Núcleo Jovens Operários-Jlle é lançado discutindo Movimento das Fábricas Ocupadas

“Eles fecham as fábricas, nós abrimos. Eles roubam as terras e nós ocupamos. Eles fazem guerras e destroem nações, nós defendemos a paz e a integração soberana dos povos. Eles dividem e nós unimos. Porque somos a classe trabalhadora. Somos o presente e o futuro da humanidade”. (Encontro Latino Americano de Empresas Recuperadas pelos Trabalhadores – Caracas, outubro de 2005)

No dia 20 de junho, domingo, realizamos a atividade ‘Juventude e as fábricas ocupadas’. A atividade contou com cerca de 20 participantes e serviu para conhecermos um pouco da história das fábricas ocupadas pelos trabalhadores no Brasil e no mundo. Os informantes da atividade foram Evandro Colzani e Mayara Colzani, dois jovens que estavam presentes nas fábricas Cipla e Flaskô durante a ocupação dos trabalhadores.

Evandro falou um pouco sobre o significado e a história das ocupações de fábricas no Brasil e no mundo. A ocupação de fábricas toca numa parte muito sensível para a classe dominante: os meios de produção, isso porque são os meios de produção a principal fonte de riqueza, de extração de mais valia e exploração da burguesia.

No Brasil, o movimento das fábricas ocupadas estava inserido em uma conjuntura radicalizada de lutas dos trabalhadores pelo mundo e no momento pós governo FHC e eleição do Lula.

No começo dos anos 2000, ocupar era a única solução viável para os trabalhadores, pois as fábricas passaram por uma crise que resultava na redução de salários, corte de funcionários e os direitos dos trabalhadores eram colocados em cheque pelos patrões. Com as fábricas na mão dos trabalhadores, eles reivindicavam a estatização destas para garantir seus empregos, salários e direitos.

Mayara deu ênfase na CIPLA, localizada em Joinville e ocupada em 2002, e na Flaskô, localizada em Sumaré SP e ocupada em 2003. Naquele período, a CIPLA e Flaskô estavam em crise. Os patrões tentaram leiloar as máquinas, mas os trabalhadores combateram isto, pois isso significava o fim da fábrica e centenas de trabalhadores desempregados. Então houve a ocupação e tentativa de estatização. O movimento dos trabalhadores contava com a organização Esquerda Marxista como direção, tiveram apoio de várias organizações de luta e de Chávez, da Venezuela, que inclusive colaborou com repasses de matérias primas.

Também foi citada a marcha de mais de 350 trabalhadores, que foram até Brasília pedir para Lula estatizar a empresa, mas Lula a serviço do capital, não estatizou.

Inúmeras conquistas foram adquiridas através da luta dos trabalhadores, como a redução da jornada de trabalho sem alterar os salários, criação de casas comunitárias (ainda hoje existentes em volta da Flaskô), atendimento à saúde emergencial, ginástica laboral e entre outras conquistas. Tudo através da organização dos trabalhadores.

Mayara ressaltou que a imprensa, estando na mão da burguesia, atuou da forma mais covarde e mentirosa, pois lançava matérias absurdas, como acusar os trabalhadores de estarem destruindo as fábricas e de formação de quadrilha, utilizada posteriormente para processar os dirigentes da ocupação.

Na Cipla em 2007, centenas de homens armados da Polícia Federal atacaram os membros da Comissão de Fábrica eleitos pelos operários e dezenas de outros trabalhadores, empossando um interventor federal. A polícia cumpria um mandado judicial, a pedido do governo federal, que cobrava uma dívida deixada pelos antigos donos, ou seja, uma dívida que não era dos trabalhadores, mas que eles tiveram que pagar com seus empregos. Com isso, a ocupação da Cipla teve seu fim.

Atualmente, o Movimento das Fábricas Ocupadas no Brasil continua com a Fábrica Ocupada Flaskô e se reagrupa com o apoio de entidades sindicais e de movimentos sociais do mundo inteiro.

A atividade deu ânimo para a luta revolucionária, pois são os exemplos que demonstram que é possível mudar as condições de vida e derrubar a classe que suga a nossa força de trabalho .

Após a atividade, foi fundado o núcleo ‘Jovens trabalhadores’ da Liberdade e Luta em Joinville. Organize-se!

Saiba mais sobre o movimento das fábricas ocupadas! 

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