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Protesto no Chile. Foto: M. Hernandez/Getty Images

Onda Revolucionária percorre a América Latina e o mundo

Analisamos em nossa edição vigente do Foice&Martelo o desenvolvimento de uma nova onda revolucionária mundial. No momento em que fechávamos aquele número, os acontecimentos no Equador concentravam as atenções. Para perplexidade dos defensores da tese da Onda Conservadora, agora assistimos insurreições de massas também no Chile e no Líbano. Já são ao menos sete mortes no Chile, com o Exército nas ruas e um presidente que declara: “Estamos em guerra”. Ao invés de buscar explicações psicológicas ou particulares, precisamos compreender o que de comum carregam essas situações.

No artigo “Democracias em chamas”, publicado pelo El País no sábado (19/10), Jamil Chade se coloca a questão de o que têm em comum Quito, Santiago, Londres, Barcelona, Bagdá, Argel, Beirute e Hong Kong. Sua resposta nos dá algumas pistas sobre o pano de fundo do que se desenvolve na América Latina e no mundo. “Uma das explicações mais plausíveis seria a constatação do fracasso do sistema em atender aqueles aos quais precisa servir”. Considerando que Jamil não é marxista, que acredita no Estado burguês como servidor dos cidadãos, ele tem o mérito de observar os fatos de forma lúcida.

Jamil, que trabalha para o jornal marrom El País, também nos recorda o que outro órgão esquerdista, o Fórum Econômico Mundial, anda dizendo: “a crise econômica que eclodiu em 2008 continua a gerar um impacto negativo, minando as bases da sociedade”. Como consequências o articulista elenca a redução de salários, o aumento da jornada de trabalho, a elevação da desigualdade social, o crescimento do exército de desempregados, o ascenso do suicídio, de doenças psicológicas e inclusive a redução da expectativa de vida em alguns lugares.

Quando Sebastian Piñera chegou com seu aumento de 3,75% nas tarifas de metrô, e com um novo sistema tarifário, aconteceu na sociedade chilena algo que em termos dialéticos se conhece como transformação de quantidade em qualidade. Todo o acúmulo de frustrações e insatisfações acumuladas no período anterior encontrou um ponto de virada. A burguesia e seus governos no Chile têm passado de ato em ato pensando: “Um pouco mais ou um pouco menos de austeridade, que diferença faz? O povo tolera!” Essa é a base do crescimento de 4% do PIB em 2018 registrado pelo Banco Central chileno, assim como a perspectiva de crescimento de 3,4% para este ano prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Considerado modelo na América Latina, o Chile herdeiro do golpe de 1972 se estabeleceu por meio de um regime social de natureza desigual e exploratório para a maioria de sua sociedade.

De forma semelhante a burguesia mundial tem conduzido seus planos desde 2008, para manter a circulação e acumulação de capital diante das contradições profundas que regem seu sistema econômico. Para um desavisado pode parecer que o mundo está tomado por mal-intencionados, sendo necessário líderes com melhores ideais. Acontece que a política sempre é a continuidade da economia. Como regime econômico internacional, as questões políticas nacionais nunca são, portanto, estritamente nacionais. Sempre são nacionais em sua forma, carregando um conteúdo internacional.

Em janeiro, quando se reuniram refinados senhores e senhoras imperialistas na cidadezinha de Davos, eles discutiam como orquestrar a luta da classe que representam contra a classe que fornece a riqueza social. Austeridade, inteligência artificial, tensões geopolíticas, preocupação social, futuro do trabalho. Tudo isso é pensado e trabalhado em escala mundial em instâncias como o Fórum Econômico Mundial e o FMI.

Paulo Guedes constitui o coração do governo Bolsonaro. E esse senhor é fã das políticas econômicas e sociais que levaram à insurreição que assistimos hoje no Chile. Todo seu programa econômico está norteado por dois parâmetros: reproduzir no Brasil as políticas da Escola de Chicago que foram implementadas no Chile, e aplicar como bom vassalo as orientações que seus amos imperialistas determinaram para os países que controlam, como o Brasil.

A partir das particularidades locais, o governo Bolsonaro aplica um plano integrado ao que a burguesia imperialista deseja para as massas brasileiras, chilenas, equatorianas, argentinas, haitianas e de todo o mundo. Suas políticas econômicas e sociais são, portanto, a versão nacional da mesma política a favor da classe capitalista aplicada por Lenin Moreno, Sebastian Piñera, Mauricio Macri, Boris Johnson e até mesmo Xi Jinping. Todos agem como uma continuidade da luta de classes que baseia o regime econômico capitalista em crise. Uma crise explicável e compreensível apenas em termos internacionais. Esse aspecto comum marca a Onda Revolucionária que percorre o mundo, e que cedo ou tarde vai se abater sobre o Brasil.

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