Manifestação histórica em Caracas: 3 milhões nas ruas!

 



Relato do 2º dia (11/04/2013) do camarada Alexandre Mandl, enviado da Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela” a Caracas:

Hoje, 11 de abril, foi um dia histórico na Venezuela. Primeira concentração e marcha da revolução sem Chávez.

Há 11 anos, a burguesia, junto com o imperialismo, dava um golpe de Estado, mas são surpreendidos pelas massas venezuelanas que colocam, na marra, Chávez de volta, no que todos conhecem pelo documentário “La revolución no será televisionada”. Depois desse golpe, o processo avançou, rompendo a sabotagem patronal, com o povo venezuelano percebendo seu protagonismo.

Também relembrando que em 04 de fevereiro de 1992, há 21 anos, Chávez liderava um golpe contra a burguesia, organizando um setor dos militares. Preso, pede desculpas e diz, publicamente, que “por ahora, no tomaremos el poder”. 21 anos depois, o que hoje se cantava nas ruas de Caracas é que “lo que fué “por ahora”, se volvió “para siempre”.

Impressionante a garra do povo venezuelano com Chávez, mas também na vontade de defender um processo que tem trazido inúmeros avanços e que há clara percepção de ser um governo contra tudo que foi antes da eleição de Chávez. A reação contra os “yanquis de mierda” é muito forte e justificada. Por isso, a palavra de ordem mais escutada nos últimos 14 anos é “no volverán”.

Hoje a manifestação atingiu seu objetivo de ter 3 milhões de pessoas nas ruas de Caracas. Além da Avenida Bolívar, palco tradicional das concentrações populares, três quadras para cada lado também estavam tomadas pela população. O clima de festa e alegria era recheado por músicas e palavras de ordem. Muitas faixas e cartazes que diziam, resumidamente, que “Chavez Vive, La Lucha Sigue!”.

Para as eleições, o objetivo é atingir 10 milhões de votos, e mostrar para a burguesia que diferentemente do que ela imaginava, a morte de Chávez não enfraqueceu o processo revolucionário. É por isso que, desesperado, Capriles se recusou a assinar o documento da CNE (Justiça Eleitoral), não reconhecendo o resultado que vier das urnas. Tudo para tentar desestabilizar o próximo período, contando, com isso, com os grandes meios de comunicação.

Pelo menos por agora, há grande força do legado chavista, com camisetas dizendo “Soy um chavista maduro. Hacia al socialismo”. Todos dizem que agora a tarefa é derrotar a burguesia, e depois, teremos que aprofundar a revolução, porque Maduro vai sofrer muita pressão para conciliação, seja pela oposição, seja, principalmente, pelos setores da burocracia e dos reformistas. É nesse sentido que alertamos e repudiamos o que foi dito por Lula, de que para esse novo momento, sem Chávez, será necessário uma aliança mais ampla. Insistimos que é exatamente isso o que os venezuelanos não podem fazer. E, pelo que vi nas ruas hoje, com um ódio de classe tão grande, isso não deverá ocorrer, ou, se vier a acontecer, será com muitos confrontos, uma verdadeira guerra, com a base da classe trabalhadora e da juventude não tolerando qualquer recuo.

Junto com os camaradas da seção venezuelana da Corrente Marxista Internacional, chamada “Lucha de Clases”, estive presente na marcha, vendendo jornais e distribuindo um excelente boletim, com o resumo da carta aberta divulgada em www.luchadeclases.org.ve, que muito bem define os desafios que estão por vir. Foi com esse objetivo que o Secretário-Geral da Corrente Marxista Internacional, Alan Woods, esteve com Maduro e Adám Chávez, discutindo a situação da crise mundial e os desafios para a classe trabalhadora, particularmente o papel da Venezuela para a luta pelo socialismo em todo o mundo.

Com a camiseta das Fábricas Ocupadas, distribuí cartilhas da Flaskô e conversei com trabalhadores sobre a necessidade da luta pela estatização sob controle operário. Vi companheiros do MST e bandeiras do Uruguai, Peru, Chile, Equador, Bolívia. O processo venezuelano possui grande significado para a América Latina.

Por tudo isso, o último dia oficial de campanha foi o sinal que o processo revolucionário venezuelano precisava. Mostrar à burguesia que elegeremos Maduro não tolerando qualquer retrocesso, e que somente aprofundando as expropriações, avançaremos na construção do socialismo. A “marea roja rojita” mostrou que “Chávez vive, La lucha sigue”.

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