Foto: Ralf Vetterle

Segundo dia da Universidade Marxista debate marxismo e meio ambiente

Durantes os quatro dias da Universidade Marxistas Internacional 2020 os militantes da Esquerda Marxista, seção brasileira da Corrente Marxista Internacional (CMI) estão empenhados em disponibilizar em nossa página breves relatos dos 16 temas tratados na Escola. O objetivo é estimular nossos leitores a aprofundar o conhecimento sobre nossas posições e a juntarem-se a nós na construção da CMI. Para sua localização procure pelo dia e o tema que deseja fazer a leitura.

Um dos temas explorados pela Universidade Marxista no domingo (26/7), foi referente ao meio ambiente e as mudanças climáticas, um importante debate feito por Jack Halinski-Fitzpatrick, da seção britânica da Corrente Marxista Internacional.  

Jack apontou que as contradições do sistema capitalista já não são novidade para ninguém. Hoje, o mundo inteiro está preocupado com o cenário de coronavírus, porém, estamos em frente de algo muito maior: as mudanças climáticas. 

Estamos perdendo florestas em incêndios, ilhas estão inundando, pessoas estão enfrentando a seca e a fome, as ondas de calor estão cada vez maiores, e com tudo isso muitos estão morrendo. Isso deixa claro que os problemas ambientais não são um problema futuro e sim atual. 

Isso tudo é consequência desse sistema falido em que vivemos. O capitalismo está matando o planeta, deixando claro que o lucro está acima de qualquer coisa, inclusive do meio ambiente. A produção desenfreada, com o único objetivo de aumentar os bolsos dos capitalistas, desencadeia a destruição do nosso ecossistema e o aumento da poluição. 

Em 2019, movimentos de estudantes começaram a tomar as ruas pelo mundo em defesa do meio ambiente. O movimento de greves climáticas globais, denominado como Fridays for Future, em pouco tempo tomou uma proporção gigantesca. 

Jack, em seu informe, ainda levantou a questão de que embora a popularidade dessas atividades esteja cada vez maior e mais forte, enchendo a juventude de confiança, é fundamental ressaltar a importância dele se conectar à classe trabalhadora. A luta tem que ser por mudanças políticas radicais de maneira global. 

A falta de uma direção revolucionária traz as velhas políticas ambientalistas liberais para o movimento, mais uma vez, levantando bandeiras individualistas e jogando toda a responsabilidade nas costas da classe trabalhadora, tirando o peso dos verdadeiros responsáveis: os capitalistas, os grandes donos dos meios de produção. 

Com a proporção que tudo isso tomou, alguns governos, ditos de esquerda, começaram a levantar bandeiras de políticas “mais verdes”, dizendo aderir ao movimento, uma vez que utilizam isso apenas como uma distração. 

“Reciclem, consumam menos carne, tenham um consumo consciente”, eles dizem, mas a grande questão aqui é: quem está consumindo demais? Aqueles que lutam diariamente para alimentar suas famílias com o mínimo? 

Não é através de mudanças individuais no estilo de vida pessoal que salvaremos o mundo, a questão está muito além disso. Nós temos recursos suficientes para todos viverem de maneiras confortáveis e mais sustentáveis, o problema é que esses recursos não estão acessíveis para todos, mas estão concentrados em poucas mãos. 

As propostas do Green New Deal (GND) ficaram ainda mais fortes no ano passado, onde apresentaram a proposta pedindo a redução das emissões de carbono e maiores investimentos em energias sustentáveis e até empregos mais verdes.

Em sua fala, Jack disse que essas políticas do GND, na verdade, apresentam uma estratégia keynesiana, com a ilusão de tentar regular o sistema. O capitalismo não tem como foco maneiras mais sustentáveis, não existe capitalismo verde. 

Um estudo recente mostra que as grandes empresas são responsáveis por 70% de todo CO2 produzido e que só 20 delas geram um terço desses gases por décadas. Está cada dia mais evidente qual é a verdadeira fonte das crises ambientais que enfrentamos. 

E, por fim, isso tudo deixa bem claro quem são os verdadeiros vilões e que só existe uma única solução, a superação do capitalismo, ou estaremos indo cada vez mais em direção à barbárie.

A preservação do meio ambiente, as necessidades em comum, só podem ser realizadas através da transformação socialista. A nossa tarefa é lutar em cima de um programa que faça realmente mudanças e salve nosso planeta, colocando os recursos naturais e as indústrias sob propriedade pública e controle democrático. 

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