Download WordPress Themes, Happy Birthday Wishes
Foto: Francine Hellmann

Escola de formação e 6º Congresso Nacional da Esquerda Marxista

Um vitorioso Congresso que avança na preparação da organização revolucionária para os combates do próximo período

A Esquerda Marxista (EM), seção brasileira da Corrente Marxista Internacional (CMI), realizou sua Escola Nacional de formação nos dias 28 e 29 de abril, sucedida pelo Congresso da EM, cuja abertura ocorreu no dia 29 à noite e seguiu até o dia 1º de maio.

Estas atividades contaram com a participação de militantes de diferentes partes do Brasil e do camarada Alessandro Giardiello, dirigente da seção italiana, representando o Secretariado Internacional da CMI.

A teoria marxista e o combate às ideias alheias à classe trabalhadora

A Escola começou pautando as teorias supostamente inovadoras, comumente chamadas de “pós-modernas”, na realidade ideologias burguesas e pequeno-burguesas que se utilizam de um verniz de esquerda.

A classe dominante fomenta essas ideias para dividir e enfraquecer o movimento dos trabalhadores. Organizações que se reivindicam da luta pelo socialismo reproduzem tais discursos, colocando de lado a luta do proletariado contra a burguesia, para aderir a posições reacionárias que conduzem à luta de mulheres contra homens, de negros contra brancos etc.

Faz parte da luta dos comunistas o combate à toda forma de discriminação e opressão. Lutamos pelo fim do machismo, do racismo e da homofobia. Mas esses combates devem ser colocados sobre uma perspectiva de classe e em defesa da revolução socialista.

Temas como identitarismo e interseccionalidade tomam espaço hoje nas universidades, na mídia, nos partidos reformistas, fomentados direta ou indiretamente pelo Estado burguês.

Na realidade, essas são ideologias francamente reacionárias, que combatem disfarçada ou abertamente, a noção e a consciência da luta de classes, desviam a atenção da juventude, causam confusão e agem para impedir que a nova geração tenha acesso a uma perspectiva de organização da classe trabalhadora. Tudo isso apresentado sob uma bandeira falsa, de luta contra as opressões.

A uma jovem que se identifica como feminista – porque encontrou aí um canal de expressão contra a brutal exploração que o capitalismo impõe às mulheres – devemos explicar a grande confusão teórica que se abriga no feminismo e que as opressões só serão resolvidas organizando a mobilização unitária de homens e mulheres do proletariado, por reivindicações e campanhas contra as opressões que conduzam a soluções reais e universais. Por meio desses combates devemos evidenciar que, nesta época de decadência imperialista, as reivindicações e conquistas apenas podem ser garantidas com a derrubada do regime capitalista e com a construção de uma sociedade comunista.

Nesse sentido é que a Esquerda Marxista impulsiona o Mulheres pelo Socialismo e o Movimento Negro Socialista.

A intervenção dos comunistas nas eleições e no parlamento

O segundo tema da Escola teve como objetivo retomar as bases históricas e teóricas para a intervenção dos marxistas no processo eleitoral burguês.

Marx e Engels já defendiam no século XIX a participação dos comunistas nas eleições e no parlamento, com a compreensão de que uma atitude abstencionista nesse campo seria jogar o proletariado nos braços da burguesia.

Uma atitude oportunista em relação ao trabalho parlamentar se desenvolveu já na 2ª Internacional, baseada no reformismo e na adaptação geral ao regime burguês, que dominou os partidos social democratas e que marca até hoje a atuação de muitos parlamentares ditos de esquerda.

A Internacional Comunista, 3ª Internacional, encabeçada pelos bolcheviques que conduziram a Revolução Russa à vitória, retomaram os princípios da intervenção dos marxistas no parlamento. Deixaram claro em suas resoluções que “a tarefa do proletariado consiste em mandar para os ares a máquina governamental da burguesia, destruí-la, e com ela as instituições parlamentares, sejam elas das Repúblicas ou das monarquias constitucionais”. Também, que a ação de um comunista no parlamento “consiste, sobretudo, em usar a tribuna parlamentar para fins de agitação revolucionária, para denunciar as manobras do adversário, para agrupar em torno de certas ideias as massas que, principalmente nos países atrasados, consideram a tribuna parlamentar com grandes ilusões democráticas, deve estar totalmente subordinada aos objetivos e às tarefas da luta extra-parlamentar das massas”.

Um marxista no parlamento deve ser um tribuno da classe operária, que desmascara a podridão e a farsa da democracia burguesa, agindo sob a disciplina do partido para organizar os trabalhadores na luta pela derrubada do capitalismo.

Como se organizam os bolcheviques

O tema que concluiu a Escola tratou da construção do partido revolucionário, ferramenta fundamental para que uma revolução não termine em derrota, mas em conquista do poder pela classe operária. Nisso o Partido Bolchevique traz importantes lições.

Entretanto, o estudo do que fizeram e como se organizaram os bolcheviques deve servir como um guia, e não uma receita acabada, de como os revolucionários devem se organizar em uma realidade concreta. Os métodos de organização em uma ditadura, com o partido na ilegalidade, diferem de uma situação de democracia burguesa, com liberdade de reunião e organização, por exemplo.

A Esquerda Marxista baseia sua forma de organização nos ensinamentos do bolchevismo, tendo como um ponto central o centralismo democrático, resumido em liberdade de discussão e unidade de ação, no mesmo sentido, o método “objetivo e resultado”, com a definição de tarefas e metas, controladas coletivamente pelas instâncias.

Ao mesmo tempo, o centro das reuniões dos organismos de um partido revolucionário é a política, a discussão e a impulsão política. Baseando-se na teoria e na história como guias para a ação na atualidade, para a construção do partido, da Internacional, que influencie as massas para a conquista de um mundo socialista.

Participaram como convidados do 6º Congresso da Esquerda Marxista o companheiro Nildo Ouriques, que disputou no interior do PSOL, com apoio da EM, a vaga de candidato a presidente da República pelo partido, Angélica Lovatto, da Adunesp e impulsionadora do comitê paulista de apoio à pré-candidatura de Nildo, e Neto, da coordenação nacional do MES, tendência do PSOL.

Alessandro Giardiello apresentou o informe de perspectivas internacionais. Um dos destaques foi a recente campanha internacional pela libertação e aparição com vida dos militantes da CMI no Paquistão, presos pelo exército e os Rangers Sindh (departamento estatal paramilitar conhecido por realizar assassinatos extrajudiciais). Esta vitoriosa campanha da CMI foi fundamental para salvar a vida dos onze camaradas presos por prestarem solidariedade ao movimento dos Pashtuns, uma minoria étnica historicamente oprimida pelo regime paquistanês e pelos países imperialistas que intervêm na região.

Este movimento é também um importante sintoma da situação política mundial, em que um evento brutal, mas corriqueiro – o assassinato de um jovem por um policial – desatou manifestações de massas que têm sacudido o país.

Outro exemplo da instabilidade internacional pôde ser visto nas eleições italianas de 4 de março. Com a queda de votos nos partidos tradicionais e o aumento do apoio em novas formações, como a Liga, com um discurso de direita anti-imigrantes, e o Movimento 5 Estrelas, um partido demagógico populista pequeno-burguês “anti todos”, em trânsito para se integrar plenamente ao sistema, mas que foi o principal canal de expressão do voto contra o sistema, a austeridade e a União Europeia, obtendo 32,21% dos votos. De certa maneira, mesmo que em pequena proporção, o resultado da seção italiana da CMI nestas eleições, colhendo 20 mil assinaturas em pouco mais de 30 dias para inscrever sua lista, defendendo um programa revolucionário, expressa a raiva contra o sistema, seus partidos e instituições.

A resolução política do Congresso sintetiza o panorama internacional: “Seguidas são as demonstrações de disposição de luta da base, da falência do reformismo, da crise de dominação da burguesia e das divisões em seu interior. Estes são os frutos da profunda crise internacional do capitalismo que se arrasta desde 2008”.

Brasil: crise, Lava Jato, eleições e construção da EM

O Brasil está inserido e em sintonia com a situação internacional. A crise econômica que se aprofunda no país desde 2014 está longe de ter sido resolvida. As taxas de desemprego continuam altas e mascaram o crescimento dos subempregos e a precarização geral das condições de trabalho.

A burguesia tenta salvar suas instituições podres da ira popular usando a Lava Jato, com seus abusos e as prisões midiáticas de empresários e políticos do PSDB, MDB etc, propagando a ideia de que agora “a lei é para todos”. No caso do PT, acrescenta-se ainda o objetivo de desmoralizar um partido construído pela classe trabalhadora, mesmo que este tenha sido sequestrado por sua direção para uma linha de submissão aos interesses da burguesia e do imperialismo.

Lula, mesmo sendo condenado sem provas, foi incapaz de mobilizar as massas contra sua prisão. Esta é a constatação cabal da ruptura de Lula e do PT com sua base histórica, a classe operária e a juventude, farta das seguidas traições.

Nesse contexto ocorrerão as eleições de 2018. A burguesia busca um nome de “centro”, com a dificuldade de Alckmin não decolar nas pesquisas, e por isso mantém como uma opção Marina Silva, a ex-seringueira, ex-petista, mulher e negra, que defende um programa capitalista. Já o demagogo de direita Bolsonaro, que está à frente nas pesquisas sem Lula, não é a opção da burguesia, pois pode jogar mais gasolina na explosiva situação atual. O PT está dividido sobre o rumo a seguir sem Lula, há a intenção de substituí-lo por um “plano B” quando sua candidatura for indeferida pela Ficha Limpa, mas também está aberta a possibilidade de apoio a um candidato burguês, Ciro Gomes, do PDT.

Enquanto isso, o PSOL, que poderia dialogar com a imensa massa de descontentes, que provavelmente vão votar branco, nulo ou se abster novamente nessas eleições, tem feito uma campanha com Guilherme Boulos que se restringe a apontar melhorias no capitalismo, sem se diferenciar com clareza da política de Lula e do PT.

O fato é que as eleições não mudam a vida da classe trabalhadora e, como afirma a resolução do 6º Congresso, “um militante ganho para a organização revolucionária vale mais que mil votos anônimos colocados numa urna”. Com este sentido os candidatos da EM participarão destas eleições.

A resolução aprovada por unanimidade dos delegados conclui:

A atual situação é animadora para o combate dos revolucionários. É preciso combater o pessimismo pequeno-burguês dos centristas e ultraesquerdistas impactados com a decadência do capitalismo e que não veem nenhuma saída, assim como dos reformistas que agora estão sendo descartados pela burguesia e que já, há muito tempo, perderam toda confiança na capacidade de luta da classe operária”.

O ânimo político geral, que cresceu dia após dia, da escola de formação até o encerramento do congresso, é fruto da compreensão de que há um amplo campo para a construção das ideias do marxismo, de que a EM e a CMI têm o programa, as táticas, os métodos e a política acertada para enfrentar a atual situação. Junte-se a nós!

Confira a resolução política do 6º Congresso da Esquerda Marxista.

Deixe Seu Comentário
x

Confira Também

Foice&Martelo 135

Leia online: Público: A “esquerda” que se nega a dizer Fora Bolsonaro (Parte 1- Insurgência) ...