A revolução de 1917 na Rússia construiu a URSS depois de quatro anos de guerra civil, com a invasão de exércitos de 21 países capitalistas que tudo fizeram para derrotar a revolução. Uma vaga revolucionária percorreu o mundo, mas as revoluções que explodiram foram todas derrotadas pela traição direta da socialdemocracia (2ª Internacional). Assim, a revolução manteve-se no quadro nacional da Rússia e alguns países limítrofes. O cansaço das massas, o boicote econômico e político da burguesia mundial, as pressões, levaram a uma contrarrevolução interna e à destruição do partido comunista (PC) russo como um partido operário revolucionário e resultaram na subida ao poder de uma burocracia, dirigida por Stalin, que terminaria subordinada ao imperialismo mundial.

Os dirigentes bolcheviques foram todos mortos. Os que não morreram na guerra foram perseguidos e assassinados, e a maior parte foi fuzilada nos infames Processos de Moscou (1936). Finalmente o último sobrevivente, Trotsky, foi assassinado no exílio em 1940.

A IC foi formalmente extinta por Stalin em 1943, como um gesto para estabelecer os acordos do pós-guerra com o presidente norte-americano Roosevelt. Trotsky, no livro “A Revolução Traída”, explicou que a URSS era uma sociedade em transição, onde uma revolução política devia restaurar o poder dos sovietes, abrindo caminho para a revolução mundial ou a burocracia terminaria por destruir a economia planificada e restauraria o capitalismo destruindo a URSS, o que seria uma enorme regressão social e política internacional. Ao fim da 2ª Guerra, em que o proletariado soviético foi fundamental para a derrota do nazismo, os países ocupados pelo Exército Vermelho tiveram o capital expropriado apesar das tentativas de Stalin e dos PCs de manter o capitalismo e salvar as burguesias locais.

O proletariado tentou, através de seu combate, retomar o caminho do socialismo, com revoluções políticas na Hungria (1956), na Polônia (1970, 1980), em Berlim Oriental (1953), na Tchecoslováquia (1968). A burocracia de Moscou esmagou essas revoluções e preparou o caminho para a restauração do capitalismo. A pressão do capital internacional, inclusive com a chamada Guerra Fria, combinada com a vontade da burocracia, levou à restauração do capitalismo na URSS e em todo o Leste europeu. O resultado foi um ataque ideológico sem precedentes contra as ideias do socialismo e do comunismo, além de uma regressão geral nos direitos e no nível de vida do proletariado. A expectativa de vida chegou a cair mais de 15 anos na antiga URSS, a desigualdade social aumentou em todos os países capitalistas, particularmente nos EUA e na Europa. Em todo o mundo os direitos trabalhistas e a previdência social são questionados. Os antigos partidos reformistas (a antiga socialdemocracia, os restos da 2ª Internacional) tornaram-se os campeões da destruição dos direitos e conquistas sociais. Os PCs ou viraram partidos burgueses ou se transformaram, na maioria dos casos, em partidos do tipo socialdemocrata.

A destruição da URSS e a volta do capitalismo na China permitiram uma “retomada” do capital entre o final dos anos 1990 e 2008. A situação que explodiu em 2008 mostrou o limite dessa retomada e hoje estamos vivendo a maior crise do capitalismo desde 1929/30 e uma ofensiva da burguesia para atacar ainda mais dos direitos dos trabalhadores. É nesta situação, em que os PCs e PSs, na maior parte do cenário mundial, desaparecem do cenário político como alternativas para as massas, que a CMI e suas seções combatem por uma nova Internacional, baseada no programa da 4ª Internacional (Programa de Transição). É por essa razão que a Esquerda Marxista se constrói na vanguarda da juventude e da classe trabalhadora lutando pela revolução socialista e para ajudar o movimento das massas a realizar sua necessidade política mais premente, que é a construção de um partido de classe, baseado nos trabalhadores e na luta pelo socialismo.

Nosso combate no Brasil

Com esse sentido, fomos parte da fundação e construção do PT, que nasceu como um verdadeiro partido operário independente. Combatemos a degeneração do partido e a política de colaboração de classes levada a cabo por sua direção, defendendo a ruptura da coalizão com os partidos da burguesia.[4]

A Esquerda Marxista ficou amplamente conhecida por ter sido a única organização do movimento operário a organizar e impulsionar a ocupação de fábricas no Brasil. Com orgulho dirigimos, a partir de 2002, a ocupação de 37 fábricas a partir da luta em defesa dos postos de trabalho, colocando as mesmas para funcionar e produzir, ao mesmo tempo em que exigíamos sua estatização sob controle operário. Mostramos, na prática, que os patrões são parasitas, desnecessários, e que a classe operária pode governar ela mesma. Por isso, em 2007 foi promovido pelo governo Lula em conluio com o Judiciário e grandes capitalistas a intervenção nas fábricas ocupadas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, com 150 homens armados com fuzis, metralhadoras, bombas e carros de combate. Essa ação repressiva retirou os trabalhadores do controle.

No início dos anos 2000 a expansão relativa do capitalismo mundial, baseado num crédito desenfreado, permitiu uma certa folga na colaboração de classes praticada por Lula e o PT. A partir de 2008, com a crise econômica mundial, essa margem de manobra diminuiu, encontrando seu limite com o aprofundamento da crise no país a partir de 2014. Assim, o segundo governo Dilma/Temer, sustentado pelo PT, já nasce cometendo um verdadeiro estelionato eleitoral, o que provoca uma ruptura entre o PT, o governo Dilma/Temer e sua base social histórica, sua base operária. A Esquerda Marxista, que tem como princípio o combate para ajudar a classe operária a superar a sua crise de direção, decide então que não é mais possível continuar este combate no interior do PT. Decidimos entrar no PSOL para continuar o combate pela construção da EM, pela construção de um partido de classe, um partido operário independente de massas no combate pela construção de uma Internacional e de suas seções, o combate pela revolução socialista no Brasil e no mundo. Esta é a contribuição que trazemos ao interior do PSOL e que continuamos a fazer na classe operária e na juventude.

Pelo que lutamos

Na luta pelo socialismo, estamos presentes nos combates cotidianos da classe trabalhadora e da juventude. Impulsionamos campanhas por educação pública e gratuita para todos, contra a redução da maioridade penal, contra a Lei da Mordaça patrocinada pela ONG Escola Sem Partido, em defesa da Revolução Venezuelana com a campanha internacional “Tirem as Mãos da Venezuela”, somos ativamente solidários à causa palestina e ao movimento dos trabalhadores e da juventude de todo o mundo.

Nós impulsionamos a Liberdade e Luta, o Movimento Negro Socialista (MNS) e a organização Mulheres pelo Socialismo.

Seminário Sindical da Esquerda Marxista, realizado em 2017. Foto: Aline Seitenfus

Liberdade e Independência Sindical

Nossa intervenção sindical consiste em ajudar os trabalhadores a lutar por suas reivindicações, explicando no interior dessa luta a necessidade de unidade de todos os trabalhadores para acabar com o capitalismo e construir o socialismo. Nesse combate, procuramos trazer os melhores ativistas para a Esquerda Marxista, fazendo a propaganda do marxismo.

Nós combatemos pela liberdade e unidade sindical, pela unificação dos sindicatos em torno da luta pelos direitos dos trabalhadores. Somos contra a unicidade sindical imposta pela CLT de Getúlio Vargas (que a copiou da “Carta del Lavoro”, do fascista Mussolini) assim como de toda e qualquer forma de cobrança de contribuição compulsória dos trabalhadores não filiados para os sindicatos. Procuramos a unidade, a liberdade sindical e a independência dos trabalhadores em suas lutas e favorecemos, nas disputas sindicais, as chapas que se identificam com essas bandeiras.

Intervimos na CUT, que segue sendo a maior e realmente a única significativa central sindical do país. Lutamos contra a política de sua direção, que cada vez mais se adapta aos governos e patrões. Hoje, a maioria das direções sindicais, nos seus diferentes níveis, são um exemplo de adaptação ao capital. Há muito que a parte do estatuto da CUT que fala da luta pelo socialismo virou letra morta. A direção da central, como da maioria dos sindicatos filiados, procura formas de adaptar-se ao capital e ao Estado, em especial com o “tripartismo”, através dos conselhos formados por patrões, trabalhadores e governos, e que resulta numa política para preservar o lucro dos capitalistas, com a defesa de financiamentos governamentais para setores empresariais, “desonerações tributárias”, retirada de direitos, etc. É o vale tudo para defender o capital.

Por outro lado, os que se dizem “revolucionários” abandonam o combate contra a direção e dão as costas à luta pela Frente Única, à unidade contra os inimigos de classe e pelas reivindicações. Somos contra a tentativa de construir pequenas centrais com programas revolucionários e lutamos pela reunificação, na CUT, de todos os sindicatos que dela se separaram.

Contra o Racismo

“Racismo e Capitalismo são faces da mesma moeda” Steve Biko, líder negro sul africano assassinado

Lutamos contra todo tipo de opressão e discriminação por cor da pele, gênero, orientação sexual, opção religiosa, nacionalidade, etc. Conectando esses combates à luta de classes, à luta contra o capitalismo, é que se pode de fato construir uma saída, uma sociedade sem opressão e exploração.

Lutamos contra o racismo e o racialismo (política baseada no falso e anticientífico preceito da existência de raças entre seres humanos). E somos contra as cotas raciais e as “políticas de ações afirmativas” porque lutamos por emprego, educação e saúde para todos.

Nossa posição é a luta pela igualdade, que é básica para os socialistas, especialmente os marxistas, e sem a qual não haverá progresso humano. Nossa luta por plena igualdade política e econômica entre todos os seres humanos coincide, nesse aspecto, com a luta pela igualdade política, com direitos universais iguais, defendida pelo Movimento dos Direitos Civis nos EUA, em que um dos líderes foi Martin Luther King, assim como a luta de Steve Biko, líder do Movimento da Consciência Negra na África do Sul.

As “ações afirmativas”, que não estavam presentes como reivindicações do movimento negro em sua origem, foram arquitetadas pelo reacionário presidente republicano dos EUA Lindon Johnson e continuadas por Richard Nixon, com sua declaração sobre a necessidade de promover o “capitalismo negro” (black capitalism) e virou lei com o “Plano de Filadélfia”, que instituiu pela primeira vez as cotas nos EUA, em 1969.

Essa política foi exportada para todo o mundo através de agências do imperialismo, como a Fundação Ford, que compraram e cooptaram lideranças negras mundo afora para defender essas novas políticas como se fossem uma reivindicação oriunda do movimento negro. Seu objetivo explícito é criar uma burguesia e pequena burguesia negra abastada e provocar a concorrência social entre os próprios negros.

Como explicava Steve Biko: “racismo e capitalismo são faces da mesma moeda”. O capitalismo criou e alimenta essa ideologia reacionária para dividir os trabalhadores. Combatemos o racismo! Denunciamos as mortes e prisões da juventude nos morros, favelas e bairros populares que atingem majoritariamente os negros. Nossa luta é para que todos os negros estejam nas universidades! Somos pela universalização dos direitos! Por emprego, educação e saúde para todos!

As leis racialistas de cotas e outras medidas são um instrumento do imperialismo para enganar e controlar lideranças negras, além de desviá-las da luta contra o capitalismo e dividir a classe trabalhadora, que somente unida e irmanada em todas as cores de pele poderá dar o golpe final neste sistema que só dissemina exclusão, desigualdade e exploração. Essa é a posição do Movimento Negro Socialista (MNS), fundado em 2006 por militantes da Esquerda Marxista, entre os quais estavam antigos quadros fundadores do Movimento Negro Unificado.

Revolucionária alemã Clara Zetkin

Pelos Direitos das Mulheres

Os marxistas lutam contra o machismo e toda violência contra a mulher. Somos por salário igual para trabalho igual, por melhores condições de vida que permitam libertar todos da jornada de trabalho doméstico, aumento da licença maternidade e paternidade, por creches e educação pública e gratuita para todos, desde a primeira infância. Somos favoráveis ao direito e à descriminalização do aborto, com serviços públicos e gratuitos para a plena assistência médica, psicológica e social à mulher. Somos pela absoluta igualdade entre os seres humanos.

Nos contrapomos a posições oriundas do movimento feminista que concebem o mundo dividido em gêneros, ignorando ou secundarizando a divisão de classes em nossa sociedade. Enquanto houver capitalismo, será a sua ideologia, a ideologia burguesa, que predominará na sociedade, inclusive entre os explorados (homens e mulheres). O combate cotidiano ao machismo se dá inexoravelmente junto ao combate contra o capitalismo. É este regime social em decomposição que faz aumentar aceleradamente a violência contra as mulheres. Por isso é um dever comunista a luta contra essa violência.

Combate às drogas e à repressão

Somos contra a criminalização dos usuários de drogas e contra a chamada “guerra às drogas” (que sob o pretexto do combate ao tráfico coloca as forças de repressão para perseguir e matar a juventude pobre em todas as periferias do mundo). Mas ao mesmo tempo somos frontalmente contra a legalização da produção, distribuição e venda das drogas hoje consideradas ilegais. A legalização dessas drogas propiciará maior acesso e a elevação de seu consumo, enquanto os capitalistas, que já controlam esse mercado, terão maior liberdade para explorá-lo e elevar seus lucros. Temos claro que quanto mais drogas forem produzidas e comercializadas, maior será o poder da classe dominante de dopar, embriagar e entorpecer a juventude e os trabalhadores, dificultando inclusive sua organização política para combater este sistema.

Alguns grupos de esquerda levantam a bandeira da legalização da maconha como se fosse uma reivindicação revolucionária. Entendemos que uma medida como essa levaria ao aumento do consumo de maconha, principalmente entre a juventude, a níveis similares ao consumo atual do álcool. E isso em nada ajudaria na luta pela derrubada do capitalismo, ao contrário. Por essa razão, setores burgueses importantes, cujo principal porta-voz no Brasil é o ex-presidente tucano FHC, encabeçados pela indústria do tabaco, defendem a legalização da maconha. A luta contra o vício e a dependência das drogas é parte da luta pela emancipação do proletariado.

Na luta contra a repressão, destacamos que somos pelo fim da Polícia Militar, instrumento criado para a repressão do movimento operário e da juventude, desde os seus primórdios. Na Ditadura Militar instalada em 1964, a PM foi centralizada em todo o país e hoje seus métodos são iguais em qualquer dos estados. A morte de jovens, particularmente de negros, pela ação da PM, é destaque mundial. A PM é a polícia que mais mata no mundo, ela não precisa de “reformas” ou do fim da militarização, a PM tem que ser extinta.

Liberdade e Luta

A juventude é a chama da revolução. Não tendo o peso das derrotas das gerações passadas, a juventude sempre tem a ganhar ao aderir à luta socialista. A juventude, na medida em que se põe em movimento, tem o poder de arrastar as velhas gerações para o retorno ao combate.

O capitalismo não oferece qualquer futuro aos jovens. Num país em que muitas vezes o primeiro emprego oferecido ao jovem é o tráfico, a luta pela revolução tem o potencial de atrair imensas camadas da juventude.

Com esse objetivo impulsionamos a Liberdade Luta, para que essa seja uma verdadeira organização dos jovens em suas lutas. Seja nas lutas do movimento estudantil, pelo passe livre, em defesa da educação, na luta por empregos dignos, a Liberdade e Luta sempre está ativa com seus panfletos, faixas, bandeiras e solidária com a luta dos trabalhadores de todo o mundo.

A teoria revolucionária é parte essencial da prática revolucionária

A formação política dos militantes é uma preocupação fundamental e constante para a Esquerda Marxista. De nada adianta uma organização com bons agitadores e ativistas, se esses não forem bem formados politicamente e não compreenderem o marxismo.

A burguesia tem poderosos meios para propagar suas ideias. Uma organização revolucionária tem o dever de propiciar a seus militantes uma formação que os armem teoricamente para a batalha prática da luta de classes.

A Esquerda Marxista desenvolve constantemente debates e atividades de formação abertas para os trabalhadores e jovens, as “Universidades Vermelhas”. Todo ano realizamos também uma escola de quadros nacional onde buscamos aprofundar as questões mais importantes do marxismo e da luta de classes.

Em nosso jornal “Foice&Martelo” dedicamos sempre uma página para a formação política. Além da Livraria Marxista, mantemos também a Editora Marxista, responsável pela edição da revista América Socialista e pela publicação de livros.

Independência Financeira

Para que possamos falar livremente o que pensamos, não podemos depender financeiramente do Estado ou da burguesia. Quem paga a banda escolhe a música! Nossa sustentação só pode vir dos militantes e trabalhadores que apoiam nosso combate.

Por isso, a Esquerda Marxista sempre faz um combate para vender seus materiais (livros, jornal, revistas) e realiza campanhas financeiras de arrecadação que garantam o nosso funcionamento independente. Além disso, os militantes da Esquerda Marxista fazem mensalmente uma contribuição mensal (cota), de acordo com suas possibilidades financeiras e de acordo com sua consciência política.

Lenin com Kamenev e Trotsky

Centralismo Democrático

Segundo as tradições dos bolcheviques desde Lênin, nosso método de funcionamento é pautado pelo Centralismo Democrático.

O que é o Centralismo Democrático? A Esquerda Marxista garante a todos os seus militantes a livre expressão de suas ideias e eventuais divergências. A cada dois anos realizamos nosso congresso, com a publicação de boletins internos preparatórios, onde todo militante pode dar conhecimento e defender suas posições para toda a militância da organização. Sem essa democracia interna, uma organização marxista corre o risco de se burocratizar ou virar uma seita onde os militantes seguem inconscientemente seus “chefes”.

Entretanto, na luta de classes, agimos sempre de forma homogênea, centralizada, a partir das posições definidas pela maioria da organização. Essa é a única forma de garantir uma verdadeira democracia operária entre os marxistas.

Essa também é a forma que encontramos para corrigir nossos erros e falhas. Se uma posição adotada pela maioria da organização é errada e se choca com a realidade, os militantes que têm discordâncias podem abrir uma discussão interna objetivando a mudança, com o convencimento da maioria sobre a correção de suas ideias.

Resumindo, como bem definiu Lênin, Centralismo Democrático é: “Toda a liberdade na discussão. Toda a unidade na ação”.

Todos os companheiros antes de integrar a Esquerda Marxista têm contato com nosso estatuto, conhecendo assim toda a estrutura e funcionamento, direitos e deveres de um militante.

Conclusão

O que vemos em todo o mundo é o aprofundamento da crise deste sistema decadente, com profundos ataques sobre a maioria explorada e oprimida. Ao mesmo tempo, de um canto a outro, vemos a resistência e a disposição de luta dos povos. É a luta da classe trabalhadora que pode abrir uma saída para a humanidade. Mais do que nunca é atual a expressão marxista: “Socialismo ou barbárie”!

Essa é a batalha que travamos com objetivo de agrupar no Brasil e no mundo todos os que entram em ruptura real com a burguesia. A esses, qualquer que seja sua origem, convidamos a abraçar conosco, sobre a base do marxismo revolucionário, a construção da Esquerda Marxista e da Corrente Marxista Internacional.

Junte-se a nós para construir um mundo onde não haja mais exploração do homem pelo homem. Um mundo socialista onde possamos viver um período de verdadeira evolução da humanidade!

Tem interesse em se organizar com a Esquerda Marxista? Preencha este formulário, para que possamos entrar em contato e abrir a discussão.

[1] Para entender a questão do socialismo e comunismo, recomendamos a leitura da obra clássica de Engels “Do Socialismo Útopico ao Socialismo Científico“.

[2] Para entender a luta pela construção da Internacional, recomendamos:

Manifesto do Partido Comunista, Marx & Engels, 1848

Programa de Transição, Trotsky, 1938

[3] A brochura “Bases econômicas do Marxismo” explica essa exploração. Recomendamos também a leitura das obras clássicas de Marx “Trabalho Assalariado e Capital” e “Salário, Preço e Lucro“.

[4] Para entender a história do PT, ver o artigo de Serge Goulart “Sobre a origem e o desenvolvimento do PT“.

Bibliografia inicial

Clássicos do Marxismo

Textos da Esquerda Marxista e da CMI