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Foto: Manifestação contra o então candidato Jair Bolsonaro em 29 de setembro de 2018

Situação política e as tarefas dos marxistas – Informe Político à Conferência Nacional da Esquerda Marxista

A Esquerda Marxista (EM) realizará em abril de 2019 sua Conferência Nacional. O Comitê Central (CC) da EM aprovou o informe político, em discussão agora entre os militantes da organização e que servirá de base para a eleição dos delegados à Conferência.  A primeira parte do informe foi aprovada pelo CC, em 16 de novembro de 2018, e diz respeito à importante discussão surgida no movimento operário sobre o caráter do governo Bolsonaro, seu programa e perspectivas, e a segunda parte, em 23 de fevereiro de 2019, sobre a situação internacional e nacional, o governo já empossado e nossas tarefas para combatê-lo construindo a Esquerda Marxista. Os dois documentos se complementam e apresentam a análise da situação política e as tarefas dos militantes revolucionários para construir as forças do marxismo, em um momento de profunda instabilidade política internacional e, no Brasil, de combate ao governo Bolsonaro e seus ataques., um governo produto da crise política e econômica que vive o capitalismo e que assume num regime em ruínas.

Comissão Executiva da EM, 10/03/2019

O combate contra o governo Bolsonaro e nossas tarefas políticas (1ª parte do informe político)

Como corretamente afirmou a Declaração da Esquerda Marxista logo após o 2º turno das eleições presidenciais:

“A vitória de Bolsonaro é a demonstração do colapso político do regime da Nova República e do pacto social efetivado com a Constituição de 1988. É também a demonstração do colapso da “Democracia” para enormes setores das massas, aliás, a maioria (eleitores de Bolsonaro, brancos, nulos e abstenção) deixou claro que pouco lhe importa “esta democracia”, e ignorou os apelos de Haddad/PT, e outros, para “defender a democracia”, que só fez até agora piorar suas vidas e ampliar seu sofrimento e a angustia permanentemente.

Uma nova situação política se abre com um salto de qualidade na conjuntura que se desenvolve desde o início do desmoronamento do regime político podre brasileiro. Os “velhos” partidos e políticos conhecidos como sendo a expressão do sistema foram varridos. Como a Esquerda Marxista sempre afirmou a política da “Operação Lava-Jato”, gestada no Departamento de Justiça dos EUA, tinha a alma da operação “Mãos Limpas” da Itália, ou seja, permitir remover partidos e políticos odiados pelas massas para tentar salvar as instituições ameaçadas. Que o “novo” seja apenas a reencarnação do “velho” também é próprio da história até que a revolução venha e torrencialmente limpe os estábulos da sociedade.

O fim da época da política (reacionária, evidentemente) de colaboração de classes e alianças entre o PT e os partidos burgueses, com o aprofundamento da crise do capitalismo nacional e internacionalmente, se expressa agora num governo ostensivamente contra toda colaboração e de ataque à classe trabalhadora. Um governo que se desenha como ultraliberal, ou seja, de servo descarado dos interesses do capital financeiro imperialista e que só pode governar buscando se constituir como um governo bonapartista “acima das classes” baseado na repressão, mascarada ou não por ações do judiciário. Até onde este governo pode ir neste sentido e cumprir seus objetivos dependerá antes de tudo da luta de classes, da classe operária em especial, e da política de seus dirigentes.

Bolsonaro é o subproduto da crise política, econômica e social que se arrasta há anos. A responsabilidade por isso é totalmente de Lula e da direção do PT, que durante 13 anos governaram traindo as esperanças e o apoio que receberam de milhões de brasileiros para mudar este país.

O trabalho sistemático de Lula e da direção do PT, com sua política de alianças com a burguesia e governando para o capital, para destruir a consciência de classe das massas trabalhadoras que levaram o Partido dos Trabalhadores e as bandeiras vermelhas à presidência da República, tem como resultado a entrega de milhões de desesperados da pequena-burguesia, de desempregados, de trabalhadores desorganizados, de jovens sem futuro, nos braços de um aventureiro sem escrúpulos e seu séquito de ultrarreacionários, fascistóides, ruralistas caçadores de Sem-Terra e indígenas, de comerciantes arruinados, nos braços de um aventureiro demagogo de direita candidato a Bonaparte, pretendendo supostamente governar pelo “Brasil acima de tudo, e com Deus acima de todos”!

Bolsonaro venceu as eleições com 57.797.847 votos (39,24% do total de eleitores). Haddad teve 47.040.906 votos (31,93% do total de eleitores.). Brancos, nulos e abstenções somaram mais de 42 milhões de eleitores. Politicamente isto significa que 89,5 milhões de eleitores (60,76%) não se sentem representados pelo vencedor na eleição mais polarizada em décadas. Estes números mostram que há uma enorme base para um trabalho de resistência e de enfrentamento ao governo que se constitui.

Na declaração da Esquerda Marxista após o 1º turno – além de afirmar a orientação de voto no 13, em Haddad, no 2º turno, sem nenhum apoio ao programa e política de Haddad, mas para barrar Bolsonaro – constatamos: “Com estes resultados [do 1º turno] e a ampliação da polarização política uma nova situação se abriu no Brasil”. Agora, com a vitória de Bolsonaro a situação política dá um salto. O próximo período será de ataques duríssimos contra todas as conquistas proletárias, de ataques às liberdades democráticas, e de obscurantismo cultural e religioso dominando as ações do governo, tudo a serviço do capital financeiro internacional e seus sócios menores brasileiros.  A tarefa fundamental dos comunistas é ajudar a organizar a resistência, a unidade dos trabalhadores e da juventude e, neste combate construir a organização revolucionária marxista, a Esquerda Marxista”.

O programa de Bolsonaro

Seu programa se reduz aos interesses do capital financeiro internacional envelopado por uma demagogia eleitoral aventureira que afirma ser “Contra todos os velhos e corruptos partidos e contra todo esse sistema podre”. Mas, de fato, ele, deputado federal há 27 anos, faz parte do sistema podre e é uma operação destinada a salvar o sistema capitalista em crise e aprofundar a exploração. O que no capitalismo atual significa também mais corrupção.

A prova mais clara de que Bolsonaro é o velho em luta contra a classe trabalhadora é o governo com ministros vindos do governo Temer, velhos políticos de velhos partidos e velhos militares aposentados que fizeram carreira a sombra da ditadura militar. Um “super-ministro” da economia da escola de Chicago, discípulo de Milton Friedman, gestor de um “fundo de investimento” com negócios escusos com Fundos de Pensão de estatais e que segue a linha de privatizar tudo. Na mira, as três “joias da coroa” – Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – além da destruição/apropriação privada da previdência social. Sem falar da invasão fundamentalista evangélica que pretende tomar de assalto o Estado reproduzindo o Estado medieval controlado pela Igreja, em nome de deus, da moral e dos bons costumes.

Mas, seu governo é mais que isso. É a expressão máxima da mediocridade e da ignorância reacionária com ministros como da Educação e das Relações Exteriores indicados por um ex-astrólogo agora autointitulado filósofo e admirador de Ronald Reagan. Não seria demasiado fazer a relação entre este governo de um regime que desmorona e o governo do Czar Nicolau e sua rainha, controlados pelo degenerado monge Rasputin.

Sua demagogia aventureira que prometia “Botar todos os bandidos na cadeia e garantir que a população seja armada para se defender” não passa de pura demagogia eleitoral.

É impossível que a burguesia na época de decadência de seu sistema social, em que o sofrimento das massas só aumenta, possa permitir o armamento geral da população. O governo Bolsonaro é o governo de ataque do capital financeiro com um programa de destruição de todas as conquistas democráticas, sociais, políticas e operárias. Como seria possível um governo armar a população e em seguida tentar destruir todas as suas mínimas condições de vida?!

E obviamente não há como “botar todos os bandidos na cadeia”, pois o capitalismo é uma fábrica pujante de criação de bandidos e quadrilhas de todo tipo. Só o fim do capitalismo pode resolver esse problema.

Seu programa promete: “Tornar o Brasil uma nação forte e rica economicamente, diminuindo o tamanho do Estado, vendendo estatais, abrindo o Brasil para os investidores internacionais, vou acabar com o desemprego criando a carteira de trabalho verde e amarela e reformando a Previdência social”. A tradução desta política é, pela ordem, cortes e privatização dos serviços públicos, privatizações de patrimônio público para multinacionais e amigos, entrega de todas as riquezas naturais e da classe operária nas mãos das multinacionais e especuladores, destruição das conquistas trabalhistas progressivamente e destruição da Previdência Social com sua transformação em Fundos de Pensão. Esse programa é uma receita clássica de luta de classes e fúria da classe trabalhadora.

Este é um programa em parte impossível de realizar no capitalismo e em parte causador de uma tragédia social ainda maior que a atual. Sua demagogia atual quando confrontada com os fatos, seu governo agindo, conduzirá rapidamente a uma situação de isolamento e abandono de seus próprios eleitores em muito pouco tempo. Os setores pequeno-burgueses que acreditaram que ele era a solução para seus problemas com a crise brutal que vive o capitalismo internacional, rapidamente passará para o espanto, o desânimo, e em parte para a fúria dos enganados.

O candidato a Bonaparte chega ao governo numa situação de crise econômica que ele não tem como resolver e que vai provocar uma explosão de lutas. Desde já é preciso trabalhar para que a vanguarda consciente da classe trabalhadora e da juventude se rearme para gritar a plenos pulmões, nas ruas, nas fábricas, nas escolas e locais de trabalho:

Fora Bolsonaro!

Abaixo o governo do capital financeiro e da reação!

Por um Governo dos Trabalhadores!

Este tipo de governo é a expressão do fracasso do capitalismo

Nosso combate pela revolução socialista é uma atividade política que permitirá realizar a transformação essencial para iniciar uma nova etapa da vida da humanidade. O fim do regime da propriedade privada dos grandes meios de produção implica na destruição da velha máquina de estado burguesa e, portanto, do arcabouço jurídico que a sustentava. A apropriação social do trabalho, da riqueza socialmente produzida, exige um novo tipo de poder político.

Para atingir estes objetivos é que toma uma enorme importância a definição, o conhecimento exato, de que regime político dispõe em cada momento a classe dominante. Não se trata apenas de conhecer, identificar, o estado-maior das classes dominantes, mas de desvendar a sua essência para prever suas ações, seus limites, suas possibilidades, na guerra implacável que ele move contra os trabalhadores.

Em especial em épocas de grandes conflitos sociais, de luta de classes recrudescente, é preciso conhecer em profundidade os atores em cena. Pois, as modificações conjunturais, as ações coerentes ou incoerentes, os resultados das pressões de classe e das forças em colisão no interior das próprias classes em luta, tudo isso tende a enevoar o campo de batalha. Esta é a origem dos deslizes ou de alucinações políticas que tem resultados destrutivos como se vê na maior parte das atuais organizações de esquerda, sejam elas pró-capitalistas descaradas, reformistas de direita e de esquerda e mesmo a maioria das que se reclamam da revolução. Expressão disso é o grito de “fascismo, fascismo”, frente ao advento Bolsonaro, que se ouve na atualidade principalmente nas universidades e entre a pequena burguesia.

O marxismo mostra então, toda a sua vantagem sobre as outras pseudoteorias políticas e permite uma orientação segura porque “a verdade é sempre concreta” (L.T.) e o marxismo analisa os fatos a partir de seus desenvolvimentos concretos. E não a partir de abstrações que, seguidamente, não são mais que a forma que torna o desejo do estudioso não marxista. Se em épocas “pacíficas” as análises abstratas ainda podem enganar alguns, nas épocas violentas, como a da decadência do imperialismo, só a análise concreta da situação concreta em seu desenvolvimento, pode impedir o naufrágio do partido e abrir seu caminho. E, isto precisamente porque são nestes períodos que todos os esquemas se partem. Pois o que se vê permanentemente não é o preto no branco, mas todo tipo de situações transitórias, intermediárias, que se combinam e se transformam. Velhos problemas voltam a se colocar e os meios da luta de classes reaparecem com novas roupagens.

É sob este ângulo que se deve encarar a questão do estado burguês e do regime de plantão; ou seja, do tipo de governo utilizado pelo capital em cada situação para gerir seus negócios e comandar sua luta contra as classes dominadas, em primeiro lugar o proletariado.

E isto sempre é o resultado da história da luta de classes, porque afinal a história da humanidade é a história da luta de classes.

“Foi precisamente Marx quem descobriu a grande lei do movimento da história, a lei segundo a qual todas as lutas históricas, quer se desenvolvam no terreno político, no religioso, no filosófico, ou noutro terreno ideológico qualquer, não são, na realidade, mais do que a expressão mais ou menos clara de lutas de classes sociais, e que a existência destas classes, e portanto as colisões entre elas, são condicionadas, por sua vez, pelo grau de desenvolvimento da situação econômica, pelo caráter e pelo modo da sua produção e da sua troca, condicionada por estes”. (Friedrich Engels, prefácio à 3ª edição alemã de “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte”).

O que é bonapartismo

O bonapartismo, na definição original de Marx era a representação política da burguesia encarregada de, em determinada situação, enterrar os princípios políticos da revolução burguesa, marcadamente sua origem jacobina profundamente democrática, mas ao mesmo tempo o consolidador, o guardião de suas conquistas. Um regime que, apresentando-se acima das classes e frações em luta, tratava de varrer o caráter plebeu da democracia burguesa e reafirmar as bases sociais do novo modo de produção dominante. Napoleão Bonaparte extermina o mundo feudal enterrando junto a “plebe” e a democracia da pequena e média burguesia que haviam sido a força política motriz da Grande Revolução Francesa (1789/93).

Este regime surge em determinados momentos da luta de classes. Assim, Marx e Engels chamavam o governo de Bismark na Prússia, em 1890, também de regime bonapartista e iam mais longe. Em 12/04/1890, Engels escrevia a Sorge: “Todo governo, em nossos dias, se torna, queiramos ou não bonapartista”.

Engels escreveu isto no momento de uma crise prolongada do período final do capitalismo comercial e do estabelecimento do mercado mundial, do surgimento do imperialismo. Ele captava o essencial do desenvolvimento histórico do estado e das formas de governo do capital. O novo impulso tomado pelo capitalismo no final da década de 1890 enfraqueceria as tendências bonapartistas dos regimes burgueses momentaneamente, mas não as apagaria. Elas se manteriam como brasas nas cinzas. Com o declínio irreversível do capitalismo após a 1ª Guerra Mundial novamente vem à tona e se reforça o caráter bonapartista dos governos.

Este regime especial, o bonapartismo com toda sua clareza, apenas surge nos momentos onde a luta de classes se torna extremamente aguda e a burguesia julga que suas posses – a propriedade dos meios de produção – estão em perigo. Então, é possível para a classe dominante tolerar “acima” dela o “salvador”, que com pulso firme reina utilizando o aparelho policial-militar para evitar a explosão social. Ele aparece assim como um “regime pessoal”, que se eleva politicamente acima da democracia e dos campos em luta, sempre preservando os interesses fundamentais da classe dominante.

A república parlamentar burguesa, a democracia burguesa, nada mais é do que o contrato entre duas classes antagônicas. Uma que precisa e tem força suficiente para dominar e não pode viver sem a dominada. E outra classe que luta, mas ainda não é suficientemente forte para pôr em risco a dominação de seu algoz. É por isso que é próprio da democracia reconhecer a luta de classes, os partidos e sindicatos do proletariado como seus representantes para, digamos assim, a “negociação coletiva” permanente através do parlamento.

Assim, quanto mais forte é a burguesia, mais capaz ela é de negociar através do “jogo parlamentar”, e por outro lado quanto mais forte é o proletariado mais capaz ele é de impor seus interesses na negociação coletiva permanente parlamentar. Mas, há nesta situação um “equilíbrio” que, rompido, obriga uma e outra classe a modificar a forma de sua ação.

Se o proletariado, na defesa de seus interesses imediatos e históricos consegue impor sua força, ele quebra o quadro de negociação, e nas ruas, que são o seu terreno, impõe um outro tipo de governo, a ditadura do proletariado, a democracia operária.

Assim, também o capital, ao sentir-se ameaçado em sua dominação, ou em seus interesses mais profundos, abandona a “mesa de negociação” e tenta restabelecer o equilíbrio anterior de espada em punho.

E para conduzir esta manobra difícil contra a maioria do povo, o “salvador”, o regime bonapartista não pode se apoiar, ligar-se, ser a expressão, em última instância, senão do setor mais forte e sólido das classes dominantes.

Em nossos tempos isto quer dizer que os governos bonapartistas são os governos do capital financeiro internacional, da especulação. O governo do setor da burguesia internacional que inspira, dirige e corrompe as cúpulas da burocracia estatal, da polícia e do exército, dos partidos e dos sindicatos operários.

O bonapartismo da ascensão do capitalismo tinha um caráter progressivo ao fixar as conquistas sociais da revolução burguesa. Elevava-se “acima” das classes atacando o feudalismo, mesmo se também atacava a “herança da plebe”.  Já o bonapartismo da época do imperialismo, das décadas de 20 e 30, se constituiu, no mais das vezes, nos países dominados, coqueteando com as massas, mas, já sem seu caráter progressivo original. Aparecia como um governo que “enfrentava” um país imperialista (na verdade aliando-se e expressando a vontade de outro país imperialista), buscava “desenvolver” o país, “concedia” (na verdade regulava juridicamente) melhorias no nível de vida das massas.

O bonapartismo atual nos países dominados é o que podemos chamar de “bonapartismo senil”. Ainda tem os atributos do bonapartismo, em sua fase velha ainda se reconhecem os traços essenciais do bonapartismo jovem e do bonapartismo maduro, mas ele não se sustenta mais de pé sozinho. É preciso a bengala dos partidos operários convertidos, armas e bagagens, à religião do imperialismo. Partidos cujo credo é a adaptação e a coexistência pacífica.

Esta será a situação do governo Bolsonaro. E, quanto mais o capital financeiro exigir dele, mais a direção do PT e da CUT deverão fazer uma oposição do tipo burguesa e tentar paralisar as massas para negociar uma convivência pacífica com seus algozes e sustentar o regime e suas instituições. Se ele tentará ou poderá transitar para um regime fascista de destruição total das organizações operárias, das liberdades democráticas e integração de tudo e todos ao Estado não depende só de Bolsonaro e das necessidades do governo do capital financeiro, mas da luta de classes, e particularmente do combate da classe trabalhadora e da juventude.

Getúlio Vargas, um bonapartismo que tentou transitar para o fascismo

Em 15/05/1862, foi inaugurada a primeira linha de telégrafo elétrico do Brasil. No Brasil semicolonial o telégrafo ligou o palácio de São Cristóvão ao Quartel do Campo, no Rio de Janeiro, ou seja, a monarquia e o exército. Isto não é apenas simbólico. Correspondia exatamente à forma de dominação necessária às elites no país dominado. Mesmo que pela época o Brasil se chamasse império, não tinha de império mais do que o nome delirante.

O desenvolvimento histórico o Brasil impediu o surgimento de uma república parlamentar estável desde a Independência, passando pela proclamação da República, até os nossos dias.

Sem poder se apoiar em verdadeiros partidos burgueses nacionais capazes de realizar as tarefas necessárias para o desenvolvimento capitalista do país, é sempre a polícia e o exército que vão garantir os diferentes regimes desde a independência, em 1822, e mais marcadamente desde a proclamação da República em 1889. Aliás, poder-se-ia dizer que a proclamação da República pelo marechal Deodoro da Fonseca é o primeiro ato do bonapartismo que se instala. Ato bonapartista progressivo. Não é de estranhar que a fase inicial da república brasileira, até 1930, seja chamada de a “República da Espada”.

Assim, o país semicolonial que jamais constituiu uma nação verdadeiramente soberana, que não conseguiu, e agora não conseguirá jamais, conhecer todas as fases que o capitalismo europeu conheceu, este país deve, entretanto, viver deformadamente todas as formas de bonapartismo mais clássicas do desenvolvimento capitalista.

Seja o “bonapartismo jovem” que Karl Marx descreveu magistralmente no período do capitalismo que se afirmava (Bonaparte e Bismark).  Seja o “bonapartismo maduro”, que León Trotsky caracterizou já na época do imperialismo, Brauning, Papen, Schleicher, na Alemanha ou Domergue, na França, Dolfuss, na Áustria, nos anos 20 e 30 deste século. Seus equivalentes, como caricaturas brasileiras, evidentemente, foram, respectivamente, o marechal Deodoro e o marechal Floriano, na primeira fase, e Getúlio Vargas na segunda.

É o caso típico do primeiro governo Getúlio Vargas, que em agosto de 1931 suspende o pagamento da dívida externa, cria o Conselho Nacional do Café, em 1931, e o Instituto do Álcool e do Açúcar (apoiando assim os latifundiários cafeeiros e de cana), em 1933. Ao mesmo tempo nomeia os tenentes como interventores nos estados, em busca de maior centralização do poder federal. Um ano antes, em 04/05/1932, assinara o decreto 21.350, limitando em 8 horas a jornada diária na indústria. Logo depois, decreta a isonomia salarial (trabalho igual, salário igual) e concede licença de 60 dias para as trabalhadoras gestantes. Em 1934, as mulheres recebem o direito de voto. Ao mesmo tempo cria o Conselho de Segurança Nacional, começa a destruir os sindicatos independentes e cria, em 1934, o Ministério do Trabalho para tutelar o movimento operário.

Este é o regime de 1930 a 1934, quando Getúlio acossado pela revolução constitucionalista de 1932, instala a Constituinte que se pretendia inspirada na Constituição alemã de Weimar, de 1919, e na espanhola de 1931. Getúlio pretendia aí estabelecer a “mesa de negociação” das classes em conflito.

Mas, assim como as suas “inspiradoras”, a Constituição de 1934 vai acabar mal. O autogolpe de Getúlio encerra, em 1937, as veleidades democráticas do governo bonapartista. De 1937 a 1945, quando é deposto pelos militares, Vargas governa por decretos-leis sob a égide da Constituição, apelidada de “Polaca”, porque se inspirava na Constituição do regime semifascista de Pilsudisky e na fascista de Mussolini.

Esta Constituição centralizava os três poderes na presidência, que passa a controlar legalmente o legislativo e o judiciário, acabava com os partidos políticos, instala a pena de morte e estabelece o regime corporativo sob a autoridade direta do presidente. Apesar de toda a tentativa de imitar o regime jurídico existente na Itália fascista, Vargas jamais deixou de ser, no segundo governo, uma ditadura pessoal, um regime bonapartista do capital financeiro. Em 1940 é instituído o salário mínimo nacional e 3 anos depois Vargas acaba de intervir e liquidar os sindicatos independentes.

O bonapartismo depois de Vargas

No caso dos países dominados historicamente, o capital, o imperialismo, nada tem a restabelecer a não ser o eterno simulacro de democracia existente. Sendo que mesmo esta, em geral, é fruto direto da luta dos oprimidos. Os regimes de fachada democrática estabelecidos na América Latina após a queda das ditaduras militares bonapartistas das décadas de 60 e 70 continuaram a ser regimes bonapartistas a serviço do FMI, mas de outro tipo.

Os governos vindos após a ditadura militar (Sarney, Collor e F.H.C.) surgiram de uma situação onde o estado semicolonial estava ferido gravemente, em crise profunda pela ação das massas que impuseram uma modificação na forma de dominação.

A constituição do proletariado como classe para si, a partir do surgimento do PT (1979/80) e da CUT (1983), a sua erupção revolucionária na cena política (Greve Geral de 1983, Campanha das Diretas, em 1985) fendeu a ditadura e obrigou a uma mudança de regime numa situação de crise.

Nesta situação a primeira, e forte, tentativa de estabelecer um governo “acima de todos”, ou seja, “acima das classes”, foi a tentativa de ungir Tancredo Neves pelo conjunto das oposições burguesas (PMDB / Frente Liberal / PP, etc.) e proletárias (direções do PT / PCB / PC do B).

Rechaçando a manobra, recusando o Colégio Eleitoral e mantendo a posição pelas Diretas, o PT (tendo jogado um papel central a ação dos trotsquistas e dos núcleos operários de São Bernardo do Campo e Campinas), abortou a primeira tentativa de um governo bonapartista forte.

Após a morte de Tancredo Neves assume seu vice, José Sarney, que, pairando no vazio, sem poder utilizar de verdade a espada e nem tendo como “negociar” num Parlamento real, vai de revés em revés até que a Greve Geral de março de 1989 arrebenta seu governo e abre uma situação revolucionária no país. Situação revolucionária que se aprofunda com a campanha Lula-Presidente de novembro de 1989, onde as massas disputam palmo a palmo com o imperialismo/Collor a direção do país.  A combinação da fraude eleitoral com a paralisia da direção do PT impede a vitória.

A posse de Collor, em 1990, após a vitória eleitoral não vai permitir, entretanto, um governo estável. A ação das massas não se interrompe, e em setembro de 1992 ele é derrubado por um movimento das massas que não tem paralelo na história do país. A ação revolucionária das massas derruba o governo depois de vencer a resistência aberta da direção do PT ao “Fora Collor”. Vencida nas ruas, a DN PT, manobra para impedir o desenvolvimento da campanha e a auto-organização das massas neste processo. Este foi o papel da farsa do “Comitê Nacional pela Ética na Política”.

Derrubado Collor, as massas, que não conseguiram constituir seus instrumentos superiores de Frente Única, os sovietes, não tiveram forças para impedir que Lula desse, na prática, posse ao vice de Collor, Itamar Franco, assegurando a salvação das instituições em crise. A ação de Lula de legitimar e reconhecer Itamar foi o gesto que nem Ulisses Guimarães, nem Maluf, nem os generais, nem os ministros do Supremo Tribunal ousavam fazer entre o dia 29 e 30 de setembro de 1992. Mas, Lula com uma mão sustentava o regime e com a outra mandava as massas para casa.

A partir deste momento o “equilíbrio” entre as classes estava definitivamente rompido. O regime não pode mais sobreviver sem o apoio, a sustentação direta, ora velada, ora aberta, da Direção do PT, envolvendo a CUT.

O Brasil chega assim a uma situação nova. O governo governa cada vez mais por instrumentos “monarcais” (Decretos-Leis, Medidas Provisórias, etc.). O Parlamento fantoche não é mais do que um cartório de registro dos ataques contra as conquistas sociais e nacionais. O governo insiste que está acima das classes (“O Brasil acima de tudo”), mas só governa porque o PT permite.

O paradoxo em tudo isso é que um regime que governa utilizando instrumentos de força (M.P.’s, Decretos-leis, etc..), só o faça com a permissão de seu adversário de classe. O governo F.H.C. foi, assim, o que podemos chamar de representante da “3ª etapa” do bonapartismo, o “bonapartismo senil”.

O que é e quais são as perspectivas do governo Bolsonaro

O capitalismo, em sua fase de decadência, é incapaz de manter a democracia que a burguesia desenvolveu em seu período de ascensão. Na época do imperialismo, em que revolução e contrarrevolução se enfrentam permanentemente, a “democracia” é cada vez mais uma farsa e o Estado cada vez mais é obrigado a aparecer como o que verdadeiramente ele é: um bando de homens armados para defender a propriedade privada dos meios de produção e os privilégios de uma classe exploradora minoritária. A fachada legal da repressão e ataques contra as liberdades democráticas arrancadas pelo proletariado é cada vez mais a aplicação seletiva das leis. E seu instrumento, o Judiciário, cada vez mais se arroga o direito de decidir sobre tudo, de legislar e executar, numa tentativa, de fato, de governar para salvar o Estado que é incapaz de se manter por meios “democráticos normais”.

Bolsonaro, o demagogo aventureiro de direita, anticomunista declarado, que conseguiu surfar na desmoralização do sistema e dos partidos tradicionais, aprofundará o caráter bonapartista do aparelho de Estado.

A Esquerda Marxista reafirma que não há base social hoje para um verdadeiro partido fascista ou um regime fascista – os grupelhos fascistas são ultraminoritários, não existe nem partido, nem organização paramilitar de ataque às organizações operárias com base de massas entre a pequena burguesia. Se em 1933 as bases sociais do fascismo eram professores, bancários, estudantes e camponeses, hoje, os camponeses estão reduzidos a um a quantidade insignificante e uma quantidade enorme de sem-terra, os professores, bancários, estudantes, são setores organizados e vanguarda no combate ao imperialismo e ao capital em geral.

Trotsky descreveu da seguinte forma o regime bonapartista e as condições para transitar para o fascismo:

“[O bonapartismo é] um regime que indica que os antagonismos dentro da sociedade se tornaram tão grandes que a maquinaria do Estado, para ‘regular’ e ‘ordenar’ esses antagonismos enquanto permanece como um instrumento dos donos da propriedade, assume uma certa independência em relação a todas as classes. O regime bonapartista só pode alcançar um caráter comparativamente estável e duradouro no caso de pôr fim a uma época revolucionária; quando a relação de forças já foi colocada em teste nas batalhas; quando as classes revolucionárias já estão esgotadas, mas as classes possuidoras ainda não escaparam do terror: ‘não haverá amanhã novas convulsões?’. Sem essa condição básica, isto é, sem um prévio esgotamento das energias das massas nos combates, o regime bonapartista não está em condições de avançar.”

Não há, hoje, o “esgotamento das energias das massas”, uma das condições apontadas por Trotsky para o avanço de um regime bonapartista em direção a um governo fascista. A classe trabalhadora está desorientada pelas seguidas traições e bloqueios de suas direções, mas não está derrotada. Não é essa a perspectiva para o Brasil, imerso na crise internacional do capitalismo.

A política de capitulação dos aparelhos passados para o capital

Os marxistas sempre combateram pela independência de classe e continuam firmes com esta orientação hoje. É a única política para a vitória definitiva da classe trabalhadora. Já a política de Lula, Haddad, do PT e PCdoB é a política de subordinação do proletariado aos interesses do capital. Eles são incapazes de entender e expressar a voz das ruas e o ódio deste sistema que tem o povo.

Eles não entenderam porque Bolsonaro teve a votação que teve e o que ela significa. Assim como são completamente incapazes de entender que só a independência de classe e uma luta decidida contra o capitalismo, o “sistema”, é capaz de animar, reunir as forças proletárias e dar uma perspectiva de mudar a vida e enfrentar, de fato, a reação. Com sua política de “frente pela democracia” perderam a eleição e estão entregando o povo nas mãos do ultrarreacionário aventureiro.

Em 1848, na Alemanha Engels escreveu em “Revolução e Contrarrevolução na Alemanha” que, naquele momento, a classe operária não tinha a menor chance de levantar suas próprias reivindicações e que tinha que apoiar com todas as forças os pequenos burgueses e industriais que estavam contra o feudalismo, contra passado. Tratava-se da luta da democracia burguesa contra o absolutismo feudal.

Explicava Engels, na mesma época em que preparava o futuro escrevendo com Marx o Manifesto Comunista:

“O movimento da classe operária nunca será independente, não possuirá nunca um caráter proletário, enquanto as diferentes frações da classe média, e sobretudo a sua parte mais progressista, os grandes manufatureiros, não conquistarem o poder político e refundirem o Estado segundo os seus interesses.”

“As necessidades imediatas e as condições do movimento eram tais que não permitiam lançar nenhuma reivindicação especial do partido proletário”. “Com efeito, enquanto o terreno não estiver limpo para permitir uma ação independente dos operários, enquanto o sufrágio universal e direto não estiver estabelecido, enquanto os 36 estados continuarem a dividir a Alemanha em pedaços inúmeros, que podia fazer o partido proletário, senão… lutar ao lado dos pequenos comerciantes para adquirir os direitos que lhes permitissem mais tarde conduzir a sua própria luta?”. “Desorganizados, desabusados, os operários apenas despertavam para a luta política, sentindo unicamente o simples instinto de sua posição social”.

Já em 1931 e 33, na mesma Alemanha, quando Hitler se apresentou para estabelecer o governo fascista, esse tempo já tinha passado. Já havia se constituído o governo político da burguesia, os governos dos grandes industriais e dos banqueiros. A burguesia e seu regime não só já reinavam como estavam já apodrecendo. O Estado fascista era já expressão da época do imperialismo e da reação em toda linha. Tratava-se, em 1930, não da luta pela democracia, pela república burguesa, mas de luta pelo socialismo. Ou seja, tratava-se do regime extremado do capital financeiro ou da revolução proletária, luta entre capitalismo e revolução proletária, entre fascismo, ditadura, militarismo ou revolução proletária.

É a democracia burguesa e seu Estado no atual estágio do capitalismo que conduzem a Mussolini, Hitler, às ditaduras militares ou a Bolsonaro. Só a luta pela revolução proletária pode defender a classe trabalhadora e resolver essa situação definitivamente.

Na luta contra o fascismo ou qualquer governo burguês a luta por liberdades democráticas interessa ao proletariado na medida em que lhe permite organizar e mobilizar pela revolução socialista, acuando os reacionários. A luta pelas liberdades democráticas é a luta pela revolução e jamais a defesa da democracia burguesa, do reacionário “Estado democrático de direito” burguês. A defesa das liberdades democráticas é a defesa dos interesses da classe operária em sua luta contra o capital.

Trotsky denunciava Hitler como um reacionário a serviço do capital financeiro, que tinha posições contra a classe operária, contra os trabalhadores, um agente da reação capitalista que pretendia esmagar as organizações operárias e fazer a guerra para destruir a URSS. Nunca perdeu tempo denunciando as posições “antidemocráticas” de Hitler.

Essa política do PT não leva a lugar nenhum. Um violento choque se prepara entre as classes. Nós não precisamos de abaixo-assinado em nome da Democracia ou de “unir todos os democratas”. Esta é a linha da derrota eleitoral, social e política.

A responsabilidade da direção do PT, da direção dos sindicatos, é organizar um combate de classe contra Bolsonaro. Mas, eles são incapazes de fazer isso. A tarefa dos comunistas é denunciar esta situação e propor a Frente Única de classe contra Bolsonaro e seus cúmplices, é trabalhar para que os trabalhadores e a juventude se separem definitivamente do velho sistema capitalista.

Sem classe operária e juventude organizada e disposta a combater essa gente na rua, eles vão cada vez mais intimidar e atacar, golpear, encorajando-se cada vez mais porque veem que não têm reação séria, não há ninguém disposto a pará-los.

Um governo Bolsonaro será um governo em escalada de repressão se a classe e suas organizações não o enfrentarem seriamente. E, eles estão numa escalada porque não há nenhuma reação organizada da esquerda, do movimento operário, da juventude. Eles têm que ser enfrentados com métodos proletários, organizadamente, nos sindicatos, nas ruas, nas escolas, nos locais de trabalho.

Os pequeno-burgueses e os reformistas em geral estão desesperados “porque a democracia está em questão”.

Claro que está em questão. Já foi posta em questão há muito tempo, exatamente pelo advento do imperialismo, pela covardia da burguesia que tem pavor das massas e, principalmente, por causa dos reformistas que traíram todas as esperanças da classe operária e empurraram as massas à uma situação de desesperança e de ódio contra todos partidos e instituições burguesas.

A hora agora é da revolução proletária. A hora da democracia já passou há muito tempo. O PT renunciou à democracia quando decidiu governar para uma minoria de privilegiados e enganar o povo mais pobre distribuindo esmolas como faz o Vaticano.

E o PT, ao renunciar a defender a democracia das maiorias, selou o destino do tal “estado democrático de direito”. E com seu governo bloqueou uma saída socialista e convenceu a maioria das massas de que, de fato, essa tal democracia só interessa aos poderosos, lançando assim uma enorme massa da população nos braços de um aventureiro ultrarreacionário.

A linha de “unir todos os democratas” ou “todos em defesa da democracia” é a linha de aliar-se com grande parte da burguesia, ou ao menos tentar isso, e aparecer ainda mais aos olhos das massas como parte do “velho” que é preciso varrer.

A única linha política capaz de fazer recuar Bolsonaro e seus cumplices é a Frente Única Anti-imperialista e proletária, a unidade dos trabalhadores e da juventude com métodos proletários de luta e levantando bem alto todas as reivindicações e necessidades dos trabalhadores, apontando o capital e seus capachos como nossos inimigos de morte.

Um ódio revolucionário de classe

Aqueles que acusam Bolsonaro de incitar o ódio, e ele instila efetivamente um ódio de classe permanentemente e sem rodeios, esquecem propositalmente ou por cegueira política que nossa defesa e nosso contra-ataque inclui o fato que a violência é a grande parteira da história e que em nenhuma hipótese a linha de “lulinha paz e amor” pode servir aos interesses do proletariado. A classe operária tem direito e dever de ter “ódio de classe” contra os capitalistas e especialmente contra lixo humano como Bolsonaro.

Nossa orientação tem que ser explicar e ressaltar que só organizados e armados os batalhões proletários poderão acabar de vez com esta guerra de classes que nos move a burguesia e seus capitães e generais medíocres e violentos.

Organizar nos sindicatos, organizar na juventude, discutir como proteger nossa luta e preparar os próximos combates.

A classe operária ainda não entrou no combate e ela vai ter que fazer isso. E os dirigentes sindicais e políticos reformistas ao contrário do que pensam os eternos iludidos não vão organizar e nem entrar em combate. Eles irão ainda mais a direita e vão “exigir” de Bolsonaro que “abra diálogo e negociação”. Eles não vão organizar combates com métodos proletários em defesa dos trabalhadores e da juventude. Eles vão tentar negociar de joelhos.

Esta tarefa estará cada vez mais nas mãos dos comunistas internacionalistas e de todos aqueles que em ruptura com a burguesia, o capital e seus partidos, estiverem realmente decididos a organizar o combate revolucionário do proletariado em defesa de suas organizações, de suas conquistas e pela revolução socialista.

Estudar, organizar, mobilizar

É preciso organizar a resistência e o combate contra o governo Bolsonaro desde já. Isso inclui preparar-se teórica e politicamente para entender a situação e as forças em luta, o caráter do combate e de cada participante. Mas, também inclui preparar-se para os diferentes casos de ataques e provocações da extrema-direita, assim como preparar a classe trabalhadora, a juventude e suas organizações contra os ataques econômicos e sociais e repressivos que virão.

Quando o fascismo foi uma ameaça real no Brasil, a frente única proletária antifascista, impulsionada pelos trotskistas, fez os integralistas (os fascistas brasileiros) desaparecerem após uma batalha de rua. Este é o sentido que devemos dar à defesa de nossas lutas, diante dos ataques destes grupelhos protofascistas que se animam a agir na atual situação. O exemplo da reação de massa dos estudantes da UnB, em 29/10/2018, expulsando o grupo de trinta apoiadores de Bolsonaro que tentaram invadir a UnB para “caçar comunistas”, aponta o caminho da resposta. Essa discussão deve ser aberta em todas as organizações dos trabalhadores e da juventude.

Contra a ação de provocadores em assembleias de sindicatos, de estudantes, em manifestações e debates, é preciso organizar serviços de ordem, serviço de segurança do próprio movimento ou organização, uma tradição esquecida pelo movimento em geral por décadas de militância em um período de relativa democracia burguesa.

Nossas bandeiras e nossas tarefas

A tarefa central dos comunistas é construir a organização revolucionária capaz de reunir os trabalhadores e a pequena burguesia do campo e da cidade, para expulsar Bolsonaro/Guedes e seu governo de reacionários, estabelecer um governo que rompa com o imperialismo e resolva as aspirações mais sentidas do povo iniciando a realização das tarefas operárias e socialistas.

A luta por esta unidade só pode ter resultados se os trabalhadores levantarem bem alto as bandeiras da defesa de suas conquistas, de suas reivindicações e da luta para varrer o capitalismo e estabelecer o socialismo. Por seu desenvolvimento tardio, historicamente dominado pelo imperialismo, a primeira condição para a realização, no Brasil, das aspirações das massas oprimidas e exploradas, é a soberania da nação frente ao imperialismo. E isto só pode ser realizado pela revolução proletária e a expropriação do capital.

É da classe operária a tarefa de realização das medidas anti-imperialistas que a burguesia é incapaz de tomar como: Cancelar a Dívida Interna e Externa, romper com o FMI, realizar uma revolução agrária dando terra para quem nela trabalha, reestatizando todos os Serviços Públicos e as Estatais, assim como todas as multinacionais e o conjunto do sistema bancário.

Isso só pode ser feito no combate diretamente no movimento de massas, em especial na classe trabalhadora e na juventude, no interior de suas organizações reconhecidas e numa batalha permanente de exigência que os dirigentes destas organizações assumam suas responsabilidades e de denúncia de suas vacilações e traições.

Só o combate na luta de classes, o estudo da teoria marxista e da história do movimento operário e seus combates podem permitir a construção de uma verdadeira e sólida organização bolchevique. E isto passa pelo combate para derrotar o governo do capital financeiro e do obscurantismo desde já.

Isso exige clareza, decisão e disciplina revolucionária e essa energia está na luta de classes e no despertar para a luta política de milhões de jovens e trabalhadores que não estão dispostos a perder o que conquistaram e anseiam por um futuro sem capitalismo, sem guerras e sem sofrimento, estando dispostos a se sacrificar para ver um mundo novo nascer.

Ao combate!

Socialismo ou barbárie!

CC da EM, 16/11/2018

A situação política e as tarefas dos revolucionários marxistas (2ª parte do informe político)

A situação internacional está dominada por dois fatores centrais.

Um é a continuidade, sem fim visível, da crise econômica que convulsiona o planeta e que abala toda a estrutura política sobre a qual se apoia a classe burguesa para governar e manter seu regime de opressão e exploração. Abatida por um pessimismo de quem não vê saída para o desastre que eles mesmos organizaram, não por sua vontade, mas por ser o resultado próprio do impasse do sistema capitalista, a burguesia e seus arautos não cantam mais as glórias de um futuro capitalista radioso como fizeram no passado. Agora, falam de conformismo e que esta pode ser a “nova” situação “normal” do capitalismo por décadas, ou seja, desemprego massivo, destruição dos serviços públicos, das conquistas trabalhistas, ultra exploração do trabalho, etc.

O outro é a busca do proletariado e das massas populares por encontrar, construir, um novo eixo de independência de classe que lhe permita dotar-se de novas organizações, capazes de varrer este sistema e possibilitar a realização das suas reivindicações e necessidades mais sentidas. A resistência das massas se expressa de diferentes formas em cada país, mas seu traço mais característico é uma raiva profunda das instituições, sua espontaneidade, sua desconfiança de tudo que é “velho” na política e nas instituições e uma disposição revolucionária para jogar tudo no lixo e buscar construir algo “contra tudo que aí está”.

A explosão do movimento dos Coletes Amarelos, na França, é um exemplo gritante. Apenas um ano e meio após a eleição do “centrista” Macron como a “nova saída” política na Europa, o “centro” que salvaria o capitalismo francês e apontava a direção a seguir em todo lado, este medíocre político burguês está desacreditado e com um movimento semi-insurrecional contra seu governo gritando em toda a França “Fora Macron!”.

O político “centrista” desencadeia imediatamente uma enorme repressão que só faz aumentar o ódio e a mobilização dos Coletes Amarelos, movimento que surge contra o aumento no preço dos combustíveis e caminha rapidamente para o objetivo de derrubar o governo com a palavra de ordem de: Cai fora, Macron!

Um movimento que se assemelha, no seu início, ao que se passou no Brasil em 2013 onde todo mundo sabia que os milhões que foram às ruas não o fizeram pelos 20 centavos. O que falta na França para varrer Macron é um partido enraizado na classe trabalhadora decidido a levar este movimento até o fim. A França Insubmissa, de Melènchon, apesar de apoiar o movimento não tem nem organização e nem força para mover a classe neste sentido. As direções sindicais que poderiam, e deveriam jogar um papel de unificar e mobilizar toda a classe trabalhadora jogam um papel miserável de traição aberta e cada vez mais se curvam para salvar o capital e as instituições burguesas. É isso que explica sua atitude frente a escandalosa prisão, ainda hoje, de centenas de Coletes Amarelos, seu julgamento sumário de 20 minutos e mais de 100 condenações de 3 a 6 meses de prisão por terem se manifestado no país da Grande Revolução de 1789 que clamava “Liberdade, Igualdade, Fraternidade!” e era o país da Liberdade de expressão, das liberdades democráticas. Milhares foram presos durante o movimento para que afinal o pretenso “Júpiter” francês, o banqueiro presidente Emmanuel Macron fosse dobrado e cancelasse o aumento de imposto sobre os combustíveis acossado pela fúria das multidões.

No Paquistão, o camarada Rawal Asad e outros ativistas foram presos acusados de sedição por apoiar o movimento Pashtum e se juntarem a uma manifestação de solidariedade convocada pelo Movimento Pashtun Tahafuz (PTM), em Multan. Eles protestavam contra o assassinato de um de seus líderes, Arman Luni, professor universitário torturado e morto pela polícia do Paquistão.  Rawal Asad foi preso e os juízes negam fiança além da acusação brutal meses após a prisão de outros camaradas da CMI no Paquistão que só foram libertados pela rápida e incisiva campanha internacional desenvolvida. Formalmente o Paquistão é uma democracia com eleições (sempre fraudadas, evidentemente) e lá existiriam leis, mas de fato a única lei verdadeira é o bando de homens armados da polícia, do exército e dos serviços de inteligência, além das milícias assassinas religiosas integristas.

Aliás, este é um traço da situação mundial. A burguesia é incapaz de permitir as liberdades democráticas de se expressarem, que foram as suas bandeiras na luta contra o feudalismo e as monarquias absolutistas no passado. Hoje, cada vez mais o Estado aparece como o que realmente é, “um bando de homens armados” para defender a propriedade privada dos meios de produção. Exemplo disso é a prisão dos lideres do movimento independentista na Catalunha e seu julgamento por “sedição” com penas que podem chegar a 30 anos porque exigiam um referendo sobre a questão e mobilizaram para isso. Ou os 23 jovens condenados no RJ por terem participado das manifestações em 2013. Essa é a democracia burguesa da época do imperialismo, época de decadência deste sistema social, época de guerras e revoluções onde a burguesia é a “reação em toda linha”. É a democracia da polícia e da casta judicial que ninguém elegeu arvorando-se em bonapartes e prefigurando sua disposição para um governo totalitário.

Em todo o mundo o que se vê é o aprofundamento da crise apesar de todas as medidas adotadas pelos capitalistas e seus governos. Em todo o mundo o que se vê é a resistência das massas contra os planos do capital e seu sistema. O resultado desta situação é um aumento claro da polarização social, dos choques entre proletariado e burguesia e um crescente desespero e radicalização à esquerda e à direita da pequena burguesia proletarizada e desesperançada. Pela inexistência de verdadeiros partidos operários independentes capazes de resolver a questão em favor das massas e a ascensão aos governos de partidos de extrema direita, diferentes intelectuais, organizações socialistas pequeno burguesas, reformistas e a maioria das seitas “revolucionárias”, tentam explicar a situação como sendo um “giro conservador” das massas. Nada mais equivocado. Há uma energia e uma disposição revolucionária das massas em todo o mundo. A sobrevivência da revolução venezuelana até hoje, apesar de Maduro, é uma prova desta energia revolucionária.

A tentativa de golpe imperialista na Venezuela organizada pelo imperialismo EUA, através do fantoche Guaidó e apoiada pelos lacaios Bolsonaro do Brasil e Duque da Colômbia, está se chocando com a resistência das massas. E isso é o que explica, em parte, o fato de que a cúpula militar esteja com Maduro, além é claro do fato de que, mesmo se anistiados, por Guaidó a burguesia venezuelana lhes retiraria todo o controle que estes militares têm sobre os mais importantes setores da economia. Essa resistência das massas é que tem até agora transformado o autoproclamado governo Guaidó em uma farsesca cena apoiada por todos os meios de comunicação da burguesia e por mais de 50 governos liderados por Trump.

O fiasco da tentativa contrarrevolucionária da falsa entrega de ajuda humanitária, fiasco especialmente para o governo brasileiro e colombiano ajuda a desmontar a tentativa de golpe. Independente de nossa oposição às políticas de Maduro e sua permanente tentativa de colaborar com o capital e a burguesia, neste momento se trata, sem apoiar um milímetro suas políticas, cerrar fileiras para derrotar o golpe imperialista.  Nossa política em relação à situação atual na Venezuela é a defesa da revolução e suas conquistas, apesar de Maduro e sua política, contra o imperialismo.

A ilustração histórica desta nossa posição foi a política de Lenin e o partido bolchevique contra o ataque de Kornilov para derrubar Kerensky. Como explicou Lenin na sua famosa carta ao CC do POSDR (B):

“Como qualquer viragem brusca ela exige uma revisão e uma modificação da táctica. E, como em qualquer revisão, é preciso ser arquiprudente para não cair em falta de princípios.

… E nem mesmo agora devemos apoiar o governo de Kerensky. Seria falta de princípios. Perguntarão: será que não deveremos lutar contra Kornilov? Certamente que sim! Mas isto não é uma e a mesma coisa; aqui há um limite, que alguns bolcheviques ultrapassam caindo na «política de acordos», deixando-se arrastar pela corrente dos acontecimentos.

Nós combateremos, nós combatemos contra Kornilov, tal como as tropas de Kerensky, mas nós não apoiamos Kerensky, antes desmascaramos a sua fraqueza. E esta é a diferença. (Lenin, 30/08/1917. Conheça a carta aqui: https://www.marxismo.org.br/content/sobre-kerensky-e-kornilov/)

Nossa atitude hoje é organizar e mobilizar na linha de:

– Abaixo o golpe imperialista! Tirem as mãos da Venezuela!

– Cadeia para Guaidó e os golpistas! Fechamento da Assembleia Nacional golpista!

– Expulsão da embaixada norte-americana e todos seus agentes!

– Expropriação de todas as empresas dos apoiadores do golpe!

Sobre esta base faremos uma ampla e permanente campanha para ajudar a derrotar a tentativa de golpe imperialista, explicando no mesmo plano a política e atitude de lacaio do imperialismo que tem o governo Bolsonaro.

A longa marcha para reconstruir partidos independentes, de classe e revolucionários

A destruição da URSS, Estado operário degenerado, e dos Estados Operários burocratizados desde seu nascimento (Leste Europeu, China, Vietnam) foi um golpe na classe trabalhadora mundial, mas um golpe contraditório pois dialeticamente também levou à destruição do aparato internacional contrarrevolucionário do Kremlin, o aparato Stalinista dos PCs. Seus restos hoje se passaram abertamente para o campo da contrarrevolução, do capitalismo e seus novos amos a burguesia imperialista. Já não falam em luta de classes, em socialismo ou proletariado. Sua linguagem é a do capital e já não controlam a classe trabalhadora como fizeram no passado.

O aparato internacional da Socialdemocracia, responsável por esmagar a revolução alemã de 1918 e 1923 isolando a revolução russa e criando as condições para o surgimento e domínio de Stálin e da burocracia soviética, que ajudou a criar as condições para a vitória de Hitler, em 1933, traiu e ajudou a conter e derrotar revoluções proletárias em todo o mundo. Tal sua adaptação às suas próprias burguesias imperialistas (desde o apoio à guerra interimperialista de 1914) que hoje não se distinguem dos partidos burgueses do capital. A ruptura do SPD com a própria Internacional socialdemocrata é só um passo que concretiza o abandono real do internacionalismo proletário que foi a base da fundação da Internacional Socialista de Engels.

Em 1968, a Greve Geral francesa e a primavera de Praga expressaram a unidade mundial da luta de classes e da crise capitalista conjunta da burocracia soviética e do capitalismo.  Em 1979/80, com a criação do PT no Brasil, a vitória da FSLN, na Nicarágua e o surgimento do Solidarnosc, na Polônia, esta situação se expressa na formação destas novas organizações independentes, expressão da busca de um novo eixo de independência de classe, independente do que se passou depois com estas organizações. Hoje este movimento se expressou na revolução venezuelana com Chávez, na vitória do Syriza, na Grécia, no surgimento de PODEMOS, na Espanha, de Corbyn, na Inglaterra, e mesmo ainda que muito deformadamente com Bernie Sanders, nos EUA.

Da destruição das organizações tradicionais do proletariado à formação de novas organizações proletárias independentes há e haverá um largo caminho cheio de confusões, programas confusos, reformismo com linguagem de esquerda, vitórias e derrotas inevitáveis. Nesta situação, é preciso remarcar que, diferente dos anos 30 ou dos anos 60 ou 70, o apodrecimento das velhas organizações tradicionais, mesmo que ainda não estejam mortas eleitoralmente, hoje, não surgem alas militantes, de esquerda, nestas organizações que transitem em direção ao centrismo ou à revolução. Hoje, o que vemos é, centralmente, que o movimento passa por fora destas organizações. Mesmo Corbyn é um fenômeno “de fora para dentro” no Labour Party.

Não se constroem partidos revolucionários de um dia para outro. Eles não podem nascer prontos, como sonham as seitas autoproclamadas. Um longo, tortuoso e difícil caminho é o que estamos trilhando hoje. O aprendizado das massas não se fará nos livros, mas na luta de classes aberta imposta pela existência das classes sociais antagônicas e a dominação de uma minoria sobre a maioria. A responsabilidade central dos marxistas é formar os militantes e quadros que preparem a organização para intervir de forma consciente neste movimento inconsciente das massas. A consciência de classe se forma, se fixa e se desenvolve na organização. As massas sem organização estão fadadas a terminar como as espumas das mais violentas ondas do mar. Nas atuais circunstancias nossa tarefa central é construir a Esquerda Marxista combatendo por um partido de classe, por um verdadeiro partido operário independente, onde os marxistas  será a ala mais decidida, a ala com mais firmeza e clareza política, aqueles que em todos os momentos representarão os interesses históricos e imediatos do conjunto da classe trabalhadora.

A divisão internacional da burguesia

Com a incapacidade da burguesia de estabilizar a situação é inevitável que ela própria se divida sobre que política aplicar e como aplicar. Trump e os capitalistas de Davos são a expressão gráfica desta divisão na burguesia imperialista. E que já havia se expressado nas eleições norte-americanas com Trump e Clinton.

O domínio internacional do imperialismo EUA e de sua moeda como meio mundial de trocas lhe deram um poderio sem precedentes na história da Humanidade. Mas, isto tem um preço e ele está sendo pago agora. Ao ser a economia reguladora do sistema implica que os EUA atraem para si e acumulam em suas próprias mãos todas as contradições do capitalismo mundial. Foi isso que obrigou Nixon a declarar a inconversibilidade do dólar em ouro, em 1971, jogando no lixo o Acordo de Breton Woods, ao final da 2ª Guerra mundial, onde os EUA haviam se comprometido com isso e assumido o controle das finanças do planeta.

Trump se encontra nesta situação em seu ponto mais agudo. E suas medidas protecionistas não podem resolver nenhum dos seus problemas, mas podem agravá-los muito. E também se chocam diretamente com os interesses das empresas imperialistas “globais”, assim como com o capital financeiro que é completamente globalizado. Por isso, de certa forma é tratado como pária pela grande burguesia internacional. Seu apoio pelos republicanos no Congresso é mais a expressão do descolamento dos representantes políticos da burguesia em relação à burguesia industrial e financeira real. É semelhante à situação descrita por Marx em “O 18 Brumário de Luis Bonaparte”. Sua “guerra comercial” com a China tem esse sentido. E obriga a China a também adotar medidas em relação aos EUA para poder negociar uma saída. A Europa se contorce e tenta se defender sem grandes enfrentamentos, mas é obviamente quase inteiramente “globalista” antes que “protecionista”.

A burguesia imperialista reunida em Davos, em 2019, estava preocupada centralmente em debater uma nova divisão internacional do trabalho e as formas de controlar as massas em rebelião do que discutir protecionismo. A ausência de Trump em Davos, suas posições e a pauta de Davos são expressão dessa contradição entre as necessidades mundiais do capitalismo e a incapacidade da burguesia de encontrar uma saída para o fato de que, além da própria propriedade privada dos meios de produção, a existência dos Estados nacionais é um entrave para o desenvolvimento das forças produtivas em escala global. É com esta dificuldade que se encontram os capitalistas “globalistas” e cuja resposta obtusa é dada por protecionistas como Trump.

É uma contradição a que não podem escapar economias como a do Brasil, governado por Bolsonaro que é admirador de Trump e de seu “deus”, mas que tem que ir a Davos render-se aos pés dos imperialistas de todo o mundo, inclusive dos imperialistas norte-americanos que estavam lá. É a sina do Estado semicolonial de um país dominado pelo imperialismo com uma burguesia nativa débil, covarde, atrasada e sócia menor do capital internacional.

A agenda de Davos se concentrou em dois Temas: “4ª Revolução Industrial” e “Preocupações Sociais”. O primeiro tema tratando de Inteligência Artificial, informática, robótica, etc., etc., de fato trata da discussão sobre uma nova divisão do trabalho em escala mundial com base no desenvolvimento da tecnologia. O centro é como isso pode diminuir o custo do trabalho e da produção. Tentando contornar o fato incontornável de que toda riqueza só pode ser gerada pelo trabalho humano, e no caso da burguesia, da apropriação privada do trabalho não-pago aos operários, a “Mais-Valia”, os imperialistas discutem como montar suas armas de destruição massiva de empregos e de organizações operárias. Montados numa crise mundial de superprodução, com montanhas de capital ocioso e uma especulação financeira frenética eles preparam a próxima super crise, uma catástrofe ainda maior que a de hoje.

O segundo ponto da pauta trata das consequências desta guerra contra o proletariado que eles têm que realizar. Sua preocupação é de como impedir explosões sociais que saiam do controle e ameacem todo o edifício. Sua resposta se concentra em impulsionar o que o Banco Mundial propôs há décadas, que são as “políticas compensatórias”, ao estilo Bolsa Famíia e outras conhecidas. Esta era a preocupação dominante e é clara na presença e nas palavras da diretora da ONG OXFAN de que o sistema criou esses problemas e que o sistema tem que resolvê-los se quiser sobreviver.

Sem falar no papel vergonhoso de escravos do capital dos grandes dirigentes sindicais bradando nos corredores que há uma recusa generalizada dos patrões em dialogar. Estes homens se transformaram na quinta roda do carro das multinacionais e empresas em geral e como burocratas acostumados a viver do aparato que controlam se lamentam que os patrões tenham encerrado a época da colaboração de classe e iniciado a guerra. O movimento das grandes organizações sindicais em direção à adaptação e integração aos aparelhos de Estado e às empresas continua acelerado em todo o mundo apesar da recusa patronal de “dialogar”. O último exemplo no Brasil foi a “corpo mole” do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos permitindo a aprovação da proposta da GM de congelamento salarial em uma assembleia aberta e descaradamente convocada e incentivada pela própria GM. Depois disso a atitude do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo de declarar greve, mandar todo mundo ir para casa e cancelar a participação dos metalúrgicos na “Assembleia da Classe Trabalhadora” no dia seguinte em SP, quando a Ford anunciou o fechamento da fábrica em SBC.

América Latina endividada, empobrecida dominada e polarizada

A situação se reflete na América latina econômica e politicamente. As previsões do FMI para a região são de um crescimento médio de 2% do PIB. O Brasil com previsão de 2,5%, Colômbia e Panamá com algum crescimento, Peru, México e Chile com cerca de zero, Argentina com -1% e Venezuela com -11,5%. Este conjunto mostra que de fato não há crescimento real, pois, a população continua aumentando em taxas praticamente iguais a estas.

A inflação média na região é cerca de 3,8% sendo que na Argentina é de 28% e na Venezuela cerca de 1.800%.

A Dívida Externa continua impagável como se vê no quadro abaixo:

País Dívida externa (bilhões US$) Ano
Brasil 555 2018
Argentina 209 2018
Chile 168 2018
Colômbia 120 2018
Venezuela 103 2018
Peru 70 2018
Equador 38 2018
Uruguai 28 2018
Paraguai 17 2018
Bolívia 15 2018
Guiana 2 2018
Suriname 2 2018

Já as reservas internacionais que teoricamente serviriam para garantir estas Dívidas se apresentam assim:

País Último Anterior
Argentina 59.133,00 2018-12 44.848,00 Usd – Milhões
Bolívia 6.630,01 2019-01 6.909,00 Usd – Milhões
Brasil 376.984,00 2019-01 374.715,00 Usd – Milhões
Chile 38.926,60 2019-01 39.856,00 Usd – Milhões
Colômbia 49.208,63 2019-01 47.773,00 Usd – Milhões
Guatemala 12.452,40 2019-01 12.756,00 Usd – Milhões
México 176.384,00 2018-12 176.573,00 Usd – Milhões
Paraguai 6.656,40 2019-01 6.724,00 Usd – Milhões
Peru 62.566,00 2019-01 60.288,00 Usd – Milhões
Uruguai 15.557,20 2018-12 15.967,00 Usd – Milhões
Venezuela 8.393,00 2019-01 8.833,00 Usd – Milhões

Este é o quadro da Dívida Externa que “Lula tinha pago”. Os valores de toda a região mostram que o mecanismo de sangria imperialista continua a todo vapor. E o resultado é que todos os organismos internacionais declaram um crescimento geral da pobreza e da desigualdade social. Não há dinheiro para Serviços Públicos, Saúde, Educação, etc. Apenas para manter a especulação e a pilhagem.

A ONU aponta a América Latina como a região mais desigual do mundo e que tem o maior nível de assassinatos por 100 mil habitantes de todo o planeta.

Neste quadro é que a polarização social que se verificou nos últimos anos na região vai se aprofundar e isto deve se expressar nas diferentes eleições de 2019.

Em fevereiro um candidato saído da FFMLN, ganhou as eleições em El Salvador com 53% dos votos esmagando os dois partidos tradicionais, a própria FFMLN, que só fez 13% e a ARENA, partido burguês que fez 31% dos votos. Haverá ainda eleições no Panamá em maio, na Guatemala em junho, na Bolívia, no Uruguai e Argentina, em outubro de 2019.

Brasil

O Globo descreve assim seu balanço de 2018: “O ano de 2018 foi marcado por uma recuperação lenta da economia brasileira, pelo desemprego ainda elevado e pelo crescimento da informalidade.

A inflação, por sua vez, permaneceu controlada, mas a disparada dos preços da gasolina e do diesel pesaram no bolso do brasileiro e no custo dos transportes. E foi um dos fatores que motivaram a greve dos caminhoneiros, que paralisou o país por 11 dias no final de maio, afetando a produção, o consumo e o PIB de 2018”. (G1, 21/12/2018)

Abaixo se pode ver uma das projeções feitas em 20/12/2018 para o ano que se encerrava.

Apesar de os jornais e economistas burgueses alardearem uma “retomada econômica”, o que se vê de fato é que a indústria cresceu 0,8%, os serviços 1,4% e a agropecuária 0,6%, ou seja praticamente nada.

Mas, no país dominado pela especulação do capital financeiro e pelas multinacionais o índice IBOVESPA teve valorização de cerca de 12%, em 2018, após acumular ganhos de 26,3% em 2017.

Enquanto isso marcham sem rumo pelas cidades um exército de mão de obra de 12,35 milhões de desempregados que tem atrás deles milhões de familiares passando necessidades básicas, além dos milhões de subempregados em trabalhos informais.

O reacionário governo Bolsonaro tem um programa para transformar esta situação miserável em uma tragédia social sem precedentes se consegue aplicá-lo até o fim. Bolsonaro declarou durante a campanha:

“Vou tornar o Brasil uma nação forte e rica economicamente diminuindo o tamanho do Estado, vendendo estatais, abrindo o Brasil para os investidores internacionais, vou acabar com o desemprego criando a carteira de trabalho verde e amarela e reformando a Previdência social”.

“A tradução desta política é, pela ordem, cortes e privatização dos serviços públicos, privatizações de patrimônio público para multinacionais e amigos, entrega de todas as riquezas naturais e da classe operária nas mãos das multinacionais e especuladores, destruição das conquistas trabalhistas progressivamente e destruição da Previdência Social com sua transformação em Fundos de Pensão. Esse programa é uma receita clássica de luta de classes e fúria da classe trabalhadora”. (Declaração da EM, 30/10/2018)

Na “1ª Parte do Informe à Conferência Nacional da Esquerda Marxista” (16/11/2018) o CC da Esquerda Marxista afirmava o caráter do governo Bolsonaro, seus objetivos e perspectivas. Nos seus pontos mais importantes dizia que:

“A vitória de Bolsonaro é a demonstração do colapso político do regime da Nova República e do pacto social efetivado com a Constituição de 1988.

Uma nova situação política se abre com um salto de qualidade na conjuntura que se desenvolve desde o início do desmoronamento do regime político podre brasileiro. Os “velhos” partidos e políticos conhecidos como sendo a expressão do sistema foram varridos.

O fim da época da política (reacionária, evidentemente) de colaboração de classes e alianças entre o PT e os partidos burgueses, com o aprofundamento da crise do capitalismo nacional e internacionalmente, se expressa agora num governo ostensivamente contra toda colaboração e de ataque à classe trabalhadora. Um governo que se desenha como ultraliberal, ou seja, de servo descarado dos interesses do capital financeiro imperialista e que só pode governar buscando se constituir como um governo bonapartista “acima das classes” baseado na repressão, mascarada ou não por ações do judiciário. Até onde este governo pode ir neste sentido e cumprir seus objetivos dependerá antes de tudo da luta de classes, da classe operária em especial, e da política de seus dirigentes.

Bolsonaro é o subproduto da crise política, econômica e social que se arrasta há anos. A responsabilidade por isso é totalmente de Lula e da direção do PT, que durante 13 anos governaram traindo as esperanças e o apoio que receberam de milhões de brasileiros para mudar este país.

O trabalho sistemático de Lula e da direção do PT, com sua política de alianças com a burguesia e governando para o capital, para destruir a consciência de classe das massas trabalhadoras que levaram o Partido dos Trabalhadores e as bandeiras vermelhas à presidência da República, tem como resultado a entrega de milhões de desesperados da pequena-burguesia, de desempregados, de trabalhadores desorganizados, de jovens sem futuro, nos braços de um aventureiro sem escrúpulos e seu séquito de ultrarreacionários, fascistóides, ruralistas caçadores de Sem-Terra e indígenas, de comerciantes arruinados, nos braços de um aventureiro demagogo de direita candidato a Bonaparte, pretendendo supostamente governar pelo “Brasil acima de tudo, e com Deus acima de todos”!

Caracterizando este governo como instável e de crise, o Informe colocava como perspectiva “Nosso combate pela revolução socialista é uma atividade política que permitirá realizar a transformação essencial para iniciar uma nova etapa da vida da humanidade. O fim do regime da propriedade privada dos grandes meios de produção implica na destruição da velha máquina de estado burguesa e, portanto, do arcabouço jurídico que a sustentava. A apropriação social do trabalho, da riqueza socialmente produzida, exige um novo tipo de poder político”.

Afinal, o governo Bolsonaro é um governo que nasce em crise com as diversas facções aí reunidas em luta umas contra as outras tendo como único norte trair uma e todas as promessas de campanha, seja de enterrar o velho mundo político seja de mudar a vida do povo. O lugar que ocupam no governo os restos do DEM, partido filho direto da ARENA/PDS/PFL da ditadura militar, mostram o “novo” deste governo, assim como os escândalos de corrupção e de ilegalidades do partido de Bolsonaro e seus aliados surgidos desde o primeiro mês de governo. A formação do governo, os ministros e seus mentores, suas declarações, ações e escândalos em que estão metidos só confirma o que afirmou a Esquerda Marxista no Informe à Conferência: “É a expressão máxima da mediocridade e da ignorância reacionária com ministros como Educação e Relações Exteriores indicados por um ex-astrólogo agora autointitulado filósofo e admirador de Ronald Reagan. Não seria demasiado fazer a relação entre este governo de um regime que desmorona e o governo do Czar Nicolau e sua rainha e governo controlados pelo degenerado monge Rasputin”.

Para entender o caráter degenerado deste governo e armar-se para o combate, para armar-se politicamente para construir a Esquerda Marxista, assim como para responder ao pessimismo das seitas, dos reformistas e dos intelectuais pequeno-burgueses, o 1º Informe à Conferência Nacional deve ser relido e estudado por todos os militantes da EM e ser publicado e objeto de debates e artigos, para atingir toda a área de influencia e contatos da organização.

Este governo, que se desmoraliza a cada dia que governa, é um governo de crise permanente dentro de uma situação de desmoronamento do regime da Nova República sustentado pela Constituinte de 1988.  Não é preciso insistir sobre a guerra de todos contra todos travada no Executivo, no Judiciário e no Congresso Nacional. Estas fissuras no aparelho de Estado e entre as classes dominantes são as brechas por onde a classe trabalhadora pode entrar para por abaixo todo o edifício. É para isso que os marxistas se preparam.

O movimento sindical e perspectivas

É aqui que entram os grandes aparatos tradicionais para impedir o surgimento de uma crise revolucionária. O PT e o PCdoB fazem uma oposição de fachada que pode ser resumida na palavra de ordem de “Ganharemos em 2022”, o que significa respeitar um mandato de massacre de 4 anos sobre o povo trabalhador. Mas, que no âmbito sindical se expressa na frase capituladora e traidora de Vagner Freitas, presidente da CUT de que estava equivocado sobre não reconhecer o presidente Bolsonaro e que a CUT está disposta a negociar com o governo já que “trabalhadores votaram nele”. Capitulação que se expressa na reunião realizada com o vice-presidente reacionário general Mourão e cujo único sentido foi de tentar negociar a sua relação financeira e política com o próprio Estado. E tentar salvar seu próprio pescoço já que esses senhores estão avisando a todos que o fascismo venceu no Brasil.

A EM já explicou o caráter da situação internacional e nacional, o caráter de bonapartismo senil do governo Bolsonaro e a distância entre os desejos deste capitão medieval e a realidade e podemos afirmar ao presidente da CUT e seus amigos políticos e sindicais que o pescoço deles não está em perigo, por enquanto. Antes de estabelecer um regime fascista ou de pura repressão Bolsonaro teria que derrotar as massas e esgotar sua energia revolucionária. Isto está muito longe de ser realizado.

Aliás, os maiores candidatos a “esgotar as energias revolucionárias das massas” são exatamente as cúpulas sindicais encasteladas nas organizações de massas que os trabalhadores ainda reconhecem como suas. Estes dirigentes burocratas estão vivendo longe da existência real e dos sofrimentos e necessidades das massas. Eles são hoje o principal obstáculo para a revolução socialista no Brasil e no mundo. Nenhuma ilusão pode haver entre os revolucionários conscientes de que, sob ataque do governo e do capital, estes burocratas girem à esquerda e reajam mobilizando e organizando as massas trabalhadoras. Só grandes enfrentamentos na luta de classes, como os de 1979/80, podem levar, em casos muito especiais, alguns, afirmamos alguns, dirigentes sindicais a girar à esquerda, como aconteceu no passado. E mesmo neste caso seria raro o caso em que algum rompa de fato com a burguesia.

Toda a perspectiva dos marxistas no movimento operário é no sentido de que a luta de classes vai se intensificar, que os trabalhadores e novos ativistas vão se chocar com estes dirigentes e estruturas, que vão transbordar os limites impostos por estes burocratas e que vão arrastar num turbilhão milhões de proletários numa luta direta contra o regime, o governo e o capital. A tarefa é preparar militantes e quadros para isso intervindo diretamente na luta de classes, agindo na luta de classes junto com os trabalhadores e jovens. Aí se forjará a nova vanguarda operária em luta contra este sistema podre. Esta é a única perspectiva séria para a Esquerda Marxista e para os revolucionários que desejam permanecer fiéis à sua classe abrindo caminho para o futuro.

Cada disputa sindical, cada luta parcial ou econômica, cada movimento da classe e da juventude tem que ser a ocasião para tomar iniciativas explicando a situação, a necessidade de unidade da classe e das massas contra o governo e o capital, da necessidade da Frente única anti-imperialista, da unidade dos trabalhadores e suas organizações, da independência de classe e do socialismo. No movimento sindical isso se expressa na perspectiva da unidade do movimento sindical numa só central sindical, a CUT, sob as bandeiras do socialismo e da independência de classe, o que é uma perspectiva já que isto passa por derrotar politicamente a direção da CUT e das outras centrais divisionistas.

É neste terreno, também, que este combate se expressa na necessidade de construir um verdadeiro partido operário independente, de classe, socialista, internacionalista retomando as tradições revolucionárias do movimento operário internacional.

É neste sentido também que tem uma enorme importância as comemorações dos 100 anos do nascimento da Internacional Comunista neste ano de 2019. Sendo o tema deste ano da Escola Nacional de Quadros da Esquerda Marxista os quatro primeiros Congressos da IC e suas resoluções devem ser objeto de debates ou seminários em todos os lugares possíveis. Com esta discussão é preciso, além da formação programática e histórica dos militantes, ajudar a abrir o debate sobre a necessidade da reconstrução de uma verdadeira Internacional revolucionária. Batalha política essa da qual fazemos parte como corrente política comunista, no mesmo sentido que o Manifesto Comunista situava o papel dos comunistas no interior do movimento operário internacional e sabendo que nenhuma Internacional existe hoje digna deste nome e que ela não pode ser construída por seitas autoproclamadas ou por reunião de supostos grupos revolucionários. Uma verdadeira Internacional só poderá ser construída retomando os métodos de Marx, Engels, Lenin e Trotsky e com a ação dos revolucionários direto na luta de classes com base no programa marxista. E para isso são necessários grandes acontecimentos na luta de classes. E eles estão a nossa frente.

A construção da Esquerda Marxista

Como já reafirmamos inúmeras vezes a construção da EM passa por um trabalho paciente de agir na luta de classe junto com os trabalhadores e jovens e de desenvolver com eles um esforço de discussão política e teórica permanente.

Uma organização que se afunda no ativismo irrefletido na luta de classes sem discussão teórica e política é candidata ao aventureirismo, ao oportunismo e ao esgotamento. Uma organização que se afunda na discussão teórica e política, sem intervenção direta na luta de classes, é candidata a clube de discussão de intelectuais inúteis.

O método de Lenin de construção do partido combina inseparavelmente ação e formação, atuação na luta de classes e discussão e estudo teórico e político. Qualquer outra concepção é estranha ao leninismo. Marx escreveu o Capital, mas nunca parou de combater praticamente pela internacional e por partidos comunistas. Ele não se dedicou apenas a comentar ou elaborar sobre a Comuna de Paris, mas agiu praticamente tentando ajudar a Comuna a resistir. O partido de Lenin foi o mais revolucionário da história da Humanidade e foi construído desde o inicio como um partido da teoria e da política e como um partido de ação.

Combinar formação e ação na luta de classes é a tarefa mais importante neste momento da vida da EM, na situação tumultuosa que vivemos.

Toda a construção da EM passa por participar ativamente da luta de classes nas fábricas, locais de trabalho, escolas, etc., com nossas próprias bandeiras bem altas e por realizar nossas próprias atividades políticas, nossas campanhas e nossas atividades de formação.

Um importante instrumento de formação é a revista América Socialista, sua leitura e apresentação pública onde o mais importante é reunir, debater e depois acompanhar individualmente ou em grupos de discussão e estudo os textos publicados.

A Editora Marxista hoje existe no mundo editorial do movimento operário através de suas importantes publicações. O lançamento do livro Stálin deu um salto nesta situação. A publicação em 2019 do livro sobre os 4 primeiros congressos da IC será um elemento a mais nesta construção e na formação dos militantes e de inúmeros ativistas. As brochuras decididas (O marxismo e o combate às ideias estranhas à classe trabalhadora, a brochura com nossa posição sobre as drogas, a que tratará do combate ao racismo e ao racialismo, a brochura com a Plataforma política pela emancipação da mulher trabalhadora).

O jornal Foice&Martelo foi relançado quinzenalmente e seu desenvolvimento político se percebe a cada número. A batalha, entretanto, tem que ser permanente para a impulsão deste instrumento que é o andaime em torno da construção militante da organização. Além de autofinanciado o jornal é um ótimo instrumento de aproximação e contato. Em toda e qualquer atividade os militantes e células devem oferecer publicamente e ostensivamente o jornal. É a voz da Esquerda Marxista na luta contra o governo e pela revolução no Brasil e no mundo para explicar pacientemente o que se passa e ganhar e formar novos militantes.

Nosso site, com artigos de formação e análise, também cumpre um importante papel ao polemizar e apresentar uma posição marxista diante dos desenvolvimentos da situação política e da luta de classes. Os artigos publicados devem ser encarados como ferramentas de construção, sendo compartilhados e discutidos com os contatos.

E com objetivo de estabelecer os marcos teóricos e políticos que definem nossas bases fundamentais e dar uma espécie de guia para que todos possam conhecer nossas conquistas teóricas e políticas, estabelecemos a tiragem mensal do Boletim Marxista de distribuição exclusivamente interna para militantes e contatos.

A construção a tempo de um partido revolucionário com influência de massas, da Internacional Revolucionária, é a condição para que uma explosão revolucionária – que virá – encontre o caminho da vitória. Com esta perspectiva, hoje, a formação dos quadros, de uma organização sólida e disciplinada, é a tarefa central dos militantes da Esquerda Marxista, seção brasileira da Corrente Marxista Internacional.

 CC da EM, 23/02/2019

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