Desemprego bate novo recorde

Artigo publicado no jornal Foice&Martelo Especial nº 21, de 10 de dezembro de 2020. CONFIRA A EDIÇÃO COMPLETA.

Segundo a última avaliação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) [1], referente ao terceiro trimestre de 2020, a taxa de desemprego no Brasil chegou a 14,6%, o que representa aumento de 1,6% em relação à última avaliação, encerrada em maio deste ano. Em números concretos, isso significa que 14,1 milhões de brasileiros estão desempregados, ou que hoje existem 1,1 milhão de pessoas desempregadas a mais em comparação a maio de 2020.

Estes números se referem apenas àquelas pessoas que estão procurando emprego. Os chamados desalentados — pessoas que precisam trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acreditarem que não existam vagas nas regiões onde residem — não entram nesse percentual e já somam 5,9 milhões. Isso significa que, atualmente, existem mais de 20 milhões de desempregados no Brasil.

A gravidade da crise fica mais evidente quando se mede a taxa de ocupação, que caiu 5% em relação ao trimestre anterior, ou 4,3 milhões de trabalhadores a menos no mercado de trabalho. Se comparada com a taxa de ocupação do ano anterior, são 12 milhões de pessoas a menos no mercado de trabalho.

Embora a pandemia seja a principal justificativa para o aumento do desemprego, é curioso observar os dados do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período (terceiro trimestre de 2020), após uma queda vertiginosa no primeiro semestre, o PIB apresentou crescimento de 7,7%. [2]

Já explicamos em outro artigo que o desemprego no capitalismo é estrutural, é um elemento constitutivo do sistema [3]. No capitalismo em sua fase imperialista as taxas de desemprego dificilmente serão reduzidas, o que demonstra cada vez mais a necessidade de superação deste sistema.

Além do desemprego, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas [4], a renda individual do trabalho dos brasileiros teve uma queda média de 20,1% desde o início da pandemia. A situação dos trabalhadores fica ainda mais agravada se considerarmos o aumento nos preços de produtos que formam a base da nossa alimentação, como feijão, arroz e o óleo de soja. Enquanto isso, um relatório do banco suíço UBS e da consultoria PwC [5] divulgou que, durante a pandemia, 2.189 bilionários ficaram 27,5% mais ricos.

No Brasil, 50 bilionários aumentaram suas fortunas em quase 50 bilhões de dólares. Ou seja, os números demonstram aquilo que é de conhecimento geral: a maior fatura das crises do capitalismo sempre será paga pelos trabalhadores, enquanto os ricos ficam cada vez mais ricos. E as expectativas para 2021 não são nada favoráveis, pois não há projeções de crescimento da economia e o auxílio emergencial tem seus dias contados.

Além disso, o Brasil é governado pela barbárie bolsonarista. O atual governo mantém postura negacionista em relação à pandemia, como forma de distrair sua plateia de lunáticos, e mantém Paulo Guedes e companhia no controle da economia, que acena com mais supressão de direitos, privatizações etc.

Efetivamente, muito além dos problemas causados pelo distanciamento social e do número de mortes devido à pandemia, os trabalhadores nada têm a comemorar neste final de ano. Por essa e por outras razões, não há saída com Bolsonaro até 2022. A necessidade de intensificar a campanha pelo Fora Bolsonaro se faz cada vez mais urgente.

Referências:

[1] Agência IBGE Notícias, de 30/10/2020. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/29321-desemprego-chega-a-14-4-no-trimestre-encerrado-em-agosto>.

[2] Agência IBGE Notícias, de 03/12/2020. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/29579-pib-cresce-7-7-no-3-trimestre-de-2020>.

[3] Capitalismo e desemprego. Foice e Martelo. Ed. Especial n. 13. Disponível em <https://www.marxismo.org.br/capitalismo-e-desemprego/>.

[4] Portal FGV, de 14/10/2020. Disponível em <https://portal.fgv.br/noticias/pandemia-provocou-queda-renda-e-aumento-desigualdade-trabalhista>.

[5] Revista Super Interessante, de 07/10/2020. Disponível em: <https://super.abril.com.br/sociedade/bilionarios-ficaram-quase-30-mais-ricos-durante-a-pandemia/>.

 

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