Trotsky e a Revolução Francesa (parte 2)

LEIA A PARTE 1

A ditadura Jacobina e o Terror

Nessas condições, entende-se que Trotsky não tenha podido ser, de forma alguma, um admirador dos Jacobinos31, embora seja capaz de lhes render a homenagem, que merecem segundo a sua opinião. Para ele, o mérito de Robespierre32 e dos seus residiu na proclamação do princípio revolucionário e em sua defesa encarniçada contra a Europa feudal. Mas compartilha integralmente a avaliação de Engels – de acordo com Marx neste ponto – em sua carta a Kautsky de 20 de fevereiro de 1887, na qual ele explica que o Terror só tem sentido em tempos de guerra:

“Uma vez preservadas as fronteiras graças às vitórias militares e depois da destruição desta fanática Comuna que havia querido levar a liberdade aos povos na ponta de baionetas, o Terror, como arma da Revolução, sobreviveria a si mesmo. É verdade que Robespierre estava então no cimo do poder, mas, disse Engels, ‘a partir de agora o Terror se tornou para ele um meio para sua própria preservação e, de repente, se converteu em um absurdo’”33.

Em sua polêmica contra Lenin, que, como sabemos, tentara associar “jacobinismo” com “socialismo” em um famoso parágrafo de seu folheto Um Passo à Frente, Dois Passos Atrás, Trotsky pintou um quadro impiedoso do “jacobinismo” como fenômeno situado no passado, e embora tenha reconhecido ter se equivocado no conteúdo da polêmica contra Lenin, nunca voltou a isso – e, sem dúvida alguma, não tinha nenhuma razão para voltar. Por trás do ardor e das nítidas fórmulas da polêmica dentro do movimento socialista, além do discurso duro, oculta-se a seguinte análise que apresentamos:

“O jacobinismo, escreve ele, é o apogeu na tensão da energia revolucionária na época da autoemancipação da sociedade burguesa. É o máximo de radicalização que a sociedade burguesa podia produzir, não pelo desenvolvimento de suas contradições internas, mas por seu retrocesso e sua repressão; na teoria, o apelo aos Direitos do Homem, abstrato, do cidadão abstrato; na prática, a guilhotina”34.

Aqui, também, os Jacobinos não se comportam de acordo com princípios abstratos, embora os agitem, mas se comportam como homens em um beco sem saída, porque o contexto econômico e social da época não dá nenhuma base para a perduração de seu poder e o desencadeamento do Terror é, para eles, um meio de violar as leis da História que devem sofrer:

“A História devia se deter para que os Jacobinos pudessem conservar o poder, porque todo movimento de avanço devia opor, uns aos outros, os diversos elementos que, ativa ou passivamente, sustentavam os Jacobinos e deviam, assim, por suas fricções internas, debilitar a vontade revolucionária que a Montanha encabeçava. Os Jacobinos não acreditavam e não podiam acreditar que sua verdade – a Verdade – se apoderaria cada vez mais das almas à medida que o tempo avançasse. Os fatos lhes demonstraram o contrário: de todos os lados, de todas as brechas da sociedade saíam intrigantes, hipócritas, ‘aristocratas’ e moderados […] Manter o apogeu de seu impulso revolucionário, ao instituir o ‘estado de sítio’ e determinar as linhas de demarcação com a lâmina da guilhotina, tal era a tática que se ditava aos Jacobinos por seu instinto de conservação política”35.

Capazes, no momento do perigo supremo de “encolerizar” os sans-culottes e de mobilizar as massas em defesa da “nação” por meio desse “patriotismo” que criavam sobre a base do princípio revolucionário e da defesa incondicional contra o estrangeiro, os jacobinos de 1793 não tinham um programa suscetível de ser inscrito na realidade de seu tempo:

“Os Jacobinos eram utópicos. Fixavam como tarefa ‘fundar uma república sobre as bases da razão e da igualdade’. Queriam uma república igualitária sobre a base da propriedade privada; queriam uma república da razão e da virtude no marco da exploração de uma classe por outra. Seus métodos de luta não faziam mais do que derivar de seu utopismo revolucionário: instalados à beira de uma contradição gigantesca, apelavam ao fio da lâmina da guilhotina, em sua ajuda”36.

Trotsky mostra logo como esta situação objetiva cortava aos jacobinos toda saída política e lhes cortava a erva sob os pés, apesar de todas as suas declamações voluntaristas chamadas a desaparecer no mais negro dos pessimismos:

“Os Jacobinos eram idealistas puros […] Acreditavam na força absoluta da Ideia, da ‘Verdade’ e consideravam que nenhuma hecatombe de seres humanos seria supérflua para construir o pedestal dessa verdade. Tudo o que afastasse dos princípios que eles proclamavam da moral universal não era mais que o fruto do vício e da hipocrisia. ‘Só reconheço dois partidos – dizia Maximilien Robespierre em um de seus últimos discursos, o famoso discurso do 8 Termidor – ‘o dos bons e o dos maus cidadãos’.

A uma fé absoluta na ideia metafísica correspondia uma desconfiança absoluta a respeito dos homens reais. A ‘suspeita’ era o método inevitável para servir à ‘Verdade’, e, ao mesmo tempo, o dever supremo do ‘verdadeiro patriota’. Nenhuma compreensão de que algumas contradições no terreno das opiniões e ideias se aprofundariam inevitavelmente, enquanto outras seriam atenuadas à medida que se desenvolvesse a luta das forças liberadas pela revolução”37.

O veredito de Trotsky sobre a ação heroica dos jacobinos é tão severo quanto o da História, segundo ele:

“A história tinha que se deter para que os Jacobinos pudessem conservar sua posição por mais tempo; mas não se deteve. Já não restava mais que lutar impiedosamente contra o movimento natural até seu total esgotamento. Toda pausa, toda concessão, por menor que fosse, significava a morte.

Esta tragédia histórica, este sentimento do irreparável, animam o discurso que Robespierre pronunciou no 8 Termidor, na Convenção, e que retomou nessa mesma noite no Clube dos Jacobinos: ‘na corrida em que participamos, deter-se antes do final é morrer e teremos retrocedido vergonhosamente. Vocês ordenaram o castigo de alguns criminosos, autores de todos os males, que se atrevem a resistir à justiça nacional e são sacrificados em nome do destino da pátria e da humanidade: vamos nos ater, então, a todos os flagelos que puderem carregar as facções que se agitam impunemente […] Deixem que as rédeas da revolução afrouxem por um momento, verão o despotismo militar se apoderar delas e os chefes das facções derrubar a representação nacional civil; um século de guerras civis e de calamidades devastará nossa pátria e morreremos por não termos querido nos apoderar de um momento determinado na história dos homens para fundar a liberdade; submeteremos nossa pátria a um século de calamidades e as maldições do povo se fixarão em nossa memória que devia ser querida para o gênero humano!”38.

Finalmente, é a Trotsky a quem devemos uma das descrições mais severas da obstinação terrorista no poder:

Os Jacobinos levantavam entre eles e a moderação o fio da lâmina da guilhotina. A lógica do movimento de classe ia contra eles e se esforçavam por decapitá-la. Delírio: esta hidra sempre tinha muitas cabeças; e as cabeças consagradas aos ideais da virtude e da verdade eram cada vez mais raras. Os Jacobinos se ‘purificavam’ debilitando-se. A guilhotina não era mais do que o instrumento mecânico de seu suicídio político, mas o próprio suicídio era a saída fatal de sua situação histórica sem esperança, situação em que se encontravam os representantes da igualdade sobre a base da propriedade privada, os profetas da moral universal no marco da exploração de classe.

‘Grandes crises são necessárias para purificar um corpo gangrenado: há que se cortar os membros para salvar o corpo. Enquanto tivermos maus dirigentes, poderemos estar equivocados; mas quando soubermos quais são os verdadeiros Jacobinos, serão os nossos guias, nos uniremos a Danton, a Robespierre e salvaremos o Estado’. Ano e meio mais tarde, no momento em que Danton e muitos outros dos ‘verdadeiros Jacobinos’ haviam sido decapitados, como membros atacados pela gangrena, no mesmo clube, empregando quase as mesmas palavras, outro Jacobino falava e voltava a falar de ‘depuração’: ‘Se nos purgamos, é para ter o direito de purgar a França. Não deixaremos nenhum corpo heterogêneo na República: os inimigos da liberdade devem tremer, porque a arma está levantada; será a Convenção quem a lançará. Nossos inimigos não são tão numerosos como querem nos fazer crer; logo serão postos em evidência e aparecerão na praça da guilhotina. Diz-se que queremos destruir a Convenção: não, ela permanecerá intacta; mas queremos cortar os ramos mortos dessa grande árvore. As grandes medidas que tomamos se parecem a rajadas de ventos que fazem cair os frutos podres e deixam os bons frutos na árvore; depois disso, vocês poderão recolher os que fiquem: estarão maduros e saborosos; levarão a vida à República. Que me importa que os ramos sejam muitos, se estão apodrecidos? Vale mais que fiquem alguns poucos, com a condição de que sejam verdes e fortes”39.

Os limites da Grande Revolução

A Trotsky lhe agrada citar a Jean-Paul Marat, analista lúcido da revolução que se desenrola diante dele e com ele. Para ele, Marat foi “tão caluniado pelos historiadores oficiais” – e ainda o é em grande medida –, porque ele sentiu o “cruel revés social” das revoluções sociais. Cita-o quase de memória quando escrevia em julho de 1792:

“A revolução se realiza e se sustenta pelas classes baixas da população, por esses seres feridos que a riqueza insolente trata como canalhas […] Depois de certos êxitos no início, o movimento finalmente é derrotado: sempre lhe faltam conhecimentos, recursos, armas, chefes, um plano de ação, fica indefeso diante dos conspiradores que têm experiência, astúcia e habilidade”40.

Indiscutivelmente, no final do século 18, “as classes oprimidas” não têm nem os conhecimentos, nem a experiência, nem a direção capazes de levá-las à vitória. No entanto, no momento de maior perigo, demonstraram reunir toda a sua energia, em nome das perspectivas previstas – mas semelhante esforço, tanto para um indivíduo como para centenas de milhares, coletivamente, está forçosamente limitado no tempo e dá lugar a um relaxamento ou a um refluxo, à desilusão ante a pequenez dos resultados, à apatia ante a ausência ou a confusão das perspectivas. E foi nesse contexto que Robespierre tentou manter o poder dos restos do partido jacobino e fracassou.

Trotsky sublinha, por outro lado, que as causas do que podemos chamar de “impotência do jacobinismo” devem ser buscadas não só no terreno da subjetividade das massas, como também na objetividade das relações sociais. Ele escreve:

“O cansaço das massas e a desmoralização dos quadros contribuíram também no século 18 para a vitória dos termidorianos sobre os jacobinos. Mas, sob esses fenômenos, na realidade temporários, realizava-se um processo orgânico mais profundo. Os jacobinos eram apoiados pelas camadas inferiores da pequena burguesia, alçadas pela poderosa corrente, e, como a revolução do século 18 respondia ao desenvolvimento das forças produtivas, não podia menos que levar, no final das contas, a grande burguesia ao poder”41.

Alguns anos antes, havia expressado a mesma ideia de forma algo diferente, quiçá um pouco mais detalhada, ao escrever:

“A queda dos jacobinos estava predeterminada pela ausência de maturidade das relações sociais: a esquerda (artesãos e comerciantes arruinados), privada da possibilidade de desenvolvimento econômico, não podia constituir uma apoio firme para a revolução; a direita (burguesia) crescia inevitavelmente; ademais, a Europa, econômica e politicamente mais atrasada, impedia que a revolução se espalhasse além dos limites da França”42.

Ele continua em seu verdadeiro veredito sobre o balanço de Robespierre e dos seus:

“A política dos jacobinos, apesar de ser a mais clarividente, era incapaz de modificar radicalmente o curso dos acontecimentos”43.

Na realidade, passado o perigo externo e interno, com a obra essencial da revolução aparentemente assegurada, a burguesia, afastada momentaneamente pelo empurrão dos sans-culottes, só podia voltar novamente. Para “encolerizar” esses últimos, teria sido necessário satisfazer suas reivindicações mais urgentes, assegurar com palavras muito significativas, sua “subsistência”. Mas as medidas de ordem econômica, “a igualdade jacobina burguesa”, escreve Trotsky, “que reveste a forma da regulamentação do máximo, restringia o desenvolvimento e a extensão do bem-estar burguês”. Contudo, a burguesia aspirava a esse bem-estar social. A queda de Robespierre, em 9 Termidor, é, em certo sentido, a revanche da burguesia em suas aspirações reprimidas em nome das necessidades políticas:

O Termidor se baseia em um fundamento social. É uma questão do pão, da carne, da moradia e, no possível, do luxo. A igualdade burguesa jacobina, que reveste a forma da regulamentação do máximo, restringia o desenvolvimento da economia burguesa e a extensão do bem-estar burguês. Sobre este ponto, os termidorianos sabiam o que queriam: na Declaração dos Direitos do Homem, excluíram o parágrafo essencial: ‘Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos’. Aos que pediam o restabelecimento desse importante parágrafo jacobino, os termidorianos dirão que isso era equivocado e, em consequência, perigoso; naturalmente, os homens eram iguais em direitos, mas não em suas virtudes e em seus bens. O Termidor é um protesto direto contra o caráter espartano e contra o esforço em direção à igualdade”44.

Termidor

Indiscutivelmente, Trotsky consagrou ao fenômeno do Termidor as reflexões e as análises mais importantes de seu estudo da Revolução Francesa, na medida em que constituíam, inevitavelmente, a fonte de referência analógica, mas também a hipótese de trabalho, sobre a gênese da burocracia privilegiada, da nova “aristocracia vermelha”, nascida das conquistas da Revolução de Outubro e do poder do Estado operário soviético. Não faltam textos e estudos – e, sem dúvida, o golpe de picareta de Mercader nos privou dos desenvolvimentos anunciados pelas primeiras reflexões, no inacabado Stalin, sobre Os Termidorianos de Georges Lefebvre45.

Sobre o significado do Termidor, as bases da análise de Trotsky foram indicadas mais acima relativas à impotência da ditadura espartana e pelo esforço pela igualdade dos jacobinos.

A primeira etapa no caminho da reação foi o Termidor. Os novos funcionários e proprietários queriam gozar em paz dos frutos da revolução. Os velhos Jacobinos intransigentes constituíam um obstáculo em seu caminho; mas os novos estratos proprietários não ousavam aparecer com sua bandeira própria. Necessitavam se esconder por trás dos jacobinos. Durante um breve lapso utilizaram alguns jacobinos de segundo ou terceiro escalão[46].

Trotsky destaca que o 9 Termidor foi concebido, organizado e levado à frente pelos “Jacobinos de esquerda” levantados contra o terror que também ameaçava certo número de bandidos da Convenção. Ele cita a Georges Lefebvre mostrando que “a tarefa dos termidorianos consistia em representar o 9 Termidor como um episódio secundário, um simples expurgo de elementos hostis para preservar o núcleo fundamental dos Jacobinos e para continuar sua política tradicional”. Também indica, sempre de acordo com Georges Lefebvre, que “no primeiro período do Termidor, o ataque não foi dirigido contra os Jacobinos, como um todo, mas somente contra os terroristas”:

“Os Jacobinos não foram golpeados como Jacobinos, mas como terroristas, como robespierristas”47.

Sublinha que Barèrel48 afirma à Convenção, em nome do Comitê de Salvação Pública, que nada de importante ocorreu durante o 9 Termidor.

Quiçá os atores dos fatos os sentiam assim e, sem dúvida, o acontecimento e, sobretudo, suas consequências, não corresponderam concretamente às suas expectativas. Mas foram superados rapidamente pela reação que, na realidade, não haviam provocado, mas dado corpo:

“O Termidor francês, desencadeado pelos Jacobinos de esquerda, transformava-se finalmente em reação contra os Jacobinos. Terroristas, Montagnards, Jacobinos se tornaram termos injuriosos. Nas províncias, as árvores da Liberdade foram cortadas e a insígnia tricolor foi pisoteada”49.

Os próprios termidorianos culpam o passado e, como já o havia notado Aulard, não se conformam com só “haver matado Robespierre e seus amigos”, também os caluniam, apresentando-os diante da França como leais ao rei e traidores vendidos ao estrangeiro, “agentes de Pitt e Cobourg50. “O temor à crítica”, escreve Trotsky, “é o medo em relação às massas”.

O Termidor não é mais do que uma “reação”? Quais seus limites? Ou é a primeira etapa da “contrarrevolução”? À segunda questão, Trotsky responde francamente:

“A resposta depende da extensão que seja dada por nós, em cada caso concreto, ao conceito de ‘contrarrevolução’. A mudança social que ocorreu entre 1789 e 1793 foi de caráter burguês. Essencialmente, se reduziu à substituição da propriedade feudal fixa pela ‘livre’ propriedade burguesa. A contrarrevolução ‘correspondente’ a esta revolução teria que haver significado o restabelecimento da propriedade feudal. Mas o Termidor sequer tentou tomar essa direção. Robespierre buscou apoio entre os artesãos, o Diretório entre a burguesia média. Bonaparte se aliou com os banqueiros. Todas essas mudanças que, naturalmente, não só tinham um sentido político, mas também um sentido social, ocorreram, no entanto, sobre a base da nova sociedade e do novo Estado da burguesia”51.

Por outro lado, dá mais precisão:

“A virada do 9 Termidor não liquidou as conquistas básicas da revolução burguesa, mas transferiu o poder às mãos dos jacobinos mais moderados e conservadores, os elementos mais ricos da sociedade burguesa”52.

Do que finalmente se trata no Termidor é da “partilha das vantagens do novo regime social entre as diferentes frações do Terceiro Estado vitorioso”, e essa partilha está feita em detrimento das camadas mais desfavorecidas que haviam sido o agente da continuação e do aprofundamento da revolução, em detrimento dos que Jean-Paul Marat chamava “as classes oprimidas”. Nesse sentido, como no sentido da democracia política, o Termidor constitui uma profunda reação.

Sob as formas dessa reação, Trotsky escreve nas últimas páginas de seu Stalin:

“Os Jacobinos se mantiveram, sobretudo, graças à pressão das ruas sobre a Convenção. Os termidorianos, isto é, os Jacobinos desertores, tentaram empregar o mesmo método, mas para finalidades opostas. Começaram a organizar aos filhos bem vestidos da burguesia, aos ex-sans-culottes. Esses membros da juventude dourada, ou simplesmente os ‘jovens’, como os chamava com indulgência a imprensa conservadora, converteram-se em um fator muito importante da política nacional que, à medida que os Jacobinos eram expulsos de seus postos administrativos, esses ‘jovens’ ocupavam seu lugar […].

A burguesia termidoriana se caracterizava por seu profundo ódio aos Montagnards, porque seus próprios líderes haviam sido escolhidos entre os homens que haviam dirigido os sans-culottes. A burguesia, e com ela, os termidorianos, temiam antes de mais nada toda sublevação popular. É precisamente durante esse período que se formava plenamente a consciência de classe na burguesia francesa: ela detestava aos Jacobinos e aos semi-jacobinos com um ódio raivoso – como os traidores de seus interesses mais sagrados, como os desertores que se passaram ao campo inimigo, como renegados”53.

Restam os limites que Trotsky atribui ao Termidor no passado:

Termidor é a reação depois da revolução, mas uma reação que não chega a mudar a base social da nova ordem54.

O bonapartismo

Desde o ponto de vista das tendências fundamentais, na pena de Trotsky, não é fácil fazer uma distinção entre “termidor” e “bonapartismo”, toda vez que o tema é abordado de forma indireta. É que um surge do outro com tão poucos abalos que o golpe de estado do 18 Brumário, logrado com perfeito êxito, como se sabe, apresenta todas as características do golpe de estado fracassado… Trotsky escreve que essa continuidade é perceptível através dos homens de então:

“Muitos termidorianos saíram antes do partido Jacobino do qual o próprio Bonaparte foi membro; e, entre os antigos Jacobinos, o Primeiro Cônsul, mais tarde Imperador dos Franceses, encontrou seus mais fiéis servidores”55.

Na realidade, a situação aberta com a iniciativa dos termidorianos foi, nas condições dadas, o terreno intermediário para a instalação do bonapartismo. A instabilidade política ameaçava por ambos os lados ao novo regime social e o remédio foi a ditadura do sabre, que aportou a estabilidade desejada. Ainda era necessário que isso fosse concretamente possível. Trotsky escreve:

“Para que o pequeno corso pudesse se levantar acima da jovem nação burguesa, era necessário que a revolução tivesse cumprido previamente sua missão fundamental: que se desse a terra aos camponeses e que se formasse um exército vitorioso sobre a nova base social. No século 18, a revolução não podia ir mais além: o único que podia fazer era retroceder. Nesse retrocesso, vinham abaixo, no entanto, suas conquistas fundamentais. Mas havia que conservá-las a todo custo. O antagonismo, cada vez mais profundo, mas sem amadurecer ainda, entre a burguesia e o proletariado, mantinha em estado de extrema tensão um país abalado até os alicerces. Nessas condições, precisava-se de um “juiz nacional”. Napoleão deu ao grande burguês a possibilidade de ganhar enormes lucros, garantiu aos camponeses suas parcelas, deu a possibilidade aos filhos dos camponeses e aos deserdados de roubar na guerra. O juiz tinha o sabre na mão e desempenhava pessoalmente a missão de xerife. O bonapartismo do primeiro Bonaparte estava solidamente alicerçado”56.

No entanto, não há por que se fazer uma ideia falsa da “arbitragem” do Bonaparte57 que “concilia” os interesses divergentes, mas apenas os que se baseiam numa mesma base social e dirige, em consequência, sua força, seu poder mais concentrado contra as camadas mais oprimidas. Trotsky escreve:

“Levando até suas últimas consequências a política do Termidor, Napoleão não só combateu o mundo feudal, como também a ‘chusma’ e os círculos democráticos da pequena e média burguesia; dessa forma, concentrou os frutos do regime nascido da revolução nas mãos da nova aristocracia burguesa”58.

Em uma de suas brilhantes fórmulas – e muito bem traduzidas por Maurice Parijanine –, prossegue para demonstrar a concentração real do poder do suposto “árbitro”:

“O guarda não está na porta, mas no telhado da casa; mas sua função é a mesma. A independência do bonapartismo é, em grau extraordinário, externa, demonstrativa, decorativa: seu símbolo é o manto imperial”59.

Mas, com o manto imperial termina assim a história da Grande Revolução Francesa.

A Coroação de Napoleão, Jacques-Louis David, 1807

Alguns pontos de vista interessantes

A leitura ou a releitura dos momentos da obra de Trotsky que tocam de passagem na Revolução Francesa avivam o desgosto pela ausência de um trabalho específico que poderia haver consagrado e permite, diga-se de passagem, medir a estreiteza de visão dos editores dos anos 1930 que não lhe encomendaram, depois de ter lido a História da Revolução Russa, uma obra sobre ela. Página após página, uma brilhante observação ou uma brilhante dose de humor, um resumo, mostram o que se perdeu com essa lacuna.

Levanta sua voz com particular êxito contra os representantes das classes ou dos grupos que procuram na maldade ou na desonestidade de seu pretenso adversário a causa de suas próprias derrotas e sempre veem sua mão como a mão do malvado. Assim, ironiza sobre os Girondinos60 imputando aos Jacobinos “a responsabilidade dos massacres de setembro, o desaparecimento de um colchão em um quartel e a propaganda a favor da lei agrária61. Assim, filosofa sobre a necessidade das classes ameaçadas de se consolar de seus males encontrando uma explicação ao alcance de seu nível de consciência: de Fersen assegurando que o dinheiro prussiano flui suavemente nos Jacobinos e que é assim como eles “compram” a plebe e a lançam nas ruas para se manifestar62.

Uma fina análise das condições da preparação da insurreição de 10 de agosto o leva a constatar que se trata de uma insurreição cuja data foi citada de antemão pela… lógica das coisas, cita para a ocasião uma frase de Jaurés, onde sublinha a enorme pertinência com respeito a isso:

“As seções, ao submeter a questão ao exame da Assembleia Legislativa, não se entregavam de forma alguma a uma ‘ilusão constitucional’; ali não havia mais do que um método para preparar a insurreição assegurando assim sua camuflagem legal. Para apoiar suas petições, as seções, o sabemos, se sublevaram ao som do clarim, com as armas nas mãos”63.

Em outro momento, constatando o contraste entre a Revolução Francesa e a revolução inglesa que a havia precedido, indica a razão por que a França havia “saltado por cima da Reforma”, “a igreja católica na qualidade de igreja do Estado logra viver até a revolução” e que esta encontrou “expressão e justificação” não “nos textos bíblicos, mas nas abstrações democráticas”. Terá intenções, por outro lado, de destacar essa patada dirigida aos patrões, de direita ou de esquerda, da 3ª República francesa, quando está escrevendo sua História da Revolução Russa:

“E por maior que seja o ódio que os atuais dirigentes da França sintam do jacobinismo, o fato é que, graças à mão dura de Robespierre, podem se permitir o luxo de continuar disfarçando o seu regime conservador sob fórmulas através das quais se fez explodir, em outro momento, a velha sociedade”64.

E é sobre esta ironia aos regentes da 3ª República que agora vamos nos esforçar por responder às questões propostas no início deste estudo.

Trotsky historiador da Revolução Francesa?

Em 22 de agosto de 1917, criticando em Proletari aos “conciliadores” mencheviques e Socialistas Revolucionários/SR, Trotsky de passagem traçava este resumo memorável:

“No final do século 18, houve na França uma revolução que se chamou, corretamente, de ‘a grande revolução’. Foi uma revolução burguesa. No transcurso de uma de suas fases, o poder caiu nas mãos dos Jacobinos que eram apoiados pelos ‘sans-culottes‘, ou seja, pelos trabalhadores semiproletários das cidades e que interpuseram entre eles e os Girondinos, o partido liberal da burguesia, os cadetes dessa época, o retângulo claro da guilhotina. Foi somente a ditadura dos Jacobinos que deu à Revolução Francesa sua importância histórica, que a tornou a ‘Grande Revolução’. E, no entanto, essa ditadura foi instaurada não somente sem a burguesia, mas também contra ela e, apesar dela, Robespierre, a quem não foi dado iniciar-se nas ideias de Plekhanov, inverteu todas as leis da sociologia e, em vez de dar a mão aos Girondinos, lhes cortou a cabeça. Isto foi cruel, sem dúvidas. Mas esta crueldade não impediu que a Revolução Francesa se tornasse ‘grande’ nos limites de seu caráter burguês. Marx […] disse que ‘o terrorismo francês no seu conjunto não foi mais que uma forma plebeia de dar um fim aos inimigos da burguesia’. E, como essa burguesia temia seus métodos plebeus para dar um fim aos inimigos do povo, os Jacobinos não somente privaram a burguesia do poder, como também lhe aplicaram uma lei de ferro e sangue todas as vezes que ela tentava deter ou ‘moderar’ o trabalho dos Jacobinos. Em consequência, está claro que os Jacobinos levaram a termo uma revolução burguesa sem a burguesia”.

Apesar de muitos desenvolvimentos destacáveis, no entanto, é impossível responder à questão de saber se Trotsky foi formalmente um historiador da Revolução Francesa, como o foi da Revolução Russa, e uma resposta negativa não poderia aportar nada ao conhecimento de Trotsky ou da Revolução Francesa.

Pelo contrário, estamos interessados em saber se, ao abordar a história da “Grande Revolução Francesa” como um elemento comparativo em várias obras dedicadas a outros temas, Trotsky fez o trabalho de historiador, ou seja, contribuiu para nossa compreensão deste fenômeno histórico capital, no início da época contemporânea. De outra forma, sabemos – e já o destacamos – que ele nunca tratou este tema em si mesmo, que a informação que utiliza já está à disposição de todos nos livros e nos arquivos de documentos, o que torna seu trabalho o que a Universidade concorda em qualificar de trabalho de “segunda mão” e que nós preferimos considerar como uma “interpretação”.

Desde este ponto de vista, não nos deteremos em discutir longamente a crítica publicada em novembro de 1938 no American Journal of Sociology, por Louis Gottschalk, sobre Trotsky e “a história natural das revoluções65, não mais que sua afirmação segundo a qual haveria em Trotsky um conflito entre o historiador e o sociólogo, perceptível através do frequente recurso ao que o historiador norte-americano da Revolução Francesa chama de “necessidade objetiva”. Para Gottschalk, de fato, o historiador, na medida em que dá conta de um acontecimento verdadeiramente “único”, não poderia sucumbir à tentação de desempenhar-se como sociólogo, isto é, a generalizar. O professor da Universidade de Chicago, fiel à regra da divisão e da separação das atividades acadêmicas, desempenha o papel que lhe incumbe em um informe para uma revista especializada. Somente destacaremos que Gottschalk, para sua severa admoestação, se apoia essencialmente no emprego que faz Trotsky das analogias históricas e, em particular, das referências à Revolução Francesa, encontrando que algumas delas são argumentos forçados.

A crítica de Isaac Deutscher, aparentemente, é muito semelhante. Quem é, sucessivamente, o biógrafo de Stalin e de Trotsky e não vacilou em dirigir, tanto a um quanto ao outro, suas admoestações tardias, encontra particularmente que a analogia com o Termidor da revolução francesa é totalmente “obscura”66. Ainda mais, leva diretamente sua crítica ao centro de nosso tema afirmando que, como ocorre frequentemente quando “uma analogia histórica se converte em uma consigna política”, “nenhum dos que a debatem tem uma ideia clara do precedente a que fazem referência67. E assegura que Trotsky devia “revisar sua interpretação” várias vezes, enquanto não é a interpretação do Termidor francês o que Trotsky revisa formalmente – e sim a do Termidor soviético! Fazendo-se de mestre de escola em nome da ciência e da luta contra o obscurantismo (“o morto atormenta o vivo”), o brilhante jornalista admoesta vigorosamente a Trotsky como responsável por tão horrível confusão. Não sairá nada dessa admoestação, Isaac Deutscher não teve o cuidado de nos indicar em que era falsa a ideia que Trotsky fazia do Termidor da Revolução Francesa. E é necessário agregar, com relação a esse gosto pelas correções que aqui manifesta, que um trabalho universitário muito forte, infelizmente inédito, estudou de perto a crítica de Deutscher sobre a questão do Termidor em Trotsky e conclui corretamente:

“Na realidade, se Isaac Deutscher não adere à interpretação trotskista do Termidor soviético, não é por causa dos erros históricos que conteria. Refuta-a porque se inscreve em uma política geral que ele não subscreve”68.

O professor israelense Baruch Knei-Paz não tem as pretensões de Gottschalk nem as de Deutscher. Assim, se abstém totalmente de criticar os “erros históricos”, contentando-se com assegurar, por exemplo, que as qualidades da História da Revolução Russa em história pura são “apenas menores”69, mas, ao mesmo tempo, rende uma grande homenagem ao seu poder de imaginação, à evocação de cenas, da atmosfera e do drama. Sua conclusão nos deixa insatisfeitos: “Ele se identificava a si mesmo com a História e, nesse sentido dramático, identificava a história a si mesmo…70. Mas, então, e a Revolução Francesa?

Tratemos nós mesmos de buscar os recursos para qualificar e caracterizar as notas históricas com as que Trotsky semeou sua obra e que dizem respeito à Revolução Francesa, visto que seus críticos mais determinados finalmente evitaram o obstáculo. Apreciamos, nas passagens que relemos da pena de Trotsky sobre a grande Revolução Francesa, pedaços de bravura que sua escrita brilhante traça que, na atmosfera revolucionária, é fonte da melhor inspiração e solicitude urgente de sua capacidade de compreender e explicar, seu gosto e seu dom do afresco gigantesco, do movimento, do que ele chama de “desenvolvimento histórico”. Trotsky é evidentemente a pena, o grande escritor, o lírico, que um Knei-Paz ou um Deutscher não reconheceram absolutamente.

E logo existe Trotsky como revolucionário – e não como “sociólogo”, segundo os termos de Gottschalk: o homem que reflete dentro de uma perspectiva histórica, que busca precedentes na história, que quer descobrir e verificar na ação as leis do desenvolvimento histórico, do movimento – esse movimento que anima o afresco e se chama revolução. Existe o homem que compara, identifica, diferencia, avalia, projeta, porque não quer “recomeçar eternamente a História desde o início”, porque é um homem de ação comprometido com a transformação do mundo. Trotsky quer fazer da História, através do estudo do passado, uma ferramenta da compreensão do presente para sua transformação. Isso é provavelmente o que lhe censuram seus críticos atados à representação de um “acontecimento único”, e para os quais o exercício da profissão de historiador não é, sem dúvida, mais que um meio de ganhar a vida.

No que nos diz respeito, modestamente, e sem buscar rebaixar os historiadores profissionais – que somos – que buscam e encontram documentos e testemunhos e explicam acontecimentos únicos ou encadeados, mentalidades ou modos de vida, não podemos mais que constatar quão viva é a imagem da Revolução Francesa escrita de passagem por Trotsky. Quiçá haja que agregar que este imenso episódio da história da humanidade que ele denominava de “a Grande Revolução Francesa”, tenha aportado ao revolucionário russo elementos para compreender as batalhas que travou, ganhadas ou perdidas. Pelo menos em um terreno onde a pergunta pode obter uma resposta é no do Exército Vermelho. Pelo que Trotsky concluiu da história da Revolução Francesa e de suas guerras, os volumes dos Escritos Militares permitem entender que o fundador e chefe do Exército Vermelho de 1918 até o final da guerra civil sempre lançou olhar nos soldados de 1793. Quer se trate da utilização de “comissários políticos” a partir do modelo de “representantes em missão”, do emprego em massa de oficiais profissionais – portanto, do antigo regime – castigados com a morte em caso de derrota, da combinação entre eleição e promoção dos jovens comandantes que se revelavam como treinadores de homens e, finalmente, da cobertura da moral dos combatentes com a resplandecente retórica do “pacto com a morte”, está claro que aqui, conscientemente, se fez um laço entre as duas revoluções. Essa constatação não é suficiente para fazer de Trotsky um membro da Academia de Ciências Históricas com título póstumo, mas pelo menos terá o mérito de sublinhar a importância da história escrita para os homens que têm a ambição de apenas fazer história.

TRADUÇÃO DE FABIANO LEITE.

Notas:

31 Os jacobinos, cujo nome provém de suas reuniões no convento da ordem dos jacobinos, eram extremistas, duros e estavam muito bem organizados, apoiados pelo Conselho e pelo povo de Paris. Era principalmente integrado por profissionais e modestos proprietários que queriam abolir definitivamente a monarquia e proclamar uma república democrática, com direito a voto para todas as classes sociais.

32 Maximilien de Robespierre (1758-1794), Político da Revolução Francesa, foi um dos principais dirigentes dos jacobinos. Instaurou o regime do terror para salvar a Revolução das múltiplas ameaças que se avolumavam sobre ela: o ataque militar das monarquias absolutistas europeias coligadas contra a França, a amplitude da insurreição contrarrevolucionária no interior (conhecida como a Vendée), a quebra da Fazenda Pública e o empobrecimento das massas populares.

33 “La burocracia se mantiene por el terror”, Oeuvres, 6, p. 261.

34 Nos tâches politiques, Ed. Belfond, p. 184.

35 Nos tâches politiques, p. 184-185.

36 Nos tâches politiques, p. 185.

37 Nos tâches politiques, p. 185-186.

38 Nos tâches politiques, p. 188.

39 Ídem, p. 188.

40 Citado em Historia de la revolución rusa, tomo 1.

41 La revolución traicionada, Ed. Antídoto, p. 87

42 El nuevo curso. Extraído de Naturaleza y dinámica del capitalismo y la economía de transición. Ediciones del CEIP León Trotsky, p. 289-290.

43 El nuevo curso. Extraído de Naturaleza y dinámica del capitalismo y la economía de transición. Ediciones del CEIP León Trotsky, p. 290.

44 “La Réaction thermidorienne”, Staline, p. 44.

45 George Lefebvre (1854-1959). Historiador francês, considerado una eminência no tema da Revolução Francesa.

46 “¿Adónde va la república soviética?”, 25 de fevereiro de 1935. Escritos, CD CEIP León Trotsky

47 “La Réaction thermidorienne”. Staline, p. 551.

48 Bertrand Barère de Vieuzac (1755-1841), deputado à Convenção, da qual foi eleito presidente em 1792. Foi membro do Comitê de Salvação Pública e não abandonou a Robespierre até a última hora.

49 “La Réaction thermidorienne”. Staline, p. 562.

50 Refere-se a William Pitt, primeiro ministro da Inglaterra nos períodos 1783-1801 e 1804-1806. O Príncipe de Cobourg comandava o exército do Sacro Império dos Países Baixos durante a época.

51 “Estado obrero, termidor y bonapartismo”, 1 de fevereiro de 1935, Escritos, CD CEIP León Trotsky.

52 Ibídem.

53 “La Réaction thermidorienne”. Staline, p. 318-319.

54 The case of Leon Trotsky, p. 122.

55 La revolución traicionada, Ed. Antídoto, p. 84

56 Historia de la revolución rusa, tomo 2, p. 87-88.

57 Napoleão Bonaparte (1769-1821). Militar y governante francês, ideólogo do golpe de Estado do 18 Brumário en 1799. Durante a Revolução Francesa e el Diretório foi general republicano.

58 “Estado obrero, termidor y bonapartismo”, 1 de fevereiro de 1935, Escritos, CD CEIP León Trotsky.

59 Historia de la revolución rusa, tomo 2, p. 89.

60 Os girondinos eram patrões e grandes comerciantes que integravam a grande burguesia. Provinham de uma zona situada ao sul da França, denominada Gironda, da qual tomaram o nome. Eram moderados, tinham o apoio das províncias e seu objetivo era firmar um acordo com a monarquia e a nobreza, limitando o poder real, mas sem permitir o direito de voto às classes pobres, que não pagavam impostos. Temiam perder seus privilégios por obra dos movimentos populares. Constituíam a ala direita da Revolução Francesa.

61 Historia de la revolución rusa, t. 3

62 Historia de la revolución rusa, t. 3

63 Historia de la revolución rusa, t. 4

64 Historia de la revolución rusa, 1, p. 21.

65 Louis Gottschalk, “Leon Trotsky and the Natural History of Revolutions”, American Journal of Sociology, Novembro de 1938, p. 338-354.

66 I. Deutscher, Trotsky, III, p. 313.

67 I. Deutscher, Trotsky, II, p. 311. Na realidade, Trotsky manifesta oscilações bastante importantes na análise do Termidor francês. O exemplo mais extremo, em contradição com textos posteriores como anteriores, se encontra em La Defensa de la URSS y la Oposición, escrito em 1929, onde diz que o Termidor “indica uma transferência de poder às mãos de outra classe” (Escritos). Por outro lado, a compreensão da confusão que nasce de uma definição insuficientemente rigorosa o que leva Trotsky a retificar o tiro em 1935 e a dizer que o Termidor já se realizou, mas que não será necessária a revolução social, mas uma revolução política, para retomar o poder pela classe revolucionária.

68 Jacques Caillosse, La cuestión del Termidor soviético en el pensamiento político de León Trotsky, D.E.S. de Ciencia política, Rennes, 1972, p. 60.

69 Baruch Knei-Paz, The Social and Political Thought of Leon Trotsky, p. 511.

70 Ibidem, p. 512.

 

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