Nova América Socialista discute pandemia em meio à crise política na América Latina

ADQUIRA AQUI

A Revista América Socialista, órgão teórico e político da Corrente Marxista Internacional (CMI) nas Américas, chega à sua edição número 16. São 8 anos de publicação regular e de um esforço teórico e político dos militantes da CMI nas Américas e da Esquerda Marxista em particular para elevar a formação e a discussão política entre militantes revolucionários e a vanguarda dos trabalhadores e da juventude.

APRESENTAÇÃO

No momento em que publicamos a 16ª edição da revista teórica América Socialista o mundo passa por uma situação inédita para humanidade, o brutal aprofundamento da crise provocado pelo coronavírus. Diante de mais de 200 mil mortos a classe trabalhadora se questiona que mundo é este e recebe impactos brutais em sua consciência, se espanta com a tragédia, percebe mais claramente que sociedade é esta e começa a se interrogar qual o caminho.

Nossos leitores têm aqui uma seleção de textos especialmente organizados para ajudar na compreensão do momento e para dar suporte teórico às nossas tarefas práticas na construção de outro mundo.

Na primeira parte da revista, disponibilizamos um dossiê de textos que explicam a situação no Brasil e no mundo antes e durante a pandemia, assim como se organizam os marxistas para continuar sua luta:

• O Informe Político ao 7º Congresso da Esquerda Marxista, que apontava a profundidade da crise muito antes da chegada do novo coronavírus. A instabilidade econômica e política já era o traço marcante da situação mundial, a burguesia já sabia para onde caminhava e tinha consciência de que os trabalhadores estavam varrendo o mundo em ondas revolucionárias, dos países mais empobrecidos, como o Haiti, até os ricos e “estáveis”, como a Inglaterra. O Informe Político também fala sobre a crise das direções e, no Brasil, a necessidade de organizar os Comitês de Ação Fora Bolsonaro;

• As duas primeiras orientações da Esquerda Marxista diante da crise, que discutem a importância da manutenção dos nossos métodos e da nossa independência, mesmo na situação mais adversa;

• Um documento que aprofunda o significado da crise e suas consequências: “Uma nova situação se criou. O mundo nunca mais vai ser o mesmo após essa pandemia do coronavírus e suas consequências. Tudo o que é sólido se desmancha no ar, tudo que era certeza se transforma em incerteza e tudo o que era acomodamento e adaptação se transforma em espanto, e medo, em impotência num primeiro momento para depois transformar-se em raiva e disposição para mudar o mundo de verdade.”;

• E, na mais revolucionária tradição trotskista, um Programa Emergencial para a Crise no Brasil. Esse documento faz um paralelo histórico entre a situação em que foi escrito O Programa de Transição, de Trotsky, e o momento atual. Demonstra que o capitalismo há muito já não permite que a humanidade evolua e que há a necessidade de derrubar esse sistema, que nos impede acesso às mais elementares necessidades e que joga o proletariado e a juventude em direção à barbárie. Nessa perspectiva, aponta um programa de palavras de ordem que partem das necessidades imediatas dos trabalhadores e vai em direção ao rompimento com o capital, abrindo caminho para a revolução.

Para fechar o dossiê, há uma atualização dos textos em meio ao aprofundamento da crise e de nossas tarefas. Nela, a EM apresenta um calendário público de formações para ajudar no desenvolvimento de uma vanguarda que possa levar os trabalhadores à vitória.

Os documentos que compõem esse dossiê certamente serão parte importante da história da Esquerda Marxista.

O texto seguinte é um relato da exitosa Escola Pan-americana Marxista de Quadros, da Corrente Marxista Internacional, que foi celebrada no México, no final de novembro de 2019.

A abertura das atividades aconteceu no Museu Casa Leon Trotsky. Gabriela Pérez, a diretora do Museu, saudou o acontecimento. Os demais dias da Escola foram marcados por intensos debates de temas como “Marxismo versus políticas de identidade”, a situação de Cuba e a primeira conferência sobre Trotsk na ilha, a questão da Frente Única, entre outros. A Escola contou com representantes de diversos países das Américas e, diante da convulsão que vive a América Latina, deu impulso teórico em nossa construção por todo o continente.

A onda revolucionária que varreu a América Latina, suas causas e consequência são apresentadas em um texto de Jorge Martin. Apesar das especificidades, cada movimento na América Latina faz parte do contexto mundial de instabilidade do sistema. A relação com Hong Kong, Líbano, Iraque e outros tantos países está muito demarcada. Jorge Martin explica as características revolucionárias de cada movimento e desmonta o mito professado pelos reformistas de onda conservadora.

O Chile, dando continuidade às explosões na América Latina, é analisado num texto de Carlos Cerpa, que explica o dia 18 de outubro de 2019 como um marco do que demonstra ser a maior rebelião da história do país. Nessa data, os estudantes destruíram 41 das 136 estações de metrô e foram a faísca que incendiou os trabalhadores, que trazem frescos na memória 30 anos de uma dura ditadura, transitando para a “democracia” com o mesmo plano econômico que Paulo Guedes quer aplicar no Brasil. A menina dos olhos do imperialismo na América do Sul colapsou.

Jorge Martin escreve também sobre o Equador. O anúncio pelo presidente Lenin Moreno de contrarreformas econômicas e a brutal repressão ao movimento, com o avanço de veículos blindados sobre os manifestantes e a prisão de 200 pessoas na capital, impulsionou o “Fora Moreno”, assim como no Chile a derrubada de Piñera também era o desejo da massa dos trabalhadores.

O beco sem saída em que se encontra o capitalismo pode ser visto no excelente texto de John Peterson sobre os EUA, que mostra o quanto o império, assim como todo o planeta, encontra-se convulsionado. O autor retoma a história das duas grandes revoluções americanas, a Guerra da Independência e a Guerra Civil Americana, e afirma que, como marxistas, sabemos muito bem que os EUA não são um bloco reacionário, mas onde duas classes poderosas se enfrentam, burguesia e proletariado.

O texto traça uma linha do tempo mostrando a magnífica história de luta dos EUA e, inclusive, os equívocos de grande parte da esquerda, que nega que a luta pela independência tenha sido verdadeiramente revolucionária.

A Guerra Civil Americana é mostrada como um dos mais dramáticos momentos vividos pela humanidade. Da posição de Marx e Engels sobre a guerra civil ao quão longe foi Abraham Lincoln, Peterson nos leva a uma agradável narrativa da história dos Estados Unidos, concluindo com o potencial revolucionário que a atualidade desperta nos jovens e trabalhadores norte-americanos.

Na segunda parte do clássico “Uma escola de estratégia revolucionária”, Leon Trotsky explica o centrismo e a capitulação do Partido Socialista Italiano, o papel da Internacional Comunista, as dificuldades de construção na Itália, as relações com os demais países da Europa, um panorama dos principais países que constituíam a Internacional, especialmente com destaque para Alemanha e França. Trotsky encerra o texto com um chamado à organização e à revolução que, nos parece, vem muito a calhar: “aproveitem cada minuto para preparar a revolução! A época nos ajuda. Não temam que a revolução lhes escape. Organizem-se, reafirmem-se e então se aproximará a hora do ataque decisivo, verdadeiro, e então o partido lhes dirá não somente ‘à frente’, como também levará a ofensiva até a vitória.

Por fim, publicamos a Introdução à Dialética da Natureza, de Friedrich Engels. O texto é um brilhante resumo do desenvolvimento da ciência nos três primeiros séculos da Idade Moderna em luta contra o obscurantismo e o misticismo. Nele, Engels aponta a grandeza revolucionária dos homens e dos acontecimentos nesta época em que as ciências naturais deram um salto para o futuro. É possível traçar um paralelo com a total decadência da burguesia na atualidade com seus dirigentes criacionistas ou terraplanistas, ignorantes e reacionários em toda linha.

O florescimento da arte e o abatimento da ditadura espiritual da Igreja durante o Renascimento, sem nenhuma dúvida, davam a dimensão da grandeza dos acontecimentos. O brilhantismo de homens como Leonardo da Vinci, Lutero, Maquiavel e outros é exemplo do nível elevado que marcou esse período. Ao mesmo tempo, vemos o quão alto a humanidade pode chegar quando existem as condições para isso. O auge atingido com homens como Newton e Descartes nos inspira a construir.

A introdução desse texto é um chamado ao conhecimento. Nela, Engels trata da dialética, do eterno movimento e transformação da matéria, joga luz sobre as necessidades dos revolucionários, explicando que grandes homens buscaram incansavelmente a ciência. Engels é um visionário, à altura daqueles que ele mesmo caracteriza como os grandes homens. Boa leitura!

ADQUIRA AQUI

Deixe Seu Comentário