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Incêndio na Austrália registrado a partir da Estação Espacial Internacional / Foto: ESA-L.Parmitano; CC BY-NC-SA 2.0

Incêndios, nuvem de gafanhotos, inundações, coronavírus: alguns males do capitalismo

Editorial do jornal Foice&Martelo 150, de 29 de janeiro de 2020. Confira outros editoriais aqui. Você também pode conhecer nosso jornal quinzenal e assinar por este link.

No Antigo Testamento da Bíblia são citadas 10 pragas que um deus demiurgo teria feito cair sobre o Egito porque o Faraó tentou impedir o “Povo Escolhido” de se libertar de seu julgo e sair do país. São João, que escreve o Apocalipse (no século I, segundo a tradição cristã) para ameaçar os que não aderiam à nova religião, reduziu tudo a quatro cavaleiros: Peste, Fome, Guerra e Morte. Assim, ficava muito mais fácil de decorar e propagandear às massas.

O capitalismo em sua época de decadência traz males que fazem lembrar as pragas do Egito ou as ameaçadoras profecias de João.

A concentração de gás carbônico na atmosfera produzida pela industrialização praticamente dobrou nos últimos 300 anos (medida em anéis de árvores e no gelo). Isto tem consequências graves: mudanças no regime de chuvas e de secas, inundações, monções, aumentos de temperaturas etc.

O maior gigante da economia mundial, os EUA, com Trump na presidência, reaviva a energia a carvão, mas mantém suas usinas nucleares, a produção de gás por cracking químico, o petróleo, a energia eólica e a energia solar. Na China, o “chão de fábrica” do mundo, tal qual nos EUA, todas as formas de produção convivem. Como a maioria das empresas são controladas por capital estrangeiro, as nuvens de poluição sobem em todas as cidades.

Além disso, enquanto se produz poluição, gás carbônico e mudanças como nunca visto, a retirada de direitos leva à miséria e à fome. O resultado de tudo isso aproxima o mundo das descrições apocalípticas feitas na Bíblia.

As mudanças climáticas levam ao fogo que se espalha por florestas, como em Portugal, Espanha, EUA (Califórnia) e, agora, na Austrália, com maior eficiência que as queimadas feitas na Amazônia brasileira. Levam também à eclosão dos ovos de gafanhotos na África e é previsto que, neste ano, as nuvens de gafanhoto devastarão as plantações no norte desse continente sem que nada esteja previsto para resolver o problema além de lamentos pela fome que a situação provocará.

A fome campeia, apesar de haver produção de alimentos mais que suficiente para alimentar todo o planeta. Porém, é evidente, o problema não é “ter comida”, é “vender comida”. E centenas de milhões não podem comprar. Aí a busca por qualquer fonte de proteína, inclusive de “animais exóticos”, ou seja, qualquer ser que se move torna-se um alimento. E, junto com isso, a transmissão de vírus interespécies, que levam a novas epidemias, como SARS, ebola e agora o coronavírus. O medo de uma nova epidemia como a da “peste negra”, na Idade Média, ou a “gripe espanhola”, no início do século 20, ronda o coração de todos os responsáveis por saúde pública e fazem a festa dos escritórios das grandes companhias de produção de medicamentos.

No Brasil, as inundações destroem cidades inteiras, como Castelo, no Espírito Santo, e matam – até o momento, morreram mais de 60 pessoas em Minas Gerais. Estes desastres são complementados pela política que destrói direitos e aumenta a exploração.

Exemplos disso foram a queda da barreira da Vale, que matou centenas e engoliu a cidade inteira de Brumadinho, e o descaso com o tratamento de esgoto e água no Rio de Janeiro, levando à distribuição de água totalmente poluída à população da cidade “maravilhosa”.

Quando estas crises se sucedem, Lula, para ajudar o governo, tenta construir uma coalizão burguesa em torno das candidaturas do PT, propõe que o PT avance nos evangélicos e termina elogiando as críticas de Bolsonaro à imprensa. Em vez de criticar as privatizações, demissões e fechamentos de fábricas, Lula passa a elogiar Bolsonaro.

No mundo, as revoluções continuam – Iraque, Líbano, Chile. No Brasil, as mobilizações de trabalhadores começam, como na Casa da Moeda e nos terceirizados e petroleiros de Cubatão. Se os líderes sindicais tentam segurar tudo isso, as massas têm explodido de maneira revolucionária quando enxergam toda a praga que o capitalismo produz. Elas procuram novas alternativas a estes líderes e aos partidos tradicionais. A tarefa dos marxistas (comunistas) é intervir nestes movimentos mostrando que a única saída é acabar com o capitalismo e instalar um mundo socialista, que priorize o desenvolvimento humano e não o lucro às custas da vida e da miséria humana.

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