O que falta para a greve geral?

Na noite de ontem (15), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizou uma live intitulada “Greve geral – o que falta?” com diversos líderes sindicais, deputados, representantes dos movimentos populares etc., evento que deveria ser o início da preparação de uma verdadeira greve geral. No entanto, vimos apenas a continuidade da política que busca apresentar as eleições de 2022 como a única saída para a classe trabalhadora.

A hipocrisia dos dirigentes ali presentes é de indignar qualquer trabalhador sério. Discursos de que “precisamos acumular forças” e da impossibilidade “de fazer a greve agora”, pois é preciso ir para as bases e “escutar a classe trabalhadora, visitar o chão da fábrica”, permearam as quase quatro horas de puro peleguismo.

O que ficou evidente foi que esses burocratas sindicais – que falam de greve geral, mas, na prática, boicotam as mobilizações na base, fazendo greves fakes – sentem a insatisfação que toma conta da sociedade. Eles viram como as massas paraguaias tomaram as ruas, ameaçando derrubar um governo que é incapaz de enfrentar a pandemia. Eles compreendem que a decisão da burguesia de libertar Lula em 2019 e a recente permissão para que o petista volte ao jogo eleitoral está intimamente ligada à instabilidade política mundial.

A dirigente da CUT, Amanda Corcino, apresentou a “proposta de ação” da entidade por meio do lockdown” de 24 de março, dia de “começar um diálogo com a população”. Quer dizer que a CUT, a principal central sindical do país, esperou a pandemia ceifar a vida de mais de 270 mil pessoas, o governo Bolsonaro sucatear a saúde, educação, a ciência, direitos trabalhistas etc. para planejar o começo de um diálogo com a população? E querem que acreditemos que agora vão iniciar algo, quando apresentam mais um dos inúmeros dias de luta utilizados para dar vazão à insatisfação popular? O que estão propondo esses dirigentes é não realizar o combate ao governo Bolsonaro. Na prática, tornam-se defensores não só de Bolsonaro como dos patrões e de seu regime.

O que falta para a greve geral? A resposta é simples: a CUT deve mobilizar as massas, não há outro caminho. Deve parar de fazer discurso e agir para construir o combate para pôr abaixo o governo Bolsonaro já. A CUT tem todas as condições para convocar uma greve geral já e os meios para alcançar os trabalhadores de todo o país. Somente os trabalhadores organizados podem organizar um lockdown de verdade, garantindo o isolamento, parando a produção e colocando Bolsonaro e a burguesia em cheque. O que falta é uma direção com vontade política de realizar a sua tarefa de convocar e liderar este combate.

Os pelegos falam que não se pode colocar a vida dos trabalhadores em risco, que não há clima de mobilização por conta do medo da contaminação. Ora, esses senhores devem possuir sérios problemas de visão – ou são apenas canalhas mesmo? Não conseguem ver diariamente a quantidade de trabalhadores que estão aglomerando nos transportes, nas escolas, nos comércios e nas fábricas? Não viram como estavam lotados os trens, metrôs e ônibus de São Paulo no dia em que iniciou a suposta fase mais restritiva da pandemia? Não veem as UTIs colapsando em todo o país sendo que os trabalhadores são a maioria esmagadora das vítimas da Covid-19?

Esses traidores, cúmplices de Bolsonaro, governadores e prefeitos, são aliados dos empresários que continuam lucrando enquanto atingimos a marca dos 280 mil mortos pelo coronavírus. Também são cúmplices de Bolsonaro os dirigentes da Apeoesp e do Sinte-SC que organizaram greves fraudulentas contra o retorno das aulas presenciais sem vacina para todos.

As explosões sociais no Paraguai, Senegal, Mianmar, Índia, Espanha, Rússia, entre outros países, são exemplos vivos do sentimento da juventude e da classe trabalhadora em nível mundial. No Brasil não é diferente, a disposição para lutar contra esse governo que condena milhares à morte existe. A CUT tem a obrigação de organizar uma verdadeira greve geral já, por lockdown, pela manutenção dos salários e para pôr abaixo o governo Bolsonaro. Trata-se da luta para defender a vida da classe trabalhadora!

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