Divisões em cima, organizar e mobilizar os de baixo

Editorial da 8ª Edição do jornal Tempo de RevoluçãoFaça sua assinatura e receba no seu e-mail!

A crise da agonizante Nova República ganhou novos capítulos no último período com o acirramento de conflitos entre o governo Bolsonaro e o Judiciário. Acuado diante das debilidades de seu governo, das possibilidades de investigações e eventual prisão – isto é, das constantes ameaças para que Bolsonaro siga a agenda da burguesia e, ao mesmo tempo, não inflame mais a situação com suas declarações – o atual presidente da República aposta na sua corriqueira tática de lançar a cortina de fumaça, tornando agora o 7 de Setembro uma data de disputa, para reagrupar sua base.

O que está por trás de tudo isso?

Enquanto a burguesia vende uma imagem de que a pandemia da Covid-19 está superada, com a média diária de mortos em queda e a chegada das vacinas adquiridas no semestre passado (apesar das incertezas trazidas pela chegada da nova variante Delta), o mesmo clima de “tranquilidade” não pode ser vendido diante do recuo do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,1% neste 2º trimestre e do encarecimento da vida do trabalhador brasileiro. Comida, gasolina, gás, energia, tudo está mais caro e a perspectiva é que a situação apenas piore.

A inflação de agosto deste ano teve o seu valor mais alto desde maio de 2016. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo – chegou a 8,99%. O preço médio da gasolina comum chegou a R$ 5,99 no fim de agosto e passa de R$ 7 em alguns estados. Os já precarizados trabalhadores por aplicativos (Uber, 99, iFood) que ainda não desistiram já pensam em parar de trabalhar diante da impossibilidade de arcar com custos de combustível e manutenção dos seus veículos.

O aumento dos combustíveis impacta no preço do transporte público, do frete e, consequentemente, no custo das commodities agrícolas (milho, açúcar, carne, café, laranja), que por serem cotados em dólar já sofreram reajustes consideráveis no último período. O aumento do dólar também encarece ainda mais as commodities no país pelo fato de ser mais lucrativo vender para o mercado externo do que interno.

Além disso, na última terça-feira (31/8) foi confirmado o aumento da conta de luz em 50% do valor da bandeira vermelha, passando de R$ 9,49 para R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

Se isso já é ruim para a vida dos trabalhadores, o impacto é muito pior para os 14,76 milhões de desempregados (14,7% da população ativa do país), dado que não considera os 5,9 milhões de “desalentados”. Desde abril de 2020, foram 3,3 milhões que perderam seus empregos. Um dos resultados de toda esta situação (aumento de preços, desemprego) são os 49,6 milhões de brasileiros que sofrem de insegurança alimentar, um eufemismo para a fome.

Os empresários envolvidos na produção do manifesto “pela harmonia dos poderes” compreendem o que esta situação significa e por isso tentaram articular uma “trégua” entre STF e Executivo pedindo “serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional”. Está muito fresco na memória da burguesia o que foram os eventos recentes no Chile, no Paraguai, na Colômbia, no Peru, para citar apenas os desdobramentos na luta de classes dos vizinhos latino-americanos, que não é diferente no restante do mundo.

O problema para a classe dominante é que a instabilidade é tão grande que até entre os empresários que queriam a “paz” começaram os conflitos, aparecendo rusgas entre a Fiesp (com o seu principal representante, Paulo Skaf, mais ligado a Bolsonaro) e os banqueiros que se reúnem na Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

A situação política nacional possui suas características particulares, mas é fruto do que ocorre no mundo. Nos EUA, Joe Biden atingiu seu pior nível de popularidade desde a posse em janeiro, o que pode ser explicado pela desastrosa retirada dos EUA do Afeganistão, pelo novo aumento dos casos de Covid-19, mas também pela estagnação econômica que vive o país. Apesar dos anúncios de Biden da retomada do emprego, o que há realmente é a criação de novas vagas no setor improdutivo da economia (artes, entretenimento, hotéis, bares e restaurantes, educação pública e privada) que voltaram a funcionar com a reabertura do país após a vacinação de mais da metade da população, enquanto que nos setores produtivos (manufaturas, construção civil, equipamentos de transporte, máquinas e equipamento etc.) o crescimento de novos postos de trabalho no mês de junho foi próximo de zero.

Os marxistas e o 7 de Setembro

Aproveitando o caráter nacionalista que pode dar para a data, Bolsonaro, o lambe-botas do imperialismo norte-americano, busca usar o dia 7 de Setembro para:

  • Tentar diminuir sua rejeição, que bateu o recorde de 64% (de acordo com o PoderData);
  • Manter a sua base mais fiel, que também sofre com a degeneração econômica do país;
  • E se impor diante dos conflitos com os demais poderes.

Mas esta data também já foi utilizada pela esquerda como um dia de luta contra o imperialismo e pelas reivindicações da classe operária. Neste ano não deveria ser diferente, o “Grito dos Excluídos” deveria ser organizado pelas direções da classe trabalhadora e da juventude como um dia de combate para pôr abaixo o governo Bolsonaro. No entanto, o que se observa até o momento são chamadas estéreis por parte da CUT, do PT, do PSOL sem mobilizar de fato a base.

Um governo débil, as divisões das instituições burguesas e da própria classe dominante são sinais da crise do próprio capitalismo e somente a mobilização da classe trabalhadora e a luta pela derrubada deste governo pode abrir uma perspectiva que favoreça aos explorados. Esse deveria ser o papel das direções da classe trabalhadora.

A Esquerda Marxista estará presente no 7 de Setembro, lutando junto aos Comitês de Ação “Abaixo Bolsonaro Já”, difundindo o manifesto “Abaixo o Governo Bolsonaro! Por um Governo dos Trabalhadores Sem Patrões Nem Generais!”. Venha fazer parte dos nossos blocos, conheça a Esquerda Marxista e junte-se a nós!

 

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