Nota e moção de repúdio ao Centro Paula Souza. Fora nazistas da ETEC!

Tomamos conhecimento de que o Relatório Final da Comissão de Apuração do Centro Paula Souza – instaurada a partir da denúncia feita na Campanha em Defesa da Vida da Prof.ª Mara, de que estudantes de inclinação neonazista na Escola Técnica Estadual (ETEC) de Franco da Rocha estavam impulsionando um grupo no WhatsApp intitulado “Morte à Mara”, onde incentivavam o ódio e a violência, com requintes nazistas, além de, em diversos momentos, conspirar o assassinato da professora – deu parecer positivo às ações tomadas pela direção da ETEC, a saber, advertência oral para todos os estudantes que participavam do grupo e advertência escrita para o estudante mais agressivo e o líder do grupo.

Captura de tela do grupo de WhatsApp “Morte à Mara”

Essa comissão foi instaurada no dia 18 de outubro de 2019 em resposta à campanha Em defesa da Vida da Prof.ª Mara que, por meio de moções, exigiu a apuração do envolvimento e a transferência compulsória dos estudantes que escreveram “Morte à Mara”. Ignorando os prints das conversas que são extremamente violentos e que têm, inclusive, declarações de que o líder não estava brincando, a Comissão declara que não há “evidências suficientes” de que os estudantes, de fato, atentariam contra a vida e a integridade física da professora. Com base em reclamações dos estudantes sobre a Prof.ª Mara, que não foram devidamente mostradas à mesma pela direção, como requer procedimento das ETEC, garantindo a mesma o direito de defesa e/ou reconhecimento de suas práticas insatisfatórias, a Comissão afirma que o grupo foi uma ferramenta para “externarem suas insatisfações com as posturas da Prof.ª Mara em sala de aula”. Dessa forma, justificam os atos desses estudantes, culpando a própria vítima. Nenhuma reclamação ou insatisfação justifica a criação de um grupo, com um propósito muito bem definido: o de assassinar uma educadora.

O que realmente fez com que a Prof.ª Mara não tivesse sua integridade física atacada não foram as medidas insuficientes tomadas pela direção – nem as recomendadas pelo relatório da comissão podem garantir – mas a campanha em defesa de sua vida, que deu e dá voz à vítima, que levou seu caso para diversos meios de comunicação e deu ciência ao Centro Paula Souza, exigindo, por meio da transferência compulsória, a garantia de suas condições psicológicas e de trabalho.

Ao manter os estudantes de inclinação neonazista na escola, a comissão, a direção da ETEC e o Centro Paula Souza ignoram uma situação gravíssima na unidade de Franco da Rocha e permitem que ações como essa passem impunes e sejam vistas como “brincadeira”, como “insatisfação”. Banalizam, desse modo, o nazismo presente no conteúdo dos prints e o elevado grau de ameaça e violência às condições de vida e trabalho da Prof.ª Mara, dando carta branca para estudantes com inclinações nazistas cometem atos similares, sabendo que terão a correção mais branda (advertência escrita e oral).  Além disso, não há nenhuma prova efetiva de que as mensagens e as ameaças à sua vida cessaram, somente porque os estudantes “afirmaram” que o grupo não está mais ativo.

Outro fato que chama a atenção é que o relatório final foi assinado pela Comissão em 16 de dezembro de 2019, sendo enviado para a Diretora Superintendente, Laura Laganá, em 10 de janeiro de 2020, que aprovou o seu conteúdo e arquivou a comissão em 14 de janeiro. Seu conteúdo permaneceu oculto à pessoa mais interessada até o dia 4 de fevereiro, impossibilitando que a educadora tomasse outras medidas, tais como pedido de recurso, antes do retorno às aulas.

REPUDIAMOS abertamente o conteúdo e a resolução do relatório final da Comissão de Apuração do Centro Paula Souza e, além de recorrer a essa decisão com recurso, EXIGIMOS que os estudantes que escreveram “Morte à Mara” sejam transferidos compulsoriamente imediatamente para a garantia das condições psicológicas e de trabalho da Prof.ª Mara.

Sabemos que sob o governo Bolsonaro, perseguições aos educadores e estudantes estão sendo realizadas a todo momento, seja nos cortes e no sucateamento da educação e ciência públicas, seja na perseguição político-pedagógica aos educadores através das propostas de criação de canais de denúncia, seja no discurso de ódio abertamente realizado pelo atual governo contra militantes e ativistas de esquerda. Em diversas mensagens é possível ver o apoio à essas ideias por parte de integrantes do grupo, sem falar nas mensagens de inclinação abertamente neonazista expostas por alguns de seus participantes. Usar declarações com esse conteúdo “porque sabiam que a professora ficaria irritada” ou “porque ela tem restrições quanto a esse tema”, como foi afirmado nas declarações de alguns dos estudantes envolvidos, não surpreende vindo destes que tinham intenção de assassiná-la. O que surpreende é a Comissão de Apuração tomar isso como justificativa suficiente para não afastá-los da comunidade escolar.

Nossa luta continua. Não abaixaremos nossas cabeças e continuaremos a apoiar a causa da Prof.ª Mara.  Pedimos sua solidariedade de classe para exigir mínimas condições de trabalho para a Prof.ª Mara e a efetiva garantia da proteção à sua vida, por meio da transferência imediata. Envie sua moção de repúdio.

Em defesa da vida da Prof.ª Mara!

Transferência Compulsória aos que escreveram “Morte à Mara”!

Fora nazistas da ETEC!

Fora Bolsonaro!

Sugerimos o seguinte texto para o corpo dos e-mails e assunto com o objetivo de expressar nossa insatisfação com o resultado da apuração e pressionarmos ações imediatas em defesa da vida da professora Mara! Sinta-se à vontade para alterar o texto.

Devido ao bloqueio do assunto de e-mail anterior “Em defesa da vida da Prof.ª Mara” pelo Centro Paula Souza e direção, sugerimos que o assunto do e-mail seja “Repúdio ao Centro Paula Souza! Fora Nazistas da ETEC”.

No corpo do meio, anexe o texto abaixo e envie para os e-mails: souliberdadeeluta@gmail.com; e142dir@cps.sp.gov.br; gds@cps.sp.gov.br; uniproc@cps.sp.gov.br

O primeiro e-mail é da Liberdade e Luta, organizadora da campanha. O segundo é da direção da escola ETEC Dr. Emílio Hernandez Aguilar e os dois últimos são do Centro Paula Souza, responsável pela administração das ETECs.

MOÇÃO DE REPÚDIO AO CENTRO PAULA SOUZA! FORA NAZISTAS DA ETEC!

Tomei conhecimento de que o Relatório Final da Comissão de Apuração do Centro Paula Souza – instaurada a partir da denúncia feita na Campanha em Defesa da Vida da Prof.ª Mara, de que estudantes de inclinação neonazista na ETEC de Franco da Rocha estavam impulsionando um grupo no WhatsApp intitulado “Morte à Mara”, onde incentivavam o ódio, a violência, com requintes nazistas, além de em diversos momentos conspirar o assassinato da professora – deu parecer positivo às ações tomadas pela direção da ETEC, a saber, advertência oral para todos os estudantes que participavam do grupo e advertência escrita para o estudante mais agressivo e o líder do grupo.

Considero TOTALMENTE INSUFICIENTES as medidas pedagógicas e administrativas tomadas pela direção e pelo Centro Paula Souza e sugeridas no Relatório Final para proteção à vida da Prof.ª Mara e das garantias de suas condições de trabalho, que só pode ser realmente efetivada com a transferência imediata daqueles que escreveram “Morte à Mara” no grupo de Whats App.

REPUDIO abertamente o conteúdo e a resolução da Comissão de Apuração do Centro Paula Souza e, além de apoiar a alteração dessa decisão por meio de recurso, EXIJO que os estudantes que escreveram “Morte à Mara” sejam transferidos compulsoriamente imediatamente para a garantia das condições psicológicas e de trabalho da Prof.ª Mara!

Em defesa da vida da Prof.ª Mara!

Transferência Compulsória aos que escreveram “Morte à Mara”!

Fora nazistas da ETEC!

Fora Bolsonaro!

 

Assinado:

Ajude a Prof.ª Mara a pagar os custos dos advogados:

Banco do Brasil

Agência: 4331-1 Conta Poupança: 36.929-2 (variação 51)

Em nome de Rafael Acampamento

CPF: 219.829.168-18

 

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