Polícia e Judiciário ameaçam Ocupação Carlos Marighella em Santa Catarina

No dia 05 de maio, deu-se início a ocupação Carlos Marighella, na cidade de Palhoça, localizada na região da grande Florianópolis, em Santa Catarina. Na ocasião, mais de 100 famílias tomaram quatro prédios inacabados e abandonados por mais de 10 anos. No dia 10, quarta-feira, a PM entrou na ocupação, procurando intimidar as famílias. No dia 13, sexta-feira, a Justiça deferiu o pedido que permite a desocupação do imóvel, a ser executado pela prefeitura, com apoio da polícia.

Os moradores relataram a postura de intimidação feita por diferentes órgãos do Estado. Em suas suas redes sociais, afirmaram:

“A Ocupação Carlos Marighella foi hoje vítima de uma operação da polícia militar, científica, civil, tatico, guarda municipal de Palhoça, CELESC e CASAN para deixar as famílias sem teto da ocupação ainda mais desamparadas, cortando água e luz de homens, mulheres, crianças, pessoas idosas e grávidas que moram e dão função social para este terreno abandonado há 10 anos”.

Os prédios ocupados eram construções destinadas ao programa Minha Casa, Minha Vida. Os imóveis se encontram em nome da Vita Construtora S.A, empresa com diversos processos na justiça por estelionato na venda de imóveis na planta e que teve sua falência declarada.

O problema da moradia vem se aprofundando nos últimos anos, diante da piora nas condições de vida dos trabalhadores e do avanço da especulação imobiliária. Quando iniciada a ocupação Carlos Marighella, foi divulgado um manifesto, no qual se afirma:

“Somos o povo organizado e declaramos que não aceitamos gastar mais que a metade do nosso salário com aluguéis. Não é justo que um aluguel custe mais que nosso alimento. Aliás, nenhuma despesa pode ser maior que o alimento, a saúde, a educação, a segurança e o transporte das nossas famílias”.

“Hoje é o fim de tudo isso”.

“Hoje começamos uma nova etapa das nossas vidas, trocamos o eterno esperar pela esperança guerreira. No passado fica toda a incerteza e o sofrimento de esperar do Estado qualquer solução para nossos problemas sociais. Escolhemos ter um futuro de luta, escolhemos lutar em pé a viver de joelhos. Não temos medo da violência do Estado. Já sofremos violência desde sempre, afinal passar fome, sentir frio e não ter teto é uma violência cotidiana a qual não vamos mais suportar”.

“Não temos medo de prisão, já estamos presos em nossas casas alugadas uma vez que nossa renda sequer sobra para que possamos passear, ter lazer, etc. Viver bem a cidade que a gente mora é impossível. Aqui vivemos, aqui lutamos”.

“Estamos organizados para conquistar a liberdade, a terra, o teto e o trabalho. Avisamos a sociedade que nós, o Povo Organizado, decidimos lutar por todos os meios que sejam necessários para denunciar o plano das elites e da especulação imobiliária que torna cada vez mais difícil ter um teto para morar. Entendemos que por isso devemos ocupar, resistir e produzir uma nova forma de moradia popular”.

“Não queremos casas apenas para morar, queremos um lar onde possamos viver bem a cidade. Viver bem a cidade significa ter transporte público e livre, ter saúde, ter educação, ter segurança, ter diversão e ter alimento saudável. Viver bem a cidade impõe que se conquiste trabalho, terra, teto e liberdade para todos e todas”.

“Exigimos espaços públicos e coletivos para poder plantar alimentos; Exigimos educação infantil gratuita, de qualidade e pública perto de nossas casas; Exigimos educação libertadora em tempo integral para nossos jovens; Exigimos que a Universidade seja pública e gratuita para todos; Exigimos tudo que faça a gente ser feliz, ser saudável, ser próspero, ser educado e ser sonhador dos sonhos mais lindos”.

“A liberdade nós vamos conquistar lutando. Somos o Povo Organizado, estamos juntos e somos fortes. Viva a luta por Moradia Popular! Com luta, com garra, a casa sai na marra!”

“Ocupação Carlos Marighella, aqui vivemos aqui lutamos”.

Nos últimos dias também vem sendo divulgado um manifesto em apoio à ocupação, que pode ser lido e assinado neste link.

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