Bolsonaro com a governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr - Foto: Marcos Corrêa/PR

Março e abril de morte em Santa Catarina

Os governos burgueses no Brasil iniciaram a pandemia contundentes no negacionismo científico diante a pandemia de Covid-19. Suas intenções nunca foram evitar os milhares de corpos se acumulando. Aliás, este nunca poderia ter sido o foco, pois não passam de administradores do balcão de negócios da classe dominante. Durante este período, ultrapassando um ano, divulgaram inúmeras mentiras, confundindo a classe trabalhadora com o auxílio das direções sindicais e partidárias, cúmplices da tragédia. 

Neste contexto, recentemente, tendo em vista a impossibilidade de maquiar os milhares de mortos, a maior mentira trabalhada pelos governos, e também pela imprensa, é da existência de um lockdown e de medidas suficientes para conter o vírus. Tais mentiras são propagadas tanto por Bolsonaro e seus asseclas, com o intuito de criarem uma autodefesa, acusando o suposto lockdown como o causador do desemprego e da miséria, quanto pelos governos estaduais, que, do outro lado, simulam preocupação para tentarem sair como os solucionadores da crise.

Em Santa Catarina, este discurso fraudulento e negacionista é constantemente repetido pelos jornais bolsonaristas e pelo esquizofrênico governo de Carlos Moisés (duas vezes afastado) e, agora, Daniela Reinehr. O governo catarinense afirma que os casos de contaminação caíram desde de março, devido ao seu enfrentamento à pandemia, por meio de sucessivos e limitados decretos. Decretos estes que, comicamente, parecem acreditar que o vírus dorme aos fins de semana ou que só frequenta bares e lanchonetes. Isto, em um misto de riso e ódio, é dito pela classe trabalhadora e a juventude, que diariamente é enlatada nos transportes públicos e se aglomeram em seus postos de trabalhos, em especial dos grandes meios produtivos.

Mas a verdade é revolucionária e por isso dizemos que, mesmo com as recomendações científicas para um verdadeiro lockdown desde março de 2020, o Brasil e Santa Catarina nunca o realizaram. Assim como não houve queda nos casos e mortes por Covid-19 no estado catarinense no mês de março. 

Em março, mês de vigência dos decretos supostamente mais enérgicos do governo, a alteração na evolução do número de contaminados foi praticamente nula, marcando 4.442 registros, sendo somente 2% inferior ao final de fevereiro. A evolução da doença foi constante no estado. A partir dos Boletins Epidemiológicos da Secretaria Estadual de Saúde, em tabela elaborada pelo Núcleo de Estudos de Economia Catarinense (NECAT-UFSC), a evolução da média semanal móvel de óbitos no estado, mostrou que em 1° de março foram 64 mortes, enquanto em 28 de março foram 135 mortes, um aumento de 111% em vidas perdidas! Significou que em 30 dias 3.395 mortes ocorreram no estado, algo em torno de 5 óbitos por hora. Isso nos assusta ainda mais quando vemos que este número é superior às mortes de março a outubro de 2020. Oito meses em um…

Mesmo que relativamente menor, o mês de abril também seguiu recebendo muitos caixões. O quadro de alguns dias foi: em 6 de abril 224 óbitos; em 8 de abril 146 óbitos; em 13 de abril 132 óbitos; e nas últimas duas semanas do mês de abril o estado fechou com uma média de 75 mortes. Em um ano, foram mais de 13 mil vidas ceifadas pela Covid-19. 

Isto evidencia que a política de enfrentamento à pandemia do governo catarinense, tal como do governo federal, é criminosa e assassina contra a classe trabalhadora. Não um genocídio, pois não está matando um grupo étnico específico, mas um assassinato em massa dos trabalhadores e jovens. Se em dezembro de 2020, Moisés dizia que o estado estava com bons indicadores, porque havia poucas mortes e este era o único número que importava, em março e abril de 2021 nada além de mentiras são ditas.

Em todos os períodos, defendemos a necessidade do lockdown e a organização dos trabalhadores pela derrubada de Bolsonaro, Moisés e Reinehr. Apontamos que os decretos e o verniz humanitário que o governo catarinense tentou pintar nos últimos meses eram fraudes. Fundamentalmente, temos a tarefa de explicar para nossa classe que a crise sem precedentes em que vivemos, econômica, sanitária, política e social, que este caos causado pela Covid-19, são resultados de um modo produtivo em decomposição, o capitalismo. Ao invés de ter seu fim com o apodrecimento que causa, o capitalismo está levando a humanidade para o aniquilamento e a Covid-19 é uma amostra disso.

Ao passo que estão dadas as barreiras criadas pelas direções sindicais e partidárias, que atrasam a queda destes governos assassinos, precisamos nos organizar concretamente, convocando todos os trabalhadores e jovens para as fileiras revolucionárias. Parar esta matança de vidas trabalhadoras significa, necessariamente, dar fim aos governos burgueses.

Por isso convocamos todos a participarem da live de 1° de maio, às 15h, realizada pela Esquerda Marxista, que será um ato político nacional online para lançar a convocatória de um Encontro Nacional de Luta. Nosso objetivo é discutir as formas e os meios para avançarmos na luta pela organização e mobilização do combate para ajudar as massas a derrubar o governo Bolsonaro.

Abaixo o governo Bolsonaro! 

Por um governo dos trabalhadores, sem patrões nem generais!

Referência

MATTEI, Lauro. A análise da evolução da Covid-19 em SC por parte do governo estadual está equivocada. NECAT-UFSC, 31.03.21. Disponível em: <https://necat.ufsc.br/a-analise-da-evolucao-da-covid-19-em-sc-por-parte-do-governo-estadual-esta-equivocada/>. Acesso em: 29 abril 2021.

News Google. Coronavírus (COVID-19), Santa Catarina. Disponível em: <https://news.google.com/covid19/map?hl=pt-BR&mid=%2Fm%2F01l_jz&gl=BR&ceid=BR%3Apt-419>. Acesso em: 29 abril 2021. 

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