Famílias protestam contra falta de condições para a volta às aulas em São Paulo Foto: Reprodução

A greve de Schrödinger da Apeoesp: o professor está e não está em greve ao mesmo tempo

Erwin Schrödinger desenvolveu um experimento mental chamado de “Gato de Schrödinger”, como forma de ilustrar o conceito de superposição quântica. Seu experimento consistia em colocar em uma caixa sem transparências um gato, um frasco com veneno, um contador Geiger (medidor de radiação) conectado a um relé e um martelo. O contador é acionado dependendo do nível de radiação na caixa. Caso seja acionado, o martelo quebra o frasco e o gato morre. Caso não seja acionado, o martelo não entra em movimento e o gato vive. Porém, não é possível saber se o gato está morto ou vivo a não ser que se abra a caixa. Contudo, ao fazer isso ele interfere no experimento diretamente. De acordo com o conceito de superposição quântica, se não podemos definir o estado de um corpo, afirma-se que esse corpo está em todos os estados ao mesmo tempo.  Ou seja, o gato está vivo e morto ao mesmo tempo.

Da mesma forma que no experimento de Schrödinger, foi impossível determinar qual o estado da greve aprovada no último dia 12 de fevereiro na assembleia da Apeoesp. A proposta apresentada pela Direção Executiva do sindicato gerou certo estranhamento de vários professores presentes, quando defenderam a “manutenção” da greve pela vida, com a volta dos professores para as escolas para dialogar com a comunidade. Um dos dirigentes de oposição do sindicato explicou: voltaremos às escolas, assinaremos o ponto e daremos aula, mas ainda assim estaremos em greve, tentando ganhar mais professores para a assembleia do dia 19 de fevereiro. Porém, como não foi oficializado o fim da greve, o professor que individualmente decidir por se manter em greve sanitária, também terá essa possibilidade. Em suma, o professor estaria e não estaria em greve ao mesmo tempo.

Essa votação expressou exatamente a dificuldade da direção do sindicato (situação e oposição) em mobilizar a categoria durante a semana e a indefinição sobre como prosseguir. Alguns setores da direção defenderam manter, outros quiseram suspender, e a proposta consensual foi a confusa formulação “Greve pela vida – semana de 15 a 19/02 – mobilização de ida às escolas para dialogar com professores, estudantes, pais/mães e funcionários”.  Para que não haja dúvidas sobre o significado dessa formulação, é importante frisar que, em uma das assembleias regionalizadas, ela foi contraposta a outras duas propostas: “Greve Sanitária – manter o formato atual” e “Greve Total” (defendida por nós), deixando claro que se tratava de proposta distinta da aprovada no dia 5 de fevereiro, a greve sanitária.

Ocorre que por conta da pressão da base do sindicato, dois dias depois da decisão da assembleia, a presidente da Apeoesp comunicou a categoria que a deliberação da assembleia foi, na verdade, pela manutenção do formato de greve sanitária, da última semana. Ela modificou sua própria decisão, além de passar por cima da assembleia e de sua própria proposta, exemplificando novamente seus métodos antidemocráticos.  Porém, quando fez isso, a “posição quântica” do dia 12 de fevereiro já estava amplamente difundida entre aqueles que participaram da assembleia, gerando anda mais confusão e desmobilização.

Nesse difícil cenário, nós, do coletivo Educadores pelo Socialismo, vamos nos manter em greve e construindo a posição de defesa da greve total! A bandeira da greve sanitária é incapaz de unificar os professores que desejam se mobilizar contra o retorno às aulas presenciais. Como já explicamos em outro artigo, aproximadamente 40% dos professores da rede são do grupo de risco e não fariam movimentação de luta nesse formato, por estarem atribulados com as aulas remotas. Além disso, cada escola funciona de um jeito nesse retorno: algumas continuam no modo remoto, outras só tem trabalho presencial para os professores, outras tentam manter as aulas como eram antes da pandemia, mas sem superlotação das salas. Essa diversidade de cenários dificulta a mobilização da categoria com o formato da greve sanitária.

Com o criminoso aumento da contaminação junto à comunidade escolar, com o fechamento das escolas, com a contínua escassez de testes aos professores, tudo isso fará aumentar o acirramento da luta de classes, com desdobramentos imprevisíveis. Assim, convocamos a categoria a entrar em greve e no dia 19 de fevereiro a participar da assembleia e se somar em defesa da vida dos estudantes e trabalhadores da educação, defendendo as pautas mais corretas para essa situação:

  • Greve total em defesa da vida!
  • Aula presencial, só com vacina para todos!
  • Abaixo os governos Covas, Doria e Bolsonaro!
  • Por um governo dos trabalhadores sem patrões nem generais!

 

 

 

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