Atividade de lançamento do manifesto. Foto: Alessandro Dantas

Um manifesto “responsável” das esquerdas

Um manifesto intitulado “Unidade para reconstruir o Brasil” foi lançado em 20 de fevereiro. Sua elaboração contou com as fundações de PSOL, PT, PCdoB, PDT e PSB. O documento consiste em uma base política entre as siglas, que guiará ações parlamentares, iniciativas na conjuntura e candidaturas eleitorais. A formulação busca embasar uma aliança que conquiste a presidência da República neste ano.

Como alicerce da articulação, as fundações propõem um “Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento”. As tarefas imediatas seriam restaurar o Estado Democrático de Direito; garantir eleições presidenciais neste ano; defender a soberania nacional e seu patrimônio; retomar o crescimento econômico; e combater a corrupção com instrumentos do próprio Estado. Esse programa urgente para o país defende a continuidade do regime político, com reformas pontuais, e o gerenciamento o capitalismo de forma mais “socialista” que antes.

Esse projeto também apresenta diretrizes para guiar essa reconstrução. Elas estão fundamentadas em uma concepção keynesiana para solução das crises. Propõem medidas para estimular a produção, financiar investimentos públicos e privados, direcionar a economia brasileira, animar o consumo e distribuir riqueza. Pretendem fazer tudo isso mantendo a economia, as empresas, os bancos e as terras sob a propriedade privada dos capitalistas.

Como sentido político, o manifesto declara para a burguesia que os partidos que o subscrevem têm uma proposta “responsável” para o Brasil. O que significa um compromisso, em caso de vitória na disputa ao Palácio do Planalto, de manter o atual regime político e de garantir a continuidade do regime econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção e na exploração do trabalho assalariado.

Longe de ser um “Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento”, esse foi o programa capitalista aplicado por Lula e Dilma no governo federal. O apoio de PCdoB, PDT e PSB reforça essa conclusão. A surpresa ficou por conta da Fundação Lauro Campos. Ou nem tanta surpresa assim, uma vez que o entusiasmo da direção do PSOL com a “Plataforma Vamos” já indicava o mesmo sentido.

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