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Referendo de 25 de maio, na Irlanda, derrotou a Igreja Católica e o regime capitalista que ela representa

A marca das eleições no mundo e no Brasil

Os marxistas explicam que as eleições burguesas tendem a expressar de maneira deformada os sentimentos e os anseios das massas trabalhadoras. É um jogo dominado pela burguesia que segue suas regras. A classe trabalhadora se expressa aí em grande desvantagem. No entanto, mudanças de ânimo e surpresas têm protagonizado as eleições dos últimos meses.

Na Irlanda, a Igreja Católica e o regime capitalista saíram derrotados do referendo que derrubou a criminalização do aborto. Na Grã-Bretanha, as eleições municipais puniram os Conservadores e a primeira-ministra e confirmaram o fortalecimento do Partido Trabalhista sob a liderança de Jeremy Corbyn. Em 4 de março, as eleições italianas agraciaram os partidos que aparecem para as massas como antissistema.

Donald Trump elegeu-se contra a maioria da burguesia norte-americana. Em todo o mundo países estão sendo sacudidos até seus alicerces em eleições marcadas pela imprevisibilidade, que evidenciam um profundo mal-estar e descontentamento com as políticas burguesas e com as condições de vida.

Como um frágil elo do capitalismo mundial, a economia brasileira não tem a menor condição de retomar um nível significativo de crescimento econômico diante da crise mundial iniciada em 2008 e não encontra saída real sob o capitalismo.

A burguesia mostra-se unida nos ataques contra os direitos da classe trabalhadora e no rebaixamento de suas condições de vida, mas encontra-se dividida no campo eleitoral. Parte aposta suas fichas na candidatura do ex-governador de SP, Geraldo Alckmin, pelo PSDB; outra parte aposta na candidatura de Marina Silva (REDE) e ainda uma outra parte apoia a candidatura do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, pelo PDT.

Há um consenso geral de que as abstenções e anulações de voto serão recorde. As eleições suplementares para o governo do estado do Tocantins que ocorreram em 03/06 tiveram 50% de votos brancos, nulos e abstenções. Cada vez mais a juventude e os trabalhadores não acreditam que as eleições burguesas possam resolver algum problema. E eles têm razão.

É isso o que explica a ascensão de Bolsonaro nas pesquisas – um candidato que vende a imagem de ser contra tudo o que está aí.

Há um grande potencial para o PSOL, que tem a oportunidade histórica de apresentar-se como uma alternativa claramente antissistema, pela esquerda, atraindo para si parte importante desta insatisfação.

A burguesia aumenta a crise ao prender Lula e tentar impedi-lo de se candidatar, quando ele é o primeiro nas pesquisas de opinião. O PSOL é o partido mais à esquerda que aparece como viável às grandes massas. No Rio, ele chegou ao segundo turno nas eleições municipais. Agora, nas eleições suplementares, a candidatura PCB-PSOL em Ipatinga (cidade operária de MG, que já foi dirigida pelo PT) obteve 20% dos votos.

O PSOL, com ou sem Lula no páreo, tem chances reais de crescer. Mas o seu programa pequeno burguês impõe limites a este crescimento, que não dialoga com as mudanças radicais desejadas pelas massas operárias e a juventude. Afinal, diminuição dos juros, renegociar a dívida pública, uma reforma tributária progressiva, a revogação das reformas de Temer e veto a qualquer aliança com o MDB são também defendidos por Ciro e Manuela d’Ávila, do PCdoB.

As candidaturas da Esquerda Marxista apresentam um programa que ajuda os trabalhadores a encontrarem uma saída para a crise, um programa que propõe que os patrões paguem a conta, um programa que aponta para uma saída revolucionária, que aponta para o socialismo.

Editorial do jornal Foice&Martelo 117.

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