Sinpeem: ativo na imposição da farsa eleitoral e nulo em defesa da categoria

A eleição do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) aconteceu no dia 22 de maio com a participação pífia de 5.922 votos na Chapa 1 – Compromisso e Luta; 562 votos na Chapa 3 – Educadores em Luta/PCO e 60 votos brancos. É vergonhoso esse resultado diante de 60 mil associados. Não há legitimidade nesse processo e nem para essa direção. A categoria não pode aceitar essa farsa, é preciso organizar a luta pela anulação dessa eleição.

Esses métodos políticos e burocráticos praticados há anos por essa direção sindical só vêm afastando cada vez mais a nossa categoria do seu instrumento de organização e luta. Para termos uma ideia, em 2011 participaram da eleição somente 27.481 votantes, e Claudio Fonseca obteve 15.262 votos; em 2014, Claudio Fonseca aceitou sem resistência, como sempre, a imposição do prefeito na época (Fernando Hadad-PT) de não conceder  abono do dia para a votação, nesse triênio, tivemos 5.962 votantes totais, e a chapa de Claudio recebeu 3.648 votos. Em 2017, a direção sindical deveria ter lutado e defendido o abono de ponto e pela eleição presencial, para que ocorresse a movimentação e participação dos profissionais da educação no processo. Mas, em vez disso, o sindicado propõe eleição pela web, e o resultado são 10.433 votantes, e cabe aqui a crítica aos grupos de oposição, que erroneamente contribuiriam para esse pleito absurdo acontecer. E 5.471 votos elegeram Claudio Fonseca direção majoritária do Sinpeem.

Agora, a eleição ocorreu em meio a uma pandemia, com a educação em quarentena e a categoria em isolamento, preocupada com a vida, angustiados com os ataques do prefeito Covas, perdendo direitos, salários e empregos.  Esses trabalhadores assistiram horrorizados ao empenho de Claudio Fonseca em manter uma eleição autoritária e burocrática e uma direção que desprezou os apelos de suspensão, adiamento da eleição por seus associados. A categoria quer participar de sua entidade representativa, porém, neste momento a avaliação não era para eleição. São tantos os mortos e contaminados por Covid-19 — ultrapassamos mais de 30 mil óbitos e mais de 550 mil infectados— e, assim como o governo Bolsonaro, a direção do Sinpeem minimiza essa brutal situação. E nem atingimos  o pico da doença ainda.

A posição de muitos professores nas páginas de grupos de Facebook, Twiter, Instagram era que nessa eleição “eu não voto”, ou seja, boicote. A Chapa 1 de Claudio Fonseca (vereador do Cidadania, base do PSDB na prefeitura de SP), que está à frente da direção sindical há mais de 30 anos, passa por cima de tudo e todos, mantém a eleição, o pleito e no fim do dia 22 de maio publica no site do sindicato o resultado, como uma grande vitória e dentro de uma normalidade nunca vista.

A categoria está perplexa. Nós, do Coletivo Educadores pelo Socialismo, chamamos todos à defesa da democracia operária, que consiste no pleno direito de participação, debate e discussão com voz e voto entre os profissionais de educação nas instâncias de seu sindicato como: reuniões de representantes escolares, reuniões de conselheiros, congressos, plenárias, assembleias, eleição para diretoria e estatuto do sindicato. É inadmissível eleger dirigentes sindicais, responsáveis para administrar e representar a categoria, em um processo totalmente antidemocrático, autoritário e sem a presença de seus associados. Precisamos acabar com esses métodos, a discussão política, a defesa dos nossos direitos e o debate devem acontecer desde as unidades escolares e a organização das lutas se dá em conjunto a uma direção que responda a seus filiados, legitimamente eleita e que represente de fato a categoria.

Combatemos essa direção reformista que segue no imobilismo frente a todos os ataques por nós sofridos e na linha de conciliação com este governo. O Sinpeem deve organizar a luta da categoria com um posicionamento claro contra o Ensino a Distância (EAD), por nenhuma verba pública para fundações, empresários ou banqueiros; ter atitudes concretas em defesa da categoria e da educação pública, gratuita e para todos. Por nenhum direito a menos! Empregos e salários integrais e em defesa de todos os direitos trabalhistas dos servidores municipais. 

É dever e responsabilidade da diretoria sindical fazer o combate incisivo para o fechamento das unidades escolares e a preservação das vidas dos gestores e trabalhadores terceirizados que seguem ainda nas escolas trabalhando; defender o pagamento de todos os projetos desenvolvidos pelos professores nas Unidades Escolares como (PEA, JEIF, JEX, TEX); por nenhum desconto ou redução de salários dos trabalhadores; contra a MP 936 de Bolsonaro e contra o congelamento dos salários dos servidores públicos pela lei complementar 173/2020.

O Coletivo Educadores pelo Socialismo convoca a categoria desde a base, à defesa da liberdade e independência sindical, em combate às direções reformistas e traidoras. A se organizar e juntar-se a nós nos comitês de ação Fora Bolsonaro. Essas direções temem a revolta das massas e a organização da classe trabalhadora. Não existe paz e diálogo com o sistema capitalista, que não tem nada a nos oferecer a não ser a miséria, a morte e a injustiça. Vamos à luta pela revolução socialista, construir uma nova sociedade com tudo que nós merecemos e por melhores condições de vida. Já dizia Karl Marx: “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”.

Defendemos:

  • Educação pública, gratuita e para todos!
  • Não ao EAD e à privatização da educação pública!
  • Fechamento imediato das unidades escolares! Nossas vidas importam!
  • Nem desconto nem redução de salário! Manutenção dos empregos e salários de todos os trabalhadores!
  • Revogação da EC 95 (Teto de gastos com saúde e educação pública)!
  • Não ao pagamento da dívida pública interna e externa! Verba pública para serviços públicos!
  • Anulação dessa eleição autoritária e burocrática do Sinpeem! Em defesa da democracia operária!
  • Fora Covas! 
  • Fora Bolsonaro! Por um governo dos trabalhadores sem patrões nem generais!
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