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Foto: Socialist Appeal

Eleições italianas causam mais um terremoto político

As eleições italianas realizadas em 4 de março abalaram o sistema político até suas bases. Os vitoriosos dessa disputa foram os partidos que aparecem para as massas como antissistema, enquanto enfraqueceram-se gravemente as siglas que sustentaram o regime durante os últimos 25 anos.

A coalizão de centro-direita obteve 37% dos votos, e 260 parlamentares. O “Movimento 5 Stelle” (M5S, Movimento 5 Estrelas) alcançou 32,68%, com 221 deputados. A coalizão de centro-esquerda conseguiu 22,85%, com direito a 112 cadeiras. Enquanto isso, “Liberi e Uguali” (Liberdade e Igualdade) recebeu 3,39% e 14 eleitos.

Requer-se uma aliança com 316 congressistas para formar uma maioria governamental e eleger um primeiro-ministro. Ninguém chegou a esse número e as coalizões necessárias ameaçam formar um governo instável.

O Partido Democrático está pagando o preço por suas políticas contra os trabalhadores. Com a coalizão de centro-esquerda caiu de 29,5% em 2013 para menos de 23% agora. E o próprio partido obteve somente 18,8% dos votos, não muito mais que a Liga e três milhões a menos que em 2013. O PD foi o partido em que burguesia apostava, e foi seu primeiro-ministro Renzi quem sofreu nas urnas com o referendo de 2016.

A centro-direita italiana apresentou-se como uma força política relevante, mas com uma composição diferente de outras eleições. Quem agora lidera com 17,6% essa coalizão é a Liga, partido inicialmente separatista, recebendo 4% em 2013, que hoje adota um discurso nacionalista e xenofóbico. Seu parceiro de coalizão foi o partido do bilionário e raposa política Silvio Berlusconi, “Forza Italia”, duramente castigado por buscar apresentar-se como figura responsável do sistema, caindo de 21,5% dos votos em 2013 para 14% hoje.

Superando as expectativas, o M5S saltou de 25,5% dos votos em 2013 para 32% neste ano. Muitos que apoiavam o PD e viam nele a continuidade do velho Partido Comunista agora apoiam o M5S. Sentem-se traídos pelos antigos líderes e buscam uma saída por fora do sistema tradicional. Além disso, a sigla recebeu os votos de protesto e expressou a raiva contra o regime de amplas camadas de trabalhadores e da pequena burguesia.

Esse partido surgiu declarando-se contra a austeridade e o governo da União Europeia, inclusive levantando a ideia de um referendo sobre o euro. A isso combinava-se uma forte retórica anticorrupção, dando ao partido uma aparência contra o velho sistema. No entanto, conforme fica mais perto do governo, seus líderes vêm moderando seu discurso e seu programa, apresentando-se como “responsáveis”. Além disso, o M5S sustenta uma visão policlassista da sociedade, condenando a luta de classes e tendo uma orientação antissindical.

Mesmo com forças limitadas e diante de um contexto de descrédito das organizações de esquerda, os camaradas da seção italiana da CMI “Esquerda, Classe, Revolução” inscreveram uma lista para disputar essa eleição. Em vez de limitarem-se ao papel de comentaristas, decidiram desempenhar um papel ativo e espalhar suas ideias o mais longe possível. Dessa forma a lista que impulsionaram obteve 32,5 mil votos.

Durante a campanha para inscrever e divulgar a lista, nossos camaradas explicaram as ideias do marxismo. Conseguiram seu objetivo de atrair a atenção de uma camada da sociedade que procura uma política revolucionária alternativa. Com sua participação nas eleições puderam envolver essa camada em suas atividades e fortalecer as forças da seção da CMI na Itália.

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