Mulheres fazem marcha pela legalização do aborto, com lenços verdes em referência à campanha que derrubou a criminalização na Argentina. Foto Fernando Frazão / Agência Brasil

Movimento Mulheres pelo Socialismo realiza Encontro Nacional de Núcleos

No dia 25 de setembro o Movimento Mulheres pelo Socialismo (MPS) realizou mais uma atividade nacional. A primeira foi em março e teve como tema central a campanha pelo direito ao aborto legal e público, a luta contra a violência contra a mulher e o Fora Bolsonaro. No encontro de setembro, reunindo diversos núcleos do MPS, foi retomada a Plataforma de luta das mulheres trabalhadoras e apresentada a luta pelo direito ao aborto em diversos países.

Abrindo o encontro, a camarada Francis, do MPS PR retomou os aspectos centrais da Plataforma de luta das mulheres trabalhadoras, entendida como uma plataforma de reivindicações transitórias. Nesse documento a opressão contra a mulher é entendida a partir de uma compreensão materialista da história e em sua relação com a sociedade de classes. As reivindicações das mulheres trabalhadoras são defendidas como lutas necessárias dentro do capitalismo, mas que só serão conquistadas efetivamente com a luta da classe trabalhadora pela abolição desse sistema. Nesse sentido, compreende-se que os interesses das mulheres trabalhadoras são antagônicos àqueles defendidos pelas mulheres burguesas.

Diante desse entendimento, a Plataforma apresenta nossas reivindicações em relação ao trabalho, contra a violência contra as mulheres, pelo direito ao aborto, contra a violência obstétrica e pelo direito à educação de todas as crianças, contra a comercialização do corpo da mulher e a opressão sobre a sexualidade, em defesa da seguridade social e a luta pela emancipação das mulheres como a luta pelo socialismo.

Em seguida, as camaradas Ariele da Argentina, Ana Karen do México e Ana Cláudia do MPS Florianópolis apresentaram a luta das mulheres pelo direito ao aborto na Argentina, México e Uruguai. Os informes apontaram a importância da organização independente das mulheres trabalhadoras nesse processo, os avanços conquistados, os limites das leis em cada um desses países e a necessidade da manutenção de instrumentos de organização das mulheres trabalhadoras para a defesa desse direito que, como os demais conquistados pela classe trabalhadora, estão sempre sob ataque, principalmente em momentos de crise do capital.

A participação das camaradas do México e Argentina foi fundamental para fortalecer os laços internacionalistas do movimento das mulheres trabalhadoras, uma vez que nossa luta é a luta de toda a classe trabalhadora.

Finalizando a primeira parte dos informes, a camarada Ana Claudia, do MPS SP apresentou um panorama da luta das mulheres pelo aborto no mundo. No seu informe foi destacada a importância da organização das mulheres pela manutenção desse direito que, como na Polônia, foi atacado e levou milhares de mulheres e homens às ruas fazendo com que a luta pelo aborto se tornasse uma luta de massas contra o sistema. Essa é uma demonstração de que as reivindicações transitórias são aquelas capazes de mobilizar as mulheres a partir de suas necessidades mais imediatas, levando-as a compreender-se como classe e a entender a necessidade de superar o capitalismo para, de fato, conquistar sua emancipação. Pois, como disse Lênin, “quanto mais democrática é a estrutura do Estado, mais claro para os operários que a causa de todos os males é o capitalismo”.

A segunda parte do Encontro contou com o relato de quatro núcleos do MPS, com informes das camaradas Jacqueline, de SP, Ana Paula do RJ, Deise de Joinville e Ciça de Florianópolis. Em seus relatos, as camaradas apresentaram as atividades desenvolvidas durante a pandemia, como clubes de leitura, debates a partir de filmes, intervenções artísticas e debates de temas ligados à luta das mulheres trabalhadoras como a reacionária reivindicação pelo trabalho doméstico remunerado e a luta das mulheres no Afeganistão.

Em suas intervenções as camaradas destacaram a necessidade do estudo de textos ligados à reivindicações das mulheres trabalhadoras mas também a importância de relacionar teoria e prática através da organização e da luta das mulheres em seus locais de trabalho e intervenção cotidiana.

Por fim, a camarada Francis ressaltou a importância do Encontro e a necessidade de voltarmos às ruas com nossas palavras de ordem e em março de 2022 construir um 8M vitorioso e que seja capaz de demonstrar a força da organização da classe trabalhadora. No encerramento da atividade, as participantes fizeram a leitura da Declaração final e aprovaram o documento.

Todos os participantes saíram com o ânimo redobrado para as lutas que enfrentaremos, certos de que a luta pela emancipação da mulher é a luta pelo socialismo!

Declaração final do Encontro Nacional de Núcleos do Movimento Mulheres Pelo Socialismo

LUTAR PELO DIREITO AO ABORTO, PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER! ABAIXO O GOVERNO BOLSONARO, POR UM GOVERNO DOS TRABALHADORES SEM PATRÕES NEM GENERAIS!

O capitalismo é um sistema em decadência e a trágica pandemia evidenciou como este regime está conduzindo a humanidade em direção à barbárie.

Os trabalhadores foram as vítimas centrais do novo vírus. Milhões perderam a própria vida ou de familiares. Outros tantos perderam o emprego. A violência contra as mulheres aumentou, assim como o racismo.

Na linha de frente da saúde e da educação, nas quais as mulheres são maioria, as trabalhadoras foram submetidas a péssimas condições de trabalho. Muitas foram expostas ao vírus trabalhando ou em transportes públicos lotados. As escolas retomaram aulas presenciais com a pandemia fora de controle. Profundamente atingidas foram as trabalhadoras de limpeza e domésticas, tanto com o desemprego quanto com a exposição ao vírus para manter a fonte de sustento de suas famílias.

A barbárie imperialista se revela com as guerras localizadas e o crescimento de refugiados. No Afeganistão, mulheres são perseguidas e açoitadas por protestarem em defesa de poucos direitos conquistados. A invasão militar comandada pelos EUA não resolveu nenhum dos problemas fundamentais vividos pelas mulheres e o povo afegão, ao contrário.

Enquanto a maioria sofre, os ricos ficam mais ricos, a desigualdade cresce e bilionários fazendo turismo espacial é um bom símbolo do quanto estes parasitas estão descolados da vida real da maioria da população.

Mas há raiva e disposição de luta ao redor do mundo. As massas vão às ruas para lutar e resistir (EUA, Índia, Mianmar, Paraguai, Colômbia, África do Sul etc.). As mulheres estão presentes e são protagonistas em diferentes mobilizações. Jovens e trabalhadoras, nos últimos anos, têm se organizado para lutar pelo direito de decidir sobre o próprio corpo, combatendo governos reacionários de diversos países que impedem o aborto legal, público e seguro.

No Brasil, manifestações contra o odiado governo Bolsonaro ocorrem, apesar das direções das organizações do movimento operário e da juventude agirem para bloquear a luta de massas na tentativa de conduzir o descontentamento da maioria para dentro das instituições burguesas, em particular para as eleições de 2022.

A luta pela emancipação da mulher trabalhadora no Brasil passa pela luta para pôr fim ao governo Bolsonaro. Por isso, é fundamental que os núcleos do movimento Mulheres Pelo Socialismo participem dos “Comitês de Ação Abaixo Bolsonaro Já!” que estão sendo organizados pelo país.

Nós, mulheres trabalhadoras, nos reconhecendo como classe, precisamos nos organizar para, junto aos nossos, derrubar esse sistema que nada têm a nos oferecer. Toda violência, retrocesso e ataques que temos sofrido são sintomas de uma única doença que precisa ser eliminada pela ação da classe trabalhadora: o capitalismo!

Nessa luta, as mulheres a serviço da classe inimiga são nossas inimigas. Mulheres burguesas no parlamento ou em governos aprovam ataques contra o povo trabalhador, ou seja, contra a maioria das mulheres.

Precisamos construir um 8 de março vitorioso, levando nossas palavras de ordem e erguendo com orgulho nossas bandeiras. É preciso conversar com cada mulher trabalhadora e jovem farta da violência, da exploração e da miséria, apresentando nossas reivindicações transitórias e a necessidade da luta pelo socialismo.

É preciso lutar por um mundo novo. Somente com a construção de uma outra sociedade, livre da barbárie capitalista, seremos verdadeiramente livres.

Pelo direito ao aborto legal e público!

Abaixo a violência contra a mulher!

Por salário igual para trabalho igual!

Pela educação e saúde públicas e gratuitas para todos!

Em defesa das liberdades democráticas!

Abaixo Bolsonaro Já! Por um governo dos trabalhadores sem patrões nem generais!

Lutar pela emancipação da mulher é lutar pelo socialismo!

25/09/2021

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