Trabalho e segregação urbana: apontamentos a partir de Engels

Artigo publicado no jornal Foice&Martelo Especial nº 20, de 26 de novembro de 2020. CONFIRA A EDIÇÃO COMPLETA.

Pensar a obra A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, originalmente publicada em 1844, como atual pode parecer uma contradição, na medida em que se trata de um estudo realizado por Friedrich Engels acerca de um contexto social particular vivido há mais de um século e meio. Se for levada em conta a interpretação de que a classe trabalhadora deixou de existir ou de que o marxismo faliu como método explicativo da realidade, certamente essa grande obra da juventude de Engels estaria superada. Contudo, se o capitalismo for entendido como um modo de produção da vida ainda existente, ou compreendendo que o conteúdo da lógica de exploração dos trabalhadores permanece similar àquele descrito por Engels nos anos 1840, fica evidente a atualidade dessa obra.

Essa atualidade pode ser indicada a partir de dois aspectos. Por um lado, embora escrita em um momento de elaboração inicial das análises de Marx e Engels, a obra aponta, por meio da descrição da situação concreta da classe trabalhadora inglesa, elementos que subsidiam o desenvolvimento das análises econômicas posteriores dos formuladores do materialismo histórico. Tais elementos são perceptíveis em especial no desenvolvimento das explicações acerca das contradições e da dinâmica do capitalismo. Por outro lado, a obra constitui-se em um estudo empírico detalhado da situação da classe trabalhadora, sendo fundamental no sentido de mostrar tanto exemplos das contradições do capitalismo no século XIX, como elementos vigentes ainda no século XXI.

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