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Carta em solidariedade aos colegas demitidos da Whirlpool

Despreocupados com um inimigo em comum, a Whirlpool cria medidas para não parar a produção: demarcações de distanciamento, álcool em gel, lavatórios de mãos espalhados pelo parque fabril, algumas melhorias no refeitório, férias para 50% do quadro de funcionários (incluindo pessoas dos grupos de risco) e ampliação no número de ônibus para adequação de 50% de usuários nos mesmos. Essas são as medidas de “combate” ao coronavírus.

Sempre ouvimos sair das bocas de lideranças nas mais diversas reuniões que o maior patrimônio da Whirlpool é seu funcionário. Em momentos como o que estamos passando, esses discursos só nos fazem concluir que essa afirmação além de mentirosa é inconsequente e põe em risco a vida de milhares de pessoas em detrimento ao lucro da empresa.

Ontem, dia 1º de abril, não tiveram brincadeiras no chão de fábrica. As demissões dos colegas de trabalho não eram mentira, um sentimento de tristeza se abateu sobre a fábrica 2. Segundo relatos de colegas, na fábrica 3 foi igual.  Hoje, dia 2 de abril, as demissões continuaram e a princípio os colegas temporários foram os primeiros a sofrerem com o ‘‘facão’’, gíria dos peões do chão de fábrica utilizada no lugar de cortes no quadro de funcionários.

Tivemos notícias também da GM, através de ex-trabalhadores da Whirlpool. Por lá as coisas andam péssimas, tiveram uma reunião na sexta-feira (20/3) com o sindicato da categoria, na pessoa do presidente Rodolfo de Ramos. Conforme a informação o mesmo disse: “Todas as medidas possíveis para manter os postos de trabalho foram tomadas, a primeira foi o agendamento das férias coletivas para o dia 30 de março. No entanto, já no dia 23 de março a empresa irá parar por conta do coronavírus e essa semana terá acerto mais pra frente”. Segundo nossos colegas, essa afirmação é mentirosa já que o motivo real da parada foi a falta de peças na linha de montagem.

Desnudando o caráter traidor e pelego, o sindicato da categoria dos mecânicos com todo o seu cinismo mostrou as caras. Mas o que dizer do sindicato da nossa categoria, o Sinditherme? Nos abandonou, simplesmente sumiram. Seria por conta do medo da pandemia ou encarar as caras abatidas e desacreditadas da sua categoria?

Esperávamos mais da empresa por todo o esforço e dedicação empregado, afinal a elevamos na posição de maior do segmento.

Esperávamos um sindicato preocupado com sua categoria e esperávamos passar pela pandemia com saúde e emprego.

Ontem e hoje o “facão” degolou centenas de colegas temporários, a aqueles que ficaram resta o sofrimento, o medo com o fantasma do desemprego, um verdadeiro desânimo, pois não temos a quem recorrer, não temos um sindicato, a única certeza que temos é que os riscos de demissões em massa se avizinham e que fomos lançados feito soldados num campo de batalha, sem saber como se defender e diante de um inimigo que não escolhe classe social, mas com certeza morrerão muito mais os pobres.

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