Foto: Roberto Parizotti, Fotos Públicas

Segunda onda da Covid-19 em Joinville: descaso da gestão pública e inoperância sindical

No dia 17 de novembro, a Prefeitura de Joinville confirmou 475 novos casos de Covid-19 e decretou a restrição de público no comércio, shoppings, academias, bares e restaurantes da cidade. Paradoxalmente, emite uma nota dizendo que não irá proibir as aulas presenciais nas escolas municipais e privadas da cidade. O fato é que desde o início da pandemia não temos medidas efetivas para conter a disseminação do vírus, os trabalhadores estão sendo expostos todos os dias e não têm o direito de se manter em isolamento, pois precisam garantir o sustento de suas famílias. Os servidores públicos da saúde, serviço social e educação também estão expostos, já foram contabilizados 2.102 trabalhadores da saúde infectados desde o início da pandemia.

No dia de hoje (23/11), o Painel Covid-19 – Joinville aponta ocupação de 91% dos leitos de UTI públicos, enquanto o Hospital São José já alerta para a ocupação máxima dos leitos e volta a restringir o acesso aos procedimentos eletivos. O descaso com a vida da população, levou à uma nova onda da doença. Ao afrouxar as medidas restritivas, desativar leitos, setores e áreas exclusivas da covid dentro das unidades de saúde, o governo acelera a nova onda de contágio. A transmissão comunitária nunca foi controlada, e o vírus continua circulando livremente, pois as medidas de segurança que já eram poucas, agora são quase nulas.

Na linha de frente

A situação preocupa sobretudo, os profissionais da linha de frente do combate à Covid-19, pois eles sabem que a retaguarda foi desmontada e o clima é de total insegurança, uma vez que, o crescimento dos casos nesta doença, é exponencial. São diversos profissionais sendo afastados e cresce a apreensão sobre aumento acelerado da demanda, o que pode levar o sistema a colapsar rapidamente.

Dentro da maior unidade hospitalar municipal, onde o índice de disseminação é ainda mais alto, pouco é feito para garantir a saúde dos servidores, pacientes internados e das diversas pessoas que transitam pela unidade todos os dias. Precárias medidas de higienização dos locais de trabalho, falta de medidas de distanciamento, servidores do grupo de risco sem direito ao afastamento: tudo isso demonstra a falta de cuidado com os profissionais da saúde e com a população em geral.

E o Sinsej sorteando chalés

Paralelo a isso, a direção do Sinsej que deveria intervir em defesa das condições de trabalho dos servidores, andou mais preocupada em resolver os rachas internos da direção e as eleições municipais, do que priorizar uma pauta objetiva de ações que garantam a segurança desses profissionais, abandonando os servidores da saúde a própria sorte.

Como se não bastasse, no dia de hoje, os servidores receberam uma orientação sobre como se dará o sorteio presencial dos chalés da entidade na Barra do Sul. No momento em que a ocupação dos leitos, chega à níveis máximos de ocupação a entidade sindical além de não dar apoio aos servidores da linha de frente, estimula o restante da categoria e suas famílias a se deslocarem para a praia, quando todas as autoridades em saúde reforçam as orientações de distanciamento social, e se posicionam contra aglomerações em locais públicos.

Além da falta de EPIs, de testagem nos servidores e a impossibilidade de afastamento dos trabalhadores dos grupos de risco, a Prefeitura prepara uma nota técnica que abrirá o atendimento de casos suspeitos de Covid-19 em todas as unidades da Atenção Básica de Joinville, o que significa expor todos os servidores, suas famílias e todos os usuários do SUS ao contágio. As unidades de saúde estão sempre lotadas e recebem idosos, doentes crônicos, gestantes e crianças, e todo este público ficará exposto à contaminação.

Para garantir a eleição municipal, foram flexibilizadas atividades e houve uma falsa sensação de que tudo estava voltando ao normal, mas a realidade se impõe e não é mais possível mascarar hospitais lotados, o aumento de casos suspeitos de Covid-19 também na atenção básica e o número elevado de mortes.

Por isso dizemos Fora Bolsonaro

Os gestores tentam implantar uma sensação de que a pandemia está controlada, postura que é repassada pelo governo federal. Bolsonaro contribui para esse clima quando fala sobre a não obrigatoriedade da vacina e tenta barrar as pesquisas ou promove aglomerações e discussões negacionistas. O resultado é uma nova onda de contágio em diversos estados, com elevação do número de pessoas infectadas, doentes e mortos. No dia 20 de novembro foram confirmados 38.397 novos casos e 552 pessoas perderam a vida em todo o país. Os números mostram que foi precipitada e equivocada a flexibilização das medidas protetivas, sobretudo o retorno às aulas presenciais.

Nós da Corrente Sindical Esquerda Marxista, entendemos que devemos exigir o direito dos trabalhadores ao isolamento, o não retorno às aulas presenciais sem vacina, e medidas que garantam o combate efetivo à pandemia baseadas na ciência e não colocando o lucro dos patrões acima da vida dos trabalhadores.

Entre em contato, conheça a Corrente Sindical Esquerda Marxista – Joinville e junte-se a nós.

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