“#NãoÉMeuPresidente” em um cartaz com o rosto de Atul Gupta, empresário a quem Zuma vendeu reservas de Urânio, mais tarde revogada por fraude. Fonte: Domínio público.

África do Sul: 16 anos do fim do Apartheid (parte 2)

Artigo publicado no jornal Foice&Martelo Especial nº 19, de 12 de novembro de 2020. CONFIRA A EDIÇÃO COMPLETA.

PARTE 1

O declínio de Zuma

Mesmo antes da reeleição de Zuma, em 2013, graves acusações de corrupção surgiram (além das 783 anteriores). Ramaphosa, até então aliado de Zuma na repressão aos trabalhadores, abriu uma implacável campanha contra o próprio governo em que era vice-presidente, ganhando bastante notoriedade.

Enquanto Zuma avançava em acordos nucleares com a Rússia e antecipava a venda de reservas de urânio à família Gupta, o que gerou a demissão de Pravin Gordhan e Mcebisi Jonas do Ministério das Finanças por se oporem ao acordo, Zuma foi perdendo apoio do próprio partido e via o próximo congresso da ANC chegar junto às novas eleições presidenciais.

O governo se via cada vez mais indefensável por diversos motivos, mas o que incomodava a burguesia obviamente não era a corrupção e, sim, a facção da burguesia para quem Zuma governava. Nessa ocasião, na ausência de uma organização revolucionária que apontasse a corrupção como parte inerente do capitalismo, como uma característica intrínseca da burguesia, Ramaphosa virou a principal figura contra Zuma, recebendo apoio das principais organizações de esquerda (que antes apoiaram Zuma contra Mbeki).

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