Paquistão: Pela libertação do camarada Amin, sequestrado pelos Rangers em Karachi

O camarada Muhammad Amin, membro ativo da Aliança da Juventude Progressista (PYA) em Karachi, foi sequestrado de seu domicílio na Colônia Shah Faisal de Karachi pelos Rangers (uma força paramilitar do Paquistão) em 14 de julho. Até o momento ninguém sabe de seu paradeiro, nem mesmo a polícia ou o Tribunal Supremo do Paquistão.

O que aconteceu?

No dia 14 de julho às 2 horas da madrugada, sua casa foi atacada por dezenas de Rangers que entraram à força em sua casa sem qualquer ordem judicial ou permissão legal. Ameaçaram sua irmã, Sairo Bano (também membro do PYA) e sua mãe com graves consequências antes de sequestrá-lo.

A família perguntou sobre as acusações contra ele e por qualquer outra razão para essa ação, mas não recebeu nenhuma resposta. Ainda mais, toda a casa foi revistada e a família maltratada. Mais tarde, a família de Amin procurou a polícia, mas o comissariado policial local se negou a registrar sua queixa, nem foram informados sobre o paradeiro de Amin. Devido à situação, sua mãe está em condição crítica de saúde.

A família também apresentou uma solicitação de habeas corpus ao Tribunal Supremo depois de atender todos os requisitos legais, mas o tribunal também retardou o assunto, geralmente considerado urgente em termos legais, e a data da audiência foi estabelecida, agora, para o dia 7 de agosto.

Houve muitos protestos em várias cidades de todo o país apesar da intimidação das autoridades para que se abstivessem desses protestos. Também foi realizado um grande protesto em Karachi no dia 21 de julho em que participou uma grande quantidade de ativistas políticos e trabalhadores ligados aos direitos humanos exigindo a libertação de Amin e de outras pessoas sequestradas pelos Rangers e outras forças de segurança em todo o país.

Ser torturado ou morrer

As vidas de Amin e de muitos outros que foram sequestrados em diferentes partes do país estão em jogo. Em muitos casos antes desse, as vítimas dos Rangers foram severamente torturadas durante o confinamento enquanto muitas perderam a vida. Muitos também se veem obrigados a se unir a partidos políticos especiais apoiados pela classe dominante. Quando se negam, são ameaçados de implicação em delitos penais graves para apodrecem na prisão.

À medida que mais pessoas caem na pobreza extrema e nas privações, a repressão estatal está alcançando novos níveis. Tudo isso ocorre para frear todo tipo de processos políticos dirigidos contra o saque e o roubo por parte da elite que defende seus estilos de vida extremamente luxuosos. Esses sequestros se converteram em rotina comum no Paquistão e, de fato, se converteram em um negócio próspero para o pessoal das forças de segurança. Em geral, são denominadas “pessoas desaparecidas” no Paquistão e seu número chegou a milhares nos últimos anos. 

Muitas das vítimas são torturadas perversamente e em seguida são obrigadas a admitir delitos graves sem serem apresentadas em nenhum tribunal. As famílias das vítimas são fustigadas continuamente e as mulheres são agredidas sexualmente em vários casos. Também se exigem enormes somas de dinheiro como suborno às famílias para a libertação das vítimas e, em alguns casos, dizem às famílias que, se pagarem o suborno, a pessoa sequestrada de sua família não será torturada. No entanto, não se permite o contato da vítima com a família sequer por telefone, nem se revela o paradeiro da vítima. Segundo muitos informes, os cadáveres das vítimas que morreram durante a tortura no passado só foram entregues às suas famílias depois de se receber grandes somas de dinheiro como suborno. Muitos membros mais velhos das famílias também morreram devido a ataques cardíacos depois de enfrentarem tais barbaridades. 

Brincar com vidas humanas é um negócio sujo

Os tribunais, os departamentos de aplicação da lei e os partidos políticos são incapazes de agir ou fazem parte desse negócio sujo de brincar com a vida das pessoas em todo o país, e Amin é uma delas. Quem levanta a voz contra essa injustiça perpetrada pelas forças de segurança é qualificado de traidor e ameaçado de sedição, ou, no pior dos casos, é sequestrado.

As leis no Paquistão já são enormemente repressivas como resultado do imperialismo britânico estabelecido para subjugar as massas coloniais. Atualmente, a repressão estatal superou esses limites e transformou em uma farsa o sistema legal, que se converteu em camuflagem para seus crimes.

A barbárie desnuda se converteu na ordem do dia em todo o país. O Estado, os tribunais e outras instituições se tornaram tão podres, corruptas e degeneradas que se tornaram totalmente inúteis. O Estado se utiliza do apoio das potências imperialistas, como os Estados Unidos e outros países ocidentais, para perpetuar essa barbárie. O apoio financeiro do FMI e do Banco Mundial também está contribuindo para essa repressão bárbara.

Aqui, a crise de todos os partidos políticos também é muito profunda e a classe dominante, hoje, não tem nenhum partido político que apresente uma aparência de confiança em qualquer setor das massas, como tinha no passado. Ademais, as tentativas de impor novos partidos políticos a partir de cima não são recebidas com o mesmo entusiasmo de antes, particularmente depois do fracasso dramático do O Movimento Paquistanês pela Justiça (PTI, em urdu) que, agora, supostamente governa o país. Sob todas essas circunstâncias, a difícil situação dos ativistas políticos contra toda essa injustiça piora com a repressão estatal que está alcançando níveis sem precedentes.

Apelamos aos trabalhadores do mundo e a nossos camaradas em diferentes países para protestarem contra esses crimes bárbaros do Estado paquistanês Imagem: PYA

A solidariedade é necessária

Fazemos um apelo aos trabalhadores do mundo e a nossos companheiros de diferentes países para que realizem protestos contra esses crimes bárbaros do Estado paquistanês. Você também pode fazer isso:

  • Escrever cartas e e-mails às embaixadas do Paquistão em diferentes países a título pessoal ou em nome de tua organização (Nota do Editor: Embaixada do Paquistão em Brasília: pakistanembassy84@yahoo.com; Consulado do Paquistão em São Paulo: abdouni@pakistan.org.br; enviar as moções com cópia para liberdade.amin@marxismo.org.br, ver modelo de moção ao final do texto)
  • Organizar protestos diante delas e publicar vídeos nas redes sociais com os hashtags específicos;
  • Publicar comentários  e opiniões nas redes sociais com relação ao caso pressionando o primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan,  o DG Rangers Sindh1 e o ministro do Interior do Paquistão;
  • Organizar debates sobre essa barbárie na região onde você mora ou local de trabalho sobre os crimes do Estado paquistanês.

Exigimos a libertação imediata do camarada Muhammad Amin ou, se há alguma acusação contra ele, que compareça diante do tribunal. Também exigimos a libertação de todas as pessoas sequestradas pelas forças de segurança do Paquistão ou, se isso não acontecer, que sejam apresentadas diante dos tribunais imediatamente se há acusações contra elas. Esse é um direito democráticos básico de todos os seres humanos e devemos lutar por esse direito. 

#ReleaseAmin

#StopStateAbductionsinPakistan

1 Organização paramilitar federal de aplicação da lei no Paquistão, operando sob a autoridade do ministro do Interior do Paquistão.

Modelo de Moção abaixo:

Embaixada do Paquistão em Brasília: pakistanembassy84@yahoo.com; Consulado do Paquistão em São Paulo: abdouni@pakistan.org.br; enviar com cópia para liberdade.amin@marxismo.org.br

Libertação Imediata de Muhammad Amin

Ao Embaixador do Paquistão no Brasil,

Ao Consul do Paquistão em São Paulo,

O jovem paquistanês Muhammad Amin, membro da Aliança da Juventude Progressista (PYA) em Karachi, foi sequestrado de seu domicílio na Colônia Shah Faisal de Karachi pelos Rangers em 14 de julho durante a madrugada, sem qualquer ordem judicial, mediante invasão de seu domicílio com ameaças à sua família. Até o momento ninguém informou seu paradeiro, nem mesmo a polícia ou o Tribunal Supremo do Paquistão, o que é uma grave violação de seus direitos.

Exigimos a libertação imediata de Muhammad Amin ou, se há alguma acusação contra ele, que lhe seja garantido o direito de comparecer diante do tribunal. Também exigimos a libertação de todas as pessoas sequestradas pelas forças de segurança do Paquistão ou, se isso não acontecer, que sejam apresentadas diante dos tribunais imediatamente as supostas acusações contra elas. Esse é um direito básico e exigimos que seja garantido a todos.

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Entidade / organização:
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TRADUÇÃO DE FABIANO LEITE.

PUBLICADO EM MARXIST.COM

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