Foto: Thomas Appéré, Flickr

Pílulas da Ciência Diária: Oxigênio em Marte

Ontem (22), ficamos sabendo que o robô Perseverance da NASA, que desceu em Marte, fez uma experiência muito boa, a princípio. Ele utilizou eletricidade para transformar o gás carbônico (CO2) em oxigênio (O2). Mas como isto funciona?

Através da eletricidade, o gás carbônico, que é formado por um átomo de Carbono (C) e dois átomos de Oxigênio (O), é separado em seus componentes, criando, então, o oxigênio (O2), ou seja, dois átomos juntos. O problema é que esta transformação não é exatamente perfeita. Ao invés de virar simplesmente carbono, ele torna-se monóxido de carbono (CO), que é um dos principais componentes de envenenamento da Terra, resultante da combustão de petróleo e de derivados do petróleo.

A combustão de Diesel, a combustão de gasolina, a combustão de carvão nas usinas, enfim, todas estas combustões geram muito mais monóxido de carbono do que a combustão de gás de petróleo, seja em forma de GLP (gás de cozinha) ou GNV (gás encanado), que é uma combustão mais limpa. Mas mesmo a geração de gás, que é feita nas usinas de conversão de petróleo, também produz monóxido de carbono. Assim, ele é um dos principais poluentes da atmosfera.

Logo, aquilo que é uma experiência, a princípio, absolutamente linda, isto é, a produção de oxigênio em Marte, significa que, assim que conseguimos colocar um robô em Marte, muito mais avançado que os anteriores, iniciamos a poluição deste planeta, liberando o monóxido de carbono. Realmente, o capitalismo não tem jeito!

*Luiz Bicalho é bacharel em Física.

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