Gregório Duvivier, um porta-voz da esquerda liberal

Não é a primeira vez que páginas e figuras influentes, incluindo Gregório Duvivier, se colocam a falar de assuntos com alegações distorcidas, absurdas e que vão na contramão das ondas insurrecionais que se desenham nas ruas, fruto de um capitalismo podre e decadente. Quem não lembra das expectativas criadas com a saída do Lula da prisão, onde se cogitou que ele mobilizaria as bases do PT e da CUT para uma greve geral contra o governo Bolsonaro? A verdade foi que, na primeira vez que pegou em um microfone, falou com todas as letras que não era pra derrubar o governo Bolsonaro, pois “o cidadão foi eleito democraticamente”.

Se é verdade que essas direções, aí inclusas as do PT, PCdoB, CUT, UNE, UBES, ANPG e inclusive a maioria das direções do PSOL há muito tempo abandonaram qualquer papel revolucionário ou minimamente combativo na luta de classes, se resumindo a apaziguadores e desmobilizadores de suas bases, em um momento de tensão insurrecional a nível mundial fica ainda mais evidente que suas atuações são em defesa do sistema e das instituições ao custo que tiver, ainda que estejamos falando de profunda miséria ou, em pandemia, de 50 mil mortos por Covid-19 no Brasil.

Foi nesse sentido que observamos, por exemplo, a relutância dessas direções em adotar o Fora Bolsonaro apesar das ruas gritarem desde o começo de 2019, ou mesmo antes, com os atos “Ele Não”, inspirados pelo “Not Him” em relação ao Trump, nos EUA. Agora, adotam na tentativa de empurrar a fúria das ruas a pedidos de renúncia ou, quando muito, processos institucionais de impeachment, com articulação por hashtags direcionadas ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), para que acolha o pedido.

A burguesia, por sua vez, enquanto segura o jogo para não provocar uma instabilidade ainda maior, dá as mãos a essas direções de esquerda e aponta todo tipo de aliança em defesa do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso Nacional, das instituições e da democracia burguesa. Foi o que vimos, por exemplo, nos vídeos de Marcelo Freixo (PSOL) trocando elogios com Janaína Paschoal (PSL), de Doria (PSDB) com Lula, na defesa da “frente ampla pela democracia” (burguesa) contra um suposto golpe fascista da cúpula militar do Bolsonaro, que cada dia se prova a inexistência de qualquer base social para que aconteça. O vídeo do Gregório não está destoante disso. Mas o que há de diferente agora?

Pano de fundo: mundo em revolta

As últimas semanas foram marcadas por intensos protestos em vários países, em especial nos Estados Unidos, após o assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis. É consenso que, se houve a fagulha de mais uma morte da polícia racista norte-americana, a pólvora acumulada nesse barril foi, junto a todos os assassinatos anteriores, toda a miséria que o sistema capitalista já traz em escalada crescente há muito tempo, que lançou a classe trabalhadora de vez ao precipício durante a pandemia.

Foto: David Geitgey Sierralupe, Flickr

A fúria dos trabalhadores identificou na polícia, a ponta da lança das forças de repressão da burguesia, o primeiro alvo e literalmente incendiaram a cidade, a começar pela delegacia onde os assassinos de farda trabalhavam.

Trump chegou ameaçar pelo Twitter – enquanto se escondia em um bunker na Casa Branca –, que iria começar um tiroteio, autoridades de Minneapolis hipocritamente pediram desculpas, deram respostas midiáticas com acusações de fachada, enquanto fianças compravam a liberdade dos policiais. 

Os protestos assumem cada vez mais um caráter anticapitalista, anti-colonial, reconhecendo o racismo como uma das faces da moeda do capital, resultado de todo o sangue derramado em solo norte-americano desde as invasões britânicas, o que inspirou a derrubada de estátuas de colonos e comerciantes de escravos até em países do outro lado do oceano. Ou seja, uma verdadeira onda insurrecional com evidente potencial revolucionário varrendo as ruas e contestando todo o sistema.

É nesse contexto que Gregório Duvivier resolve seguir o fluxo da desmobilização das direções de esquerda e lançar um vídeo pelo canal Greg News, em uma tentativa clara de acalmar os ânimos e encontrar saídas no diálogo, na conciliação, nas tão faladas reformas graduais no sistema capitalista. Ou seja, jogar água fria no calor das revoltas.

Lança na mesma semana em que vários partidos e sindicatos assinam o Manifesto Estamos Juntos, em conjunto com Luciano Huck, Fernando Henrique Cardoso e outros inimigos de classe, em defesa da constituição, da família, da lei e da ordem.

“Como aconteceu no movimento Diretas Já, é hora de deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum. Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia.

Defendemos uma administração pública reverente à Constituição, audaz no combate à corrupção e à desigualdade, verdadeiramente comprometida com a educação, a segurança e a saúde da população. Defendemos um país mais desenvolvido, mais feliz e mais justo.” (movimentoestamosjuntos.org)

O vídeo do Gregório

Gregório lançou um vídeo no dia 12 de junho com o título “Polícia”, pelo seu programa exibido no canal HBO, Greg News. Óbvio que ninguém esperava um pronunciamento revolucionário, muito menos patrocinado pela HBO. Mas há distorções e imprecisões históricas que ele coloca para combater as palavras de ordem pelo Fim da Polícia Militar e pelo Fora Bolsonaro, que têm potencial revolucionário e há muito tempo surgem espontaneamente nas ruas, empurrando para o campo do reformismo e da conciliação de classes.

Os fundamentos que levanta é no sentido de que são agitações exageradas, inofensivas e não devem ser levadas a sério, fazendo chacota e até deslegitimando suas origens:

“Parece canto de time pequeno, que parece que sabe que vai perder”. “Esse slogan é ruim (…) afinal, é dos mesmos criadores de ‘não vai ter golpe’, ‘não vai ter copa. Teve golpe, teve copa. ‘Não passarão’, passaram. ‘Fora Temer’, ficou.. (…) Então deixa eu dizer bem claramente: apesar de todos os problemas que a polícia tem, eu não quero o fim da polícia, eu quero outra função pra polícia, outras condições de polícia e outra lógica para a polícia.”

Mais do contestar a força das ruas e a legitimidade dos trabalhadores em repudiar o sistema de desigualdade em que são obrigados a viver, ele afirma que quando se fala Fora Bolsonaro “é claro que queremos outro no lugar dele, não o fim do presidencialismo”. Ou seja, que supostamente não queremos o fim do sistema, apenas trocar algumas peças.

Um literal balde de água fria no calor das manifestações. No mesmo sentido vieram outras figuras, como o Emicida, que afirmou não haver força para ir às ruas devido à desorganização, mesmo não tendo contribuído em nada para mobilizar enquanto assinava contratos de propaganda com o Banco Itaú. Se por um lado esse entendimento está completamente descolado da realidade, por outro precisa ser denunciado pelos que minimamente reivindique uma saída revolucionária.

Gregório aponta um caráter profundamente enraizado na Polícia Militar brasileira, o racismo, e o tratamento desigual para manifestações de direita e esquerda desde 2015. Trouxe dados sobre a letalidade da polícia, as mortes de crianças nas favelas, e outros fatores. Embora a palavra “classe” não tenha sido mencionada em momento algum do vídeo, até aqui são dados verdadeiros. A distorção começa quando aponta a origem histórica dessas contradições.

O racismo e a função histórica da Polícia Militar

Como ponto de partida para sua “explicação histórica” dos males da Polícia Militar, menciona a Política de Segurança Pública do Decreto-lei nº 667 de 1969, “quando se subjugou a polícia ao exército, logo após o AI-5”. Logo após, até ameaça ir mais a fundo, mencionando o brasão de armas da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), explicando que o ano 1809 e a sigla GRP evidencia que a força foi criada no intuito de proteger a família real, ainda na época do Brasil Império, e impedir que o Brasil fosse um país independente. 

Foto: Agência Brasília

Aqui o Gregório ignora o principal papel que essa Polícia jogou e ainda joga na luta de classes. Nas laterais do mesmo brasão, há dois ramos, um de cana de açúcar e um de café. Isso significa que, mais do que ser a segurança particular da corte, a PMERJ foi criada para manter a ordem da exploração canavieira e cafeeira, com mão de obra escrava e, mais tarde, principalmente italiana, preservando sua função em favor das elites da monocultura, se valendo do Poder de Polícia conferido pela coroa, representado pelas armas douradas.

No entanto, a PMERJ não foi o marco inicial das forças repressivas nesse sentido. Em 1775, o Regimento Regular de Cavalaria de Minas já trazia em suas linhas a função de manter a ordem para exploração do ouro em favor do reino português. Ou seja, o ponto em comum de todo agrupamento militar no Brasil, seja na Colônia, no Império, na Ditadura ou no Estado Democrático de Direito, sendo esses nada menos do que formas de dominação de uma classe por outra, é a função de manter a exploração do modo de produção vigente. Hoje, a PMERJ ainda cumpre seu papel no sentido de assassinar as camadas mais pobres com um radar profundamente racista para suas “balas perdidas” teleguiadas.

Chega a falar do risco a que os policiais estão submetidos durante a pandemia, mas mais uma vez ignora a função dessa corporação na luta de classes, levando em conta que, enquanto  trabalhadores também estão amontoados no transporte público, em péssimas condições de exposição ao contágio, em qualquer manifestação de trabalhadores, ocupações de fábricas, greves de professores, atos estudantis em defesa da educação, ou seja, qualquer reivindicação genuína da classe trabalhadora, lá estará a Polícia Militar brasileira atirando bombas e balas de borracha ainda sob o olhar das câmeras. Nos bastidores, tortura, execução e espancamento com barras de ferro. 

Certamente Gregório conhece esses dados. Porém, segue sua argumentação por outras vias. Se limita a expor os problemas de forma, mencionando as perturbações psicológicas causadas nos policiais, as péssimas condições de trabalho etc. e aponta como solução “uma polícia menos militarizada”, “salários decentes”, “hierarquias mais saudáveis”, afinal “precisamos de polícia para proteger todo mundo”.

Todos os dias, 43 policiais são afastados do serviço por causa de transtornos psiquiátricos. Segundo os pesquisadores, os principais motivos pra isso são o estresse por conta da atividade, insatisfações com a própria polícia e a relação hierárquica das corporações que leva a abuso de autoridades. Enfim, em outras palavras, um dos principais motivos para tantos policiais se matarem é ter um chefe escroto.” 

Contestar a forma e não a essência desse braço armado do Estado burguês dá a entender que alguns reparos são suficientes, e é justamente nesse ponto que mais adiante ele se apoia para falar que não devemos lutar pelo Fim da Polícia Militar.

Sobre o vídeo que viralizou do policial militar sendo xingado por um morador do bairro de elite Alphaville, Gregório aponta o problema como “privilégio branco”. Inegável a veia racista de qualquer polícia que ande nas ruas de qualquer país com histórico colonial como o Brasil e os EUA. Mas mais uma vez, Gregório esquece que a questão da cor tem ligação umbilical com a luta de classes. Os negros trazidos ao Brasil compuseram a camada escravizada durante o modo de produção ora vigente e ainda hoje estão predominantemente alocados em áreas profundamente pauperizadas da sociedade por causa do capitalismo.

Isso reforça o papel de classe que a Polícia Militar brasileira joga e isso independe da caracterização “militar”, de decretos, protocolos, nenhuma dessas formalidades. A polícia norte-americana, que assassinou George Floyd e tantos outros pelo mesmo critério de cor de pele, não tem a mesma configuração militar da PMERJ. Mas tanto lá quanto aqui não precisam de ordens superiores para torturar nas favelas, atirar em crianças e escoltar manifestantes de extrema direita, ainda que estes portem bandeiras nazistas, se vistam de Ku Klux Klan ou até atropelem manifestações de trabalhadores com um caminhão.

Gregório também fala das manifestações que acontecem nos EUA, talvez o principal motivo que o fez querer lançar esse dossiê de distorções históricas. Chega a mencionar a resolução das autoridades de Minneapolis em dissolver a corporação policial por terem avaliado que estava corrompida demais pra ser reformada. Logo em seguida, afirma que talvez a única saída para a situação do Brasil seja “modificar a função do policial armado”.

O fato das autoridades de Minneapolis “perceberem” que a corporação é ineficaz para os interesses do povo é pura hipocrisia,  maas a discussão a ser feita não é essa. O que é preciso dizer é que a polícia de Minneapolis, assim como toda polícia em um Estado burguês, é muito mais do que ineficaz em relação aos interesses da classe trabalhadora, ela é antagônica a eles. Não é uma simples dessincronia, é uma colisão frontal de interesses. O incêndio da delegacia deixa claro que a classe trabalhadora percebe isso. O que está colocado aos nossos irmãos de classe norte-americanos é justamente abolir esses agrupamentos da burguesia e seguir para o que instintivamente já é feito em situações insurrecionais: a organização da própria classe em armas.

Assim aconteceu no Sudão no ano passado, quando manifestantes tomaram as principais cidades, ergueram barricadas e proibiram o acesso da polícia e do exército. Da mesma forma no Chile, Equador, França e vários outros países cujas ruas arderam em revolta antes da quarentena. O caráter de classe desses protestos é tão presente que os próprios militares de baixa patente se juntam às fileiras devido às suas origens proletárias. Ainda hoje, assim acontece em Seattle, onde a delegacia e todo o bairro de Capitol Hill foi tomado, ou nas comunidades do Rio de Janeiro, onde os moradores se juntam para prestar assistência de saúde e alimentar, enquanto a PMERJ assassina voluntários, como aconteceu há poucos dias.

Dos bastidores da HBO, Gregório não enxerga essas importantes experiências que andam na mesma direção e sentido de processos históricos como a Comuna de Paris justamente porque essas situações de duplo poder colocam em risco o sistema que ele e as direções de esquerda se dispõem a defender.

A defesa do sistema assassino

Ainda mais deformada do que essa visão idealista do que representa a polícia em um Estado burguês, o humorista segue falando que não quer acabar com a polícia, mas ajudá-la… e quem quer acabar com ela, na verdade, é o governo Bolsonaro.

E a partir daqui segue falando sobre o quanto Bolsonaro desrespeita as instituições, inclusive as repressivas, e se lança em defesa delas. Chega a falar que a Polícia Federal tem uma autonomia “duramente conquistada” e Bolsonaro a coloca em risco quando tenta interferir nas investigações contra os crimes de seus filhos. Gregório alimenta uma ilusão de que as instituições são essencialmente neutras e ilibadas. Uma posição que é fruto da deficiência crônica em não considerar o critério de classe das leis, do judiciário e das polícias no nosso ordenamento.

Foto: André Gustavo Stumpf, Flickr

Ou seja, enquanto o mundo está incendiando os prédios da repressão burguesa, Gregório anda na contramão em defesa da polícia, como um verdadeiro porta voz da burguesia que tenta a todo custo se desvencilhar de suas próprias contradições históricas. “Bolsonaro não valoriza a polícia” e “não dá pra gostar da polícia e apoiar Bolsonaro”. Que tipo de afirmações são essas? Em plena convulsão insurrecional no mundo? Bolsonaro por acaso não é a expressão da repressão sistêmica em favor da burguesia? Não foi Bolsonaro que prometeu moralizar as instituições, que fala abertamente em utilizar as forças armadas e, junto com Sérgio Moro, procurou dar ainda mais poderes pras execuções sumárias da Polícia Militar? Como “não dá pra gostar da polícia e apoiar Bolsonaro”?

Gregório afirma que o discurso do Bolsonaro sobre o armamento significa privatizar a segurança pública.

Deixa de apontar que essa falácia do Bolsonaro é profundamente hipócrita visto que o governo e a burguesia jamais armariam de fato a classe trabalhadora, principalmente com as grandes manifestações que estão por vir.  Além disso, adotando essa posição, Gregório claramente se opõe ao direito dos trabalhadores de se armarem em defesa de seus interesses de classe.

Para Gregório, a hipótese do armamento geral da população “tiraria o monopólio de violência da polícia” e que a medida “insinua que a PM é incapaz de fazer o seu trabalho”. Não é preciso gastar linhas para dizer que o monopólio da violência do Estado burguês nunca foi um interesse da classe trabalhadora. Mas vale dizer que essa preocupação do Gregório aponta que ele não joga do nosso lado da história.

Aqui ele “corrige” a palavra de ordem do Fim da Polícia Militar para “Não acabou, tem que acabar, o Bolsonaro está precarizando e aparelhando a Polícia Militar”. O termo da precarização traz um comparativo com o que a burguesia faz com a saúde, educação e transporte, por exemplo, como se a Polícia Militar fosse um direito nosso enquanto cidadãos, uma conquista da classe trabalhadora, o que é completamente abominável. E piora: afirma que esse entendimento foi marca registrada de regimes autoritários, em especial na Alemanha e na Itália sob os comandos de Hitler e Mussolini.

Cabe ressaltar que agrupamentos paramilitares como os Freikorps na Alemanha ou a MVSN da Itália, que mais tarde inspiraram a Schutzstaffel e os Camisas Negras, encontraram espaço justamente na lacuna que o Partido Social Democrata alemão permitiu exatamente quando decidiu pelo apoio ao Estado e às forças repressivas do Kaiser contra o processo revolucionário da classe trabalhadora, que perdeu cada vez mais força devido à traição dessas direções e foi, por fim, fisicamente trucidado.

Então se há alguma comparação a ser feita com o período de ascensão do fascismo é justamente a traição dessas direções de esquerda. A diferença é que, naquela época, as lutas da classe trabalhadora foram sabotadas, desmoralizadas e derrotadas pela falta de uma direção revolucionária. Hoje, a classe trabalhadora ainda não entrou definitivamente nesse terreno. Consequentemente, não houve de fato uma derrota. Muito pelo contrário. As lutas estão cada vez mais radicalizadas e literalmente incendiando as instalações da burguesia que, acuada, se defende como pode. 

O movimento que essas direções de esquerda tentam fazer é para desmontar o caráter revolucionário das manifestações, fazer a classe trabalhadora desistir da luta. Felizmente, a roda da história não depende de um vídeo do Gregório, de uma fala do Lula, uma nota de repúdio do Marcelo Freixo ou de um manifesto como o “Estamos Juntos”. Ainda assim, cabe denunciar a tentativa e manter hasteada a bandeira da revolução nas revoltas em gestação.

As saídas apontadas para nossa classe é, sim, o fim da polícia que historicamente serve para manter a exploração entre classes, o fim do próprio sistema capitalista e o fim de seu Estado burguês. Quando Gregório traz a preocupação sobre a saúde dos agentes da segurança pública que, de fato, em grande número têm origem familiar na classe trabalhadora, deveria apontar que a questão não se resolve dando “melhores condições” de trabalho, já que esse trabalho é exatamente reprimir a classe trabalhadora em defesa dos interesses da burguesia. Vários agentes, seja da inteligência ou da ronda ostensiva, poderiam contribuir e muito em agrupamentos destinados à proteção dos interesses da classe trabalhadora, se fosse o caso. Isso só pode ser conquistados em uma nova estrutura de segurança, em um novo contexto e uma nova origem histórica, dessa vez escrita pela própria classe trabalhadora.

A Polícia Militar ou qualquer polícia da burguesia jamais podem ser “convertidas” ou “melhoradas” a forças a serviço da população. É uma contradição histórica insanável. As preocupações são válidas, mas levantá-las em defesa da continuidade da polícia de Estado da burguesia é uma contradição profunda (para não falar leviana ou oportunista).

O primeiro passo para uma nova configuração de segurança pública é justamente organizar a classe trabalhadora em defesa de seus próprios interesses e derrubar esse governo assassino que hoje ajoelha no pescoço da classe com uma contagem de mortos por coronavírus acima de 50 mil. Portanto, o Fora Bolsonaro deve apontar a uma derrubada insurrecional que varra ele, o Mourão, todos os seus ministros e abra campo para um governo socialista dos trabalhadores. É isso que se desenha nos próximos períodos e nós, marxistas, devemos ser impulsores desse processo, denunciando os enganadores e fechando as portas aos oportunistas.

Dessa forma, a grande parteira da história cuidará de colocar cada um em sua devida página no livro da humanidade.

  • Fim da Polícia Militar!
  • Fora Bolsonaro, por um governo dos trabalhadores, sem patrões nem generais!
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