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Congresso Mundial da CMI discute as perspectivas internacionais

No dia 24 de julho iniciou o Congresso Mundial da Corrente Marxista Internacional (CMI) com a presença de aproximadamente 370 militantes de mais de 20 países. A discussão foi aberta com o informe do camarada Alan Woods sobre a conjuntura internacional e as tarefas da CMI, destacando a continuidade da crise orgânica do capitalismo que se desenvolve desde 2008. Em termos gerais, há uma incapacidade da burguesia de resolver esta crise e mesmo de retomar um crescimento econômico consistente.

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O mundo atual, destacou Alan, é caracterizado pela instabilidade política, inclusive nos países que durante anos foram modelos de estabilidade e que agora são atingidos por conflitos nas cúpulas, abrindo caminho para que a classe operária e o movimento de massas questionem a própria burguesia e seu domínio sobre a sociedade.

No debate, houve intervenções de camaradas de diferentes países: EUA, Canadá, México, El Salvador, Venezuela, Grã-Bretanha, Espanha, França, Suécia, Áustria, Bélgica, Suíça, Alemanha, Grécia, Itália, Indonésia, Rússia, Nova Zelândia, etc. Uma significativa delegação da seção brasileira também está presente no Congresso e interveio sobre os aspectos globais e na explanação da situação política que atravessa o país.

São significativos sintomas da conjuntura atual e das dificuldades de dominação da burguesia os casos da Grã-Bretanha, Alemanha e EUA. Nos Estados Unidos, depois de mais de 100 anos de uma troca de partidos na presidência e no domínio do Congresso (o tradicional bipartidarismo entre republicanos e democratas), o furacão Trump varreu essa estabilidade, antecedido pelo terremoto Sanders.

Se lembrarmos, nas eleições de 2016 as sondagens indicavam que o único capaz de derrotar Trump era Bernie Sanders. Mas esse homem, que reunia milhares nos seus comícios e que se saísse como um candidato independente poderia ter mudado tudo, ainda que não ganhasse, abrindo a perspectiva política de um partido da classe trabalhadora dentro dos EUA, acabou cedendo. Sanders preferiu se submeter à fraude realizada pela direção do Partido Democrata, apoiando Hillary Clinton, ao invés de abrir caminho para uma saída independente para a classe operária. O resultado das eleições foi o que vimos: Trump presidente.

Mas esse fenômeno levou a uma modificação dentro do próprio Partido Democrata, com um grupo intitulado Socialistas Democratas da América (DSA, na sigla em inglês). É uma tendência confusa politicamente, mas que assume a defesa pública do socialismo. Eles têm crescido de forma acelerada. Passaram de seis mil aderentes pagantes – que cotizam para o funcionamento do partido – para mais de 48 mil pagantes em menos de um ano. Vários de seus candidatos derrotaram nas primárias do Partido Democrata os candidatos da direção partidária. Hoje, eles têm mais de 48 candidatos para as eleições deste ano para os mais variados postos. Ainda sofrem a mesma limitação de Sanders, ao não romperem com o Partido Democrata (um partido da burguesia imperialista), mas essa discussão percorre suas fileiras.

Isso se desenvolve enquanto Trump entra em choque com a máquina burocrática atual do estado norte-americano, em um conflito aberto entre o presidente, o serviço secreto e o FBI. Uma crise revolucionária está sendo gestada no coração do capitalismo e a seção estadunidense da CMI tem crescido consideravelmente no último período, preparando-se para enfrentá-la.

A Grã-Bretanha é outro exemplo da instabilidade. Primeiro, a antiga direção do Partido Trabalhista perdeu o controle do partido nas eleições na base, para Jeremy Corbyn, em 2015. Depois, Theresa May, a primeira ministra do Partido Conservador, convocou eleições antecipadas no ano passado em que pensava que varreria o Partido Trabalhista e, na verdade, ela é que quase foi varrida. O atual governo depende hoje do apoio de um pequeno partido irlandês de direita para continuar no poder e, pior ainda, não consegue achar uma saída com redução de danos para o Brexit, a retirada da União Europeia.

O resultado do impasse em relação ao Brexit é que dois de seus ministros se demitiram e ela teve o desprazer de ter que escutar Donald Trump declarar que um dos ministros que se demitiram (Boris Johnson) seria melhor primeiro-ministro que ela. Mas May ainda domina a maior parte do partido e os fez engolir sua proposta, ameaçando que, caso não a aprovassem, provavelmente o governo cairia e Corbyn seria o próximo primeiro-ministro. Se tem algo que a burguesia teme mais do que as idas e vindas infrutíferas de May ou os arroubos de Johnson, é ver Corbyn vencendo as eleições.

O terceiro exemplo é a Alemanha. Os conservadores, que previam ganhar tranquilamente as eleições. Não o conseguiram e é só sobreviveram por conta de um acordo com o Partido Socialdemocrata. A Alemanha, depois de seis meses das eleições, não conseguia constituir um novo governo. Que isso aconteça na Itália pode ser aceitável pela turbulenta vida política do país, mas na Alemanha é algo novo e mostra a profundidade da crise.

Analisando os “novos reformistas”, como o Syriza na Grécia e Podemos na Espanha, a avaliação é de que estão traindo de uma forma mais rápida que os antigos partidos socialdemocratas e comunistas. Os giros à direita são bruscos, provocando a desesperança na base. É necessário compreender os movimentos que estão em ascensão, suas limitações e mesmo as diferenças entre cada um, para uma intervenção consciente no seu interior. São os casos da França Insubmissa de Mélenchon ou do movimento por dentro do Partido Trabalhista encabeçado por Corbyn.

A crise das direções segue sendo o problema fundamental da classe operária. Caso evidente de traição é o da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), da Nicarágua, que compôs um governo em aliança com a burguesia e tem encabeçado uma repressão brutal contra jovens e trabalhadores, com centenas de mortos e feridos, sendo que tudo começou por conta de uma contrarreforma da previdência proposta pelo governo de Daniel Ortega. No entanto, a medida foi barrada pela resposta massiva nas ruas. Outro exemplo: a direção do PC cubano – ainda dominada por Raul Castro, apesar dele não ter a presidência formal – aprovou a entrada da propriedade privada em Cuba seguindo o que se chama de “modelo chinês”. Também as FARC, transformadas em partido político legal tiveram seu isolamento em relação à classe operária evidenciado, obtendo menos de 1% de votos nas eleições.

Ao mesmo tempo, relatos de diferentes países deram exemplos de que a classe trabalhadora e a juventude não estão derrotadas e têm disposição de luta. É o que expressa a eleição de López Obrador no México, as lutas na Espanha e a greve geral no 8 de março, as greves e mobilizações estudantis na França e mobilizações na Rússia. O Brasil está em plena sintonia com essa situação internacional.

A resolução de perspectivas mundiais do Congresso da CMI, após a votação das emendas, foi aprovada por unanimidade dos delegados.

Os camaradas das diferentes seções estão bem conscientes da necessidade urgente da construção das forças do marxismo, antes que um processo revolucionário estoure e não estejamos preparados para ajudar a classe trabalhadora a encontrar o caminho da derrubada do atual regime e a construção do socialismo mundial. Essas são as nossas tarefas e o crescimento das seções da CMI em diferentes países, assim como o início do trabalho em outros, demonstra que estamos dando passos firmes para consolidar o que temos e dar um salto no próximo período.

Viva a luta internacional da classe trabalhadora!

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