Por um PSOL contra o sistema e em combate pelo Fora Bolsonaro

Contribuição da Esquerda Marxista ao 7º Congresso do PSOL

 

O PSOL prepara seu 7º Congresso em uma situação política convulsiva e diante de uma encruzilhada: ser o partido capaz de se ligar ao ódio ao sistema presente na base da sociedade, ajudando na reorganização da luta de jovens e trabalhadores pelo socialismo, ou seguir sua trajetória de adaptação ao regime burguês, ao eleitoralismo e ao parlamentarismo.

O mundo está em ebulição. No primeiro semestre de 2019, revoluções na Argélia e no Sudão derrubaram ditaduras que se perpetuavam há décadas no poder. No segundo semestre, uma verdadeira onda revolucionária internacional com mobilizações no Equador, Chile, Haiti, Colômbia, Catalunha, Iraque, Líbano, Hong Kong etc. Na França, após o movimento dos Coletes Amarelos, os trabalhadores realizaram greves e greves gerais contra a reforma da Previdência de Macron.

No Brasil, mais de dois milhões de jovens foram às ruas em 15 de maio, logo depois, novos atos massivos em 30 de maio, greve geral em 14 de junho, com 45 milhões de trabalhadores paralisando as atividades, apesar da falta de mobilização das direções sindicais.

Este movimento só não prosseguiu no segundo semestre por conta do bloqueio das direções sindicais e estudantis, mas também devido aos recuos parciais realizados pelo governo (como o desbloqueio de parte das verbas cortadas da educação) e o adiamento de ataques (como a reforma administrativa e tributária). Bolsonaro e Paulo Guedes pisaram no freio com medo das mobilizações do primeiro semestre e das lutas revolucionárias nos países vizinhos.

O fato é que não há “onda conservadora” ganhando as massas, ameaça de fascismo na próxima esquina e mesmo na ascensão de políticos demagogos de extrema direita é preciso levar em conta a expressão distorcida do rechaço ao sistema que representam. No país governado por Trump, 70% dos cidadãos entre 18 e 29 anos declaram que votariam em um candidato socialista, enquanto 36% dizem aprovar o comunismo!

O PSOL deveria ser a voz e o partido para organizar os indignados no Brasil. Deveria estar à frente da luta para pôr abaixo o reacionário governo Bolsonaro. Este governo instável, de crise, em conflito com importantes setores da burguesia e que viu sua base de apoio diminuir significativamente já no primeiro ano de mandato.

Entretanto, a maioria da direção do PSOL optou por impedir a aprovação do combate pelo “Fora Bolsonaro” pelo partido em reunião do Diretório Nacional de outubro. Concretamente, a maioria da direção defende o respeito a um mandato presidencial que é fruto de uma fraude política e judicial, e quer que o povo brasileiro suporte Bolsonaro até 2022. Esta é a posição de Lula e do PT, não deveria ser a do PSOL.

A direção do partido aderiu à linha petista de “defesa da democracia” (burguesa) diante de uma suposta ameaça de ditadura ou fascismo. Fez uma campanha como apêndice de esquerda do PT nas eleições presidenciais de 2018, com um programa de reformas do Estado burguês. O resultado, com Guilherme Boulos, foi a pior votação em um candidato a presidente da história do partido.

Para as eleições de 2020, a linha da direção é aprofundar a adaptação, buscando alianças com o PT e o PCdoB, abrindo a possibilidade também para PDT e o PSB (que são partidos burgueses tratados como se fossem de esquerda). O centro político são “alianças contra Bolsonaro”, apagando inteiramente o caráter de classe e socialista que deve ter a oposição do PSOL a Bolsonaro e seus cúmplices, assim como a oposição programática que deve se ter em relação ao PT, PCdoB, PDT, PSB etc.

No Rio de Janeiro, o pré-candidato Marcelo Freixo costura aliança com PT (Benedita da Silva de vice) e segue dialogando com PV e PDT. Em Porto Alegre, o PSOL segue aberto pra participar de chapa com PCdoB (Manuela d’Ávila) e PT. Em Sorocaba, interior de São Paulo, o pré-candidato do PSOL, Raul Marcelo, está fechando aliança para ter um vice do PT, o mesmo está sendo costurado em Belém (Pará) pelo pré-candidato Edmilson Rodrigues. Negociações deste estilo seguem em outros municípios.

Esta política e esta tática eleitoral só vão marcar mais o PSOL como um partido como os outros, que se submetem a todo tipo de acordos sem princípios na busca de resultados eleitorais. A frente única necessária pra combater Bolsonaro e seus ataques nada tem a ver com frentes políticas e alianças eleitorais oportunistas com os partidos operários que aplicam o programa do capital (PT e PCdoB) e com partidos da burguesia. O PSOL deve lançar candidatos próprios em todos os municípios, recusar as alianças com os partidos da ordem e apresentar uma plataforma revolucionária e socialista que deveria incluir:

  • Não pagamento da dívida interna e externa;
  • Saúde e educação públicas e gratuitas para todos;
  • Elevação geral dos salários;
  • Revogação das reformas da Previdência de FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro;
  • Revogação do teto dos gastos públicos e da reforma trabalhista de Temer;
  • Reestatização de todas as empresas privatizadas, estatização dos bancos e multinacionais;
  • Fora Bolsonaro! Por um governo dos trabalhadores sem patrões nem generais!

Campanhas contra o sistema, que recusem o dinheiro do fundo eleitoral, baseadas na atividade e contribuição voluntária de militantes e apoiadores, apresentando a plataforma acima, poderiam animar os militantes e fazer o PSOL voltar a ser um polo de atração para os que querem lutar contra o capitalismo e por um futuro para a humanidade.

A Esquerda Marxista está neste combate e chama todos os militantes do PSOL a tomarem o partido em suas mãos para definir uma política revolucionária de acordo com a situação que vivemos e com as necessidades da classe trabalhadora. Candidaturas próprias com programa socialista e combate nas ruas por “Fora Bolsonaro”, estas são as tarefas centrais do PSOL. É isto que permitirá ao PSOL ser parte da construção das próximas vitórias de nossa classe.

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