A política da CSP-conlutas difere pouco da CUT

Artigo publicado no jornal Foice&Martelo Especial nº 06, de 14 de maio de 2020. Confira a edição completa

Em ato virtual realizado no dia 1º de maio, Atnágoras Lopes, membro da direção nacional da CSP-Conlutas, afirmou categoricamente: “O momento exige unidade para defender quarentena geral para defender nossas vidas, estabilidade no emprego, garantia de renda para todos, lutar contra o sistema capitalista neste momento em que nos impõe a barbárie, assim como pôr pra fora Bolsonaro e Mourão”. O ato contou ainda com a participação da Intersindical, organização que se autointitula “instrumento de luta e organização da classe trabalhadora”, e que dirige sindicatos como o de metalúrgicos de Campinas (SP) e o de têxteis de Blumenau (SC).

O programa da CSP-Conlutas, resumido na fala de Atnágoras, distorce as necessidades mais sentidas pelos trabalhadores neste momento de pandemia. Divulgado no dia 19 de março, com todas as letras – “Não às privatizações e mais Estado para garantir políticas públicas e combater a pandemia do Coronavírus” (negrito nosso – ed). 

Todo revolucionário sabe que para combater o capitalismo, é necessário colocar a necessidade do fim do Estado burguês e da construção de um estado operário. As medidas defendidas pela Esquerda Marxista em seu Programa de Emergência partem justamente desta necessidade. A CSP-Conlutas, que se coloca no campo de luta dos trabalhadores, fala em “mais Estado”, o que no estágio atual da luta, só pode significar “mais Estado burguês”. Assim, se colocamos a necessidade de estatização de uma série de setores da economia (a começar pelos bancos), colocamos sempre “sob o controle dos trabalhadores”, exatamente para diferenciar em relação aos que são simplesmente nacionalistas (que pedem por exemplo a Petrobras 100% estatal ou a reestatização da Vale do Rio Doce). Nós nos colocamos como socialistas, que não defendem o atual estado burguês! Esta diferença vai se tornar prática ao ver como se organiza a luta dos sindicatos no Conlutas.

Na atual conjuntura de pandemia, tal prática vem se concretizando em acordos que atacam direitos dos trabalhadores e na atitude sectária de atribuir aos próprios trabalhadores a culpa pela derrota. Trotsky lembrava que os sectários, “incapazes de encontrar acesso às massas, estão sempre dispostos a acusá-las de serem incapazes de se elevar até as ideias revolucionárias”.

O principal sindicato operário filiado à CSP-Conlutas, o dos metalúrgicos de São José dos Campos, dirigido pelo PSTU, vem assinando uma série de acordos dignos dos setores mais pelegos do movimento sindical. Dando continuidade a uma política que denunciamos na última edição do jornal. Só na primeira semana de maio foram assinados mais quatro acordos em diferentes fábricas, que permitem a suspensão de contratos e a redução de jornada com redução de salários. Um dos diretores, justificando a deliberação da assembleia, afirmou: “Os trabalhadores aprovaram a proposta, mas não por concordarem com ela. Ninguém quer ter o salário reduzido. O problema é que o governo federal não foi capaz de garantir a renda total dos trabalhadores em meio a esta crise; a MP 936 é insuficiente para proteger os salários e empregos da classe trabalhadora”. Soa no mínimo estranho que a medida provisória assassina de Bolsonaro seja classificada apenas como “insuficiente”, e não como um brutal ataque à classe trabalhadora.

Os demais sindicatos vinculados à CSP-Conlutas seguem fazendo pouca coisa. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), que conta com mais de 60 mil filiados, não tem feito qualquer mobilização específica de sua base, se limitando a apoiar inciativas organizadas por outras entidades, como a Marcha Virtual pela Ciência, ou a denunciar o projeto de lei que propunha congelar progressões e aumentos salariais, remetendo a mobilização a influenciar o voto dos parlamentares. Isto quando os professores das universidades vem sendo atingidos pelo EAD, como o aumento da carga horária e da intensificação do trabalho trazido pelo “home office”, sem que sejam compensados problemas como o fechamento de creches e escolas. Ou seja, os professores e funcionários passam a cuidar dos filhos em casa e a ter (nominalmente) a mesma carga horária anterior. E, sobre estas questões, o ANDES silencia. 

Apesar do crescente número de trabalhadores de sua base contaminados pelo coronavírus, o Sindipetro e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), vinculados ao PSTU e outros setores que compõem a CSP-Conlutas, não apresentaram ações concretas para mobilizar os trabalhadores, e vêm dando mais atenção a disputas judiciais do que à luta pelo isolamento social e pela interrupção dos serviços.

A verdade é aquela que Marx já denunciou no livreto Salário, Preço e Lucro: os sindicatos, no máximo, negociam – e mal – o valor da força de trabalho. É necessária uma organização política que coloque a necessidade da expropriação do capital e da construção do socialismo para podermos avançar. Este é o trabalho que estamos fazendo na Esquerda Marxisa.

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