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Uma das marcas deste Carnaval foram manifestações massivas e variadas de rechaço ao governo Bolsonaro. Foto: Bloco 77

Turbulências no governo Bolsonaro

Nem três meses de governo se passaram e já são inúmeras as crises que o atingem. Denúncias de corrupção, um ministro demitido (além de funcionários do segundo escalão), conflitos com parte importante da imprensa burguesa, seguidas gafes públicas e divisões no interior do próprio governo.

Os conflitos entre membros do governo se intensificaram nas últimas semanas. De um lado estão os seguidores de Olavo de Carvalho antiglobalistas, os chamados “bolsonaristas radicais” (sustentados pelos filhos do presidente); de outro lado está a ala militar, que ocupa quase 50 cargos de primeiro e segundo escalão, com destaque para o vice, Hamilton Mourão. Os militares tentam controlar o governo e trazer alguma credibilidade.

Mourão, com passos cuidadosos, tem dado sinais para se diferenciar de Bolsonaro: disse que o aborto deve ser uma decisão da mulher, posicionou-se contra a mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, colocou-se contra a ruptura das relações com as forças armadas venezuelanas (defendida pelo chanceler Ernesto Araújo), contra uma aventura militar na Venezuela etc. Mourão – escolhido pelos Bolsonaros para ser um vice tão temível que as massas pensariam duas vezes antes de sair às ruas combatendo pelo impeachment do presidente – tem demonstrado sua versão “paz e amor” e busca assim se credenciar como uma alternativa para a própria burguesia, em caso de colapso político do titular.

A semana do carnaval foi particularmente turbulenta para Bolsonaro. Primeiro, nos blocos de rua, que em 2017 cantaram “Fora Temer”, este ano a moda foi xingar Bolsonaro. A escola campeã do carnaval carioca, Mangueira – apesar da grande ausência da luta da classe operária em sua tentativa de mostrar a história oculta do Brasil –, ao enfatizar as lutas de pobres, negros e indígenas, o combate à ditadura e o assassinato de Marielle, apresentou um enredo claramente em oposição ao discurso de Bolsonaro. O presidente, incomodado com os foliões rebeldes, publica no Twitter um vídeo obsceno de um bloco carnavalesco, complementado por uma pergunta irônica fracassada,e é criticado amplamente, pela direita e pela esquerda, no Brasil e no mundo. Na quinta-feira após o carnaval, em um discurso diz que “democracia e liberdade, só existem quando a sua respectiva Força Armada assim o quer”, gerando novas manchetes críticas nos principais jornais.

No 8 de março, apesar do pouco esforço de mobilização das direções sindicais, atos significativos ocorrem pelo país e mais repúdio ao governo. No dia 10, domingo, Bolsonaro volta a escrever no Twitter: “Constança Rezende, do ‘O Estado de SP’ diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro. Ela é filha de Chico Otávio, profissional do ‘O Globo’. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos”. O detalhe é que ele se baseia e compartilha uma matéria com informações falsas e distorcidas. Já a prisão dos executores do assassinato de Marielle, longe de calar a indignação popular, só enfatizou a campanha para que se apure quem mandou matar Marielle após um ano de seu assassinato.

Com a eleição de Bolsonaro, difundiu-se a ideia de que o fascismo iria se instalar no Brasil. Nós dissemos que não havia um partido fascista, nem organizações paramilitares treinadas para atacar o movimento operário, que a classe trabalhadora, apesar de desorientada pelos sucessivos bloqueios de suas direções, não estava derrotada. Não havia e não há condições para um regime fascista hoje. Os grupelhos que se assanharam após a vitória de Bolsonaro, receberam como resposta serem varridos pelos estudantes da UnB e da USP.

Este é um governo instável (marca da situação política internacional) e que, ao mesmo tempo, tenta partir para o ataque contra a classe trabalhadora. A começar pelo envio da proposta de Reforma da Previdência ao Congresso, medida que une todas as alas da burguesia.

A Reforma da Previdência, ao mesmo tempo, escancara a serviço de quem está o governo. Os que votaram em Bolsonaro com alguma ilusão de que representasse uma contraposição ao sistema começam a perceber que ele é mais um político a serviço da classe dominante. Em pesquisa realizada pela CNT/MDA, nos dias 23 e 24/02 (portanto antes de todos os episódios da semana do carnaval), 7,6% dos que votaram em Bolsonaro já tinham se arrependido do seu voto. A tendência é que isso cresça muito rapidamente, reforçando as fileiras da oposição a Bolsonaro.

Para esta situação, só a classe trabalhadora, com sua luta independente, poderá abrir uma saída. E neste combate, reconstruir suas ferramentas de luta, um partido de classe, retomar os sindicatos e as entidades estudantis para a defesa dos interesses de trabalhadores e jovens, varrer as direções traidoras que buscam permanentemente a conciliação de classes.

No ano do centenário da 3ª Internacional, a reconstrução do partido da revolução mundial é uma necessidade urgente para pôr fim a este sistema. A tragédia em Brumadinho, ou o atentado na escola na cidade de Suzano, são alguns exemplos recentes da decadência do capitalismo. É preciso uma revolução socialista para abrir uma nova etapa de desenvolvimento e progresso da humanidade, que dê perspectiva para a juventude e condições dignas de vida para os mais velhos. Neste combate, como tendência do movimento operário internacional, está a Corrente Marxista Internacional e sua seção brasileira, a Esquerda Marxista. Organize-se para a revolução! Junte-se a nós!

Editorial do jornal Foice&Martelo 132, de 15 de março de 2019.

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