Pronunciamento da CMI do México e da América Central sobre o assassinato de Victoria Salazar pelas mãos da polícia

As seções da Corrente Marxista Internacional no México e na América Central condenam energicamente o assassinato de Victoria Salazar pelas mãos da polícia do Estado de Quintana Roo, México. Uma mulher trabalhadora, migrante, que foi brutalmente assassinada, no dia 27 de março do 2021, em Tulum.

Victoria era uma mulher que teve que migrar de seu país natal, El Salvador, há cinco anos, fugiu da violência, da criminalidade e da miséria para garantir uma vida digna a seus filhos. Esta é a história não só de Victoria, mas também a de milhões de migrantes latino-americanos que têm que deixar sua família e seu país para empreender um caminho desconhecido e perigoso em terras estrangeiras, onde a vida, por ser mulher, latino-americana, de origem operária e migrante, não vale nada.

  • Como revolucionários, condenamos a política migratória que os EUA impõem a todos os países vizinhos tratando os migrantes e, principalmente, as mulheres como objetos, sem nenhum direito. A brutalidade policial não é mais que o efeito das políticas capitalistas que agravam a opressão racial e reacionária do imperialismo na América Latina e sobre todos os imigrantes que rumam para os EUA. Estas políticas e seus efeitos costumam agravar-se com a chegada das crises econômicas do sistema capitalista, refletindo a brutalidade dele sobre as condições das mulheres e da classe operária em geral.
  • Condenamos a atitude cúmplice e submissa dos governos latino-americanos, principalmente dos governos de El Salvador e do México, frente às políticas capitalistas, racistas e discriminatórias que os EUA impõem a cada um desses países.
  • Estes dois governos, ao invés de acabar com as causas da migração em cada um de seus países e desvelar todo o mal que os interesses vorazes das transnacionais fazem aos países vizinhos dos EUA, o único que têm feito é reforçar os órgãos repressivos do Estado capitalista para conter a migração. Esta tem sido a política de AMLO, com a criação da Guarda Nacional do México, e a de Nayib Bukele, com a criação da polícia da fronteira. Isto não resolve nada, ao contrário, agrava a situação de miséria e desespero das mulheres e de toda a classe trabalhadora.
  • Condenamos a brutalidade da polícia mexicana, órgão de defesa dos interesses dos amos imperialistas e dos capitalistas nacionais. A polícia e o Exército, tal como ocorre em qualquer país do mundo, desde Grã-Bretanha a El Salvador, de EUA ao México, não cuida nem protege a classe operária, muito menos as mulheres. A polícia e o Exército, independentemente do país, garantem unicamente os interesses dos capitalistas nacionais e estrangeiros, essa é a natureza dessas instituições.
  • Recusamos a tentativa de colorir estes órgãos repressivos tentando dar “toques femininos” a estas instituições podres do Estado burguês, fruto de uma sociedade de classe. Feminizar ou, ainda, purgar estes órgãos não fará com que as condições das mulheres mudem fundamentalmente e, neste caso, a morte de Victoria é contundente para exemplificar isso, pois ela foi assassinada por uma mulher policial.

Exigimos aos governos da região:

  • A implementação de políticas integrais, que garantam empregos e salários dignos tanto no México como em El Salvador, para que cada cidadão não tenha a necessidade de abandonar sua família e país para procurar emprego digno em outras latitudes.
  • A dissolução dos aparelhos repressivos do Estado e sua substituição por polícias comunitárias organizadas por assembleias populares, que garantam a segurança e protejam a integridade dos trabalhadores, dos jovens, das minorias oprimidas e das mulheres em general

Fazemos um chamado ao movimento operário:

  • O assassinato de Victoria e de outras mulheres em toda a região latino-americana é uma expressão do sistema capitalista em decadência. Estas condições de brutalidade barbárica só poderão ser erradicadas pela raiz a partir de uma luta constante dos movimentos revolucionários no mundo por conquistas de direitos e garantias para as mulheres, combinado com uma luta revolucionária e anticapitalista em todos os países do mundo. Só a classe operária internacional pode acabar com a barbárie capitalista
  • Portanto, é necessário fortalecer e construir o movimento operário internacional na luta pelo socialismo, a única alternativa real ao sistema capitalista
  • Só um programa que acabe com os grandes privilégios dos ricos em cada um de nossos países, a nível mundial e que ponha à disposição da classe operária toda a riqueza existente para sanar os problemas materiais da sociedade, poderá acabar definitivamente com a barbárie capitalista
  • Como Corrente Marxista Internacional nas Américas e no mundo, fazemos um chamado à construção da ferramenta de luta da classe operária e à luta por um mundo diferente, onde os oprimidos e oprimidas sejam livres e tratados dignamente como seres humanos

Una-se a nossa luta por um mundo socialista nas Américas e no mundo inteiro!

Justiça para Victoria!

Pela dissolução de todas as forças repressivas do Estado!

Assinam:

Izquierda Socialista – México

Bloque Popular Juvenil – El Salvador

Izquierda Marxista – Honduras

CMI Guatemala – Guatemala

Izquierda Marxista – Nicarágua

CMI Costa Rica – Costa Rica

Nota da tradução: Victoria Esperanza Salazar, de 36 anos, foi assassinada por quatro policiais locais de Tulum, no México, dentre eles uma policial mulher, no dia 27 de março. Semelhante ao que aconteceu com George Floyd, ela foi colocada contra a rua, teve sua coluna fraturada e acabou sendo asfixiada ao mesmo tempo que clamava pela sua vida. 

TRADUÇÃO DE LESLIE LORETO.
PUBLICADO EM BLOQUEPOPULARJUVENIL.ORG

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