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Manifestante durante o dia 15 de maio. Crédito: Foto Na Lente

O fantasma de Junho ronda o país

As grandes manifestações populares de junho de 2013 abriram uma nova situação política no Brasil. Lá, evidenciou-se que o PT não tinha mais capacidade de conter o movimento de massas, perdendo assim sua serventia para a burguesia, e que a instabilidade política internacional havia chegado – expressando o rechaço ao sistema presente na base da sociedade.

A eleição de Bolsonaro só se explica por ele ter navegado neste sentimento contra o sistema. Por isso, em um tweet e outro ele diz: “Nós vamos mudar o Brasil porque não fazemos parte do establishment!”, “Seguimos desagradando o Sistema”, “O sistema não desistirá, mas estamos determinados a mudar o rumo do país” etc. É um discurso demagógico, obviamente, afinal Bolsonaro não quer mudar os fundamentos do sistema, ele é um serviçal do capitalismo.

Por outro lado, alternativas de esquerda, como o PSOL, foram incapazes de se mostrar como alternativas de enfrentamento ao “sistema” ao “establishment”. Dessa forma, deixaram o caminho aberto para Bolsonaro.

As manifestações de 15 de maio

Desde junho de 2013 não se viam mobilizações tão grandes e em tantas cidades. Os atos de 15 de maio, impulsionados pelos cortes na educação, expressaram a vontade de luta presente entre jovens e trabalhadores, ímpeto contido pelas manobras das direções sindicais e estudantis.

Em várias cidades as massas nas ruas adotaram a palavra de ordem lançada pela Esquerda Marxista, o “Fora Bolsonaro”, mesmo com os dirigentes no caminhão de som sendo contra esta linha.

Os atos do dia 15 foram um duro golpe no governo Bolsonaro. A mídia elevou o tom da crítica às incompetências do governo empossado há poucos meses. As divisões em sua própria base se acentuam.

A reação do governo foi buscar culpar o Congresso e o STF, tentando reforçar seu caráter bonapartista, do Executivo acima das classes e dos demais poderes (Legislativo e Judiciário), com o líder forte (sendo Bolsonaro inclusive enviado por Deus), que se dirige diretamente ao povo. A convocação de atos para 26 de maio tinha este sentido, mas eles não saíram bem como planejado.

Fracasso bolsonarista

As manifestações do dia 26, em apoio ao governo, foram muito menores do que as do dia 15. O governo tenta alardear o sucesso, mas a realidade é que elas fracassaram. Obviamente, alguns milhares foram às ruas, afinal um governo recém-eleito, com menos de cinco meses de vida, tem que ter algum capital político. Mas o que deve ser ressaltado é a velocidade do desgaste deste governo. A pesquisa realizada pela consultoria Atlas Político, após os atos do dia 15, mostrava o aumento da desaprovação (36,2%) e a queda da aprovação (28,6%), uma queda de 10,1% desde fevereiro. Além disso, o “Fora Bolsonaro” já tinha o apoio de 38,1%.

Após uma euforia inicial, o mercado também começa a retirar o apoio a Bolsonaro. Na pesquisa da XP Investimentos, a aprovação do governo entre investidores caiu de 86% em janeiro para 14%.

É hora de agitar o “Fora Bolsonaro”

A Esquerda Marxista lançou a palavra de ordem “Fora Bolsonaro” porque ela está conectada com a necessidade de jovens e trabalhadores de pôr abaixo este governo já. Este grito ganhou as massas na rua no dia 15 e vai continuar avançando.

Entretanto, Lula e a direção do PT, Boulos e a direção do Psol, o PCdoB, PCB, PSTU se colocam contra esta palavra de ordem. Os argumentos vão da submissão petista às instituições burguesas, dizendo que é preciso crime de responsabilidade para pedir o impeachment, enquanto outros dizem que estamos em uma conjuntura “reacionária” e que ainda não é hora de agitar o “Fora Bolsonaro”.

Na reunião da Direção Nacional do Psol, as resoluções políticas propostas pelas diferentes tendências ignoraram o combate pelo “Fora Bolsonaro”, enquanto Boulos e dirigentes do Psol se reúnem com partidos burgueses (PSDB, Rede, PV, Cidadania, PDT, PSB) para formar frentes em defesa da democracia. A democracia burguesa, obviamente. Estas direções de esquerda serão atropeladas pelas bases.

Próximos passos

Os desenvolvimentos da situação política após o dia 15 são imprevisíveis. O certo é que a crise e a instabilidade continuarão se aprofundando. A desmoralização do governo está ligada à decadência do próprio sistema capitalista. São mais de 13 milhões de desempregados – além dos que deixaram de buscar trabalho e os que estão em empregos informais. A dívida pública aumenta. A economia está estagnada e dá novos sinais de retração. O governo só tem uma saída: atacar os direitos e conquistas de jovens e trabalhadores. Isso só poderá causar novas explosões de luta.

Novos capítulos veremos nas manifestações de 30 de maio, convocadas pela UNE, e na Greve Geral marcada para 14 de junho. As bases podem transbordar novamente o bloqueio colocado pelas direções nestes dias, assim como ocorreu no dia 15. A Esquerda Marxista estará lá, levantando o “Fora Bolsonaro”, construindo a organização revolucionária capaz de ajudar na reorganização do proletariado brasileiro, na reconstrução de um partido de classe.

É possível vencer, é possível barrar a Reforma da Previdência, reverter os cortes na educação, derrubar este governo e avançar na direção de um verdadeiro governo dos trabalhadores. Junte-se a nós nesse combate!

Editorial do jornal Foice&Martelo 136, publicado em 28 de maio.

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