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Foto: SDUF

Luta camponesa em Myanmar (Birmânia)

Inúmeras tentativas de grilagem de terras ocorreram na Birmânia. Mais de 50% delas foram realizadas pelos departamentos militares e governamentais. O restante foi cometido por seus lacaios e capitalistas estrangeiros. Numerosas lutas camponesas vêm ocorrendo na Birmânia por suas terras de cultivo, estradas e bosques comunais. Entre esses casos, o recente protesto camponês na aldeia de Aung Thbyae, no município de Patheingyi, na região de Mandalay, merece uma menção especial.

A partir de 14 de maio, os camponeses da aldeia de Aung Thbyae bloquearam sua estrada comunal ao cruzamento de carros da Myanmar Conch Company. A empresa é constituída pela Anhui Conch Co., Ltd., e o grupo Myanmar Investment. Anhui Conch Co., Ltd., é o maior produtor de cimento na China. É propriedade do Governo Popular Provincial de Anhui, sindicatos e acionistas privados. Houve casos anteriores de protestos dos aldeões de Yanghcun, Guangdon na China; e dos moradores das cinco aldeias de Ulyanovskaya, na Rússia, contra a Anhui Conch Company, por causa das preocupações dos ativistas sobre o impacto ambiental, estando seus locais de construção muito próximos das casas dos aldeões.

Para construir a fábrica de cimento a carvão perto da aldeia de Aung Thbyae, Myanmar Conch açambarcou as terras, os bosques, os poços e as estradas comunais. O governo regional, liderado pelo primeiro-ministro do NLD, Dr. Zaw Myint Maung, vem protegendo o interesse dos capitalistas sem considerar a voz do povo. Os aldeões que participaram do protesto foram presos, acusados de diversos crimes e enfrentam sentenças de prisão de mais de um ano.

Natureza de classe do Estado

Ao olhar para as respostas dos governantes às lutas dos camponeses e às greves dos trabalhadores, pode-se ver claramente quais interesses de classe os governantes estão protegendo e que classes eles estão oprimindo. O governo do NLD, liderado pelo oportunista pequeno-burguês Daw Aung San Su Kyi, não ousa ir contra os interesses da classe capitalista burocrático-militar e dos imperialistas estrangeiros.

Como Lenin escreveu em “O Estado e a Revolução”, o Estado surgiu inevitavelmente dos antagonismos irreconciliáveis de classe, e é um instrumento para a exploração das classes oprimidas. Há um antagonismo irreconciliável entre a classe capitalista burocrático-militar, seus lacaios, os imperialistas estrangeiros, e o povo da Birmânia. O atual Estado na Birmânia é apenas um instrumento para essas classes oprimirem a maioria do povo: os trabalhadores e os agricultores.

A política respondeu aos protestos camponeses com gás de pimenta e balas de borracha. Agora os camponeses estão revidando. Foto: SDUF

Quando os aldeões de Aung Thbyae lançaram o protesto de bloqueio em sua estrada comunal, os aldeões de vilarejos próximos, como Thayet Kaing, Waiponla e Myakanthar, vieram mostrar sua solidariedade. Mais de 3.000 hectares de suas terras de cultivo foram açambarcados pelos ditadores militares e pela Myanmar Conch Company também. Em resposta, cerca de 300 policiais armados (os corpos de homens armados da classe dominante) vieram para ameaçar e cercar os aldeões. É encorajador ver a bravura dos camponeses diante das ameaças do chefe de polícia e da administração do município.

Os camponeses mantiveram sua luta para impedir a construção da fábrica de cimento movida a carvão, para obter a libertação incondicional dos aldeões presos e para encerrar todos os processos judiciais contra eles. O governo do NLD, que está camuflando os interesses de classe da classe dominante sob o escudo da democracia, não podia fingir ser um árbitro neutro enquanto os camponeses abalavam os fundamentos econômicos do governo burguês. No início da manhã de 15 de maio, a polícia atirou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo sobre os camponeses. 17 pessoas foram feridas e cinco aldeões foram presos.

Embora os camponeses não tenham lido os ensinamentos de Lenin, sabiam muito bem, através de suas experiências de passar por procedimentos burocráticos intermináveis nas tentativas fracassadas de obter o seu direito de manter a terra, que o Estado é uma força especial coercitiva para a supressão de uma classe por outra.

Os camponeses se defendem

Assim, quando a polícia enveredou pela ação violenta, os camponeses revidaram com bastões e catapultas. Ao atirar pedras pesadas para bloquear parte da estrada entre os policiais e os aldeões, as mulheres camponesas impediram o seu avanço. Ao mesmo tempo, algumas mulheres jovens prepararam garrafas vazias e as distribuíram aos homens camponeses. Então, os homens camponeses foram à fábrica de cimento e incendiaram o canteiro de obras.

Esta é a primeira ação violenta tomada pelos camponeses na época atual da Birmânia. Anteriormente, os protestos camponeses utilizavam métodos pacíficos, mas a classe dominante suprimia todos os protestos usando a polícia, o exército ou forças paramilitares, como Swam-Arr-Shin, patrocinadas pela antiga Junta Militar. Agora os camponeses na Birmânia aprenderam que só podem combater as medidas coercitivas da classe dominante usando a própria força. Mas os camponeses de Aung Thbyae tiveram agora de se retirar de sua aldeia e estão cercados pela polícia, uma vez que estes protestos ainda estão confinados a sua pequena região.

Os atos de legítima defesa em Aung Thbyae contra a política e Anhui Conch Co. (a qual teve sua fábrica de cimento incendiada) são a primeira ação não pacífica dos camponeses na era moderna de Myanmar. Foto: SDUF

Depois que a força policial cercou a aldeia, os burocratas começaram a tomar medidas para acusar muitos aldeões de vários crimes. Os líderes camponeses não podiam sair da aldeia. Cada aldeão tinha de ficar alerta, dia e noite, com as atividades da polícia, que poderia entrar na aldeia para prendê-los a qualquer momento. Alguns policiais estão protegendo os carros da empresa e o canteiro de obras.

Além disso, a Associação Patriótica de Myanmar ou MaBaTha (Associação para a Proteção da Raça e da Religião), liderada pelo monge racista e sedento de sangue Wirathu, chegou à aldeia simulando ajudar os camponeses e dando-lhes dinheiro. Mas os camponeses e seus líderes recusaram receber seu dinheiro e o devolveram. Isso mostra o forte desenvolvimento de sua consciência política, visto que não têm a intenção de permitir que sua luta de classe seja maculada por esses charlatões reacionários. Também se recusaram a receber dinheiro e alimentos das organizações apoiadas pelos governos capitalistas ocidentais, as ONGs.

Os camponeses da aldeia de Aung Thbyae estão sob a liderança do Partido Marxista-Leninista, Frente Unida Socialdemocrata (SDUF). A SDUF é financeiramente independente dos governos capitalistas ocidentais e das ONGs, dos capitalistas burocrático-militares e seus adeptos. A SDUF coleta fundos das cotas mensais de seus membros e de algumas doações privadas. Embora sua força financeira seja fraca, os membros da SDUF estão ao lado dos camponeses e trabalhadores, compartilhando com eles a mesma comida, bebida e abrigo.

Dado que existe um forte vínculo entre os interesses dos capitalistas burocrático-militares e seus lacaios, e as empresas estatais chinesas, como a Anhui Conch Company, os camponeses de Aung Thbyae e o SDUF necessitam de apoio revolucionário dos camaradas de todo o mundo. É necessária a solidariedade internacional para se continuar travando a luta de classes contra o Estado capitalista burocrático-militar e as políticas imperialistas capitalistas do governo chinês na Birmânia.

Trabalhadores de todas as terras, uni-vos!     

Confira mais fotos da luta dos camponeses em Myanmar.

Tradução Fabiano Leite.

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