A importância da Universidade Marxista Internacional 

Editorial do jornal Foice&Martelo Especial nº 10, de 09 de julho de 2020. Confira outros editoriais aqui. Você também pode conhecer nosso jornal eletrônico quinzenal e assinar por este link.

A experiência do passado nos ensina que são necessários laços fraternais entre os trabalhadores de diferentes países para se apoiarem mutuamente em todas as suas lutas pela libertação, e que o esquecimento disso será punido pela derrota comum de suas batalhas divididas. Debruçados sobre esse pensamento, trabalhadores de diferentes países, reunidos em um encontro público no Saint Martin’s Hall, em 28 de setembro de 1864, resolveram fundar a Associação Internacional dos Trabalhadores.” (Mensagem Inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores, Karl Marx)

A Universidade Marxista Internacional que se prepara para o fim de julho, conectando milhares de marxistas ao redor do planeta para debater sobre a base do arcabouço teórico desenvolvido para emancipar a humanidade é nos dias de hoje a expressão do combate que teve início com a fundação da 1ª Internacional.

Fundada em 28 de setembro de 1864, em um evento no Saint Martin’s Hall, em Londres, a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) foi a primeira tentativa na história de construir uma organização internacional dos trabalhadores. Esta organização, posteriormente, ficaria conhecida como a 1ª Internacional. 

A AIT é fruto da compreensão do capitalismo como um sistema global, baseado na divisão internacional do trabalho e no mercado mundial. A situação dos trabalhadores é a mesma em todo o mundo e, portanto, a luta enquanto classe é a mesma. Ou seja, o movimento em direção ao socialismo deve ser internacional. Os marxistas compreendem que não pode haver “socialismo em um só país”.  A luta pelo socialismo é internacional ou não é nada.

Longe de serem meramente teóricos que analisavam o mundo em que viviam, Marx e Engels partiam da compreensão adquirida a partir da teoria, para desenvolverem a ação prática. Por isso, entenderam que a tarefa da revolução socialista é a de abolir a propriedade privada dos meios de produção e o Estado-nação, um produto do capitalismo. Nesta base, com a abolição das barreiras nacionais e com o estabelecimento de uma federação internacional de estados socialistas, o estrangulamento do lucro privado pode ser eliminado e os recursos do planeta podem ser usados livremente em benefício de todos.

Marx e Engels também explicaram que “os trabalhadores não têm pátria” e apontaram o caminho: “Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!”. Para eles, a responsabilidade por esta luta recai sobre os ombros de uma organização internacional da classe trabalhadora. Por isso, ambos trabalharam incansavelmente na construção da 1ª Internacional.

Entretanto, a AIT era uma organização frágil e heterogênea. Reunindo anarquistas, blanquistas e outras vertentes incapazes de se apoiar na classe trabalhadora e levar a luta contra o capital até o fim, ela será dissolvida em 1876. 

O principal responsável pela continuidade do que foi a 1ª Internacional, que irá participar diretamente da fundação da 2ª Internacional, mais conhecida como Internacional Socialista, é Friedrich Engels após a morte de Karl Marx. A 2ª Internacional surge no contexto dos partidos socialdemocratas, sendo o principal deles, o Partido Social-Democrata da  Alemanha (SPD). Na Rússia também será fundado o Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). 

Em 1914, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, a direção da 2ª Internacional abandona a defesa da revolução e passa a apoiar seus próprios Estados nacionais em guerra. Na Alemanha, os dirigentes do SPD optam por defender a aprovação dos créditos de guerra. Os comunistas, defendiam a necessidade da Internacional de se posicionar contra a guerra, que sendo organizada pelas classes dominantes, resultaria no extermínio físico dos proletários que seriam enviados para os campos de batalha.

A traição da Internacional Socialista vai significar a morte política desta organização. Lenin declarou, em 1915, que ela estava morta e que era necessário iniciar a construção de uma nova Internacional.

Esta nova organização surge na esteira da Revolução Russa de 1917. A 3ª Internacional, ou Internacional Comunista (IC), nasce como um fruto direto das experiências dos trabalhadores russos e de seu principal partido, o Partido Bolchevique. A IC vai ficar conhecida como o partido mundial da classe trabalhadora e vai impulsionar a construção de Partidos Comunistas por todo o globo terrestre. As resoluções dos quatros primeiros congressos da IC são um tesouro para qualquer marxista que busca hoje transformar o mundo em que vive. A tática de Frente Única se cristalizará nos acalorados debates destes quatro congressos.

Entretanto, a burocratização da União Soviética também significará a burocratização da IC e a partir da segunda metade da década de 1920, a IC stalinizada será responsável pelos erros que condenaram revoluções em todo o mundo. 

Leon Trotsky, após a morte de Lenin, foi o principal dirigente do Partido Bolchevique no combate contra a burocratização do regime soviético. Trotsky compreendeu que com a degeneração da revolução, era necessário realizar o combate por uma revolução política dentro da União Soviética. Organizou a Oposição de Esquerda Internacional e, diante da política stalinista que permitiu a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha em 1933, compreendeu que já era o momento de propor a criação de uma nova Internacional, que pudesse se tornar o instrumento dos trabalhadores. A 4ª Internacional foi fundada em 1938 e seu documento fundacional, o Programa de Transição, segue como um dos principais documentos do marxismo ainda hoje, sintetizando as lições do movimento do proletariado internacional até então e analisando a questão fundamental para a superação da sociedade capitalista: a crise da direção. 

Longe de esgotar o assunto, essas breves linhas buscam evidenciar a luta histórica dos trabalhadores pela construção de uma verdadeira Internacional dos trabalhadores. Podemos afirmar que esta é a tarefa mais importante do movimento operário e deve ser o objetivo de todos os marxistas. 

É diante desse contexto que a Corrente Marxista Internacional (CMI) prepara a Universidade Marxista Internacional 2020. A CMI atua com o objetivo organizar a classe trabalhadora em diversos países, de forjar a direção revolucionária que fará parte deste processo pela construção do partido mundial da classe trabalhadora. Com seções em dezenas de países de todos os continentes, a CMI atua em todos os principais combates da luta de classes, dando atenção à teoria e à prática. 

A Universidade Marxista Internacional, que já conta com milhares de inscritos de mais de 72 países, será um espaço de discussão para a compreensão da teoria marxista e de combate às ideias reacionárias, revisionistas e reformistas que surgiram contra ela.

Estamos em um período histórico ímpar, “o capitalismo está passando pela crise mais séria de sua história. A pandemia do novo coronavírus, o aumento do desemprego em massa e as crescentes tensões entre as nações revelam um sistema em um beco sem saída. Em meio a todo esse aparente caos, apenas a teoria e o método do marxismo oferecem clareza e mostram o caminho a seguir para aqueles que procuram mudar a sociedade.

Convidamos a todos para que participem da Universidade, que conheçam a força das ideias do marxismo e que se organizem conosco na luta por uma Internacional Revolucionária, na luta por uma sociedade socialista.

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