Rio de Janeiro: protesto e repressão aos trabalhadores da saúde

No dia 23 de maio ocorreu um protesto na Linha Amarela, Zona Norte do Rio de Janeiro, na altura do pedágio. Algumas dezenas de profissionais da saúde, com o distanciamento de dois metros entre as pessoas, seguindo frequentemente para o acostamento, estenderam duas faixas de dez metros com os dizeres “Quarentena geral para não adoecer. Renda mínima para sobreviver. Leitos para todos para não morrer” e “Fora Bolsonaro!“.

O ato durou 15 minutos e quando a Polícia Militar (PM) chegou, dez profissionais de saúde foram conduzidos à delegacia e dois militantes foram autuados: Maria Lúcia Pádua, da Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde (Fenasps ) e Carlos Vasconcellos, do Sindicato de Médicos do Rio (Sinmed). As autuações se basearam no decreto do governador Witzel que proíbe aglomerações no RJ por conta da pandemia, infração pela qual eles responderão a um processo1.

Lembramos que o Rio de Janeiro tem o terceiro maior número de casos ​e o segundo maior número de mortes pela Covid-19 do país — até esta sexta (22/5), eram 33.589 casos e 3.657 óbitos confirmados – sem contar as subnotificações. Na última terça (19/5), o Rio de Janeiro tinha 90% dos 583 leitos de UTI estaduais ocupados e uma fila de 335 pessoas aguardando transferência para uma vaga pública de terapia intensiva2

As indignas condições de trabalho dos profissionais da saúde são conhecidas: não possuem acesso ao mais básico de que necessitam, como Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Essa é a situação do pessoal da enfermagem (técnicos, auxiliares e enfermeiros). Uma pesquisa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)3 demonstra que a maior parte desses profissionais é formada por mulheres e entre elas, grande parte são negras. E como são muitas empresas terceirizadas nesse setor, a exploração é brutal. São pessoas que sofrem uma enorme quantidade de preconceitos e estão na linha de frente hoje, sob as consequências mais duras da crise sanitária. Muitos são os casos de infecção e morte entre os próprios profissionais da saúde. 

Lembramos também daqueles que não atuam diretamente no enfrentamento da pandemia, mas atuam no trabalho da limpeza, recepção, serviços administrativos e segurança das instalações hospitalares. Esses, geralmente possuem contratos e direitos trabalhistas ainda mais precarizados e estão menos visíveis na proteção à contaminação, estando também expostos e sofrendo com a falta de EPIs.

No Rio de Janeiro há ônibus lotados, calçadões e mercados lotados, governos discutem reabertura do comércio e escolas, há fábricas não essenciais funcionando, surfistas nas praias da Zona Sul. Mas quando os trabalhadores da saúde reclamam que e estão sem o mínimo de que necessitam para trabalhar, denunciando que estão entregues à sorte ou à morte, a PM precisa só de 15 minutos para aparecer com todo seu aparato para impedir uma manifestação e levar 10 trabalhadores para a delegacia.

Esse episódio mostra como Bolsonaro, Witzel, Crivella e demais governos estão alinhados aos grandes empresários, da saúde, sobretudo, não estão preocupados com as aglomerações, estão preocupados em intimidar os trabalhadores. Mas nós não somos carne de canhão! Não vamos pagar pela crise!

A Esquerda Marxista convida trabalhadores e jovens a construir comitês de ação por Fora Bolsonaro, por um governo dos trabalhadores, sem patrões nem generais.

PATICIPE:

Plenária online “Trabalhadores pelo Fora Bolsonaro”

Data: 27 de maio | Horário: 18 horas
Contatos: Luiz Claudio (21) 9 7616 2381,  Fernando Leal (21) 9 7292 8830.

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Comitê Mulheres por Fora Bolsonaro e Pelo Socialismo
(Reunião a cada 15 dias)

Contato: mulherespelosocialismo.rj@gmail.com

PRÓXIMO ENCONTRO

Luiz Claudio é servidor do Hospital Federal de Ipanema e Ana Paula é Servidora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Referências:

1 <https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/05/pm-detem-profissionais-de-saude-apos-protesto-sobre-coronavirus-no-rio.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail> 

2 ibd.

3 <http://www.cofen.gov.br/perfilenfermagem/index.html> 

 

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