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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O fantasma da privatização ronda a CPTM

O ano mal começou e o mês de fevereiro já nos traz dois marcos nos processos de luta que se desenrolam na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

O primeiro diz respeito ao avanço decisivo do governo João Doria (PSDB) no caminho da privatização. Após meses buscando investidores, na China e em Nova York, declarações bombásticas na mídia e ensaios de audiências públicas marcadas para serem desmarcadas na semana seguinte, o governo fechou a data definitiva para dia 27 de fevereiro.

A expectativa desses senhores é resolver os destinos da ferrovia e dos mais de 8 mil trabalhadores e familiares através de uma canetada em uma cerimônia pomposa e de preferência com a cobertura da mídia. E os sindicatos? A CPTM conta com três para os trabalhadores e mais um destinado apenas à categoria dos engenheiros, mas essa pluralidade não impediu a empresa de cooptar todas as entidades oficiais de representação dos trabalhadores que, na prática – como nos mostrou a greve geral de junho de 2019 – têm atuado como freio nas lutas através da fragmentação da categoria.

Desde o princípio, as entidades sindicais têm atuado para desmobilizar os trabalhadores, desmentindo os “boatos” de uma privatização que não aconteceria, segundo eles, mesmo quando era anunciado pelo próprio governador, negando a possibilidade de demissão de trabalhadores ou de um Plano de Demissão Voluntária (PDV), fazendo o possível para reafirmar a confiança dos trabalhadores na direção da empresa que teria negado a possibilidade de demissões em suas conversas de bastidores com os dirigentes sindicais.

O mês de fevereiro chegou e logo em sua primeira quinzena todo esse desserviço é posto a nu: tudo que as burocracias propagandearam como boatos agora aparece diante dos trabalhadores como a mais dura realidade e todas as garantias evaporam no ar. Um PDV foi anunciado não apenas para as linhas que serão concedidas, mas para toda a CPTM. Para qualquer observador, mesmo o de mais boa fé, as direções sindicais aparecem como tolas ou traidoras.

Hoje, 13 de fevereiro, completam dois meses do auge da perseguição política ao Comitê de Luta contra a Privatização da CPTM que se concretizou no dia 13 de dezembro com a demissão por justa causa deste maquinista que vos escreve.

Remando contra a corrente e o desserviço de desmobilização prestado pelas entidades sindicais, segue o Comitê de Luta Contra a Privatização da CPTM. Reconhecendo que o verdadeiro perigo contra o projeto privatista de João Doria não vem dos sindicatos, mas sim do comitê fundado em setembro do ano passado. A diretoria da CPTM passou por cima de normas, ritos e até da própria lei para perseguir e demitir um ferroviário, achando que com isso os demais se calariam. Erraram. Agora a campanha contra a privatização ganhou amplitude também como uma campanha pela minha reintegração no quadro de funcionários da companhia e pela proteção ao emprego de qualquer ferroviário ameaçado de perseguição política.

Convidamos a todos a participar da campanha de moções e outras iniciativas do Comitê de Luta contra a Privatização da CPTM!

  • Não à privatização da CPTM!
  • Nenhuma demissão!
  • Abaixo a perseguição política aos que lutam contra a privatização!
  • Por um transporte público estatal e gratuito para todos!
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