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Foto: Agência Brasil

O assédio e a solidariedade de classe

É comum no discurso de diversos movimentos feministas a divisão da luta pelos direitos entre homens e mulheres, apenas pelo chamado “recorte de gênero”. Porém, enquanto mulheres marxistas, sabemos que nossos direitos não serão conquistados com essa tática que divide a classe. A teoria revolucionária, a história das revoluções e as experiências cotidianas das trabalhadoras e trabalhadores nos demonstram a necessidade dessa unidade para nossas conquistas.

O assédio contra as mulheres é diário e comum, nas ruas, no trabalho, no ponto de ônibus, em toda a parte. As mulheres passam por isso juntas, até mesmo simultaneamente, em muitas ocasiões. Nessas situações elas se identificam e também se solidarizam. Todo momento pode ser hora para conversar sobre política, sobre os ataques que sofremos e dialogar a partir de nosso lugar: a classe trabalhadora. Assim que deve ser nossa prática, nas ruas, no trabalho, no transporte público, pois temos experiência que são nesses momentos que firmamos um bom diálogo com nossas companheiras.

Ao mesmo tempo, pouco tempo depois de uma mulher sofrer um assédio verbal na rua, outra mulher de sua classe presencia o ocorrido e se solidariza. Não só isso como ainda tem a força de conversar sobre as políticas de governo que lhes trazem preocupação. Assim como também entre homens e mulheres trabalhadores, nos acontecimentos cotidianos, até mesmo nas ações mais singelas e gentis, como ceder um lugar no ônibus ao ver que a mulher trabalhadora está cansada, carregando todas as dificuldades para mais um dia de trabalho. Momentos simples também elucidam que nossa luta não pode ser travada contra os homens, mas ao contrário, ombro a ombro com eles: os homens de nossa classe.

A classe dominante sabe do poder dessa solidariedade de classe entre homens e mulheres, e como essa união já transformou as estruturas sociais, como na Rússia em 1917, por isso tenta a todo custo nos dividir das mais diversas formas possíveis. Coloca o homem trabalhador contra a mulher trabalhadora, aplica a reforma da previdência que acaba com a solidariedade de gerações, entre outras medidas. Mas é justamente com essa solidariedade quando o trabalhador se reconhecer como classe e se tornar consciente de toda exploração que a gente derruba este sistema. Por isso não podemos cair em distrações. A reforma trabalhista e da previdência estão aí e precisamos derrubá-las junto deste sistema e construir um mundo novo, um mundo socialista em que a exploração do homem pelo homem, toda desigualdade e violência fiquem no ontem.

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