Ato de apoiadores de Bolsonaro em Copacabana — Foto: Reprodução

O que representam as manifestações bolsonaristas de 1º de maio?

Um olhar despretensioso para a praia de Copacabana, na manhã do dia primeiro de maio, poderia levar a uma conclusão precipitada:

“Os bolsonaristas estão fortes. Eles reúnem milhares de pessoas e fazem um imenso barulho. Elas estão a pé, em carros, motos, trio elétricos…”

Olhando pretensiosamente, isto é, buscando entender a composição de classe e a política defendida pelos ali reunidos, vemos outro cenário. 

O próprio fato do ato causar mais impacto pelas centenas de motos de alta cilindrada e carros de luxo que passam pelas ruas provocando os moradores dos prédios, que gritam “Fora Bolsonaro”, do que pela mensagem política que carrega, já é um indicativo. 

Nas pequenas ruas no entorno da praia, o “Fora Bolsonaro” deixa os pedestres com a camisa da CBF com olhar cabisbaixo e os motoristas com a bandeirinha do Brasil irritados. 

Realizado no dia 1º de maio, dia histórico da classe trabalhadora, a mensagem repetida constantemente nos carros de som, é: queremos trabalhar e somos contra o lockdown, mas a “esquerda” está nos impedindo de trabalhar e nos quer falidos fechando as empresas.

Mas os trabalhadores do grande comércio e da grande indústria estão indo trabalhar, todos os dias! Estes, que produzem a maior parte das riquezas no Brasil, só puderam parar quando eles próprios contrariram Covid-19. É preciso ter senso de dimensão.

Diferente dos patrões, a maioria dos assalariados está se aglomerando nos transportes públicos, contraindo e espalhando Covid-19. Os semi-assalariados e pequenos proprietários estão em apuros e indo à falência, sim. Mas a causa disso está longe dos inimigos imaginários inflados por Bolsonaro.

A pequena burguesia foi negligenciada pelos governos petistas. Ao invés de usarem de sua liderança na classe operária para impulsionarem um movimento político que mostrasse que o verdadeiro inimigo é o capital, o PT preferiu estar ele próprio ao lado do capital. O antipetismo, que infla o bolsonarismo, não foi gerado espontaneamente. 

Na pandemia, as medidas de restrição atrapalhadas e a falta artificial de vacinas nos países atrasados –  submissos ao interesse das grandes farmacêuticas do imperialismo -, certamente afetam mais os pequenos negócios que os grandes. Só que tudo isso está sendo imposto não pela “esquerda”, mas pelos pelos reis das finanças, da soja e do gado. Eles que mandam no país e tem seus políticos e parlamentares de estimação contra o povo.

O “malvado favorito” é invenção antiga. Bolsonaro não foi o primeiro. Há vários deles nas casas parlamentares, há décadas. A diferença é que agora uma pequena parte da pequena burguesia achou um carrasco para chamar de seu e está virando suas armas para as lideranças políticas dos trabalhadores.   

A política das direções sindicais atualmente é evitar o caos social e deixar “a boiada passar”, para derrotar Bolsonaro nas urnas apenas em 2022. Os petistas choram lágrimas de crocodilo para os 400 mil mortos. 

Por um lockdown nacional já, arrancado pela força dos trabalhadores organizados. É preciso uma greve geral que derrube o governo Bolsonaro já. 

Participe do Encontro Nacional de Luta: Abaixo Bolsonaro! Por um Governo dos Trabalhadores Sem Patrões Nem Generais!

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