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A capitulação da COB a partir de uma assembleia de sindicato na Bolívia

Na reunião realizada no dia 15 do mês em curso em nossa sede de professores rurais, um representante do comitê executivo nacional da Confederação Nacional dos Professores de Educação Rural da Bolívia (CONMERB na sigla em espanhol) nos ofereceu um informe sobre os fatos indignos que ocorrem em nosso país, limitando-se a falar sobre sua tarefa como representante de nosso setor. Muitos companheiros reclamaram da ação passiva dos representantes da Central Operária da Bolívia (COB) e da CONMERB.

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Posteriormente, se realizou uma análise profunda da conjuntura na qual houve quatro intervenções consistentes. Elas davam ênfase aos equívocos de Evo, ao se rodear de gente que não compartilhava de suas ideias, e repudiaram o silêncio sindical que não lhes havia permitido ser membros ativos.

De acordo com as análises expostas, dizia-se que era um golpe de estado cívico-policial-militar, com a colaboração dos empresários de Santa Cruz e apadrinhado pelos EUA. Coincidiam em dizer que muita gente da classe trabalhadora apoiava Camacho, incluindo membros de nossa federação; alguns refletiram as bases, enfatizando sobre a consciência de classe. As intervenções foram aplaudidas quando se falava da consciência de classe.

De minha parte, expressei meu desagrado com a posição do membro da CONMERB reduzida a um informe, uma vez que, com sua preparação, esperava que nos desse respostas para nossas inquietações. Posteriormente, fiz notar que esse não era um golpe de estado cívico-policial-militar, mas um golpe de estado burguês apoiado pelos cívicos, pela polícia e pelas forças armadas e que estava muito bem planejado, devido ao fato de que Evo não foi radical em seu processo e que se havia rodeado de gente da direita. Prossegui dizendo que Añez é dirigida pela burguesia de Santa Cruz e que está colocando gente da extrema-direita nos ministérios mais importantes, mas que tinha dificuldades para escolher os ministros do trabalho, da educação e da mineração porque sabe que somos os setores com mais reclamações e que essa era a sua debilidade.

Dei a conhecer o meu desgosto sobre o silêncio sindical, como o fez a maioria dos que me antecederam, sobre nossa permanência na passividade diante desses fatos, propus uma escola de formação sindical para evitar a dissociação visível que existe em nossas bases. Minha intervenção foi bem recebida. As intervenções prosseguiram e, em muitos aspectos, coincidiam com o que já se havia exposto.

Para concluir, foi sugerida a formação de um comitê de mobilizações e a posterior saída de uma marcha pacífica em apoio aos nossos irmãos camponeses de El Alto, aos nossos caídos nessa luta, reclamando contra a autonomeação de Añez, repudiando a queima da Whipala, rejeitando a discriminação, repudiando as ações de Mesa e Camacho.

A marcha partiu desde as portas de nossa federação portando a Whipala, com um número aproximado de 300 professores. Tanto na reunião quanto na marcha notava-se a ausência de representantes que tinham um estreito apego ao partido do MAS, como nosso representante na COB, diretor distrital, alguns diretores de Unidades Educativas. A marcha foi bem recebida pela população muito mais ao ouvir os refrões.

Percorremos as principais ruas de Villazón até chegar à ponte internacional. Tornamos público nosso protesto na ponte internacional, voltamos à praça e ali percebemos que não havia meios de comunicação. Içamos a Whipala pelas mulheres de pollera, acompanhada por um minuto de silêncio pelos caídos no país. Mais tarde, chegaram membros da rádio FIDES para realizar uma entrevista com quem dirigia a marcha. Em seguida, foi-nos comunicado que o comitê teria uma reunião às 4 horas da tarde para organizar-se e chamar as demais organizações, sindicatos, associações da cidade. Todos nos dirigimos para nossas casas satisfeitos e confiantes de que as atividades seriam ampliadas no dia seguinte.

No sábado, depois de receber uma nova convocação para uma assembleia, na qual se devia definir os pontos de nosso pronunciamento, reunimo-nos às 8 horas da manhã. A assembleia começou às 9 horas, observando-se uma assistência de 68%. Ao começar, se fez um balanço da marcha realizada no dia anterior. As intervenções coincidiam de que havia sido um êxito, mas, ao tomar a palavra o representante da CONMERB, enfatizou dizendo que muitos professores não estavam de acordo com a marcha e que devia ter sido uma decisão mais consensual e que ações posteriores devem ser decididas democraticamente e que a marcha havia sido muito precipitada.

Os membros do comitê de mobilizações tomaram a palavra também e se mantiveram no discurso de pacificação e de manutenção da calma; também disseram que os que estavam na frente haviam sido fotografados e que inclusive houve interrogatórios de alguns companheiros sobre os endereços dos que organizaram essa marcha. As intervenções das bases eram ouvidas, mas não levadas em consideração. Nessa assembleia foram aprovadas as seguintes resoluções:

  • Respeito à institucionalização da direção distrital departamental.
  • Realizar o içamento da Whipala em nossa UE.

Ficou claro que todos esses discursos sobre pacificação serviam para defender certos cargos e posições dentro da direção distrital departamental, que a burocracia da COB havia decidido proteger com acordos os que horas antes denunciava como golpistas, mas mesmo assim e para entrar no próprio debate sobre a pacificação, propus a declaração da greve até que os militares voltassem aos seus quartéis, mas não anotaram a proposta, só escutaram. Quando as bases reclamaram fizeram de conta que a anotaram.

Segundo minha percepção, essa assembleia já estava direcionada para apaziguar as bases, visto que os que a dirigiam faziam o mesmo discurso. Inclusive um deles que havia expressado de forma direta e sonora o seu repúdio ao silêncio sindical, calava as bases dizendo que se fossem tomadas outras medidas de protesto, era muito possível que incendiassem nossa federação como estão fazendo na cidade de La Paz com as infraestruturas construídas em áreas dispersas por Evo e sob a ação de nossos dirigentes.

Expressava todo o contrário do dia anterior, e tudo isso porque não queriam represálias para os colegas. A esposa do diretor distrital falou para não se fazer nenhuma reivindicação e pediu que pensássemos em nossos filhos e famílias, ao que outro membro do comitê de mobilização, apoiando-a, falou que devíamos considerar a situação dos diretores distrital e departamental, visto que eles tinham obtido seus lugares por concurso público. As bases estavam descontentes, quiseram tomar a palavra, mas o comitê de mobilizações não os atendeu e terminaram a assembleia sem dar a palavra às bases. As bases ficaram perturbadas por um momento e logo foram embora.

Tradução de Fabiano Leite.

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