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Gonzalo Goméz (centro) e outros líderes do Marea Socialista se reuniram com Juan Guaidó para discutir uma "saída pacífica" para a Venezuela

Como se trai uma revolução? – Parte 1

Quando um fato da dimensão da tentativa de golpe na Venezuela ocorre, é natural que as organizações políticas “marxistas” se posicionem e proponham ações em defesa da revolução que ocorre no país. Entretanto, o que algumas dessas organizações colocam sobre a questão, por mais que digam estar ao lado do povo venezuelano, é justamente a posição da contrarrevolução travestida por um discurso radical. E por mais que algumas dessas organizações tenham boas intenções, recordemos o que disse Karl Marx: o caminho do inferno está pavimentado de boas intenções.

Como já escrevemos, “o golpe [na Venezuela] tem três objetivos principais. O primeiro é esmagar a Revolução Bolivariana, um objetivo que Washington perseguiu por todos os meios possíveis durante 20 anos. Secundariamente, isto permitiria ao imperialismo estadunidense controlar as enormes riquezas petrolíferas e minerais da Venezuela. Finalmente, isto também serviria para dar uma lição aos trabalhadores e camponeses de todo o continente e, em particular, como uma ameaça clara à revolução cubana”.

São consequências desastrosas para um processo que dura cerca de 20 anos e os marxistas não podem vacilar em um momento crítico como esse. Não é correto afirmar, como fizeram os companheiros do Movimento Esquerda Socialista (MES), em Editorial de 6/2, que “o papel que Uruguai, México e mesmo o Papa estão cumprindo é importante” ao buscarem uma “saída negociada para a convocatória de novas eleições”. Juan Guaidó é a pessoa que pediu um golpe militar na Venezuela, que exige que os EUA agridam o país militarmente. Esses são atos de traição ao povo venezuelano, como é possível permitir que Guaidó simplesmente seja candidato à presidência?

Chamar um novo processo eleitoral, permitindo a candidatura de Guaidó, só legitima um traidor e a contrarrevolução. Não é diferente da posição de países membros da União Europeia que preferiram não se posicionar diretamente ao lado de Trump, mas que na prática também querem o fim da revolução. Os marxistas devem exigir a prisão e julgamento de Guaidó e o fechamento da Assembleia Nacional golpista.

Essa posição do MES parte de uma proximidade que possuem com o Marea Socialista, organização de ex-membros apoiadores de Hugo Chávez e que diz defender uma plataforma chavista crítica como explica o mesmo editorial citado anteriormente:

Os camaradas de Marea Socialista, apoiados em setores como a plataforma do chavismo crítico, são parte desta luta, mesmo que por oraminoritária, para defender uma bandeira democrática da auto-determinação do movimento de massas. Como bem expressaram em recente nota, ‘reclamamos eleições gerais de todos os poderes e uma forma é utilizar o artigo 71 da Constituição, que estabelece que as matérias de especial transcendência nacional podem ser consultadas num referendo de caráter vinculante’.

O Marea Socialista tem agido de maneira extremamente sectária no último período ao adotar uma posição pela derrubada de Maduro sem apresentar uma saída mais concreta, o que pode abrir completamente as portas para a contrarrevolução. Ao mesmo tempo, se reúnem com Guaidó para discutir uma saída “pacífica” para a situação. É preciso explicar quais são os limites de Maduro e denunciar que sua tentativa de conciliação com a burguesia é o que está colocando em risco a revolução. O povo venezuelano precisa enfrentar Maduro, mas é preciso colocar a questão de quando e como isso deve acontecer.

No momento atual, de uma ameaça extremamente perigosa e imediata que é o golpe orquestrado por Trump, o exemplo de como agiram os trabalhadores sob a orientação dos bolcheviques diante da ameaça de Kornilov em 1917 torna-se uma lição fundamental. Assim como fizeram os russos em relação a Kerensky, os trabalhadores venezuelanos devem neste momento apoiar suas armas nos ombros de Maduro e apontar contra Guaidó e depois acertar as contas com Maduro. É com essa orientação que os marxistas irão ganhar a confiança das massas e combater de fato a contrarrevolução em curso.

Não há saída dentro da democracia burguesa, não há saída tentando conciliar classes antagônicas. O massacre realizado na Comuna de Paris, em 1871, é apenas um entre muitos exemplos de como funciona a reação da burguesia quando retoma o controle completo em suas mãos. Na América Latina, um exemplo marcante é como terminou o governo de Salvador Allende no dia 11 de setembro de 1973 e iniciou a ditadura de Pinochet.

Como marxistas, o que devemos exigir é que “as empresas multinacionais dos países envolvidos no golpe de Estado devem ser expropriadas. As propriedades dos oligarcas envolvidos no golpe de Estado devem ser expropriadas. Os latifúndios devem ser entregues aos camponeses. Estas propriedades devem ser colocadas sob o controle dos trabalhadores e dos camponeses como a base de um plano democrático de produção para atender as necessidades urgentes das massas venezuelanas.

Leia a Parte 2

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